Covid19

D. Saúde: “Ainda não se pode afirmar que Sal tem coronavírus”

O Delegado da Saúde do Sal informou à RCV que o caso referente à paciente grávida evacuada para S. Vicente obrigou a tomada de medidas, pelo que várias pessoas foram submetidas a testes rápidos, mas até agora os resultados têm sido negativos. Do leque de indivíduos abordados pelas autoridades sanitárias constam técnicos de saúde, familiares da paciente e amigos que frequentavam um pequeno estabelecimento de venda da grávida, na ilha do Sal. Alguns dos elementos foram colocados, no entanto, em isolamento.

“Ontem foi feita colheita ao companheiro e esperamos pelo resultado do teste PCR. De qualquer forma estamos esperançosos com o o exame negativo do esposo, assim como de outros contactos”, salientou o Delegado de Saúde, para quem ainda não se pode afirmar que Sal tem coronavírus enquanto isso não for confirmado pelo teste PCR. 

 666 total views,  666 views today

Piroc

Piroc: “Depois que a Cise morreu, minha vida tornou-se um pesadelo”

Piroc, uma figura da ilha do Monte Cara conhecido até por grandes personalidades que antes frequentavam a casa da célebre artista Cesária “Cise” Évora, vive o contraste do que foi a sua vida antes da morte da eterna “diva dos pés descalços”. Com imensas dificuldades financeiras, que o impedem até de colocar comida na panela e comprar remédios, este morador da Ribeira Bote vive de pequenas ajudas de amigos.

“Primeiro faleceu minha mãe e no ano seguinte morreu a minha Cise, e nada foi como dantes. Como se não bastasse a dor destas perdas, perdi depois a minha amiga de longa data, a Nanda, filha da Cise, e  ainda minha irmã que vivia na Itália”, lamenta Piroc.

A sua relação com Cesária Évora era mais do que de patroa para empregado. Era tido como um filho, a quem a cantora confiava os cuidados dos netos e da sua casa, quando se ausentava de Cabo Verde. 

Piroc e a saudosa amiga Cesária Évora

De nome próprio, José Carlos Delgado, hoje com 53 anos de idade, Piroc diz não ter “manha” de nada, por ter desfrutado uma vida de glória, sem que nunca antes lhe tenha faltado qualquer coisa, ter frequentado na juventude os locais que quis, comido e bebido “do melhor” que havia. No entanto, refere-se a saudades destes tempos em que não lhe faltava uma sopa “de osso de vaca” na panela e nem precisaria sentar-se ao pé da sua casa, ou do antigo salão de beleza Gia, à espera de passar “uma alma bondosa” que lhe dê qualquer coisa.

A sua saúde atualmente vem se deteriorando, pela diabete e pelo que diz ser “fraca circulação de sangue”, que não lhe permite estar de pé por muito tempo. A sua imagem contrasta com as fotografias do jovem cheio de vida e energia que outrora foi, que recebia ilustres convidados na antiga residência da consagrada rainha da Morna.

Recebeu ministros, chefes de Estados e grandes artistas nacionais e internacionais, como a cantora brasileira Alcione, que um dia diz ter ficado encantado consigo. Da “vida de sonho” que passou ao lado de Cise, Piroc lembra-se ainda de uma viagem que fez a Paris, mas que foi obrigado a regressar antes do tempo previsto porque “tinha de tomar conta da casa”.

Hoje tem aos seus cuidados a antiga residência da sua mãe, em decadência, na Ribeira Bote, onde vive com o irmão, dois cães e três gatos.

Sidneia Newton

 10,114 total views,  10,114 views today

George Floyd

EUA: Resultado preliminar da autópsia a George Floyd exclui morte por asfixia

O resultado preliminar da autópsia a George Floy, feita pelo médico legista do condado de Hennepin, exclui morte por asfixia e revela que o falecimento foi provocado por uma combinação da imobilização com outras condições médicas, incluindo hipertensão e doença coronária. “Os efeitos combinados da imobilização de senhor Floyd pela polícia, as suas comorbilidades e quaisquer potenciais bebidas alcoólicas no seu sistema terão contribuído para a sua morte”, disse o médico, citado pelo Correio da Manhã.

