Covid contaminaçao

Covid-19: Jorge Barreto não descarta possibilidade de coronavírus ter estado a circular no Sal

O infectologista Jorge Barreto levantou a hipótese de o coronavírus da Covid-19 ter estado a circular na ilha do Sal antes do fechamento das fronteiras e infectado pessoas que, entretanto, terão ficado assintomáticas e não procuraram os serviços de saúde. Este cenário, conforme o Director do Serviço de Prevenção e Controlo de Doenças, pode explicar o facto de uma grávida evacuada do Sal para S. Vicente ter apresentado anticorpos ao novo coronavírus, após ser submetida a dois testes rápidos, ambos positivos.

Confrontado com este caso, Barreto lembrou que houve turistas a circular pelas ilhas pelo que não descarta a possibilidade de o vírus ter estado também presente no Sal, o principal destino turístico de Cabo Verde.  “Embora seja atípico não ter havido casos suspeitos confirmados de Covid no Sal, não podemos descartar assintomáticos e as pessoas não terem procurado os serviços de saúde”, expôs Jorge Barreto em conferência de imprensa na cidade da Praia, para quem foram tomadas as medidas sanitárias de acordo com a informação clínica que a grávida apresentava. O especialista lembra que a paciente saiu de uma ilha supostamente livre da Covid-19 para outra que, apesar de ter apresentado 3 casos, há algum tempo que não tinha nenhum infectado. Para ele, o que falta esclarecer é se a paciente apresentou as dificuldades respiratórias já no Sal ou se apenas quando chegou à ilha de S. Vicente. Jorge Barreto fez questão de frisar, no entanto, que um caso suspeito em S. Vicente que anunciou hoje não tem nada a ver com a situação da grávida.

16 novos casos de Covid-19 na Praia

Jorge Barreto fez estas considerações hoje, dia em que anunciou mais 16 casos de infecção por Covid-19 no concelho da Praia. Conforme esta fonte, de ontem para hoje foram analisadas 231 amostras laboratoriais recebidas nos dias 24, 25 e 27 Maio, destes 213 para fins de diagnóstico e 18 de controlo. Do total para diagnóstico, 131 são da cidade da Praia, 61 da Boa Vista, 12 de S. Vicente, 6 do Tarrafal de Santiago e 3 de São Domingos. Os exames revelaram mais 16 pessoas contaminadas na Capital, sendo que 9 foram detectadas no dia 24 de maio, 6 no dia seguinte e 1 dois dias mais tarde.

No tocante a casos suspeitos, há 5 relacionados com a cidade da Praia, 5 do Tarrafal de Santiago e 1 de S. Vicente, num total de onze. Quanto a internados, passaram a ser 245 indivíduos, 242 dos quais na cidade da Praia. No entanto, o número pode decrescer porque, segundo Barreto, houve 18 amostras de controlo com resultados negativos. Já Tarrafal de Santiago continua com um internado e Santa Cruz dois.

Há neste momento 317 pessoas de quarentena na Praia, 4 no Sal, 41 na ilha de S. Vicente, 2 no Tarrafal de Santiago e 73 na ilha do Maio. Cabo Verde já atingiu um total de 406 infecções pelo novo coronavírus, 83 por cento dos quais na cidade da Praia.

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Ensino à distancia

DG do Emprego quer regular formação profissional à distância em Cabo Verde

A Direcção Geral do Emprego, Formação Profissional e Estágios Profissionais vai apresentar ao Governo um diploma para regulamentar a formação profissional à distância em Cabo Verde. Em comunicado, explica que, em parceria com as Nações Unidas, através do programa de Apoio ao Emprego, Empregabilidade e Inserção em Cabo Verde (Jov@Emprego), decidiu avançar com uma consultoria especializada para elaborar um diploma legal que estabeleça o regime jurídico para implementação da Formação à Distância (FaD). A sua aprovação pelo Concelho de Ministério deverá acontecer em julho deste ano.

Como justificação para esta medida, a DG do Emprego refere que, sendo Cabo Verde um país insular, a descontinuidade territorial provoca isolamento, privando os cidadãos de muitos serviços e direitos básicos para o seu desenvolvimento individual e social logo, a Formação à Distância (FaD) é de extrema importância para o desenvolvimento de Cabo Verde, e em particular da formação profissional. 

