Caixa Economica assalto

São Vicente: Assalto à mão armada na agência da Caixa Económica Fonte Cônego

A agência da Caixa Económica de Cabo Verde em Fonte Cônego, ilha de São Vicente, foi alvo de um assalto à mão armada na manhã desta quarta-feira. Testemunhas oculares relatam que um indivíduo chegou por volta das 8h20 de moto, entrou na agência e anunciou o assalto. Ao que tudo indica, terá conseguido levar algum dinheiro porque algumas notas caíram no chão na porta do banco. As autoridades policiais já estão no terreno. 

O assalto terá ocorrido pouco depois da abertura da agência e foi muito rápido. O indivíduo aproximou-se do balcão como se fosse um cliente, sacou de uma arma de fogo e anunciou o assalto, para surpresa dos funcionários. Este terá efectuado dois disparos, um dentro e um segundo, que atingiu a porta do banco. Mas não há registo de ferimentos dos funcionários e nem dos clientes que àquela hora já se encontravam no espaço. 

Disparo que atingiu a porta do banco

Após o meliante sair do banco, os funcionários accionaram as autoridades e um forte aparato policial deslocou-se ao local. A preocupação era tanta que, inclusive alguns agentes da PN que estavam de passagem pelo banco foram chamados para reforçar o efectivo, ainda no terreno.

O Mindelinsite tentou ouvir a gerência da Caixa, mas esta preferiu não se pronunciar por enquanto. Já o Comandante Regional da PN limitou-se a dizer que ainda estão a investigar e que não dispõe de muitos elementos pelo que, a reagir, terá de ser numa outra oportunidade.

Entretanto, à frente da agência da Caixa Económica concentrou um grande número de curiosos que queriam inteirar-se deste assalto à mão armada, algo praticamente inédito em S. Vicente. O Mindelinsite promete continuar a acompanhar este caso e trazer mais informações aos seus leitores.

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Lin Jie

Lin Jie vai impugnar escolha da nova direcção da Associação dos Empresários Chineses em Cabo Verde

O empresário Lin Jie vai impugnar a Assembleia-Geral da Associação dos Empresários Chineses em Cabo Verde ocorrida em S. Vicente no passado Domingo, dia 24, e que colocou o conterrâneo Paulo Pan na presidência. Segundo Jie, ficou surpreso com a realização da assembleia electiva, que decorreu sem convocatória e sem a sua presença, enquanto presidente em exercício da organização, e a da presidente da Assembleia-Geral, Liangyan Lin. Para ele, a reunião não respeitou os dispositivos estatutários da associação, pelo que é ilegal.

“Enquanto presidente da Associação já dei instruções ao nosso advogado para tomar todas as providências junto das autoridades competentes no sentido de anular a alegada assembleia, por não respeitar as normas estatutárias para a sua realização”, frisa o empresário em comunicado enviado à nossa redacção, após ver a notícia da eleição dos novos órgãos directivos da associação no Mindelinsite.

Segundo Lin Jie, a assembleia electiva normal vai acontecer no mês de Agosto, nos termos dos Estatutos da organização. Este realça que os órgãos da AECCV foram escolhidos no dia 18 de Julho de 2017 para um mandato de três anos, ainda estão em pleno exercício do período legal de gestão, pelo que, a seu ver, é descabido e sem sentido a escolha de uma nova direcção. “Além do mais, a maioria das pessoas que estavam na assembleia-geral não são da associação, o que não as impediu de votar para a eleição dos novos órgãos sociais”, alerta Jie, para quem a referida assembleia electiva não pode produzir nenhum efeito jurídico.

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Tomas Aquino

Descontos do IRPS: Simetec pede intervenção urgente de Olavo Correia

O Simetec enviou uma missiva ao vice Primeiro-ministro, Olavo Correia, pedindo para que este interceda junto da Direcção Nacional das Receitas do Estado, no sentido de suspender a ordem dada às empresas para procederem ao desconto do IRPS sobre os 70% dos salários dos trabalhadores em Lay-Off. Alega que esta cobrança contraria o espirito e a letra das medidas adoptadas pelo Governo para proteger o emprego, o rendimento e às empresas durante a pandemia da Covid-19.