Floyd morreu na noite de segunda-feira, na cidade de Minneapolis, no seguimento de uma disputa com os polícias e deixou algumas cidades dos Estados Unidos a ferro e fogo, com uma grande onda de protestos, mais uma vez contra a actuação da polícia. O incidente foi captado em vídeo por transeuntes e difundido nas redes sociais e mostra a vítima mortal a pedir ajuda por várias vezes e a reclamar que não conseguia respirar. Apesar dos insistentes apelos, o agente Derek Chauvin continuou apertando o pescoço da vítima com um joelho, enquanto estava deitada no chão.

Na sequência deste episódio, que levou ao despedimento do policial e depois a sua detenção, a sua mulher decidiu pedir o divórcio. A notícia é avançada pela ABC News, que cita os advogados da mulher: “Está arrasada com a morte do Sr. Floyd e a sua maior simpatia está com a família dele, com seus entes queridos e com todos os que estão sofrendo com esta tragédia. Ela pediu o divórcio de Derek Chauvin”.

Chauvin foi preso e acusado de homicídio em terceiro grau pela morte de Floyd esta sexta-feira. É expectável que esta não seja a única acusação que Derek deverá enfrentar, segundo o advogado do condado de Hennepin, Michael Freeman.

A morte de Floyd, um afro-americano, provocou vários protestos nos Estados Unidos e levou a mobilização de um forte contingente policial e militar para proteger propriedades e pessoas.

C/ Cmjornal.pt 

 881 total views,  881 views today

Covid contaminaçao

Covid-19: Jorge Barreto não descarta possibilidade de coronavírus ter estado a circular no Sal

O infectologista Jorge Barreto levantou a hipótese de o coronavírus da Covid-19 ter estado a circular na ilha do Sal antes do fechamento das fronteiras e infectado pessoas que, entretanto, terão ficado assintomáticas e não procuraram os serviços de saúde. Este cenário, conforme o Director do Serviço de Prevenção e Controlo de Doenças, pode explicar o facto de uma grávida evacuada do Sal para S. Vicente ter apresentado anticorpos ao novo coronavírus, após ser submetida a dois testes rápidos, ambos positivos.

Confrontado com este caso, Barreto lembrou que houve turistas a circular pelas ilhas pelo que não descarta a possibilidade de o vírus ter estado também presente no Sal, o principal destino turístico de Cabo Verde.  “Embora seja atípico não ter havido casos suspeitos confirmados de Covid no Sal, não podemos descartar assintomáticos e as pessoas não terem procurado os serviços de saúde”, expôs Jorge Barreto em conferência de imprensa na cidade da Praia, para quem foram tomadas as medidas sanitárias de acordo com a informação clínica que a grávida apresentava. O especialista lembra que a paciente saiu de uma ilha supostamente livre da Covid-19 para outra que, apesar de ter apresentado 3 casos, há algum tempo que não tinha nenhum infectado. Para ele, o que falta esclarecer é se a paciente apresentou as dificuldades respiratórias já no Sal ou se apenas quando chegou à ilha de S. Vicente. Jorge Barreto fez questão de frisar, no entanto, que um caso suspeito em S. Vicente que anunciou hoje não tem nada a ver com a situação da grávida.

16 novos casos de Covid-19 na Praia

Jorge Barreto fez estas considerações hoje, dia em que anunciou mais 16 casos de infecção por Covid-19 no concelho da Praia. Conforme esta fonte, de ontem para hoje foram analisadas 231 amostras laboratoriais recebidas nos dias 24, 25 e 27 Maio, destes 213 para fins de diagnóstico e 18 de controlo. Do total para diagnóstico, 131 são da cidade da Praia, 61 da Boa Vista, 12 de S. Vicente, 6 do Tarrafal de Santiago e 3 de São Domingos. Os exames revelaram mais 16 pessoas contaminadas na Capital, sendo que 9 foram detectadas no dia 24 de maio, 6 no dia seguinte e 1 dois dias mais tarde.