No entanto, prossegue, para que essa metodologia seja implementada serão necessários um conjunto de instrumentos, de acompanhamento, seguimento, avaliação, e certificação dos formandos, dos formadores, da acreditação dos cursos (processo ensino/aprendizagem), através de um trabalho articulado entre a UC-SNQ. Trata-se da única entidade com legitimidade na matéria, de acordo com o Decreto-Lei no 7/2018, Capitulo II art.o. 8, do número 2f), e a Direção Geral do Emprego, Formação Profissional e Estágios Profissionais (DGEFPEP). 

É neste sentido que, afirma, em parceria com as Nações Unidas, através do programa de Apoio ao Emprego, Empregabilidade e Inserção em Cabo Verde (Jov@Emprego), vai avançar com uma consultoria especializada para elaborar um diploma legal que estabeleça o regime jurídico para implementação da Formação à Distância (FaD). 

Segundo a DG do Emprego, a Formação à Distância surge como uma alternativa eficaz, assente na integração das tecnologias de informação e comunicação (TIC), nos processos de ensino e aprendizagem como meio para que todos tenham acesso à formação, em condições de igualdade, independentemente da sua situação geográfica, mas no respeito a normas e procedimentos de molde a garantir a credibilidade do processo, a transparência e rigor na certificação para que seja aceite pelo mercado. 

A FaD, de acordo com o comunicado de imprensa, é vista como o elemento de união de pessoas em locais distintos, mas que podem se relacionar em tempo real, proporcionando oportunidades de aprendizado em locais que não têm a possibilidade de frequentar o ensino presencial. 

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Foto Banco Alimentar

Banco Alimentar irá beneficiar 160 famílias em São Vicente com as cestas básicas “robustas”

Mesmo sem fazer campanha à portas dos supermercados, o Banco Alimentar conseguiu juntar mais de três toneladas de alimentos que irão beneficiar 160 famílias em São Vicente. Os donativos agora conseguidos são considerados os mais diversificados de sempre pelo que serão distribuídos aos beneficiários maiores quantidades de produtos.

A situação da pandemia da Covid-19 veio alterar a forma de estar das pessoas e, com isso, as dificuldades aumentaram. Mas, felizmente, a solidariedade tem vindo a despontar quer de pessoas individuais, coletivas, empresas e instituições. É aqui que, mais uma vez, o Banco Alimentar quer fazer a diferença na composição das cestas básicas atribuídas às famílias.

“Estas são as cestas básicas completas de sempre. Contém desde sabão e outros produtos de higiene e também uma maior quantidade e alimentos, visto estarmos a passar por uma fase difícil. Costumávamos oferecer 10 quilos de alimento por família, mas desta vez ultrapassamos este valor”, assegura a representante da OMCV, instituição representante do Banco Alimentar em São Vicente, Fatima Balbina. Cada pessoa receberá das associações a quantia de seis quilos de arroz, dois de feijão, ainda açúcar, farinha integral, massa, óleo e outros produtos de higiene.

O Banco Alimentar conseguiu angariar grande parte dos donativos através da empresa Arquipélago internacional, que disponibilizou 600 quilos de arroz, leite e milho. A fundação Donana também comparticipou na aquisição de óleo alimentar. A campanha de “Cabaz alimentar” feita na ilha do Monte Cara ajudou a montar esta diversidade. 

Tem-nos ajudado muito também a campanha de entrega de máscaras em troca de quilos de alimentos. Desta vez, quando as pessoas ou empresas nos procuravam para saber em que poderiam ajudar, pedíamos algo mais especifico, de forma a diversificar as cestas”, acrescenta esta fonte.

O Banco Alimentar, refira-se, congrega várias associações comunitárias, Em São Vicente são, ao todo, 15 as associações associadas. Ao longo tempos, esta estrutura beneficia as mesmas pessoas, através destas associações. A cada dois meses estas famílias são contempladas com uma cesta básica. As famílias cadastradas só podem ser substituidas em caso de morte ou de uma mudança significativa para a positiva na sua condição social. 

As famílias são escolhidas por estas associações que estão no terreno e conhecem melhor a realidade das pessoas. Estas estruturas também costumam, com excepção do atual estado de emergência, disponibilizar voluntários para fazer a recolha de alimentos na porta supermercados. Contribuem também com algum alimento que possa estar em falta, para incluir nas cestas básicas”, explica Fátima Balbina.

