Lura Nina Santiago

Dia da criança: Lura lança música “Nina Santiago” dedicada à sua filha

A cantora Lura lançou hoje na internet uma música dedicada à sua filha e a todas as crianças, um tema inédito de Mário Lúcio Sousa, com arranjos de Tiago Machado. “Nina Santiago”, diz a artista, é o nome da pessoa mais especial na sua vida. A música, em jeito de samba, é entendida por Lura como uma forma de celebrar o amor incondicional, o sentimento que cresce como uma planta regada e cuidada todos os dias.

“Quero celebrar esta fonte de inspiração, alegria e motivação que é a minha Nina e que são todas as crianças do mundo. Crianças que, com a força da
sua inocência, nos motivam dia-a-dia a sermos melhores pessoas, mães e pais e a superar com distinção cada dificuldade
“, declara a cantora de Nariná, que se apresenta como “mãe a solo”, o que intensifica, para ela, a aprendizagem diária e privilegiada da companhia da sua menina, por cada momento passadas juntas.

A cantora aproveita a oportunidade para deixar uma mensagem de reconhecimento a todas as “mães a solo” e admitir que ser mãe ensinou-a a valorizar ainda mais a força e o significado de ser mulher. “Estou a
aprender diariamente a encontrar o meu lugar na vida da minha filha e a posicionar-me de forma a que no futuro ela seja a melhor pessoa possível e acima de tudo que seja o que ela quiser realmente ser
“, enfatiza Lura, para quem as crianças são o maior presente da humanidade, o presente e o futuro. Realça que o mundo será tanto melhor quanto maior for o amor que lhes for dispensado hoje.

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Fantcha 1

Fantcha, como nunca se viu, destaca personalidade, caráter e humildade como chave do sucesso

A cantora cabo-verdiana Fantcha, que reside em Nova Iorque (EUA), chama a atenção das jovens artistas para três atributos que fazem um artista e que, sem eles, dificilmente se consegue chegar ao sucesso: personalidade, o caracter e a humildade. Em entrevista ao Mindelinsite, a artista garantiu que estas características fizeram de Cize aquilo que foi na música de Cabo Verde. E ela jamais poderá ser substituída. Falou também da infância vivida com muitos sacrifícios e das brincadeiras de criança pelas ruas da Chã de Alecrim. Disse que o seu sonho é a cantar para as pessoas que a viram crescer na zona norte da ilha de S. Vicente. Em relação a crise pandémica da Covid-19, Fantcha defendeu que deve ser vista com “preocupação e prevenção”

João A. do Rosário –

A cantora cabo-verdiana Fantcha, 55 anos, considera inaceitável o facto de, sempre que surgir uma nova voz em Cabo Verde, esta ser comparada a Cesária Évora. Segundo esta artista, já é chegada a hora de parar de estabelecer paralelos visto que a diva é insubstituível. “Haverá sim seguidoras. Mas, igual a ela, jamais”, frisou a artista, assumida admiradora da “diva dos pés descalços”, que acredita que ela pode servir de inspiração para muitas jovens cantoras que continuam a surgir no cenário da música tradicional de Cabo Verde e com lindíssimas vozes.

Neste retrato de vida, um de muitos feitos ao longo da carreira, a cantora resolveu aprofundar a cerca da sua infância de dificuldades. Mas, conforme fez questão de realçar, vivida cheia de felicidade. Hoje Fantcha alega que é importante saber-se estar na vida, perante a pessoas e os fãs, e isto é possível, segundo ela, com personalidade, caracter e humildade que em toda a sua vida só viu na Cesária Évora.

Reconhece enorme talento na nova leva de cantoras que denomina “nha menininhas”, caso de Ceuzany, Jennifer Soledad, Ely Paris, entre outras que, sim, poderão seguir o exemplo de Cesária. “Nunca mais vai ter outra Cesária. Temos é que fazer tudo para nunca deixá-la cair no esquecimento por tudo o que fez e onde colocou a nossa música tradicional, a morna e a coladeira”, diz, apelando aos jovens para se agarrarem aquilo que ela fez e dar assim continuidade a obra.

Infância difícil, mas feliz

De fácil diálogo, extrovertida e com grande sentido de humor que sempre a caracterizou, Fantcha conta que, na infância, era chamada de Fancha por familiares e amigos. Lembra que a vida não foi fácil. Filha de mãe solteira e com mais dois irmãos revela que desde a tenra idade percebeu que tinha que trabalhar para ajudar nas lides da casa. 