No tocante a casos suspeitos, há 5 relacionados com a cidade da Praia, 5 do Tarrafal de Santiago e 1 de S. Vicente, num total de onze. Quanto a internados, passaram a ser 245 indivíduos, 242 dos quais na cidade da Praia. No entanto, o número pode decrescer porque, segundo Barreto, houve 18 amostras de controlo com resultados negativos. Já Tarrafal de Santiago continua com um internado e Santa Cruz dois.

Há neste momento 317 pessoas de quarentena na Praia, 4 no Sal, 41 na ilha de S. Vicente, 2 no Tarrafal de Santiago e 73 na ilha do Maio. Cabo Verde já atingiu um total de 406 infecções pelo novo coronavírus, 83 por cento dos quais na cidade da Praia.

 208 total views,  118 views today

Cidade-Praia

Santiago sai hoje do Estado de Emergência

A ilha de Santiago vai sair hoje à meia-noite do Estado de Emergência, conforme anunciou o Presidente da República, depois de um encontro com o Chefe do Executivo, o ministro da Saúde e o da Administração Interna para análise do quadro vivido ainda principalmente na cidade da Praia. Segundo Jorge Carlos Fonseca, a situação epidemiológica é estacionária pelo que decidiu não prorrogar a emergência em Santiago pela terceira vez.

No entanto, devido ao número ainda de infectados no concelho da Praia, que já atingiu as 331 pessoas em termos acumulados, Fonseca diz confiar no bom-senso da população para que se possa atingir a normalidade sanitária e social. Assim sendo, as restrições serão levantadas de forma progressiva, mas lembrou que não há nenhum limite constitucional que impeça o retorno ao Estado de Emergência.

A expectativa do Chefe do Estado é que os santiaguenses venham a colaborar, até porque, diz, não se pode dar garantias absolutas de nada no contexto da epidemia.

 205 total views,  18 views today

Xadrez CV Angola

Cabo Verde e Angola disputam amigável de Xadrez

As selecções de Cabo Verde e Angola vão disputar um match amigável de Xadrez no próximo dia 7 de Junho. O confronto desportivo vai decorrer na plataforma Chess.com a partir das 17 horas de Cabo Verde (19:00 H em Angola) e cada jogador irá dispor de 3 minutos para terminar a sua partida, tendo um acréscimo de 2 segundos por cada lance efectuado.

Conforme informação disponibilizada pela Federação Cabo-verdiana de Xadrez, será utilizado o sistema Scheveningen, em que cada
jogador de uma equipa joga com todos os membros da formação adversária. “Por decisão da direcção da FCX, para os encontros internacionais online, só poderão representar o país, fazendo parte da equipa nacional, jogadores que se encontrem filiados para a época de 2020 e que tenham a nacionalidade cabo-verdiana ou que residam em Cabo
Verde há mais de 3 anos
“, frisa a FCX, que decidiu abrir uma excepção para este jogo com Angola. Deste modo serão também selecionáveis xadrezistas que tenham participado em pelo menos 3 das actividades online realizadas pela federação, incluindo um torneio previsto para o dia 31 de Maio.

Os jogadores que irão fazer parte da selecção nacional de Cabo Verde serão
escolhidos por Mariano Ortega, director técnico nacional, que será também o capitão da equipa. A divulgação dos jogadores que irão defender as cores de Cabo Verde será efectuada na próxima semana depois de realizado o último torneio do Circuito Domingos em Casa. A FCX enfatiza que ficou acordado entre Cabo Verde e Angola que cada uma das selecções apresentará pelo menos 2 elementos femininos.

 108 total views,  26 views today

Adriano Palma e Anacristina Moreira

Associações comunitárias têm até 8 de Junho para candidatura de projectos de combate aos efeitos da Covid-19

As associações comunitárias, cooperativas e ONG’s das ilhas de S. Vicente, Santo Antão e S. Nicolau têm até o dia 8 de Junho para apresentar as suas candidaturas a financiamento de projectos que visem atenuar os efeitos da pandemia nas zonas rurais. Essa dinâmica enquadra-se na segunda fase do projecto Aliança para o Direito Humano à Alimentação Adequada e Iniciativas de Empoderamento de Jovens e Mulheres Rurais, financiado pela União Europeia e executado pela Associação dos Amigos da Natureza e o Centro de Estudos Rurais e Agricultura Internacional (CERAI). 