Mesmo assim, esta activista pede mais envolvimento das associações, para poderem continuar a ajudar ainda mais estas famílias. Balbina explica que, mesmo que estes apoios sejam pontuais e garantidos, a OMCV tenta não criar um ambiente de dependência dos beneficiários, atribuindo-lhes formações e disponibilizando-lhes acesso aos micro-créditos, para montarem os pequenos negócios e gerarem o próprio rendimento.

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Cidade da Praia

Covid-19:Paciente em estado critico apresenta sinais ligeiros melhoria

O paciente de 65 anos internado no Hospital Agostinho Neto na cidade da Praia apresentou sinais ligeiros de melhoria nas últimas horas, mas ainda inspira cuidados, relatou o director do Serviço de Controlo e Prevenção da Doença, Jorge Noel Barreto, no dia em que aumentou para seis os concelhos do país com casos confirmados da Covid-19.

Segundo Barreto, que falava à imprensa na tarde de hoje, em conversas com os colegas do HAN, ficou a saber que o paciente tem apresentado sinais ligeiro de melhoria, apesar ainda de continuar em estado critico. Quanto aos dados da actualização de hoje, explicou que foram analisados 81 amostras, das quais 69 eram para fins de diagnóstico, ou seja, para investigar se essas pessoas tinham ou não infecção pelo novo coronavirus. 

Os resultados da analise destas amostras revelaram 11 positivos e 45 negativos. Entre os positivos, oito são do concelho da Praia, dois de S. Domingos e um de Santa Cruz.Os 11 casos positivos são de pessoas não apresentavam sintomas sugestivos da doença, ou seja, estavam assintomáticas. Já três apresentavam sintomas condizentes com a Covid-19”, detalhou.

Hoje foram ainda notificados seis novos casos suspeitos, sendo quatro da Praia, um do Tarrafal e um de São Vicente. Jorge Barreto lembra que, em relação aos casos suspeitos que vão aparecendo, foi alargado para pessoas que apresentam manifestações ou sintomas respiratórios na necessidade de hospitalização e que passam a ser alvo de investigação por forma a alargar a vigilância. 

Actualizou ainda os números de pessoas em isolamento para 255. A cidade da Praia responde por 246, Boa Vista seis pessoas, Tarrafal duas e Santa Luz uma. Em quarentena estão 360 pessoas, a maioria no concelho da Praia, que já responde por 80% dos confirmados no país desde o registo do primeiro caso.

A taxa global de letalidade da covid-19 no país baixou para 7,4% e para pessoas com mais de 60 anos fixou-se nos 7,8%.

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Foto: inforpress

Covid-19 aumenta com mais 26 casos no concelho da Praia

O concelho da Praia conta com mais 26 casos positivos da covid-19, revelou hoje o ministério da Saúde e Segurança Social. Este informa ainda que no laboratório de virologia foram realizados 84 exames, dos quais 49 negativos, elevando para 315 o número total de casos confirmados em Cabo Verde, um dia depois do PR prorrogar o Estado de Emergência na ilha de Santiago.

De acordo com o MSSS, as 84 amostras foram analisadas no dia 13 de maio, sendo que 26 do concelho da Praia deram resultados positivos. Houve ainda outras 49 negativos. Entre estes últimos, cinco eram da Região Sanitária de Santiago Norte e um do Tarrafal. Quatro amostras com proveniência do Hospital Santa Rita Vieira foram também negativas e uma continua pendente outras quatro amostras. 

Com esta actualização, o número total de casos confirmados acumulados passa a 315, indica o MSSS, que revela ainda que todos os casos ativos estão com evolução clínica favorável, exceto um que se encontra em estado crítico. 

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Paulo Veiga (1)

Retoma do transporte marítimo de passageiros na próxima segunda-feira com fortes medidas preventivas

O transporte marítimas de passageiros interilhas vai ser retomado na próxima segunda-feira, 11, com excepção das ilhas de Santiago e Boa Vista. Estão previstas duas ligações diárias entre S. Vicente e Santo Antão, duas semanais entre S. Vicente-S. Nicolau-Sal e três semanais entre as ilhas do Fogo e Brava. A informação foi avançada esta manhã em conferencia de imprensa pelo ministro dos Transportes e da Economia Marítima, Paulo Veiga, que anunciou um conjunto de medidas que serão adoptadas para evitar o a circulação do vírus entre as ilhas, sendo um dos mais relevantes a redução para 50% ou até 30% do número de passageiros.

