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Pedra de Lume, berço da identidade salense

Por: Ildo Rocha Ramos Fortes 

Pedra de Lume berço da identidade salense, volta uma vez mais a estar na boca do povo, nas redes sociais, na imprensa e no centro de debate político com muito peso ideológico, em função de quem esteja na governação local e/ou central.

A titularidade dos terrenos tem gerado muitas interrogações, angústias, discussões políticas e jurídicas. Desde 1919, altura em que a companhia francesa Salins du Cap Vert, supostamente comprou os terrenos de Pedra de Lume, já viveram quatro gerações na localidade que ostenta as suas Salinas, uma das sete maravilhas de Cabo Verde com todo o seu esplendor. É um dos pontos de maior atração turística na terra onde nasceu o cantor Ildo Lobo.

Para entender melhor a problemática de Pedra de Lume é necessário conhecer um pouco da nossa história com todas as suas vivências. O processo carece de um análise racional à luz das leis da República Portuguesa e da República de Cabo Verde depois de 5 de Julho de 1975, sabendo também que que muitas leis do sistema jurídico português ainda são aplicadas em Cabo Verde, para evitar um vazio legal na administração da justiça e no funcionamento das instituições.

Desde a independência de Cabo Verde três salenses  comandaram os destinos da Ilha: Lourenço Lopes, cujo mandato foi marcado pela transferência da sede do Concelho de Santa Maria para Espargos.  Delegado do Governo ainda no regime do Partido Único, Basílio Ramos, Presidente da Câmara Municipal do Sal 1996-2002, sociólogo e político de grande verticalidade, travou várias lutas por Cabo Verde e pela Ilha do Sal. Enquanto Presidente da Câmara pugnou na justiça pela titularidade dos terrenos de Pedra de Lume, processo que ainda hoje se arrasta.

 Em 2004, já com José Pimenta, Presidente da Câmara Municipal, foi assinado o acordo com a Turinvest Holding SA, do investidor  Andreia Stafafina, para desbloquear parte do problema. A ideia era permitir que filhos de Pedra de Lume pudessem construir casa na terra onde nasceram. Uma vez mais o projeto não saiu do papel. No ano de 2004, o  PAICV estava no Governo e na Câmara do Sal.  

Actualmente, a Câmara do Sal é presidida pelo salense Júlio Lopes, filósofo, jornalista e empresário de sucesso, que ganhou as eleições em 2016 na lista do MpD. Prometeu globalmente felicidade às  pessoas, e particularmente aos jovens um futuro melhor. Apostou na Requalificação Urbana como parte importante da sua estratégia para o desenvolvimento da maior ilha turística do país.

É aí que aparece a ideia de um Novo contrato com o empresário italiano para desbloquear de  uma vez por todas o projeto de requalificação de Pedra de Lume primeiro localidade habitada na Ilha, e cujas Salinas constituíram durante muitos anos a única atividade económica da ilha.

A grande dificuldade neste momento é que os que eram favor do acordo em 2004 hoje estão contra, e vive-versa, percebendo-se que as pessoas são levadas por questões meramente partidárias, e ideológicas, tornando o processo mais complicado. Os protagonistas desse processo tem uma vez mais a oportunidade de mostrar a  capacidade de resistência, resiliência e respeito pela opinião contrária.   

Como vivemos num país democrático o assunto estará em discussão na Assembleia Municipal do Sal a 28 de Maio, envolvendo a Câmara Municipal, os deputados municipais, e a sociedade civil, para num debate sério e construtivo se possa encontrar a melhor solução para o território que se convencionou chamar  “ berço de identidade salense”. E será um bom momento para o exercício de cidadania plena. Quando em 1460 António da Nola chegou à lha do Sal foi surpreendido pelo acúmulo de sal aí existente a véu aberto, onde parecia que um olho de água salgada ia temperando as águas da chuva que caía. Foi pouco visitada até ao Séc XVIII pelo que não há grandes informações do número dos seus habitantes; Em 1720 o capitão George Roberts no livro que escreveu sobre a sua viagem às ilhas Canárias, Cabo Verde e Barbados regista alguns dados etnográficos que revelam que a ilha era habitada.