Carregou água para consumo doméstico à sentina municipal e à antiga JAIDA, que transportava em recipientes de latas ou de plásticos. Uma atividade doméstica difícil, mas que não podia deixar de ser feita, conforme explicou. Orgulha-se de ter saído à rua para vender peixes e mariscos em casa das pessoas. Peixes que o irmão, falecido em circunstância dramática, trazia das fainas pesqueiras que se lançou também desde cedo para poder ajudar no sustento da família. Recorda  ainda de vender pastéis pelas ruas da Zona de Chã de Alecrim, onde viveu a vida toda e de onde guarda belas recordações e amizades. 

Esta artista mindelense, hoje consagrada no panorama musical local, cabo-verdiano e principalmente internacional, lembra com nostalgia reflectida no rosto as brincadeiras de infância que caíram em desuso devido as novas tecnologias: senhor barqueiro, anel, castigadinha, trouxes as cartas em que, de acordo com ela, davam beijinhos no rapazinho que mais gostava..(risos), salto nas arvores, enfim. 

Fantcha confessa que a zona onde cresceu está muito diferente. Devido ao desenvolvimento as crianças já não brincam como no seu tempo de menina e moça. “Fico contente com a evolução. Faz parte e o progresso também mas, na nossa idade, não havia estas coisas de tecnologias. E não nos fizeram falta porque éramos mesmo muito felizes e livres”, frisa Fantcha, que confessa que cresceu como uma criança rebelde e, por causa disso, poucos adultos gostavam dela. “Tinha um mau feitio, que as vezes gostava de mostrar”, fala

Mas garante que, devido às dificuldades da vida, teve que criar o seu próprio escudo para defender-se, o que fez dela a mulher guerreira, extrovertida, livre, independente e sorridente que é hoje, porque nunca deixou morrer a criança que ainda existe dentro dela. 

Despertar do Talento

A descoberta do seu talento, atribui ao facto de ter como referência no início da sua carreira grandes nome como Ti Goy, Cesária Evorá e Chico Serra acompanhado do seu Piano Bar. “Sim, ali foi, digamos, uma forma mesmo séria e é sobejamente conhecida de todos” disse. 

Admite que existe uma história que vem por detrás, embora nunca pensou que seria a artista que hoje é. Conta que a sua paixão pela música começou a despontar cedo, dentro de casa. Os irmãos tocavam cavaquinho e violão, e a mãe, D. Fatinha já falecida, era dona de uma espetacular voz. “Havia os senhores da zona que iam até a nossa casa beber o copinho de aguardente que a minha mãe vendia e acabavam por formar uma orquestra de bons tocadores. Das tocatinas saiam grandes mornas e as coladeiras. Minha mãe cantava muito bem e as vezes eu atrevia a acompanhá-la”, indicou

Com o surgimento, depois da independência de Cabo Verde, do conjunto musical “Progresso”, na Zona de Chã de Alecrim, quase todos os dias e, principalmente, nos finais de semana havia os saraus musicais. Fantcha conta que as vezes era convidada interpretar uma canção, junto com a cantora Lutchinha, que era muito mais solicitada. 

Desta pequena banda de bairro, surgiram nomes como Jorge Humberto Neves, Nhela Santos e Adriano Santos. Havia ainda o Bick Moreira, Amâncio, Maruca Rendall, Adolfo, Pirila, de entre tanto outros. “A nossa zona produziu grandes artistas”, constata Fantcha, que se mostrou aberta a, um dia, poder participar numa espécie de festival de artistas de Chã de Alecrim, inclusive porque alguns dos nomes locais já figuram no panorama da música cabo-verdiana. 

Seria a concretização de um sonho cantar para os senhores e senhoras da Zona que a viram crescer, mas nunca puderam assistir uma actuação sua. “Se alguém pegar esta ideia e transformar num evento, seria uma enorme satisfação fazer parte do elenco de artistas.”

Para além dos saraus, Fantcha testou a potencia das suas cordas vocais no Carnaval de São Vicente. Conta que participou dos ensaios do grupo “Flores do Mindelo”, onde encontrou o incontornável “Ti Goi”. Este terá dito a jovem cantora que ela fazia lembrar a Cesária Évora, quando a diva tinha a sua idade. Nascia uma amizade para a vida. 