De acordo com este governante, a autorização fica condicionada de forma a que o embarque e desembarque de passageiros seja feitas mediante check-in, medição de temperatura corporal, distanciamento de dois metros com fitas de sinalizações nos gares e nas entradas dos navios. Os passageiros terão, obrigatoriamente, de usar máscaras, que podem ser adquiridas, também, nos guiches das agencias dos navios. “A lotação das embarcações vai ser reduzida e o sentar nos barcos vai ser em forma de xadrez por forma a permitir o distanciamento social. Dependendo da embarcação, a lotação pode ser reduzida entre 50 até 30% da capacidade. Assim, o navio que faz  a linha São Vicente-Santo Antão poderá transportar ate 200 pessoas e o que ira ligar as ilhas de São Vicente, São Nicolau e Sal, a volta de 150 pessoas”, explicou Paulo Veiga, referindo as embarcações Chiquinho e Interilhas. 

A redução da lotação dos navios terá forte impacto nas contas das empresas pelo que, de acordo com o ministro, já estão a analisar com a concessionária forma de reduzir as despesas. Realça no entanto que, neste momento, a saúde das pessoas está em primeiro lugar. “A nossa prioridade, nesta altura, é a não propagação do vírus. Sabemos que estas medidas terão impacto porque há uma redução significativa na lotação dos barcos e, consequentemente, das receitas. O Estado terá de assumir isso. Pendo que a indemnização compensatória  vai poder permitir as ligações interilhas, mas estamos a analisar com a empresa formas de minimizar estes impactos.”

Com a divulgação das novas rotas entre as ilhas, pelo menos temporariamente, o transporte marítimo passa estar centralizado em S. Vicente, mas esta é uma realidade que as autoridades optam por deixar em segundo plano, até para não ferir sensibilidades. Certo é que todos os navios e gares marítimas passam a ter um Plano Sanitário que, segundo Veiga, já foi dado a conhecer à Cabo Verde Interilhas e à Enapor, esta última enquanto gestora dos gares e portos do país. “A lotação e permanência de passageiros nos gares passa a ser controlada para se poder manter o distanciamento. Todos os portos – já estava e foi reforçada – vão ter de disponibilizar um espaço para isolamento para acolher os casos suspeitos de covid-19, que será aprovado pelo MS e terá pessoal da saúde em permanecia para fazer o rastreio. Ao medir a temperatura aos passageiros, se alguém estivera além do normal será recolhido ao espaço para ser examinado por pessoal técnico, que dirá se este pode ou não prosseguir viagem”, detalha. 

A tripulação, de acordo com o ministro, ja é obrigada a usar EPIs, mas agora juntar a estes as máscaras. Igualmente, o pessoal que faz atendimento nos salões  que, para além das máscaras, terá de usar luvas. Este plano implica ainda a desinfecção frequente dos navios, consoante as recomendações das autoridades sanitárias, e a suspensão da venda de bebidas alcoólicas. Para isso, os balcões dos bares serão interditos e, qualquer compra, terá de ser distribuído pelos corredores dos navios, incorporando assim uma pratica da aviação civil.“Estas medidas são, basicamente, para minimizar a movimentação e aglomeração de pessoas”, pontua.

Viagens excepcionais

Excepcionalmente, alerta Paulo Veiga, poderá ser autorizado o transporte de passageiros de origem ou destino em Santiago e Boa Vista, designadamente em caso de emergência de saúde. Sobre este particular, o titular da pasta dos transportes explica que, em caso de impossibilidade de uma evacuação por via aérea, esta terá de ser feita por via marítima, lembrando que os dois hospitais centrais de Cabo Verde estão em Santiago e São Vicente. Mas os casos serão analisados e tomados todas as precaução determinadas pelo ministério e acompanhados por técnicos de saúde.

No controlo do embarque e desembarque de cargas, prossegue, as autoridades portarias vão continuar com a descontaminação, através da pulverização das cargas e viaturas. Haverá ainda um reforço das autoridades no exterior dos portos para controlar e organizar as viaturas de mercadorias e os passageiros na entrada dos portos para evitar a aglomeração. “Quanto à compra de bilhetes, o diploma que autoriza a retoma do transporte marítimo de passageiros prevê que os operadores possam fazer descontos para incentivar a utilização das plataformas electrónicas e também a antecipação da hora de viagens por forma a diminuir as filas. Queremos minimizar as filas e o tempo que se passa nos gares para fazer o embarque”.

