Comissão de Gestão da LIGOC com dificuldades para criar ponte de diálogo institucional com a CMSV e agendar encontro com o ex-presidente da Liga

A Comissão de Gestão da LIGOC revelou hoje que as tentativas para estreitar as relações institucionais com o presidente da CMSV têm sido frustradas e, por outro lado, foi impossível até agora agendar um encontro com o ex-presidente da Liga porque o empresário Marco Bento não quer reconhecer legitimidade a essa equipa eleita na assembleia-geral extraordinária de 27 de fevereiro.
Numa comunicação lida à imprensa, sem direito a perguntas, Maria José Évora enfatizou que, além de estar mandatada para preparar as eleições, a comissão traçou como um dos objectivos prioritários normalizar a interação com a autarquia, meta ainda inalcançada porque os emails enviados à Câmara de S. Vicente não têm merecido respostas positivas. “Igualmente, não conseguimos agendar um encontro de trabalho com o ex-Presidente da LIGOC, com o objectivo de normalizar os trabalhos desta comissão e impor um ritmo normal de funcionamento da mesma, pois o mesmo, infelizmente, não reconhece legitimidade a esta Comissão de Gestão”, esclareceu a presidente da comissão.
Das ações institucionais desencadeadas até ao momento, esta porta-voz destaca reuniões com os grupos Estrela do Mar, Escola de Samba Tropical, GRES Monte Sossego, Vindos do Oriente e Cruzeiros do Norte e ainda com o Conselho Deliberativo da LIGOC-SV, o órgão máximo da organização a seguir à Assembleia-Geral. Estes contactos, enfatiza, visam conseguir a presença de todos os grémios no desfile de 2027, que acontece no dia 9 de fevereiro. “Queremos seis grupos na Avenida; queremos as ruas cheias; queremos que Mindelo mostre a Cabo Verde e ao mundo que, quando trabalhamos juntos, somos imbatíveis”, salienta Maria José Évora.
Tendo em conta a data oficial do Carnaval, que cai logo no início de fevereiro, alerta que, se o planeamento para o concurso não começar agora, Mindelo estará em dezembro a improvisar esse grandioso espectáculo sociocultural. “E Mindelo não merece um Carnaval improvisado”, frisa Maria José Évora, reforçando que o evento precisa, sim, de previsibilidade.
Deste modo, diz, a comissão que preside decidiu propor um novo método de trabalho para que o quadro registado em 2026, com apenas dois grupos na avenida, não se repita nunca mais. Esse método, explica, consiste em três pilares. O primeiro é um Planeamento Antecipado, em que o Orçamento do Carnaval ’27 seja aprovado dentro do Orçamento Municipal do mesmo ano para que os grupos possam dispor de recursos financeiros logo em agosto, e darem início aos preparativos. “O Carnaval dos nossos tempos não se faz em 60 dias.”
O segundo (Transparência Total) estabelece o desembolso das verbas em três tranches (agosto, outubro e dezembro), mediante apresentação de projectos e prestação de contas. “A LIGOC, enquanto instituição, terá que garantir esta transparência perante a Câmara Municipal, o Ministério da Cultura, o Ministério do Turismo e o povo de São Vicente.”
O terceiro pilar versa o estabelecimento de um Diálogo Permanente. Neste capítulo, a comissão propõe a constituição imediata de uma Comissão Técnica Tripartida – CMSV, Ministério da Cultura e LIGOC – para desenharem em conjunto o calendário/cronograma do Carnaval ’27.
Os sócios da LIGOC, segundo Maria José Évora, depositaram confiança na comissão e entregaram-lhe um mandato claro: restabelecer a unidade dos grémios, trabalhar para propiciar o diálogo interno e preparar a próxima assembleia-ordinária electiva, em concertação com a Mesa da AG. Assegura, assim, que a sua equipa vai cumprir rigorosamente os Estatutos da Liga e convocar a eleição da nova direção para a primeira semana de junho. “Garantindo, assim, que, já para o segundo semestre, Mindelo tenha uma direção eleita e legitimada para dialogar com todas as instituições”, sublinha.
O desejo da comissão é que o Carnaval 2027 traga para o asfalto os 6 grupos oficiais que têm abrilhantado a festa nos últimos anos: Samba Tropical, Cruzeiros do Norte, Monte Sossego, Vindos do Oriente, Flores do Mindelo e Estrela do Mar. Enfatiza Maria José relembra que o Carnaval é a maior indústria cultural de S. Vicente, gera emprego, turismo e orgulho. Acima de tudo, frisa, gera união.
Nesta lógica, defende o estabelecimento de uma “robusta e visionária parceria” com todos os actores. Enfatiza que a comissão não pretende identificar culpados, mas acima de tudo apresentar soluções para desencravar a situação reinante em torno desse magnífico evento cultural. Faz também questão de salientar que os membros da Comissão de Gestão da LIGOC são agentes da Cultura de Cabo Verde, não têm cor política, apresentando-se apenas com a bandeira da Cidade do Mindelo.