Esta lembra ainda a sua passagem pelo conjunto Grito de Mindelo onde voltou a encontrar músicos como o Bau, Nhone Lima, Nhela e Adriano Santos, Pirila, o conceituado baterista Tel e o baixista Nando Lopes. O trio de vocalistas deste agrupamento musical era composto por Fantcha, Nataniel Simas e Djuna, que sucederam o cantor Dudu Araújo.

Momentos Agridoce

Afirma que os momentos mais felizes e inocentes da sua vida foram vividos com a família, quando estava em Cabo Verde. E, depois, quando voltava para casa para beijar e abraçar os filhos, a mãe e os irmãos. Em termos artísticos, garante que a sua carreira musical só alavancou quando foi convidada por Adriano Gonçalves (Bana), já falecido, para gravar o primeiro trabalho discográfico.“O meu primeiro disco, intitulado de Boa Viagem, constitui a minha identidade musical. A sua gravação foi o momento de maior felicidade  para a minha carreira artística e que mais me marcou”, disse

Admite no entanto que o momento foi um pouco agridoce porque obrigou-a a deixar para trás os filhos e a família e a abraçar uma carreira. Esta lembrança ainda emociona a cantora. Segundo Fantcha não foi um, mas sim vários momentos: em seis meses perdeu a mãe, o irmão Gay, que foi um exímio mergulhador de São Vicente. “Não lhes consegui dar sequer um abraço. Também não posso esquecer a morte daquela que foi a minha segunda mãe, Cesária Évora”, lamenta.

Quanto ao futuro, a cantora diz ter na forja um projeto para editar um single. Já está a trabalhar na sua concretização e será um dueto com Tito Paris. Em relação aos concertos, revela que teve que adiar a sua programação deste ano por causa da pandemia da Covid-19, tanto em Cabo Verde, como nos Estados Unidos e na Europa. Mantém no entanto a esperança de poder repor todos os espectáculos em 2021.

Cantar Funana

Com uma carreira sólida e sobejamente conhecida, a cantora admite que o momento é propício para arriscar e fazer coisas novas. Este salto vai ser cantar um funaná, um género musical tradicional de Cabo Verde que, no dizer de Fantcha, exige uma outra alma, diferente daquela que mostra aos interpretar uma morna e coladeira.

Orgulha-se de já ter feito muitas “coisas boas”, ao longo da sua carreira, para a cultura e a música tradicional e prometo continuar a ser a cantora e mulher cabo-verdiana que sempre foi e é. “Vou continuar a contribuir para enriquecer a cultura do meu país, mas já não como antes” sublinhou Fantcha, que criticando a industria musical que, afirma mudou muito.

Destaca o álbum “Criolinha”, lançado em 1999 na Plataforma Internacional nos EUA. Uma das músicas, “Sol Tá Cambá”, constitui o “Jingle” de abertura da série televisiva, The L Word passada na TV nas terras do “Tio Sam”, mas pouca gente aqui em Cabo Verde conhece o álbum, o que a entristece. Ao longo da sua carreira, também actuou em concertos em Hollywood com artistas famosos como Gilberto Gil, Waldemar Bastos e Ana Carolina. Passou por palcos no Canada, México, por todo os Estados Unidos e Europa. 

Para além de cantar, Fantcha tem feito algumas incursões na composição com temas dedicados a Cesária Évora, que considera sua mentora, e ao irmão e a mãe. Cita, a titulo de exemplo, a letra do “Nós Caminhada” e “Amor, Mar e Música”. Paulatinamente está conhecida no mercado norte-americano,  feito que a levou a festivais prestigiados como o Hollywood Bowl, o Chicago World Music Festival e o Summerstage, em Nova Iorque.

De nome completo Francelina Durão Almeida, a cantora tem na sua discografia cinco álbuns: Boa viagem (1988), Criolinha (1999), Viva Mindelo (2001), Amor, Mar e Música (2010) e Nós caminhada (2017).