Para além das duas viagens diárias entre as ilhas de S.Vicente e Santo Antão, das duas semanais entre S.Vicente-S.Nicolau-Sal, ida e volta, e ainda das três semanais entre Fogo e Brava, o navio Praia d’ Aguada garantirá o transporte de cargas entre as ilhas de Santiago, Fogo, Boa Vista e São Vicente. De fora fica apenas ilha do Maio que, admite Veiga, tem uma ligação umbilical com Santiago. No entanto,  as pessoas desta ilha poderão viajar para as ilhas do Fogo ou São Vicente, sem desembarque em Santiago. Perante esta nova realidade dos transportes marítimos, o ministro deixou um apelo para as pessoas viajarem apenas em caso de necessidade. 

“Continuamos em estado de contingência e com o vírus no país, portando, da mesma forma que apelamos as pessoas a ficarem em casa por livre arbítrio, também pedimos agora para viajarem somente se for indispensável e necessário para que não haja aglomerações e nem viagens sem motivos. Percebo que há uma ligação familiar, social e cultural muito Fort entre as ilhas de São Vicente e Santo Antão, mas pedimos para evitarem o máximo possível fazer viagens para visitas ou passeio”, apelou, lembrando que o vírus da covid-19 não anda, é transportado por pessoas. 

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Telemovel

Apreensão de telemóveis: Ordem dos Advogados estupefacta, PN alega preservação da imagem

A decisão da Polícia Nacional de recolher os telemóveis dos doentes em quarentena nas instalações da Cruz Vermelha em Achada Grande Traz continua a suscitar reacções. A população que se mostrou revoltada e condenou o conteúdo dos videos divulgados agora levanta a voz contra a policia por alegada violação da liberdades e garantias desses cidadãos, numa altura em que pelo menos 11 agentes encontram-se contaminados com o novo coronavirus. A Ordem dos Advogados de Cabo Verde diz-se estupefacta com a medida, enquanto a PN tenta justificar com o argumento de “preservação da intimidade” das pessoas em isolamento. 

Em comunicado, a OACV explica que, em defesa da Constituição, do Estado de Direito Democrático, dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e da justifica social, foi com estupefacção e a maior preocupação que ficou a saber da apreensão dos telemóveis aos doentes em em confinamento obrigatório, informação posteriormente confirmada pelo Director Nacional da PN. O presidente Hernani Soares, que assina o documento, evoca o artigo 4.º do Decreto Presidencial n.º 8/2020 de 2 de Maio, que prorrogou o Estado de Emergências em Santiago e Boa Vista que proíbe quaisquer limitações a direitos, liberdades, citando “continuam a vigorar nos exactos termos consagrados na Constituição, designadamente as liberdades de expressão, de informação e a liberdade de imprensa”, para mostrar a sua indignação.

Este afirma que, em nenhum momento, estas liberdades e os instrumentos para à sua efectivação podem ser confiscados, limitados ou condicionados por qualquer autoridade, salvo quando, da sua utilização resultar o cometimento de algum crime – o que claramente não acontecia nos casos que vieram a público. Por isso, quaisquer confiscos, apreensões ou limitação na utilização de telemóveis, no direito de comunicação com o exterior ou na liberdade de opinião dos doentes em confinamento se mostra flagrantemente ilegal e inconstitucional (artigo 48.º da Constituição).

A OACV diz-se consciente de que o combate à propagação da Covid-19 constitui uma luta comum a todos os cabo-verdianos, mas dentro dos e limites do Estado de Direito Democrático e no escrupuloso respeitos pelas leis do país. Por isso, e em conformidade com os seus estatutos, tinha de se pronunciar contra esta grave violação de um direito fundamental. Apelou ainda que esta situação seja corrigida.

Ilícito criminal

 A Policia Nacional argumenta dizendo que recebeu denuncias de que um indivíduo que se encontra internado com covid-19 nas instalações da Cruz Vermelho, sem consentimento e autorização prévia recolheu e divulgou imagens de video, com alguns deles a recusarem a ser filmados, instigando ainda a sociedade ao descredito aos efeitos da doença. Por entender que este facto constitui ilícito criminal de atentado à intimidade da vida privada, com gravações, fotografias e filmes ilícitos. E ainda a instigação a propagação de doença grave, previstos e punidos pelo Código Penal vigente. 

