
Cabo Verde perdeu uma das suas maiores referências musicais. Faleceu na madrugada desta sexta-feira, 5 de junho, no Mindelo, aos 92 anos, o cantor José Vieira Duarte, conhecido por Djosinha, uma das vozes mais emblemáticas da música cabo-verdiana. A família ainda não decidiu se as exéquias fúnebres decorrerão em Cabo Verde ou nos Estados Unidos da América, país onde o “showman” residia há várias décadas.
Ao Mindelinsite, Kikas Silva, responsável da Serenata Produções, revela que Djosinha faleceu em casa, após receber alta do Hospital Dr. Baptista de Sousa, onde se encontrava hospitalizado desde o dia 08 de maio. “Djosinha recebeu alta no dia 03 de junho e, desde então estava na casa de Bibia Silva, onde veio a falecer,” informa, contrariando assim a notícia avançada pela RCV nas primeiras horas desta sexta-feira.
O produtor lembra que, a 25 de abril deste ano, regressou a Mindelo para realizar um concerto de despedida dos palcos, que definiu como um”encostar de portas”, após cerca de 74 anos de carreira. O espetáculo acabaria por se tornar a sua última atuação na cidade que o viu nascer e onde veio a falecer.
“No dia 8 de junho, Djosinha foi hospitalizado para se tratar de pedras na vesícula. Mas tinha outras complicações de saúde pelo meio, inclusive esteve nos cuidados especiais. Reagiu e desceu para o quarto, onde continuou a medicação. Teve alta e deveria seguir para os EUA para prosseguir o tratamento. Infelizmente, hoje acordamos com esta triste noticia”, explica Kikas, que acredita que Djosinha morreu na sua terra e em paz ainda a fazer o que sempre fez, ou seja, a cantar.
Nascido em São Vicente a 25 de maio de 1934, Djosinha construiu uma carreira que atravessou mais de sete décadas. Iniciou-se nos palcos ainda criança e tornou-se um dos fundadores do Voz de Cabo Verde, antes de desenvolver uma carreira a solo que o consagraria como um dos artistas mais populares do país.
Conhecido como o “showman”, destacou-se pela energia contagiante em palco, pela capacidade de comunicação com o público e por uma voz firme e marcante. Ao longo da sua trajetória gravou 17 discos, realizou espetáculos no país e junto das comunidades emigradas e contribuiu para a divulgação de diversos géneros musicais, incluindo ritmos latino-americanos que ajudou a popularizar em São Vicente.
Além da música, desenvolveu uma longa carreira na comunicação social, tendo trabalhado durante 42 anos como locutor na Rádio Globo, nos EUA. Artista versátil, profundamente ligado à tradição musical cabo-verdiana, Djosinha era também admirador da música romântica brasileira e dos sons latino-americanos, influências que incorporou no seu repertório ao longo dos anos.
Com a sua voz, carisma e dedicação à música, Djosinha inscreveu o seu nome na história cultural de Cabo Verde, permanecendo como uma referência para várias gerações de músicos e admiradores. Deixa um legado artístico de grande valor e um lugar de destaque na memória coletiva do país.