Viagem pela história da Ilha do Sal 

No início do Séc. XIX e na sequência de um naufrágio, chegou à Ilha da Boavista Manuel António Martins, que ascendeu a uma carreira política em Cabo Verde, tendo sido governador nos anos 1834-1835. Algumas pessoas da Boavista começam nessa altura a ir para o Sal levando o seu gado. Manuel António Martins, já na ilha do Sal, decidiu explorar a salina natural encontrada por Nola e situada no monte que já se chamava de Pedra Lume, «por causa das pederneiras ou sílex que ali aparecem».

A fim de escoar o sal, mandou construir um túnel perfurando o monte de um lado a outro. No entanto esse sal não apresentava a qualidade exigida, e não melhorou com a construção de marinas artificiais, o que numa primeira fase, o fez desanimar. No entanto, por mero acaso, em 1833 que o terreno próximo da povoação de Santa Maria produzia um belíssimo sal, o tal sal que Manuel António Martins tanto queria encontrar.

Aforou em Abril de 1846 as Salinas de Pedra de Lume ao seu filho Aniceto António Ferreira Martins em Abril de 1846, e deu início por sua conta à exploração do novo terreno salífero. A fim de facilitar o seu transporte instalou uma linha de caminho-de-ferro que ligava a salina ao lugar do embarque, onde as vagonetas eram puxadas por mulas ou acionadas pelo vento através de velas desfraldadas.

Apesar de nessa altura a ilha do Sal fazer parte do concelho da Boavista, em função da exploração e exportação do sal, especialmente para o Brasil e América do Norte o Governo ordenou em 1837 a instalação de uma alfândega e de um governo militar.

António Ferreira Martins geria a ilha como se fosse sua propriedade o que é atestado pelo facto de que em 1839 o conselheiro ter solicitado à Coroa o aforamento «por si e por seus correspondentes em Lisboa, Matheus da Silva Louro e José da Silva, 2 léguas e meia quadradas de terreno e areais em diversos pontos da ilha, compreendendo os que já lhe estavam na posse», como relata Botelho da Costa em 1882, em comunicação à Sociedade de Geografia de Lisboa, ainda que seja verdade que o Decreto de 29 de Dezembro de 1839 refere apenas duas léguas de areais.

Graças a essa concessão a ilha do Sal começou a crescer em população e em 1840 já tinha cerca de 400 habitantes, ainda que na maioria escravos. Em 1855 viria a ser administrativamente separada da Boa Vista, ficando a partir dessa data a ser governada por um administrador e uma comissão municipal. Já exportava por ano cerca de seis mil moios de sal, mas nada produzia para consumo das suas gentes pelo que, tal como a Boa Vista, importava do estrangeiro, principalmente da América, todas as mercadorias e utensílios de que necessitava. Em 1856 foi criada na ilha uma Câmara Municipal para substituir a Comissão Municipal.

Manuel António Martins impulsionou não só a ilha do Sal como conseguiu explorar grandes interesses na Boa Vista, Brava e Santo Antão. Numa deslocação aos Estados Unidos trocou um carregamento de sal por desmontáveis casas de madeira com as quais viria a dar início à povoação que ele chamou de Porto Martins, mas que se perpetuou como sendo de Santa Maria.

Morreu em 1845 e foi enterrado no Sal, tendo a sua viúva, Maria Josefa Martins decidido mudar-se para a Boa Vista a fim de tomar conta dos negócios da família, tendo ficado à frente da sociedade que foi criada com a designação de M. A. Martins. O Governador, face ao envolvimento da família Martins. Ordenou ao novo comandante que vigiasse de perto Vicente António Martins, que apesar de estar na Boavista se pensava ser realmente o cabecilha da revolta.