“Como medida preventiva e de preservação da intimidade dos demais cidadãos ali internados, e como medio de prova, e ainda para que tal conduta não venha a fazer escola nos demais espaços de internamento com covid-19, procedeu-se a apreensão do telemóvel do indivíduo em causa, que teria sido utilizado para instigar, gravar, filmar e divulgar o referido conteúdo, para sua apresentação a autoridade judiciaria para conhecimento e validação, acompanhado de denuncia relativo aos crimes praticados contra os doentes ali internados”, refere o Director Nacional da PN.

O DN da Policia Nacional, Emanuel Estaline, recomendou as pessoas, por isso, muita precaução na divulgação de imagens que, afirma, podem colocar em causa a intimidade da vida privada de pessoas doentes e sujeitá-las ao perigo do estigma e da descriminação social, sobretudo num momento particularmente difícil para os contagiados. Lembrou ainda que qualquer pessoa pode estar sujeito a contaminação pelo novo coronavirus. 

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Paixao ardente

Covid-19: “Marido” perde controle da situação

Depois da minha última reflexão, sobre a qual já se passou algum tempo, comprometi-me comigo mesma a deixar o pobre coitado do “marido” em paz, pois que muitas das suas amantes continuaram a fazer-lhe “jogo sujo”. Refiro-me especialmente às amantes “ki cumé pé di catchor”, ou seja, àquelas que não querem sentar o rabinho em casa. Graças a Deus, são menos de 10% a proporção dessas amantes “cabeça ka bali”.

No entanto, como já devem ter notado, o meu foco continua a ser o meu “marido”, aquele com quem me casei há cerca de 4 anos e prometeu zelar pelos meus interesses.

Ora, verdade seja dita, o marido até tem tomado decisões muito acertadas, que duvido que seriam tomadas por qualquer outro. O marido, até muito “macho” e provedor do sustento da sua família, decidiu e bem colocar todas as esposas em casa e comprometeu-se a dar-lhes o sustento necessário até que consigam “buscar pela própria vida”. É verdade que ainda nem todas as esposas que realmente precisam foram contempladas e que tem existido algumas falhas na condução desse processo, mas, uma coisa é certa: essa decisão está ao nível dos grandes “chefes de família”.

Também foi uma decisão muito sábia e digna de registo a prorrogação do Estado de Emergência para as ilhas de Santiago e Boavista. Caso contrário, estar-se-ia a comprometer os resultados até então alcançados. Resultados? Sim, resultados. Não há dúvidas de que as coisas estariam catastróficas nessa altura se nada tivesse sido feito. Por isso, aplausos para o marido! Afinal, sabemos reconhecer quando o marido dá umas “bolas dentu”.

No entanto, também não tenho dúvidas de que esses resultados podiam ser muito mais sólidos e “sustentáveis” se o marido efetivamente tivesse se preparado, na medida do possível, para essa batalha e tivesse uma equipa também ela preparada e não de “segunda divisão”. 

“Nesta altura do campeonato, o marido ainda tem apenas um laboratório de virologia a funcionar, para cobrir a demanda de todo o país, laboratório esse em risco iminente de “da badagai”, ou seja, de não poder mais.”

Vejamos: 

Nesta altura do campeonato, o marido ainda tem apenas um laboratório de virologia a funcionar, para cobrir a demanda de todo o país, laboratório esse em risco iminente de “da badagai”, ou seja, de não poder mais. Esse laboratório, que já deu sinais claros de cansaço, não pode ser “sobrecarregado”, caso contrário, “é pocu ou nada”. E assim, obviamente, perderemos de vez essa guerra, pois que a rapidez na deteção dos casos, no seu isolamento e bem assim dos seus contactos é fundamental nesse processo. Entretanto, já tivemos a proeza de termos tido mais de duas centenas de amostras pendentes de exames, quando o número de exames realizados diariamente é relativamente reduzido. Já estamos a mais de 1 mês de confinamento e o marido só agora falou na intenção de montar mais um laboratório. Já pensaram no que será de nós se o laboratório existente se sucumbir antes desse milagre acontecer?

E mais: também só agora o marido tomou as providências necessárias para comprar, com financiamento externo, equipamentos de proteção e testes. Até agora o marido sobreviveu apenas das “zimolas” – muito bem-vindas, diga-se de passagem – que foi recebendo. Mas que raio!! Fica por se saber então qual a preparação que o país tinha no início da pandemia! 