Segundo o espanhol Adriano Palma, o projecto foi adaptado para mitigar os efeitos imediatos e posterior da Covid-19 no mundo rural. Foi lançada uma primeira etapa em Abril e agora aguarda-se o concurso de novas iniciativas para um pacote de 3.390 contos, que poderá financiar a fundo perdido o máximo de seis projectos nos concelhos das três ilhas beneficiárias. “Várias unidades de produção sofreram muito e a primeira linha de prioridade desta segunda fase de emergência será recuperar e adaptar as unidades de produção local nos meios rurais. Permitirá recuperar a confiança de muitos consumidores”, diz Adriano Palma, membro da CERAI e um dos coordenadores do projecto. Conforme esta fonte, uma segunda linha de acção foca nas necessidades de grupos sensíveis, como idosos e pessoas que sofrem de determinadas patologias, para que possam continuar a beneficiar da oferta de serviços comunitários. Como enfatiza, com a pandemia, as necessidades desses indivíduos aumentaram, pelo que é preciso atingir aqueles que vivem nas áreas isoladas de Santo Antão e São Nicolau.

Outra actividade que ficou afectada é o turismo rural, que emprega sobretudo jovens e mulheres. A expectativa é que estes tenham uma ocupação nos próximos quatro meses geradora de rendimento. Uma das estratégias de relançamento da economia dessas organizações comunitárias passa pela recuperação da confiança dos consumidores nos produtos locais. Deste modo, essas unidades serão dotadas de equipamentos de protecção e terão assistência ao nível da produção.

Para garantirem a sua selecção, os interessados devem respeitar uma das linhas prioritárias de intervenção, que incluem a reactivação/reforço de unidades de produção agrícola, pecuária e pesca; criação de serviços nas comunidades mais isoladas, nomeadamente nas áreas montanhosas de Santo Antão e S. Nicolau; apoio à criação ou reforço de micro e pequenas empresas locais para entrega de serviços ligados à alimentação, assistência social e sanitária ou gestão ambiental, integrados por jovens e mulheres em risco ou vítimas das consequências sócio-económicas da Covid-19.

Esta intervenção insere-se na segunda fase do projecto Iniciativas Comunitárias de Reconstrução no Cenário -Emergência originada pela Covid-19, que disponibiliza 3.390 contos para financiamento de pelo menos seis projectos, um em cada município das três ilhas, cada um no valor máximo de 565 contos. Para beneficiarem do apoio financeiro, os concorrentes terão de cumprir critérios obrigatórios, como estarem registados em Cabo Verde, serem constituídos legalmente antes de Março de 2018, que apresentem níveis de organização interna e não tenham sido beneficiados na primeira fase, que contemplou 11 projectos. Além disso, acrescenta Anacristina Moreira, coordenadora do projecto, é exigida uma parceria com entidades públicas – como Câmaras Municipais, ministérios da Agricultura ou da Educação – para que não haja duplicação de esforços em áreas com afinidades. 

Os projectos terão financiamento total a fundo perdido, recebem inicialmente 90% do valor global para darem arranque às suas acções e os restantes serão transferidos após apresentação do relatório técnico e financeiro. As propostas, segundo Anacristina Moreira, serão avaliadas de 9 a 19 de Junho e os resultados divulgados entre 22 e 26 do mesmo mês. Na primeira fase, foram beneficiadas 11 iniciativas e nesta segunda chamada serão apenas seis. As ações propostas deverão durar 4 meses no máximo, com início a 01 de julho de 2020 e fim até dia 31 de outubro de 2020. 

KzB

 481 total views,  16 views today

Ildo-Rocha-2-600x305

Pedra de Lume, berço da identidade salense

Por: Ildo Rocha Ramos Fortes 

Pedra de Lume berço da identidade salense, volta uma vez mais a estar na boca do povo, nas redes sociais, na imprensa e no centro de debate político com muito peso ideológico, em função de quem esteja na governação local e/ou central.