Segundo Tomas Aquino, há muitas incongruências nesta medida, realçando que a DNRE solicitou à estas empresas para descontarem a totalidade dos impostos, quando sabe que estas só pagam aos trabalhadores 35% dos seus salários. “A DNRE sabe, de igual modo, que o Governo isentou os trabalhadores e as empresas do pagamento das contribuições para o Instituto Nacional de Previdência Social, logo não faria qualquer sentido o mesmo não adoptasse a mesma posição em relação ao IRPS. Seria acusada de de dualidade de critérios, com o único objectivo de causar prejudico apenas ao instituto”, afirma o presidente do Simetec.

Este defende ainda que a DNRE não pode desconhecer que o Governo concedeu moratória às empresas, no que tange ao pagamento do IRPC, pelo que, no mínimo, e para que não fosse acusada de descriminação, teria de fazer o mesmo em relação ao IRPS. “Não pode desconhecer, por último, que o Governo também flexibilizou o pagamento do IVA, por parte dos empregadores, dando a estes a possibilidade de o liquidarem em prestações até dezembro deste ano, desde que provem que tiveram uma redução de 30%  do seu volume de negocio”, acrescenta, lembrando que, no caso dos trabalhadores, tiveram um corte de 30% no seu salário mensal. 

Foram estes argumentos que levaram o Simetec a recorrer ao VPM, pedindo-o para mandar suspender esta ordem por ser, sustenta o presidente, altamente penalizadora, injusta e discriminatória para com os trabalhadores colocados em regime de Lay-Off no momento em que mais precisam de apoio e gestos de solidariedade.

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Covid19

Mais dez casos positivos de novo coronavírus no concelho da Praia

O concelho da Praia registou nas últimas 24 horas mais dez novos casos da covid-19 em um total de 43 amostras analisadas, indicou o ministério da Saúde e da Segurança Social esta segunda-feira. Com esta nova actualização, eleva-se para 390 casos acumulados em Cabo Verde. 

Para além das dez amostras positivas do concelho da Praia, contabilizam-se mais 33 negativas. Foram ainda feitos dois exames da Cidade Velha, que deram resultados negativos, e um do concelho de Tarrafal, também negativo. Continuam pendentes de resposta quatro amostras. 

Com estes novos dados, o país conta com um total de 390 casos confirmados, 155 doentes recuperados e três óbitos. Os restantes doentes com infecção activa continuam em isolamento e com evolução positivo, com excepção de um paciente que se mantém em estado grave. 

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Professores

Docentes com contratos precários ponderam impugnar novo concurso de recrutamento: “Injusto, desnecessário e discriminatório”, dizem

Um grupo de professores do Ensino Básico e Secundário com contratos de trabalho a termo certo com habilitações especificas para o ensino procurou o Mindelinsite para denunciar a sua situação de precariedade laboral. Dizem que desempenham as funções há mais de dois anos, antecedido, em cada ano lectivo de um novo concurso de recrutamento porque os seus contratos de trabalho não são renováveis. O próximo deverá ser lançado esta segunda-feira, 25, mas, jogando na antecipação, requerer a sua impugnação, alegando que este é injusto, desnecessário e discriminatório. 

“Somos 122 professores, a nível nacional, nestas condições. E em breve, possivelmente na próxima semana, o Ministério da Educação vai lançar um novo concurso para recrutar 250 docentes. Porque não aproveitar os que já estão ao serviço e lançar um concurso para recrutar caras novas?”, interroga um dos docentes, que se mostra agastado com esta exigência quando uma boa parte de colegas entra ao serviço sem passar por qualquer teste.

Já participamos de vários concurso. Normalmente o ME abre um número de vagas reduzido de vagas para a quantidade da demanda. Depois acabam por recrutar professores que reprovaram no teste e mesmo alguns que sequer participaram. E todos ficam em igualdade de circunstancia”, desabafa um outro, que cita o exemplo de alguns colegas que reprovaram e depois foram chamados para dar aulas e outros que sequer fizeram o teste.

