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Terceira edição do “Catchupaday” em Roma foi um sucesso, diz organização

Maria de Lourdes Jesus 

A terceira edição da “Catchupaday” foi um triunfo, seja para os organizadores quanto para a gastronomia de Cabo Verde. No dia 3 de Maio, Formello, uma localidade próxima de Roma, foi palco deste evento muito aguardado pela comunidade. Numa vasta propriedade bem localizada e rodeada de árvores num esplêndido cenário imerso na exuberante paisagem rural romana, sob um sol radiante, foi servido num “prato verde” o tão desejado Catchupaday 2026.

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A ideia da realização do “Catchupaday” foi de Maria Auxiliadora Gomes, presidente da Tabankaonlus, que organiza este evento em colaboração com a Associação Caboverdemania, de Stefania Paradiso. Este ano a cachupa, “rainha-mãe”  da culinária cabo-verdiana, foi preparada por 14 boas cozinheiras que trouxeram as suas panelas já prontas e mais duas que cozinharam “cachupa na lenha” no local como se fazia antigamente, cachupa  com gosto de casa, rica e sabe, “com todos os matadores”.

Na apresentação do evento a Dra. Antonia Firmino contou a história da nossa cachupa, acompanhada da exposição dos seus ingredientes. Logo na entrada a organização oferecia aos convidados petiscos acompanhado com um copo de prosecco de boas-vindas num contexto gastronômico e cultural dedicado ao evento da Catchupaday.

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A seleção musical do Dj William não permitia que as pessoas ficassem sentadas, sobretudo quando Soraya Ramos começa a cantar  “cabo-verdiano spadjado na mundo pa tudo banda” ou Dudu Araújo com o seu “Midje ma tambor”. “Midje è pa tud gente cachupa e ke diferente”. Ficou patente, uma vez mais, que a cachupa é a bandeira identitária que abraça e une todos os cabo-verdianos onde quer que estejam. Na diáspora, a cachupa é celebrada como a “rainha-mãe” porque foi berço e salvação, traz memórias da nossa infância, da família, da música, poesia, literatura e toda a nossa história enraizada nas ilhas.

O evento da Catchupaday foi concebido como um hino para celebrar a nossa identidade e reforçar a união da nossa comunidade em Itália. Vale a pena aqui mencionar um importante e nobre objetivo dessa iniciativa. O saldo da entrada é inteiramente destinada à financiar uma bolsa de estudo da Tabanka Onlus, em nome de Willy Monteiro. Desta forma, podemos continuar a apoiar os jovens cabo-verdianos com boas notas cujos os pais não têm condições para sustentar um curso médio ou superior. Neste momento, Jael é uma jovem bolsista no segundo ano de psicologia na Universidade do Mindelo.

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Participação supera expectativas 

Segundo os organizadores, a participação no “Catchupaday” superou as expectativas e todos os convidados ficaram satisfeitos. Em pouco tempo 14 grandes panelas de cachupa foram consumidos.O serviço de bar, montado sob elegantes gazebos brancos, equipado com um robusto balcão preto (presente e design do talentoso Tomás), esteve lotado durante todo o dia (um agradecimento especial aos incansáveis Manu, Tchida e Antonio)

Nilza esteve em pelo menos três locais diferentes em simultâneo, organizou também uma peça infantil, envolvendo as crianças presentes. Foi um espetáculo emocionante sobre a origem do midje! Bia montou uma exposição de produtos gastronómicos e objetos típicos de Cabo Verde: midj de terra, mandioca, feijão, fava, ervilha, batata, linguiça, chouriço, mangas, papaias, atum de São Nicolau em lata, peixe seco, a famosa cavala e a cana-de-açúcar fornecida por João Andrade e Zé Ramos. Enquanto Marzio montou uma tenda com vários gadgets com o símbolo da cachupa, artesanato e livros cabo-verdianos.

Rony fez uma demonstração animada de como se faz “rupsod”: açúcar derretido no fogo, arrefecido e depois esticado! São os deliciosos doces da infância cabo-verdiana. Também esgotaram rapidamente! Para além de uma autêntica demonstração de um pilón, o ponto alto foi a preparação da cachupa no local, feita em fogueiras de lenha, como manda a tradição. Vai um agradecimento especial às duas cozinheiras de cachupa na lenha – Denilda de San Nicolau e Ernestina,de S.Antão – verdadeiras forças da natureza, símbolos da energia inesgotável de todas as mulheres cabo-verdianas. Sem elas, não seria um verdadeiro dia dedicado à cachupa! E não se pode esquecer o Nuno, o único homem que preparou uma excelente cachupa.

A música acompanhou todo o evento proporcionando também a oportunidade de participar em danças tradicionais, como a mazurca e kolà San Jon. Agradecemos aos tocadores de tambor, que inspiraram sempre a participação de adultos e crianças na dança de cola San Jon! Agradecemos também à Toy, que conduziu brilhantemente a rifa de produtos cabo-verdianos, um espectáculo entusiasmante e envolvente. Grogue era um dos produtos da rifa.

O “Catchupaday” é sempre uma oportunidade para criar um momento da vida cabo-verdiana, com um toque de nostalgia por um país distante, mas tão próximo e sempre presente no coração de todos. Termino com o agradecimento dos organizadores dirigido a todos os participantes e em particular a quem enviou a seguinte mensagem: “Para mim foi ótimo. Senti todo o meu sangue cabo-verdiano a correr-me nas veias… Não sei como explicar… mas foi mesmo lindo!”

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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