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EnPalco100Artista

EnPalco100Artistas ganha financiamento de 10 mil euros da UE

A 2a edição do programa EnPalco100Artistas, criado pelo Ministério da Cultura e das Industrias Criativas e operacionalizado pela Bureau Export Music Cabo Verde (BEMCV),  vai ser financiado pela União Europeia num montante global de dez mil euros, ou seja, um milhão de escudos. A reposição deve-se ao sucesso da 1a edição, em que actuaram até agora 71 artista para 260 mil espectadores em pelo menos uma dezena de países.

Esta parceria, de acordo com um comunicado emitido pela tutela, resulta do reconhecimento por parte da UE do papel fundamental da cultura e no desenvolvimento das relações com Cabo Verde. Neste sentido, diz, uniu-se nesta iniciativa do MCIC, que tem como objectivo a transferencia directa de rendimentos para os artistas e criadores com residência fixa no país e que vivem exclusivamente da arte. É que estes, por causa das medidas de contingência e de confinamento, viram canceladas as suas actividades.

Graças a este novo financiamento, o MCIC acaba de abrir as candidaturas de 18 a 24 para o certame. Podem concorrer artistas e fazedores de cultura cabo-verdiana residentes, mas também estrangeiros que vivem em Cabo Verde. “A realização da 2a edição do EnPalco100Artistas é uma das formas encontradas para fazer face ao impacto do SARS-Cov-2, o novo coronavirus que obrigou a Organização Mundial da Saúde a declarar a situação de pandemia em março do corrente ano”, justifica, realçando que a cultura foi um dos primeiros sectores a ser afectados pelo vírus.

Foi para minimizar os efeitos no sector e na vida dos artistas e fazedores da cultura, sobretudo porque muitos dependem exclusivamente da cultura para viver que, segundo o MCIC, o Governo disponibilizou uma verba para custear os caches dos que participaram na primeira edição. Novamente, agora, todas as actuações e performances nas áreas das artes plásticas (pintura e escultura), dança, música, teatro, Stand Up Comedy e Slam Poesia/literatura, serão premiados com a quantia de 10 mil escudos, excepto se este o artista já beneficie de qualquer outra prestação atribuída pelo Estado durante a vigência das medidas restritivas adoptadas no âmbito da pandemia da Covid-19. Neste caso receberá apenas 60% deste montante.  

Para candidatar, os interessados têm apenas de aceder à plataforma para preencher os dados. De referir que, EnPalco100Artistas prevê a atuação de 100 artistas, de vários setores que utilizam a plataforma digital para mostrarem a sua arte. Dos 100 artistas selecionados para 1a edição, atuaram, até este momento 71, correspondendo a quatro mil horas horas de performance em direto (livestream), e 260 mil visualizações, com espetadores de Cabo Verde, Portugal, Estados Unidos, França, Holanda, Brasil, Reino Unido, Angola, Luxemburgo, Espanha, Senegal e Suíça. 

De acordo com o MCIC, o público-alvo com maior alcance pertence à faixa etária 25-31, seguido de 35-44 anos e 45-54 anos.

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Museus

Dia Internacional: Museus encerrados por causa da Covid-19, aposta em visitas virtuais

Celebra-se hoje o Dia Internacional dos Museus, data instituída pelo Conselho Internacional (ICOM) para mostrar que “os museus são um importante meio de intercâmbio cultural, enriquecimento de culturas e desenvolvimento de entendimento mútuo, cooperação e paz entre os povos”. Novos desafios se colocam, sobretudo a nível da gestão dos museus centrada no público e na necessidade do seu reposicionamento nas dinâmicas socioculturais da realidade onde se inserem, sobretudo este ano em que a efeméride é assinalada com os museus encerrados.

Em comunicado, o Governo diz que esta data tem tido uma enorme importância na medida em que contribui para uma maior interacção e partilha entre profissionais do sector em todo mundo. “Os museus não mais serão uma instituição eliminada, destinada a um segmento muito restrito da população, daí fazer especial sentido o lema escolhido pelo Conselho Internacional dos Museus (ICOM) para o presente ano. “Museus para a Igualdade: Diversidade e Inclusão”.

Este lema, prossegue a nota, pretende alertar para a necessidade de olhar para o Museu como “ponto de encontro para celebrar a diversidade de perspetivas que compõem as comunidades e o pessoal dos museus, além de promover ferramentas para identificar e superar preconceitos através do que expõem e das histórias que contam”. 