Esta situação, afirmam, decorre da crónica falta de professores, o que leva estes docentes com um, dois ou mais anos de serviço a questionar a utilidade de tal concurso. “Deviam contratar os 122 que foram aprovados e abrir novas vagas para os que vão concorrer pela primeira vez. Este é o entendimento dos Delegados e Educação e das direcções das escolas onde leccionamos, que prometeram dar um parecer positivo para a nossa permanência nos postos. É isso que nos motiva a impugnar o concurso.”

Munidos de coragem este grupo de docentes enviou uma carta à Ministra da Educação, com conhecimento da Direcção Nacional de Administração Pública. Na missiva relatavam a sua situação, com enfoque no facto de participarem anualmente em concurso para provimento de vagas que, na sua maioria não são de natureza temporária, tendo em conta que se destinam a substituir professores transferidos, aposentados, ou outros.

Dizem ainda serem docentes habilitados com cursos de licenciaturas no ramo do ensino, ministrados por instituições credenciadas e prestigiadas, nomeadamente a Universidade de Cabo Verde. Acreditam, por isso, ter os requisitos profissionais similares aos nomeados ou com contratos renováveis. No entanto, contrariamente a estes últimos, os seus contratos não são renováveis, pelo que se veem todos os anos obrigados a submeter-se a concursos de recrutamento para, desnecessariamente, demostrarem posse de requisitos para o preenchimento de vagas. 

“A submissão sistemática a concursos de recrutamento, além de constituir um tratamento injusto, desnecessário e discriminatório, traduz-se num procedimento administrativo moroso e que acarreta encargos para o concurso”, lê-se no documento, datado de 23 de março e que infelizmente  não teve resposta. Razão porque decidiram fazer a denuncia na imprensa. 

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Artur Correia 2

DNS garante que paciente que fugiu do HBS não é doente de Covid-19

O Director Nacional da Saúde garantiu em comunicado enviado agora à noite à imprensa que o paciente evacuado do Hospital Agostinho Neto para o Hospital Baptista de Sousa, que fugiu não é um doente de covid-19. Artur Correia fez este esclarecimento após ouvir as direcções destes hospitais.

De acordo com este responsável, o paciente fez testes de covid-19 tanto no HAN, como no HBS, ambos com resultados negativos. Entretanto, admite que devia e deve cumprir um período de quarentena de 14 dias. “Neste momento, o paciente encontra-se a cumprir o seu período de quarentena”, acrescenta. 

Artur Correia aproveitou para apelar aos cidadãos, autoridades e instituições a cumprirem e a fazerem cumprir, com rigor e responsabilidade, as normas e recomendações emanadas pelas autoridades competentes, no sentido de garantir as melhores condutas para a prevenção e controlo da COVID-19, no país.

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Fantcha 1

Fantcha, como nunca se viu, destaca personalidade, caráter e humildade como chave do sucesso

A cantora cabo-verdiana Fantcha, que reside em Nova Iorque (EUA), chama a atenção das jovens artistas para três atributos que fazem um artista e que, sem eles, dificilmente se consegue chegar ao sucesso: personalidade, o caracter e a humildade. Em entrevista ao Mindelinsite, a artista garantiu que estas características fizeram de Cize aquilo que foi na música de Cabo Verde. E ela jamais poderá ser substituída. Falou também da infância vivida com muitos sacrifícios e das brincadeiras de criança pelas ruas da Chã de Alecrim. Disse que o seu sonho é a cantar para as pessoas que a viram crescer na zona norte da ilha de S. Vicente. Em relação a crise pandémica da Covid-19, Fantcha defendeu que deve ser vista com “preocupação e prevenção”

João A. do Rosário –

A cantora cabo-verdiana Fantcha, 55 anos, considera inaceitável o facto de, sempre que surgir uma nova voz em Cabo Verde, esta ser comparada a Cesária Évora. Segundo esta artista, já é chegada a hora de parar de estabelecer paralelos visto que a diva é insubstituível. “Haverá sim seguidoras. Mas, igual a ela, jamais”, frisou a artista, assumida admiradora da “diva dos pés descalços”, que acredita que ela pode servir de inspiração para muitas jovens cantoras que continuam a surgir no cenário da música tradicional de Cabo Verde e com lindíssimas vozes.