A titularidade dos terrenos tem gerado muitas interrogações, angústias, discussões políticas e jurídicas. Desde 1919, altura em que a companhia francesa Salins du Cap Vert, supostamente comprou os terrenos de Pedra de Lume, já viveram quatro gerações na localidade que ostenta as suas Salinas, uma das sete maravilhas de Cabo Verde com todo o seu esplendor. É um dos pontos de maior atração turística na terra onde nasceu o cantor Ildo Lobo.

Para entender melhor a problemática de Pedra de Lume é necessário conhecer um pouco da nossa história com todas as suas vivências. O processo carece de um análise racional à luz das leis da República Portuguesa e da República de Cabo Verde depois de 5 de Julho de 1975, sabendo também que que muitas leis do sistema jurídico português ainda são aplicadas em Cabo Verde, para evitar um vazio legal na administração da justiça e no funcionamento das instituições.

Desde a independência de Cabo Verde três salenses  comandaram os destinos da Ilha: Lourenço Lopes, cujo mandato foi marcado pela transferência da sede do Concelho de Santa Maria para Espargos.  Delegado do Governo ainda no regime do Partido Único, Basílio Ramos, Presidente da Câmara Municipal do Sal 1996-2002, sociólogo e político de grande verticalidade, travou várias lutas por Cabo Verde e pela Ilha do Sal. Enquanto Presidente da Câmara pugnou na justiça pela titularidade dos terrenos de Pedra de Lume, processo que ainda hoje se arrasta.

 Em 2004, já com José Pimenta, Presidente da Câmara Municipal, foi assinado o acordo com a Turinvest Holding SA, do investidor  Andreia Stafafina, para desbloquear parte do problema. A ideia era permitir que filhos de Pedra de Lume pudessem construir casa na terra onde nasceram. Uma vez mais o projeto não saiu do papel. No ano de 2004, o  PAICV estava no Governo e na Câmara do Sal.  

Actualmente, a Câmara do Sal é presidida pelo salense Júlio Lopes, filósofo, jornalista e empresário de sucesso, que ganhou as eleições em 2016 na lista do MpD. Prometeu globalmente felicidade às  pessoas, e particularmente aos jovens um futuro melhor. Apostou na Requalificação Urbana como parte importante da sua estratégia para o desenvolvimento da maior ilha turística do país.

É aí que aparece a ideia de um Novo contrato com o empresário italiano para desbloquear de  uma vez por todas o projeto de requalificação de Pedra de Lume primeiro localidade habitada na Ilha, e cujas Salinas constituíram durante muitos anos a única atividade económica da ilha.

A grande dificuldade neste momento é que os que eram favor do acordo em 2004 hoje estão contra, e vive-versa, percebendo-se que as pessoas são levadas por questões meramente partidárias, e ideológicas, tornando o processo mais complicado. Os protagonistas desse processo tem uma vez mais a oportunidade de mostrar a  capacidade de resistência, resiliência e respeito pela opinião contrária.   

Como vivemos num país democrático o assunto estará em discussão na Assembleia Municipal do Sal a 28 de Maio, envolvendo a Câmara Municipal, os deputados municipais, e a sociedade civil, para num debate sério e construtivo se possa encontrar a melhor solução para o território que se convencionou chamar  “ berço de identidade salense”. E será um bom momento para o exercício de cidadania plena. Quando em 1460 António da Nola chegou à lha do Sal foi surpreendido pelo acúmulo de sal aí existente a véu aberto, onde parecia que um olho de água salgada ia temperando as águas da chuva que caía. Foi pouco visitada até ao Séc XVIII pelo que não há grandes informações do número dos seus habitantes; Em 1720 o capitão George Roberts no livro que escreveu sobre a sua viagem às ilhas Canárias, Cabo Verde e Barbados regista alguns dados etnográficos que revelam que a ilha era habitada.

Viagem pela história da Ilha do Sal 

No início do Séc. XIX e na sequência de um naufrágio, chegou à Ilha da Boavista Manuel António Martins, que ascendeu a uma carreira política em Cabo Verde, tendo sido governador nos anos 1834-1835. Algumas pessoas da Boavista começam nessa altura a ir para o Sal levando o seu gado. Manuel António Martins, já na ilha do Sal, decidiu explorar a salina natural encontrada por Nola e situada no monte que já se chamava de Pedra Lume, «por causa das pederneiras ou sílex que ali aparecem».