Em Cabo Verde existem 24 museus, dos quais 8 estão sobre a tutela do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas através do IPC: o Museu Etnográfico da Praia, Museu de Arqueologia, Museu Norberto Tavares, Museu da Tabanca, Museu da Resistência, Museu do Sal, Museu do Mar e o Núcleo Museológico Cesária Évora.

Anualmente a efeméride é celebrada no país com atividades científicas, de animação, visitas e outras iniciativas lúdicas e pedagógicas, envolvendo uma grande diversidade de público. Mas este ano, apesar do interesse do lema, estas comemorações se ofuscam perante o isolamento social resultante da pandemia do novo Coronavírus, que ditou o enceramento dos museus, desde o passado dia 18 de março. 

O presidente do IPC, os Museus de Cabo Verde se preparam agora, com maior sentido de urgência e necessidade, para implementar novos canais de comunicação e aproximação com o público. Um dos caminhos é o recurso às novas plataformas de comunicação e inovação que vinha aguçando o interesse dos museus com vista a dinâmica, atratividade e interatividade dos conteúdos ganham um interesse especial nos tempos atuais. Nesta perspectiva, pontua, foram disponibilizadas visitas virtuais para os museus da Resistência, da Tabanca, Etnográfico da Praia e do Sal.

“Estes Museus irão continuar essa dinâmica tanto na perspetiva de aprimorar e alargar o uso das novas tecnologias como de ser uma referência cultural na salvaguarda e valorização do património e da identidade do povo das ilhas e ser cada vez mais uma organização promotora da igualdade, diversidade e inclusão, em linha com as preocupações de desenvolvimento sustentável do país”, refere o MCIC.

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Abraao Vicente X

Abrão Vicente reage a video da atriz Rita Pereira: “Ninguém está a morrer de fome em Cabo Verde”

O ministro da Cultura e das Industrias Criativas, Abraão Vicente, afirmou “ninguém está a morrer de fome” no país, numa reação ao pedido de apoio para os cabo-verdianos feito pela atriz portuguesa Rita Pereira, devido à covid-19. A actriz lusa, que já esteve no país por diversas vezes, escreveu horas antes que em Cabo Verde há crianças a passar fome. 

Numa mensagem colocada na sua conta na rede social Facebook, o ministro da Cultura dirigiu-se diretamente à atriz portuguesa, agradecendo a “preocupação”. “Quero que saiba que ninguém está a morrer de fome em Cabo Verde. Quero que saiba que ‘fome’ é um tema muito sensível para os cabo-verdianos e agradecíamos que não se tocasse nela assim de forma tão superficial”, afirmou na sua mensagem, que termina pedindo à atriz “que retire o vídeo onde diz que há crianças a morrer de fome” no país.

Horas antes, a atriz portuguesa divulgou um vídeo nas redes sociais, afirmando ter sido alertada pelo músico de origem Nélson Freitas para os efeitos que a pandemia de covid-19 está a ter no arquipélago.“Há crianças a morrer de fome, mesmo aqui ao nosso lado, num país para onde os portugueses vão de férias, ser felizes e aproveitarem aquelas praias incríveis. Eu sei que há muitas pessoas em Portugal também a passar por isto, mas também há muitos cabo-verdianos a viver aqui. Se vocês puderem ajudar podemos fazer a diferença”, dizia a atriz, no vídeo.

Veja o video no link https://www.noticiasaominuto.com/fama/1472488/ha-criancas-a-morrer-de-fome-se-puderem-ajudar-apela-rita-pereira

O ministro da Cultura evocou o período colonial, lembrando que Cabo Verde, ao longo da sua história passou por vários ciclos de fome e morte. “Ficámos marcados pela perda e pelo desaparecimento de famílias e gerações”, afirmou. Recordou, por exemplo, que “entre os anos de 1854-56 cerca de 25% da população do arquipélago morreu, também devido à fome”, que “as fomes de 1941-43 e 1947-48, mataram cerca de 45.000 pessoas” e que de 1946 a 1948 só a ilha de Santiago perdeu 65% de sua população “quer pela fome, quer pela emigração em massa”, nomeadamente para S. Tomé e Príncipe.

“É certo que ainda temos pobreza, temos famílias que precisam de auxílio do Estado e da comunidade mas podemos dizer taxativamente que após a independência de Cabo Verde (1975), graças a um esforço coletivo do nosso povo, dos nossos emigrantes e dos nossos parceiros internacionais conseguimos erradicar essa fome que mata crianças e velhos e que deixa cicatrizes na pele da nação”, retorquiu o governante.