Neste retrato de vida, um de muitos feitos ao longo da carreira, a cantora resolveu aprofundar a cerca da sua infância de dificuldades. Mas, conforme fez questão de realçar, vivida cheia de felicidade. Hoje Fantcha alega que é importante saber-se estar na vida, perante a pessoas e os fãs, e isto é possível, segundo ela, com personalidade, caracter e humildade que em toda a sua vida só viu na Cesária Évora.

Reconhece enorme talento na nova leva de cantoras que denomina “nha menininhas”, caso de Ceuzany, Jennifer Soledad, Ely Paris, entre outras que, sim, poderão seguir o exemplo de Cesária. “Nunca mais vai ter outra Cesária. Temos é que fazer tudo para nunca deixá-la cair no esquecimento por tudo o que fez e onde colocou a nossa música tradicional, a morna e a coladeira”, diz, apelando aos jovens para se agarrarem aquilo que ela fez e dar assim continuidade a obra.

Infância difícil, mas feliz

De fácil diálogo, extrovertida e com grande sentido de humor que sempre a caracterizou, Fantcha conta que, na infância, era chamada de Fancha por familiares e amigos. Lembra que a vida não foi fácil. Filha de mãe solteira e com mais dois irmãos revela que desde a tenra idade percebeu que tinha que trabalhar para ajudar nas lides da casa. 

Carregou água para consumo doméstico à sentina municipal e à antiga JAIDA, que transportava em recipientes de latas ou de plásticos. Uma atividade doméstica difícil, mas que não podia deixar de ser feita, conforme explicou. Orgulha-se de ter saído à rua para vender peixes e mariscos em casa das pessoas. Peixes que o irmão, falecido em circunstância dramática, trazia das fainas pesqueiras que se lançou também desde cedo para poder ajudar no sustento da família. Recorda  ainda de vender pastéis pelas ruas da Zona de Chã de Alecrim, onde viveu a vida toda e de onde guarda belas recordações e amizades. 

Esta artista mindelense, hoje consagrada no panorama musical local, cabo-verdiano e principalmente internacional, lembra com nostalgia reflectida no rosto as brincadeiras de infância que caíram em desuso devido as novas tecnologias: senhor barqueiro, anel, castigadinha, trouxes as cartas em que, de acordo com ela, davam beijinhos no rapazinho que mais gostava..(risos), salto nas arvores, enfim. 

Fantcha confessa que a zona onde cresceu está muito diferente. Devido ao desenvolvimento as crianças já não brincam como no seu tempo de menina e moça. “Fico contente com a evolução. Faz parte e o progresso também mas, na nossa idade, não havia estas coisas de tecnologias. E não nos fizeram falta porque éramos mesmo muito felizes e livres”, frisa Fantcha, que confessa que cresceu como uma criança rebelde e, por causa disso, poucos adultos gostavam dela. “Tinha um mau feitio, que as vezes gostava de mostrar”, fala

Mas garante que, devido às dificuldades da vida, teve que criar o seu próprio escudo para defender-se, o que fez dela a mulher guerreira, extrovertida, livre, independente e sorridente que é hoje, porque nunca deixou morrer a criança que ainda existe dentro dela. 

Despertar do Talento

A descoberta do seu talento, atribui ao facto de ter como referência no início da sua carreira grandes nome como Ti Goy, Cesária Evorá e Chico Serra acompanhado do seu Piano Bar. “Sim, ali foi, digamos, uma forma mesmo séria e é sobejamente conhecida de todos” disse. 