Para complicar ainda mais as coisas e “da alguém nó na cabeça”, a equipa de segunda divisão do marido sequer está ciente ela mesma das regras do jogo que devia estar a comandar: primeiro desaconselha fervorosamente a utilização de máscaras, depois dá o dito pelo não dito e a torna de uso obrigatório; depois estatui um critério para a consideração de casos como recuperados – 2 testes negativos e cerca de mais 12 ou 14 dias de acompanhamento – mas depois e de forma sorrateira altera as regras (sem o admitir) e passa a considerar como recuperados todos aqueles com dois testes negativos de covid-19, sem nenhum tempo adicional de espera; essa mesma equipa, numa operação puramente “di secretaria” – e os cabo-verdianos já têm a péssima experiência de perderem um jogo na secretaria – fez-nos amanhecer num belo dia com mais cinco casos positivos de covid-19: três milagrosamente “esquecidos” na Boavista e mais dois familiares do caso positivo de São Vicente que, mesmo sendo encontrados com anticorpos do vírus, não haviam sido contabilizados. Enfim!

“Primeiro desaconselha fervorosamente a utilização de máscaras, depois dá o dito pelo não dito e a torna de uso obrigatório; depois estatui um critério para a consideração de casos como recuperados, mas depois e de forma sorrateira altera as regras.”

A situação está de tal forma caótica na capital do país que o comum dos mortais não sabe mais em quem acreditar: é o profissional de saúde que tem medo de se aproximar dos casos positivos de covid-19, com quem contacta através de uma parede de vidro, mas que mesmo com materiais de proteção individual e na posse de toda a informação necessária se contagia, sabe-se lá aonde; é o agente de autoridade que incumpre sistematicamente as regras que foi incumbido de fazer cumprir e se torna um veículo de propagação do vírus por várias localidades na capital do país; é o deputado, representante do povo, que vai a festas nessa altura do campeonato, convivendo com “fujonas” da quarentena domiciliar; Enfim! Afinal também existe Covid “copu leti”.

Para nossa desgraça, o Estado de Emergência é um estado de exceção, pelo que dela havemos de sair, infelizmente, em breve, antes que a situação conheça dias melhores e esteja controlada. A partir daí, minha gente, será “cada um por si e Deus por todos”. Que Ele nos proteja a todos.

“Aos infetados que têm feito lives, certamente para mostrar que a vida não acaba com a contaminação, aconselho-vos vivamente a não o fazerem porque, infelizmente, muitas pessoas querem ver-vos tristes, deprimidos, como se estivessem condenados à morte.”

Uma última palavra, sobre a quarentena das pessoas que testaram positivo ao covid-19: até quando o “marido” vai continuar com essa atuação insustentável de levar todos para o mesmo espaço? Muitas dessas pessoas não estarão em condições de fazer o isolamento em suas casas? A que tratamento estão a ser submetidos que justifique colocarem mais de 20 homens assintomáticos no mesmo espaço, dividindo inclusive a mesma casa de banho? Não seria hora de aprender com os países que já passaram por isso? Quando o estado de emergência terminar e o número de infetados aumentar, quero ver aonde vão colocar as pessoas.

Aos infetados que têm feito lives, certamente para mostrar que a vida não acaba com a contaminação, aconselho-vos vivamente a não o fazerem porque, infelizmente, muitas pessoas querem ver-vos tristes, deprimidos, como se estivessem condenados à morte. Se mostrarem que estão bem, tentando passar o tempo como podem, as pessoas vão vos julgar e condenar à morte, ao contrário da covid-19, que mesmo tendo-vos infetado, parece querer poupar-vos a vida. Quanto a mim, fico feliz por saber que estão bem, animados e de boa saúde mental. Afinal, estar de quarentena não significa que tenham de desistir da vida. Continuem se protegendo, principalmente usando máscaras, para que não ponham em causa a recuperação de cada um de vós. Que Deus vos cure desse vírus!

Aquele abraço de sempre

Di “Badjuda brabu”

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augustonevesdestq-final

Augusto Neves, edil da CMSV: “Fiz mais quarentena que todo o mundo”

O edil Augusto Neves afirmou esta manhã em conferência de imprensa que fez mais quarentena que “todo o mundo” devido a sua deslocação a Portugal e regresso a Cabo Verde em pleno quadro da pandemia do Covid-19. Após alguma relutância em falar do assunto, o autarca mindelense adiantou que ficou 14 dias de quarentena num hotel na cidade da Praia, saiu após se submeter a um teste que deu negativo, viajou para Mindelo praticamente sozinho num avião e sujeitou-se a mais um confinamento domiciliar na ilha de S. Vicente. 