A fim de escoar o sal, mandou construir um túnel perfurando o monte de um lado a outro. No entanto esse sal não apresentava a qualidade exigida, e não melhorou com a construção de marinas artificiais, o que numa primeira fase, o fez desanimar. No entanto, por mero acaso, em 1833 que o terreno próximo da povoação de Santa Maria produzia um belíssimo sal, o tal sal que Manuel António Martins tanto queria encontrar.

Aforou em Abril de 1846 as Salinas de Pedra de Lume ao seu filho Aniceto António Ferreira Martins em Abril de 1846, e deu início por sua conta à exploração do novo terreno salífero. A fim de facilitar o seu transporte instalou uma linha de caminho-de-ferro que ligava a salina ao lugar do embarque, onde as vagonetas eram puxadas por mulas ou acionadas pelo vento através de velas desfraldadas.

Apesar de nessa altura a ilha do Sal fazer parte do concelho da Boavista, em função da exploração e exportação do sal, especialmente para o Brasil e América do Norte o Governo ordenou em 1837 a instalação de uma alfândega e de um governo militar.

António Ferreira Martins geria a ilha como se fosse sua propriedade o que é atestado pelo facto de que em 1839 o conselheiro ter solicitado à Coroa o aforamento «por si e por seus correspondentes em Lisboa, Matheus da Silva Louro e José da Silva, 2 léguas e meia quadradas de terreno e areais em diversos pontos da ilha, compreendendo os que já lhe estavam na posse», como relata Botelho da Costa em 1882, em comunicação à Sociedade de Geografia de Lisboa, ainda que seja verdade que o Decreto de 29 de Dezembro de 1839 refere apenas duas léguas de areais.

Graças a essa concessão a ilha do Sal começou a crescer em população e em 1840 já tinha cerca de 400 habitantes, ainda que na maioria escravos. Em 1855 viria a ser administrativamente separada da Boa Vista, ficando a partir dessa data a ser governada por um administrador e uma comissão municipal. Já exportava por ano cerca de seis mil moios de sal, mas nada produzia para consumo das suas gentes pelo que, tal como a Boa Vista, importava do estrangeiro, principalmente da América, todas as mercadorias e utensílios de que necessitava. Em 1856 foi criada na ilha uma Câmara Municipal para substituir a Comissão Municipal.

Manuel António Martins impulsionou não só a ilha do Sal como conseguiu explorar grandes interesses na Boa Vista, Brava e Santo Antão. Numa deslocação aos Estados Unidos trocou um carregamento de sal por desmontáveis casas de madeira com as quais viria a dar início à povoação que ele chamou de Porto Martins, mas que se perpetuou como sendo de Santa Maria.

Morreu em 1845 e foi enterrado no Sal, tendo a sua viúva, Maria Josefa Martins decidido mudar-se para a Boa Vista a fim de tomar conta dos negócios da família, tendo ficado à frente da sociedade que foi criada com a designação de M. A. Martins. O Governador, face ao envolvimento da família Martins. Ordenou ao novo comandante que vigiasse de perto Vicente António Martins, que apesar de estar na Boavista se pensava ser realmente o cabecilha da revolta.

A família Martins ia caindo em desgraça política e já economicamente depauperados, os herdeiros de Manuel António Martins começaram por associar-se em 1850 ao comendador António de Sousa Machado, genro do defunto e deputado às Cortes, dando origem à firma M. A. Martins & Sousa, sociedade que viria a ser judicialmente dissolvida em 1860 e punha-se termo ao monopólio de exportação do sal pelos irmãos Machado, entrando também em serviço a firma Vera Cruz & C.a da propriedade do marido de uma das netas do conselheiro Martins.

Nesse tempo descobriu-se sal em diversas partes da América Latina, o que fez com que a indústria da ilha decaísse consideravelmente por volta de 1884, tanto mais que o Brasil, um dos maiores consumidores do sal cabo-verdiano, tinha acabado por estabelecer pautas protecionistas como forma de desenvolver uma indústria similar no país.