Admite que existe uma história que vem por detrás, embora nunca pensou que seria a artista que hoje é. Conta que a sua paixão pela música começou a despontar cedo, dentro de casa. Os irmãos tocavam cavaquinho e violão, e a mãe, D. Fatinha já falecida, era dona de uma espetacular voz. “Havia os senhores da zona que iam até a nossa casa beber o copinho de aguardente que a minha mãe vendia e acabavam por formar uma orquestra de bons tocadores. Das tocatinas saiam grandes mornas e as coladeiras. Minha mãe cantava muito bem e as vezes eu atrevia a acompanhá-la”, indicou

Com o surgimento, depois da independência de Cabo Verde, do conjunto musical “Progresso”, na Zona de Chã de Alecrim, quase todos os dias e, principalmente, nos finais de semana havia os saraus musicais. Fantcha conta que as vezes era convidada interpretar uma canção, junto com a cantora Lutchinha, que era muito mais solicitada. 

Desta pequena banda de bairro, surgiram nomes como Jorge Humberto Neves, Nhela Santos e Adriano Santos. Havia ainda o Bick Moreira, Amâncio, Maruca Rendall, Adolfo, Pirila, de entre tanto outros. “A nossa zona produziu grandes artistas”, constata Fantcha, que se mostrou aberta a, um dia, poder participar numa espécie de festival de artistas de Chã de Alecrim, inclusive porque alguns dos nomes locais já figuram no panorama da música cabo-verdiana. 

Seria a concretização de um sonho cantar para os senhores e senhoras da Zona que a viram crescer, mas nunca puderam assistir uma actuação sua. “Se alguém pegar esta ideia e transformar num evento, seria uma enorme satisfação fazer parte do elenco de artistas.”

Para além dos saraus, Fantcha testou a potencia das suas cordas vocais no Carnaval de São Vicente. Conta que participou dos ensaios do grupo “Flores do Mindelo”, onde encontrou o incontornável “Ti Goi”. Este terá dito a jovem cantora que ela fazia lembrar a Cesária Évora, quando a diva tinha a sua idade. Nascia uma amizade para a vida. 

Esta lembra ainda a sua passagem pelo conjunto Grito de Mindelo onde voltou a encontrar músicos como o Bau, Nhone Lima, Nhela e Adriano Santos, Pirila, o conceituado baterista Tel e o baixista Nando Lopes. O trio de vocalistas deste agrupamento musical era composto por Fantcha, Nataniel Simas e Djuna, que sucederam o cantor Dudu Araújo.

Momentos Agridoce

Afirma que os momentos mais felizes e inocentes da sua vida foram vividos com a família, quando estava em Cabo Verde. E, depois, quando voltava para casa para beijar e abraçar os filhos, a mãe e os irmãos. Em termos artísticos, garante que a sua carreira musical só alavancou quando foi convidada por Adriano Gonçalves (Bana), já falecido, para gravar o primeiro trabalho discográfico.“O meu primeiro disco, intitulado de Boa Viagem, constitui a minha identidade musical. A sua gravação foi o momento de maior felicidade  para a minha carreira artística e que mais me marcou”, disse

Admite no entanto que o momento foi um pouco agridoce porque obrigou-a a deixar para trás os filhos e a família e a abraçar uma carreira. Esta lembrança ainda emociona a cantora. Segundo Fantcha não foi um, mas sim vários momentos: em seis meses perdeu a mãe, o irmão Gay, que foi um exímio mergulhador de São Vicente. “Não lhes consegui dar sequer um abraço. Também não posso esquecer a morte daquela que foi a minha segunda mãe, Cesária Évora”, lamenta.

Quanto ao futuro, a cantora diz ter na forja um projeto para editar um single. Já está a trabalhar na sua concretização e será um dueto com Tito Paris. Em relação aos concertos, revela que teve que adiar a sua programação deste ano por causa da pandemia da Covid-19, tanto em Cabo Verde, como nos Estados Unidos e na Europa. Mantém no entanto a esperança de poder repor todos os espectáculos em 2021.

Cantar Funana

Com uma carreira sólida e sobejamente conhecida, a cantora admite que o momento é propício para arriscar e fazer coisas novas. Este salto vai ser cantar um funaná, um género musical tradicional de Cabo Verde que, no dizer de Fantcha, exige uma outra alma, diferente daquela que mostra aos interpretar uma morna e coladeira.