Desta forma Augusto Neves acaba por esclarecer a curiosidade de vários internautas que continuam a levantar perguntas sobre a forma como chegou a S. Vicente e se fez análises laboratoriais à covid-19. “Fiz teste tanto em Portugal como na cidade da Praia, caso contrário não iriam permitir a minha saída do hotel”, acentua o presidente da CMSV, que diz estar “bem de saúde” neste momento, pronto para cumprir o mandato e com sucesso. Questionado se se sente preparado para as eleições, Neves assegurou que está pronto para enfrentar os desafios futuros, sem especificar se isso inclui a próxima campanha eleitoral.

Na sua primeira aparição pública desde que regressou de Portugal, para onde viajou em regime de urgência médica, Augusto Neves lançou um forte apelo à população mindelense para continuar a respeitar as medidas de restrição impostas agora pelo Estado de Calamidade Pública, tal como foi feito durante os dois períodos do Estado de Emergência. Como lembrou o autarca, Cabo Verde, incluindo S. Vicente, está a vier uma situação nova para todos e que coloca uma série de desafios que mexem com as normalidade dos relacionamentos humanos. “Mas, a nossa saúde está em primeiro lugar. Temos de nos proteger e proteger os outros, o que implica um esforço colectivo. É uma luta de todos pela sobrevivência e deve ser tomada com a seriedade que a situação exige”, salienta o edil, que pediu as pessoas para trabalharem com as instituições sanitárias no combate à Covid-19, pois, para ele, o Ministério da Saúde tem estado a fazer aquilo que lhe compete. Aliás, neves aproveitou a ocasião para reconhecer a dedicação dos profissionais da saúde, policiais, militares, bombeiros e técnicos da comunicação social que, diz, têm feito um enorme esforço em prol da sociedade cabo-verdiana no meio da crise. Para ele, a situação vai voltar o quanto antes à normalidade, ainda mais se a população cumprir as regras do Estado da Calamidade Pública vigente agora em S. Vicente.

KzB

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Combustiveis

Combustíveis estão mais baratos, seguindo a tendência internacional

Os preços de todos os combustíveis que vigoram desde às zero horas de hoje registaram uma baixa para valores muito próximo aos praticados em 2015 em Cabo Verde. A Agencia Reguladora Multissectorial da Economia (ARME), justifica com a evolução de preço dos produtos petrolíferos no mercado internacional e com a depreciação do euro face ao dólar americano. 

Os cabo-verdianos aguardavam esta nova actualização de preços com expectativa, tendo em conta o preço do barril de petróleo no mercado internacional que, de acordo com as últimas noticias, chegou a ser negociado, pela primeira vez na historia, em terreno negativo nas compras para entrega em maio e junho. Antes mesmo de divulgar a nova tabela, muitos utilizaram as redes sociais para fazer previsões.

Mas a ARME foi “modesto” nas mexidas, para desalento de muitos que aguardavam uma queda brusca. Por exemplo, o Gasóleo Normal passa a ser vendido a 62,70 ECV/L, a Gasolina, a 79,80 ECV/L; o Petróleo, a 48,90 ECV/L; o Gasóleo Electricidade, a 47,40 ECV/L; o Gasóleo, a 39,30 ECV/L; o Fuel 380, a 43,40 ECV/L e o Fuel 180, a 45,60 ECV/L. Já Gás butano passa a ser vendido a granel por 101,00 ECV/Kg. Com isso, as as garrafas de 3Kg passam a ser vendidas a 288 ECV; as de 6 Kg, a 606,00 ECV; as de 12,5Kg, a 1.262,00 ECV e as de 55Kg, a 5.554,00 ECV. 

Ainda assim, comparado com os preços praticados há um ano, a variação dos preços dos combustíveis aproxima-se dos 40%. Na sua nota enviada à imprensa, a ARME diz apenas que os preços do petróleo nos principais mercados internacionais mantiveram a tendência de queda durante o mês de abril (18,24%), com os mercados a reagirem às previsões pessimistas sobre a evolução da economia mundial em 2020, após o FMI ter estimado uma quebra do PIB global em 3%, devido à pandemia Covid-19.

Estes preços vão vigorar até 31 de maio. 

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