De acordo com os apontamentos de Désiré Bonnaffoux, os herdeiros de Aniceto António Ferreira Martins acabaram por vender as suas explorações de Pedra de Lume a dois comerciantes, mas que também não tiveram melhor sorte na sua rentabilização. Razão por que estes igualmente viriam a vendê-las em 1919 à sociedade Salins du Cap Vert que iniciou uma intensiva exploração do sal, destinado à exportação para as colónias francesas e belgas da África.

Sem dúvida que essa nova exploração foi de extrema importância porque não só deu um novo alento à ilha, com a chegada de trabalhadores de Santo Antão, São Nicolau e Boa Vista, como também de algum modo serviu para descongestionar Mindelo cujo porto nessa altura já estava em plena decadência, e com uma grande massa trabalhadora desempregada e faminta.

Para responder a um tão grande número de gente – duas centenas de pessoas – foi preciso construir alojamentos para trabalhadores, artífices, empregados e suas famílias, providenciar assistência sanitária, cantina, abastecimento de água potável, uma flotilha de lanchas e doca para as abrigar e carregar, oficinas mecânicas e carpintaria, uma central eléctrica, maquinaria para peneirar e pulverizar o sal… Foi construído um teleférico de 1100 metros de comprimento que transportava 25 toneladas de sal por hora desde as salinas de Pedra de Lume até ao cais de embarque, vencendo desse modo o que anos atrás tinha sido o calcanhar de Aquiles de Manuel António Martins na sua luta contra a cratera, a saber, conseguir dali elevar o sal.

No entanto face à descoberta de outras Salinas no Mundo, a exportação não tinha a expressão desejada e necessária, pelo que a ilha não teve condições económicas para se desenvolver, até que ocorrer a instalação do aeroporto na localidade de Espargos, um planalto quase vazio que tirava o seu nome do facto de no tempo das chuvas ali nascerem grandes quantidades de espargos bravos.

Espargos surge cerca de cem anos depois de Santa Maria, já no tempo da alta tecnologia, quando São Vicente como escala obrigatória dos vapores rumo ao sul é já coisa do passado. É por isso que a elite sanvicentina da época exerce junto dos poderes públicos uma forte pressão no sentido de essa benfeitoria ser instalada na sua ilha, argumentando que de qualquer modo São Vicente já tinha uma longa tradição de prestação de serviços e a mudança de marítimo para aéreo não seria assim tão complicado. Porém inutilmente.

Durante muitos anos o Sal manteve-se apenas como um aeroporto perdido na desolação de um deserto castanho e confrangedor, um simples local de passagem a que a brevidade das escalas não proporcionava a indução de qualquer outro tipo de desenvolvimento.

Porém, a independência nacional não traria apenas a mudança de nome do aeroporto. Trouxe também a necessidade de se prestar uma maior atenção ao local que aos poucos foi sendo conhecido dos estrangeiros e rapidamente se começou a assistir a uma mudança na paisagem da ilha, especialmente depois do chamado processo de extroversão económica e inserção de Cabo Verde na economia mundial, o que acabou levando o Sal a entrar na senda do turismo onde já navega de velas desfraldadas sobre grandes complexos hoteleiros, esperemos que rumo a bons portos.

Jornalista e Investigador sócio-cultural 

Fontes bibliográficas:  

O Senhor das Ilhas, Maria Isabel Barreno 

Désiré Bonnaffoux, Revista Djá Sal 1989 

Germano Almeida: Nos Guenti – Cabo Verde 2015

 257 total views,  27 views today

Cidade do Mindelo Porto Grande

Círculo eleitoral de S. Vicente corre risco de perder deputado se não acelerar recenseamento

O círculo de S. Vicente corre o risco de perder ou ou outro deputado nas próximas campanhas se não acelerar o processo de recenseamento de novos eleitores. O alerta foi lançado esta manhã tanto pelo presidente da Comissão Política do PAICV-SV, Alcides Graça, como pelo presidente da Comissão de Recenseamento na ilha do Porto Grande, Humberto Mota. Ao ritmo que o comboio está a andar, a CRE vai ficar muito aquém da meta traçada, pelo que, segundo Graça e Mota, o perigo é real. Para isso, basta um outro círculo aumentar a sua fasquia e “roubar” deputados a S. Vicente.