Orgulha-se de já ter feito muitas “coisas boas”, ao longo da sua carreira, para a cultura e a música tradicional e prometo continuar a ser a cantora e mulher cabo-verdiana que sempre foi e é. “Vou continuar a contribuir para enriquecer a cultura do meu país, mas já não como antes” sublinhou Fantcha, que criticando a industria musical que, afirma mudou muito.

Destaca o álbum “Criolinha”, lançado em 1999 na Plataforma Internacional nos EUA. Uma das músicas, “Sol Tá Cambá”, constitui o “Jingle” de abertura da série televisiva, The L Word passada na TV nas terras do “Tio Sam”, mas pouca gente aqui em Cabo Verde conhece o álbum, o que a entristece. Ao longo da sua carreira, também actuou em concertos em Hollywood com artistas famosos como Gilberto Gil, Waldemar Bastos e Ana Carolina. Passou por palcos no Canada, México, por todo os Estados Unidos e Europa. 

Para além de cantar, Fantcha tem feito algumas incursões na composição com temas dedicados a Cesária Évora, que considera sua mentora, e ao irmão e a mãe. Cita, a titulo de exemplo, a letra do “Nós Caminhada” e “Amor, Mar e Música”. Paulatinamente está conhecida no mercado norte-americano,  feito que a levou a festivais prestigiados como o Hollywood Bowl, o Chicago World Music Festival e o Summerstage, em Nova Iorque.

De nome completo Francelina Durão Almeida, a cantora tem na sua discografia cinco álbuns: Boa viagem (1988), Criolinha (1999), Viva Mindelo (2001), Amor, Mar e Música (2010) e Nós caminhada (2017).

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Cidade da Praia

Covid-19: 295 contaminados e 73 curados no concelho da Praia

O ministério da Saúde e Segurança Social confirmou hoje mais seis novos casos da Covid-19, elevando assim para 295 pessoas infectadas no concelho da Praia e 362 em todo o Cabo Verde desde o registo do primeiro paciente com a doença. A capital destaca-se igualmente com o registo de 35 casos recuperados, chegando agora a 73 pacientes curados. 

O comunicado emitido no inicio da tarde de hoje revela que o laboratório de virologia analisou um total de 117 amostras, das quais 116 do concelho da Praia. Destas, seis testaram positivo e 93 negativos, sendo que 35 eram de doentes em seguimento. De uma assentada, Praia reduziu o número de activos na capital. 

Dos restantes concelhos da ilha de Santiago – Tarrafal e Santa Cruz – vieram duas amostras, que testaram negativo, estando no entanto pendente um exame. “Foram realizados 15 exames de controlo de doentes do concelho da Praia, cujos resultados se mantiveram”, lê-se na nota, que realça o facto de Cabo Verde ter registado até o momento 362 casos casos confirmados.

Entretanto, o ministério da Saúde revela que o concelho da Praia registou nas últimas 24 horas 35 casos recuperados, passando o número total de curados na capital para 73 e, a nível nacional, para 130. “Os doentes com infecção activa continua em isolamento e com evolução favorável, com excepção de um que se encontra em estado critico”, acrescenta. 

Outra novidade avançada hoje pela total é a instalação de tendas em diversos bairros do concelho da Praia onde a população pode realizar, de forma gratuita, testes rápidos para detecção de anticorpos. Apesar disso, a tutela continua a apelar as pessoas para ficarem em casa e tomar os devidos cuidados para evitar a propagação da doença.

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Cha Alecrim

UCID preocupada com situação social “extremamente” difícil em São Vicente

Os deputados da UCID eleitos por São Vicente estão preocupados com a situação social “extremamente difícil”, constatada durante a visita ao seu circulo. Segundo o presidente António Monteiro, não obstante alguns apoios atribuídos pelo Governo e por ong’s e a titulo individual, há pessoas a enfrentar dificuldades, superiores aos denunciados por diversas vezes pelo partido e que precisam de uma solução urgente. Pior estão as que nada receberam, nem cestas básicas e nem o apoio financeiro do Estado.

