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Artistas “sufocados” pela pandemia fazem manifestação nacional este Domingo

Um número indeterminado de artistas e proprietários de restaurantes pretende fazer um protesto a nível nacional este domingo devido aos impactos sobretudo financeiros que estão a sentir desde Março, por conta da pandemia da Covid-19. A ideia inicial era fazer uma passeata no dia nacional da cultura, mas tudo indica que isso não será possível, pelo menos em S. Vicente. Segundo Paulo “Palass” Brito, a Delegacia de Saúde de S. Vicente não deu aval para o efeito, pelo que será difícil conseguirem o consentimento da Câmara e da Polícia Nacional. Mas nem por isso o grupo pretende desistir. Em alternativa, os artistas pretendem concentrar-se com o devido distanciamento físico numa praça ou na Avenida Marginal munidos de cartazes com mensagens alusivas à sua causa.

“Estamos a enfrentar dificuldades há cerca de oito meses, somos pais de família, temos as nossas dívidas para cobrir e até hoje houve apenas a iniciativa do Ministério da Cultura 100Artistas, que atribuiu 10 contos aos artistas que actuaram via internet. Por aquilo que sabemos, nem todos receberam esse valor e pergunta-se o que significa 10 mil escudos em oito meses?!“, exprime o músico mindelense. Palass lembra que a situação está a afectar todos aqueles que giram em torno da arte, principalmente da música, como os técnicos de som, proprietários de equipamentos e pessoal que aluga e monta palcos.

Isto sem falar nos restaurantes, que foram obrigados a suspender as noites culturais e que serviam de chamariz para os clientes. Palass realça que a Polícia e a IGAE têm impedido a música ao vivo nesses espaços.

A iniciativa partiu dos artistas do Sal, ilha onde, segundo Nuno Levy, há mais pessoas gravitando em torno da animação cultural por causa do turismo. É que, devido a pandemia, os hotéis fecharam as portas, outros espaços seguiram o mesmo caminho ou então tentaram resistir e manter as actividades culturais. Só que, conforme Levy, muitas vezes foram obrigados a parar a música ao vivo pela Polícia Nacional e agentes da IGAE.

“Isto já ultrapassa uma situação pontual porque já vamos em 8 meses. Queremos chamar a atenção das autoridades e da sociedade para aquilo que se passa porque somos parte essencial deste país, temos nossas responsabilidades e somos trabalhadores honestos”, comenta Nuno Levy.

Se em S. Vicente a passeata deverá ser substituída por uma “concentração”, no Sal a manifestação está garantida. Segundo Levy, a organização já cumpriu todas as exigências das autoridades, embora, saliente, o protesto popular é um direito constitucional. Este garante que todas as directivas serão cumpridas para evitar a propagação do coronavírus. Deste modo, os manifestantes concentram-se às quatro e meia, para as cinco horas percorrerem as principais artérias da cidade dos Espargos.

A expectativa é que as autoridades adaptem as restrições no sector da cultura para minimizar os impactos financeiros na classe artística. Aliás, para Nuno Levy, essa iniciativa, “que não tem cunho político”, já começa a ter resultados.

A seu ver, uma prova concreta foi a declaração do ministro da Cultura, segundo a qual o Governo aprovou uma resolução que determina as medidas a serem adoptadas pelos espaços culturais para a retoma gradual das actividades laborais e económicas ligadas ao sector. Como noticia o jornal Expresso das Ilhas, o ministro assegura que os eventos musicais e espectáculos podem ser realizados desde que cumpridos certos requisitos. O governante reforça que faz algum tempo que boa parte dos eventos destinados ao pequeno público já estavam autorizados.

A manifestação foi marcada para 18, dia nacional da cultura, e deve acontecer em simultâneo em S. Vicente, Sal, Boa Vista, Santiago e Santo Antão.

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