“O método de atribuição dos deputados tem uma ligação com o número de eleitores. Se perdemos eleitores, e outro círculo aumentar a sua fasquia, podemos perder deputados”, admite Humberto Mota, para quem esse problema só pode ser resolvido com o aumento dos recenseados. Segundo o presidente da CRE-SV, se conseguirem atingir o potencial previsto, S. Vicente pode inverter o quadro e até ganhar um ou outro deputado. Aliás, nas eleições de 2016, esse risco estava eminente, mas foi levado a cabo uma forte mobilização que permitiu a manutenção dos deputados pelo círculo de S. Vicente.

O desafio agora é o mesmo, mas afigura-se mais complicado devido as restrições impostas pela epidemia da Covid-19. Mesmo assim, a CRE pretende colocar equipas no terreno para driblar a crise, com a ajuda dos partidos políticos. O PAICV já assumiu esse compromisso e espera contar com o empenho da UCID e do MpD. Segundo Alcides Graça, a sua força política vai mobilizar as suas estruturas nos bairros para levar ao recenseamento os jovens que completaram 18 anos e os que terão esta idade à data das eleições autárquicas. No entanto, Graça admite que será uma tarefa complicada, por causa do surto do coronavírus, mas também devido ao desinteresse das próprias pessoas. 

Pelos dados que Alcides Graça conseguiu apurar num encontro realizado esta manhã com a CRE, desde 2016 que a Comissão local conseguiu recensear cerca de 600 pessoas. Um número que, diz, fica muito longe do potencial, que  seria 5000 novos eleitores durante este período. “Num horizonte de 1300 pessoas que deveriam ser recenseadas este ano, a CRE atingiu 120-130 indivíduos”, ilustra Alcides Graça, dando a entender que desde 2016 que tem sido essa a média de eleitores recenseados em S. Vicente.

Se nos outros anos esse pormenor poderia ser considerado “normal”, o cenário muda de figura agora  em 2020, ano eleitoral. Os registos da CRE mostram que em 2017 foram recenseadas 163 pessoas, em 2018 desceu para 108, o número subiu para 199 em 2019 e decresceu outra vez em 2020 com a inscrição de apenas 123 jovens. A expectativa era que a CRE atingisse em 2020 a meta preconizada de pelo menos 1300 recenseados, mas o trabalho esbarrou-se com as restrições impostas pela epidemia do novo coronavírus. 

A preocupação de Alcides Graça e Humberto Mota é que a lei estabelece que o recenseamento seja encerrado 65 dias antes das eleições. Além disso, salienta Mota, a lei não permite a mudança da data das eleições por causa dos mandatos. Por outras palavras, a CRE poderá dispor de pouco mais de dois meses para sanar o problema ou vai ficar muito longe do potencial de novos eleitores em S. Vicente. E uma das prováveis consequências é o círculo eleitoral perder um ou outro deputado.

Kim-Zé Brito

 977 total views,  27 views today

futebol-2-1200x600

FCF lança concurso para design dos troféus de quatro competições oficiais

A Federação Cabo-verdiana de Futebol decidiu lançar um concurso público para o design dos troféus oficiais do Campeonato Nacional, Taça de Cabo Verde, Taça Solidariedade e Supertaça.

O concurso é aberto a todos os interessados e cada concorrente ou equipa pode apresentar um ou mais trabalhos, em duas vias, cabendo ao vencedor o prémio monetário de cinquenta contos. As propostas devem ser enviadas por correio registado até as 16 horas do dia 30 de Junho deste ano para serem apreciados por um júri nomeado pela FCF.

Os jurados irão analisar as concepções gráficas e as respectivas memórias descritivas de acordo com a originalidade, criatividade, representação, impacto, percepção e facilidade de reprodução e digitalização. A posição do júri deve ser enviada à FCF até 30 de Julho para homologação e comunicação oficial do resultado final no prazo máximo de 10 dias.

 233 total views,  4 views today