O quadro traçado pela UCID é complexo, o que leva este partido a pedir ao Estado, quer o poder Local ou Central, a reavaliar mais uma vez a situação para poder ajudar as famílias que neste momento enfrentam um grau de dificuldade mais grave do que antes da pandemia. “O vírus não é culpa de ninguém, mas está entre nós e temos de cuidar. Cabe ao Governo, à Camara Municipal e à sociedade civil tecer uma malha que permita ajudar as pessoas que estão a passar por grandes dificuldades. Temos casos de famílias com crianças de tenra idade que não conseguem o básico para garantir a saúde dos menores. É preciso pôr cobro a este dilema das famílias”, frisa. 

Este líder partidário lembra que muitas destas pessoas trabalhavam em empresas que entraram em Lay-Off. Receberam as contribuições dos patrões, mas ainda não viram os  35% da responsabilidade do INPS. Por isso, Monteiro lança um apelo a este instituto para liquidar este pendente. “Se o problema é falta de quadros, então que o INPS os tente encontrar e ajudar na resolução deste problema que, junto das pessoas, acaba por ampliar-se e assim maltratar muitas famílias que estão à espera desta importante parte do salário para assumirem as suas responsabilidades.”

Durante a deslocação, os deputados aproveitaram para visitar algumas instituições, de entre as quais o Instituto Marítimo e Portuário, o Hospital Baptista de Sousa, a Delegacia de Saúde e a Enapor para pedir esclarecimentos. No IMP, por exemplo, voltaram a questionar os responsáveis sobre os constrangimentos que os operadores, nomeadamente os proprietários das carrinhas de transporte de carga entre São Vicente e Santo Antão, estão a enfrentar por causa da entrada de água no navio Chiquinho. Sobre este particular, de acordo com Monteiro, pediram ao IMP para intervir junto do armador para resolver o problema, designadamente fechando as laterais do navio para poupar as propriedades privadas, sob pena dos operadores virem os seus bens deteriorar. 

“Entendemos que é uma tremenda falta de respeito para com estes operadores o que se está a passar e isso é inadmissível porque pagam os seus impostos e devem ter toda a protecção do Estado de Cabo Verde”, assevera o presidente da UCID, que critica igualmente a acção da Policia Nacional em relação a alguns condutores. Admite que é preciso cumprir as regras, mas alega que é necessário criar as condições de pesagem no local de origem da carga e não na chegada. Mostra-se no entanto mais incisivo em relação as toneladas dos atrelados que, afirma, muitas vezes superam as 45 toneladas, que não são fiscalizados, ao contrario das carrinhas com 2/3 toneladas. 

O aumento do frete do transporte de viaturas entre as ilhas de São Vicente e São Nicolau foi outro ponto a merecer a atenção dos “democratas-cristãos”. Segundo Monteiro, o aumento foi superior a 25%, isto é, se antes se pagava 36 mil escudos para o transporte de uma viatura Dina, agora o preço disparou para 55 mil escudos. Este diz não entender esta grande variação de preço porque a empresa é subsidiada pelo Estado e estes valores vão encarecer os produtos em plena pandemia. 

Da visita ao HBS, este diz ter constatado algumas carências em termos de cobrança por serviços não prestados por causa da pandemia da Covid-19, o que o levou a assumir o compromisso de levar esta preocupação ao Governo. Condenou, no entanto, a falta de reagentes para fazer exames e analises auxiliares, que não podem faltar nesta altura. 

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HBS

Acompanhante de doente evacuado “abandonada” e sem Subsídio Diário Único atribuído pelo INPS

Maura Graça, acompanhante do filho menor evacuado para consultas, exames e Junta Médica no Hospital Agostinho Neto, confessou ao Mindelinsite que foi abandonada na cidade da Praia e, o mais grave, sem direito ao subsídio diário único. Esta jovem mãe salense diz entender as restrições impostas pela pandemia da Covid-19, mas o que não aceita de forma nenhuma é nunca ter sido contactada pelo instituto durante esses quatros meses que está retida na capital, sem qualquer apoio. 