A família Martins ia caindo em desgraça política e já economicamente depauperados, os herdeiros de Manuel António Martins começaram por associar-se em 1850 ao comendador António de Sousa Machado, genro do defunto e deputado às Cortes, dando origem à firma M. A. Martins & Sousa, sociedade que viria a ser judicialmente dissolvida em 1860 e punha-se termo ao monopólio de exportação do sal pelos irmãos Machado, entrando também em serviço a firma Vera Cruz & C.a da propriedade do marido de uma das netas do conselheiro Martins.

Nesse tempo descobriu-se sal em diversas partes da América Latina, o que fez com que a indústria da ilha decaísse consideravelmente por volta de 1884, tanto mais que o Brasil, um dos maiores consumidores do sal cabo-verdiano, tinha acabado por estabelecer pautas protecionistas como forma de desenvolver uma indústria similar no país.

De acordo com os apontamentos de Désiré Bonnaffoux, os herdeiros de Aniceto António Ferreira Martins acabaram por vender as suas explorações de Pedra de Lume a dois comerciantes, mas que também não tiveram melhor sorte na sua rentabilização. Razão por que estes igualmente viriam a vendê-las em 1919 à sociedade Salins du Cap Vert que iniciou uma intensiva exploração do sal, destinado à exportação para as colónias francesas e belgas da África.

Sem dúvida que essa nova exploração foi de extrema importância porque não só deu um novo alento à ilha, com a chegada de trabalhadores de Santo Antão, São Nicolau e Boa Vista, como também de algum modo serviu para descongestionar Mindelo cujo porto nessa altura já estava em plena decadência, e com uma grande massa trabalhadora desempregada e faminta.

Para responder a um tão grande número de gente – duas centenas de pessoas – foi preciso construir alojamentos para trabalhadores, artífices, empregados e suas famílias, providenciar assistência sanitária, cantina, abastecimento de água potável, uma flotilha de lanchas e doca para as abrigar e carregar, oficinas mecânicas e carpintaria, uma central eléctrica, maquinaria para peneirar e pulverizar o sal… Foi construído um teleférico de 1100 metros de comprimento que transportava 25 toneladas de sal por hora desde as salinas de Pedra de Lume até ao cais de embarque, vencendo desse modo o que anos atrás tinha sido o calcanhar de Aquiles de Manuel António Martins na sua luta contra a cratera, a saber, conseguir dali elevar o sal.

No entanto face à descoberta de outras Salinas no Mundo, a exportação não tinha a expressão desejada e necessária, pelo que a ilha não teve condições económicas para se desenvolver, até que ocorrer a instalação do aeroporto na localidade de Espargos, um planalto quase vazio que tirava o seu nome do facto de no tempo das chuvas ali nascerem grandes quantidades de espargos bravos.

Espargos surge cerca de cem anos depois de Santa Maria, já no tempo da alta tecnologia, quando São Vicente como escala obrigatória dos vapores rumo ao sul é já coisa do passado. É por isso que a elite sanvicentina da época exerce junto dos poderes públicos uma forte pressão no sentido de essa benfeitoria ser instalada na sua ilha, argumentando que de qualquer modo São Vicente já tinha uma longa tradição de prestação de serviços e a mudança de marítimo para aéreo não seria assim tão complicado. Porém inutilmente.

Durante muitos anos o Sal manteve-se apenas como um aeroporto perdido na desolação de um deserto castanho e confrangedor, um simples local de passagem a que a brevidade das escalas não proporcionava a indução de qualquer outro tipo de desenvolvimento.

Porém, a independência nacional não traria apenas a mudança de nome do aeroporto. Trouxe também a necessidade de se prestar uma maior atenção ao local que aos poucos foi sendo conhecido dos estrangeiros e rapidamente se começou a assistir a uma mudança na paisagem da ilha, especialmente depois do chamado processo de extroversão económica e inserção de Cabo Verde na economia mundial, o que acabou levando o Sal a entrar na senda do turismo onde já navega de velas desfraldadas sobre grandes complexos hoteleiros, esperemos que rumo a bons portos.