Cabo Verde registou até agora 191 casos da covid-19, 38 recuperados e dois óbitos. Santiago teve 132 positivos, Boa Vista 56 e São Vicente três.

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Pia Batismal

IPC lança plataforma do Inventário do Património Cultural Imóvel

O Instituto do Património Cultural lança hoje a plataforma do Inventario Nacional do Património Cultural para assinalar o dia Mundial do Património Africano, que pode ser consultada através do link  https://patrimonio.ipc.cv/. Trata-se, de acordo com IPC, de um instrumento de gestão patrimonial que fornece bases para a definição de políticas públicas cujo objectivo é preservar e valorizar estes legados. 

O instituto explica que inventariar o legado histórico e patrimonial, que representa a identidade cultural e a memória colectiva de um povo, é um projecto ambicioso. Destina-se ao desenvolvimento de acções de preservação de monumentos, sítios e centros históricos, assim como a protecção de todo o legado patrimonial nacional, conforme a definição constante no Regime Jurídico do Património Cultural do país, aprovado pelo Parlamento e publicado no último dia 20 de abril. 

A realização deste inventário nacional, refere o instituto, implicou um levantamento patrimonial exaustivo no terreno, e o estudo dos acervos arquivísticos e bibliográficos em todos os 22 municípios de Cabo Verde. “Num total de 1.100 bens inventariados, 648 já foram introduzidos na plataforma, devidamente georreferenciados, acompanhados dos dados históricos e patrimoniais”, revela o IPC em comunicado. 

A plataforma vai a ser alimentado, no entanto, a ser alimentado, a medida que outros monumentos, sítios e centros históricos foram georreferenciados, tendo em conta que se trata de um processo sistemáticos e continuo. O IPC acredita que o acesso público permitirá uma interacção, não só limitada a consulta, mas também a introdução de dados (históricos e patrimoniais), a serem validados pela equipa coordenadora.

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Foto: Expressodasilhas.cv

Língua Portuguesa celebrada com “Conversas de dentro de casa”: Germano Almeida é um dos convidados

O Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se celebra no próximo dia 05 de maio, será vai ser comemorado em versão virtual, através dos canais online e redes sociais do Centro Cultural Português polos da Praia e de São Vicente. Para o efeito, foram convidados alguns escritores dos países de língua portuguesa, conduzidos pelo director do Centro Cultural Português, João Branco. 

Intitulado “Conversas de dentro de casa”, consiste em um ciclo de conversas, sendo as duas primeiras com os escritores José Luís Peixoto (Portugal) e Germano Almeida, (Cabo Verde), na terça-feira e quinta-feira, 05 e 07. As conversas iniciam por volta das 19 horas e vão prolongar por toda a primeira quinzena deste mês de maio e podem ser acompanhadas através do link https://www.facebook.com/ccpmindelo.

Através da pagina do Centro Cultural Português na cidade da Praia – https://www.facebook.com/CCPCaboVerde/ -, no dia 05, a partir das 10 h e ao longo do dia, serão apresentados videos com mensagens sobre a importância da língua portuguesa, nomeadamente do Presidente da Republica e dos embaixadores da Comunidade de Países Língua Portuguesa com representação aqui no arquipélago. O propósito, diz o CCP, é envolver o público infantojuvenil nas comemorações. 

Para o dia 6 até 13 de maio, estão previstos contação de estórias, com Dina Salústio, Antonieta Lopes, Marilene Pereira, Zenaida Alfama, de entre outros. Refira-se que as actividades do Dia Mundial da Língua Portuguesa inicial no dia 04, com a Semana da Língua Portuguesa. Nos dias 04 a 08, serão divulgados os videos de leitura realizadas no quadro da maratona: “A (s) ilha (s) nas literaturas de expressão portuguesa”. 

No dia 05, no âmbito do programa “Histórias daqui e dali – percursos literários em Língua Portuguesa” será publicado um video com um entrevista a João Fonseca, autor do projeto “Estórias do meu país inventado” e, no mesmo dia, um outro com a leitura da obra “Burro carga d’água” pelo seu autor, João Fonseca. Dois dias depois, 07, o CLPMindelo disponibiliza, em linha, uma proposta de abordagem didática do conto “Eu já tinha a minha bandeira” de Dina Salústio. 