Em entrevista ao Mindelinsite, Maura Graça conta que, no dia 03 de fevereiro passado, viajou com o filho de 5 anos, evacuado para fazer consultas, exames e uma Junta Médica no Hospital Agostinho Neto. A criança, prossegue, nasceu com uma anomalia e já passou por duas cirurgias mas, anualmente, precisa deslocar à Portugal para prosseguir o tratamento. E foi esta a justificação para esta viagem à ilha de Santiago.

Mãe e filho foram entretanto surpreendidos pela declaração do estado de contingência e depois de emergência, que determinaram a suspensão das ligações marítimas e aéreas entre as ilhas e o encerramento das fronteiras internacionais. “Fizemos as consultas e ficamos a espera de uma resposta de Portugal para a evacuação. Entendo que é impossível, nesta altura, o meu filho seguir para o exterior para prosseguir o seu tratamento. Mas estamos a quase quatro meses na cidade da Praia e, durante todo este tempo, nunca fui abordada pelo INPS no sentido do meu regresso à casa”, relata Maura Graça.

A sua situação é ainda mais desesperadora, afirma, porque não lhe foi atribuído o subsidio diário único. “Está difícil, para não dizer impossível, de aguentar. Estamos hospedados em casa de um familiar, que entretanto ficou desempregada. O único rendimento da casa neste momento é do salário do marido da minha cunhada. É constrangedor estar em uma casa alheia tanto tempo sem poder contribuir com nada’, desabafa esta jovem mãe, que diz estar completamente dependente, enquanto espera pelo INPS.

Maura Graça

Maura implora por seu repatriamento para a ilha do Sal, onde pelo menos poderá em sua casa e não precisa depender de ninguém. “Estamos abandonados a nossa própria sorte. Já estive por diversas vezes no INPS, apesar das recomendações para ficar em casa, mas nunca têm uma resposta. Da última vez, o front-office informou-me que meu filho está assegurado no nome do seu pai, então tenho de assinar alguns documentos para que ele possa receber o subsidio. Não entendi porque o pai do meu filho é tem de receber o subsidio, se sou eu a acompanhante da criança”, assevera. 

O mais caricato, afirma, é que no dia que chegou na capital foi apresentar no INPS e foi-lhe entregue a quantia de 20 mil escudos, montante que deveria ter recebido na ilha do Sal, antes do seu embarque para Praia. “Nesta altura, não evocaram nenhuma lei que dizia que seria o pai do meu filho quem deveria receber o subsidio. Não entendo porque agora estão a criar tantos obstáculos, sendo que eu e o meu filho precisamos de dinheiro, nem que seja para as nossas necessidades básicas e deslocações.”

Inconformada, Maura conta que tentou, por usa conta e risco, inscrever na plataforma de retorno à residência mas está já se encontrava bloqueada para as restantes ilhas, com excepção de Santiago e Boa Vista.

Evacuação encerrada

Em resposta ao Mindelinsite, o INPS explica que o processo de evacuação foi encerrado no dia 25 de fevereiro e a mãe da criança foi devidamente informada. Esta terá alegado que iria permanecer na ilha de Santiago para aguardar a Junta do filho. Quando aos 20 mil escudos pagos, o instituto esclarece que o montante refere aos dias 13 a 25 de fevereiro, data do termino da evacuação. “Com o processo encerrado, os pagamentos ficam igualmente suspensos, conforme Portaria n.33/2011 de 3 de outubro, que regula a evacuação sanitária do beneficiário abrangido pelo sistema de protecção social obrigatória, determinado pelas estruturas de saúde”.

O INPS deixa claro que a decisão de permanecer na capital para aguardar Junta do filho não se enquadrava mais no processo da evacuação interna. Realça que, com o processo encerrado, iria tratar das demarches para o seu regresso ao sal. Mas, ao optar por continuar na ilha de Santiago, a única responsabilidade do instituto é com o custeio dos bilhetes de passagem, procedimento que, tendo em conta a situação, deverá aguardar os voos.

Por isso mesmo, o INPS diz estranhar esta “denuncia” pois a segurada sempre foi informada dos procedimentos, inclusive do facto de perder a prestação porque o processo tinha sido encerrado, mantendo apenas o direito as passagens de regresso a sua ilha de residência.

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