Ainda por ocasião desta Semana, a Universidade de Cabo Verde, a Cátedra Eugénio Tavares de Língua Portuguesa, o Camões – Centro de Língua Portuguesa da Praia e o Leitorado da Rede CAPES Brasil em Cabo Verde organizam o Encontro Cabo-verdiano de Língua Portuguesa, subordinado ao tema geral: A Língua Portuguesaem Contextos Multilingues e Multiculturais, que decorrerá entre os dias 07 e 09 de maio. 

O programa do encontro prevê videocomunicações proferidas por professores e investigadores convidados e a publicação de duas obras que advêm do trabalho de investigação desenvolvido pela Cátedra Eugénio Tavares de Língua Portuguesa. Paralelamente, o CCP na Praia promove, durante duas semanas, a formação “A canção cabo- verdiana em língua portuguesa – propostas de abordagem didática”.

A formação é vocacionada para professores de Língua Portuguesa no Ensino Secundário. Proceder-se-á, igualmente, à publicação, em linha dos materiais desenvolvidos no âmbito do projeto Nós e a Língua Portuguesa e do programa de aprendizagem de português em contextos multilingues e multiculturais. 

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Kaka Barbosa

Músico Kaká Barbosa morre no dia do seu aniversário

O compositor e intérprete Kaká Barbosa faleceu hoje aos 70 anos de idade, justamente no dia do seu aniversário. O conhecido músico encontrava-se nos últimos tempos com problemas de saúde.

Para o ministro da Cultura, a nação perdeu um nome incontornável da escrita em crioulo, da prosa tradicional, uma voz única no canto popular e na poesia de inspiração revolucionária. Segundo Abrãao Vicente, o malogrado artista bebeu da mesma fonte antiga que os tradicionalistas Nácia Gomi, N’Toni Denti Dóru e Bibinha Cabral. “Kaká era contudo mais moderno, mais consciente, mais politicamente activo em todas as frentes da cultura e do ativismo social e político”, enfatiza o governante numa publicação na sua página no Facebook, para quem Kaká era dos activos mais produtivos e talentosos do espectro cultural cabo-verdiano.

Carlos Alberto Lopes Barbosa nasceu na Ilha de S. Vicente, mas viveu toda a sua infância e juventude em Santa Catarina – Vila de Assomada – uma região do coração de Santiago que influenciou e marcou a sua personalidade artística. Autor de temas marcantes, muitos deles gravados nas rádios e em disco, participou como compositor e intérprete no disco “Trás di Son” e preparava-se para gravar uma colecção de novos trabalhos da sua autoria.

Poeta e contista, tem cinco obras publicadas sendo três escritas em cabo-verdiano: Vinti Xintido Letrado na Kriolu, Son di ViraSon e Konfison na Finata – poesia – e duas em português ChãoTerra Maiamo – poesia e Cântico às Tradições – contos. Tinha pronto para publicação duas colectâneas de poesia – Terra Dilecta e Gaveta Branca – escritas em língua
portuguesa. Além disso estava em preparação o livro das suas composições – Letras , Sons & Concertos.

Como cronista tem vários artigos de opinião dispersos em revistas e jornais nacionais e electrónicos. Foi membro fundador do Movimento Pró – Cultura; fundador Associação dos Escritores Cabo-verdianos; participou na formação de várias organizações sociais e culturais do país, nomeadamente o Grupo Simentera. Foi galardoado com o Diploma Recognition do Governo do Estado de Rhode Island and Providence Plantations – USA pelo contributo dado à cultura cabo-verdiana.

Foi também distinguido com a Medalha de Mérito por ocasião do 30º Aniversário da Independência Nacional pelo Primeiro-ministro José Maria Neves e com a 1ª Classe da Medalha do Vulcão pelo Presidente da República Pedro Pires. Considerado um artista autodidacta, Kaká Barbosa foi também deputado da Nação da VI Legislatura e VII legislatura.

Nadine Gomes

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CV Toca Jazz

“Cabo Verde Toca Jazz” no dia internacional do Jazz

Este projecto foi lançado esta quinta-feira, 30, no Dia Internacional do Jazz, num desafio lançado pela Câmara da Praia e o Kriol Jazz Festival a um grupo de músicos para uma apresentação, de casa para casa, neste tempos de quarentena. 

Trata-se de um vídeo, com um tema interpretado por um grupo de músicos desde suas casas para as nossas e que está no ar nas redes sociais desde às seis horas da manhã nas redes sociais. A direcção artística deste projecto é assinada por Djó da Silva e a produção por Hernani Almeida.

Na pagina da iniciativa no facebook, a organização explica que esta é uma reacção aos tempos actuais. Diz ainda que a Câmara Municipal da Praia, enquanto membro da rede de cidades criativas na música da Unesco e o Kriol Jazz Festival, convidou e os músicos, desde suas casas, ofereceram esta criativa reinterpretação de um tema marcante da música cabo-verdiana. Veja link: https://youtu.be/76ZV4Z57gi8

“A banda é formada por Carlos Matos – Piano, Hernâni Almeida – Violão, N’Du Carlos – Bateria, Totinho – Saxofone, Vando Pereira – Baixo, sendo os coros, para além dos elementos do grupo, assegurados por Naná Almeida”, revela, destacando adireção artística de Djô da Silva, a produção musical de Hernâni Almeida, mistura de Zunga Pinheiro e imagens de Patrick Clacket .

Estes artistas oferecem uma interpretação livre e crioula do jazz para “alento das almas” nesta altura em que as pessoas estão em casa.

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Zeze Barbosa

Zezé Barbosa abraça iniciativa “A Cantar em Português #FICOEMCASA”

O cantor e instrumentista Zezé Barbosa representa Cabo Verde na iniciativa da UCCLA “A Cantar em Português #FICOEMCASA”  com a canção “Um Beijo di Bô”. Este projecto surgiu na sequência do adiamento de espectáculos e exposições por causa da pandemia do Covid-19, que tem penalizado fortemente o sector da cultura um pouco por todo o mundo.

Em comunicado da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, (UCCLA), o Secretário-geral Vítor Ramalho disse tratar-se de uma iniciativa que tem como missão trazer música, com autores dos países de língua portuguesa, num momento em que milhares de pessoas se encontram em isolamento social, resultado desta pandemia.

Vítor Ramalho indicou ainda que a ideia surgiu num contexto em que  os espetáculos foram adiados, as exposições proteladas e a cultura, de uma maneira geral, passa por uma fase menos favorável.

Para além de Zézé Barbosa, participam nesta iniciativa músicos como Camila Masiso (Brasil), Cao Bei (China) Costa Neto (Moçambique), Guto Pires (Guiné-Bissau), Paulo de Carvalho (Portugal), Paulo Flores e Yuri da Cunha (Angola), Tonecas Prazeres (São Tomé e Príncipe). Os vídeos das canções destes artistas poderão ser visualizados no site da UCCLA.

Antes a UCCLA já tinha desafiado os escritores a publicarem pequenas produções literárias, contribuindo, através delas, para uma reflexão sobre o novo modelo de vida com que poderemos vir a ser confrontados no futuro. O escritor cabo-verdiano José Luiz Tavares foi, como anunciado pelo Mindelinsite, o primeiro crioulo a abraçar esta iniciativa.

José Pedro Vieira Barbosa, refira-se, nasceu em 1962, em Cabo Verde, Ilha de Santiago, Porto Ribeira da Barca. A sua infância foi vivida em Angola até aos anos 70 onde, com a sua mãe, rumou apenas com um ano de idade. O despertar para a música cedo se apoderou de si, pois, já com os amigos de infância tentava dar cor às notas na viola de lata. Regressando a Cabo Verde anos mais tarde, este reencontro com a terra que o viu nascer e  que está alojada no seu coração teve o impacto fulcral em sua vida. A paixão pela música fez com que tivesse que tocar muitas vezes escondido. 

Na Associação Cabo-verdiana de Lisboa, que considera ser a sua segunda casa, começa a cantar Morna sob a luz do Sol, nos almoços dançantes. Lá permanece até aos dias de hoje. Mais tarde, em 1995, dá a estampa o seu primeiro CD “Kal é bu sonho”. Resultado de um trabalho acústico e mais tradicional, apresentou-se em digressão em 2014 com “Um beijo di bó”. Em 2018 gravou Mornas d’sodade, lembrando poetas da sua terra saudosa.

João A. do Rosário

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