Jornalista e Investigador sócio-cultural 

Fontes bibliográficas:  

O Senhor das Ilhas, Maria Isabel Barreno 

Désiré Bonnaffoux, Revista Djá Sal 1989 

Germano Almeida: Nos Guenti – Cabo Verde 2015

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Rocca Vera Cruz

Abol da Gaita!

Por: Rocca Vera Cruz

Discussão em casa de Pey e Xanda

Xanda: Mi um ka tem marido. Bô ta morto, rapaz, sô intxadura! Panhá praia? Ondê nada! Má tb na estado que bô está o quê k um crê?

Pey: Qual estado? Ou bô pensa bô ta medjor di ki mim? Mi quando um ta estod diante de um padoce d’amdjer mi ê pior que marrosk na lua, agora bô… Deus perdoa-me, ma já bô passa bo tempo!

Xanda: Passá nha tempo? Mi já-me perdê nha tempo má bo, isso, sim, casá ma bô fui castigo de Deus, pior, quase fui castigo de FIFA mod Mindelense ganha campeonato de Cabo-Verde.

Pey: Daqui a nada bô ta dzê k bô fui campeão de Cabo-Verde na Mindelense, um cuza moda bô k nem ‘aisum’ prendê jgá.

Xanda: Hey, cuidod, mi ê um amdjer esperta, mi ê nê de laia de bos conjardinha.

Pey: Esperta? Bô ê daquej k tive habilidade de reprová na jardim!

Xanda: Mi? Rapaz, mi sempre um fui de plumanhã na Ludgero Lima. E na nha tempo ka tinha jardim.

Pey: Por isso bo ka tem bases.. Ka tinha jardim? Moss bô ta pra li diaza, hein?

Xanda: Ka bô vra conversa, nô tava ta fala de hora de seriedade k nunca bô ta respondê presente. Mi um guenta nha falta até hoje fui mode amor.

Pey: Falta? Mi um ta novim!

Xanda: Novim? Sô se for d’imbig pa riba!

Pey: Mi má bô já ca podê dá dret. Se no fazê conta somod nô tem mas de 100 e mas de 100 one de riba de um cama ka ta dá. Um cientista noruegues dzê k pa sangue de Jesus côrrê na veia kel soma de idade ka pôdê dá 100.

Xanda: Bô pa sangue corrê na veia bô tem de tmá um dose cavalar tripla de azulinha e cmê sô cmida de panela durante um mês. Ah, e nada de preliminares . Bsot home ka ta prendê porque tem bateria k já ca ta tmá carga.Tmá azulinha à vontade sem preocupá c saúde porque daqui a nada já bô ta dá dona Lili k ganhá. Oh Deuusssss, rapaz, lembrá de kel peça Cronicas de Mindelo manera kel brasilirinha cmê Ney 12.000 conto!

Pey: Ney ê nha herói, ele dá broque ma ta contecê, tem uns dia ka tem sistema, ma ele môrrê sabe! E txam ba ta dzeb, kel brasilirinha bá c sorte porque Ney tava ta ba kebrá kel cama!

Xanda: Bô ca tem ciença, moss, bem kebra cama bô, bem. Sô intxance,porra, bá pa o espaço superior!

(A discussão acaba com a Xanda indo para o quarto e Pey a ficar deitado numa cadeira na sala. Pey olha para a porta do quarto e ‘toca sacana’ para Xanda).

(Chega uma msg, após lê-la Pey , levanta-se e vai para a casa de banho dizendo de forma a ser ouvido por Xanda – ‘txam tma um bonhe pa um ca faze um asnera li dent’. Enquanto toma o banho, Xanda lê a msg e volta para o quarto. Ney sai do banho, finge dormir e passados alguns minutos, pensando que Xanda dorme, sai de mansinho, entra no carro e liga para um numero).

Ney: Olim ta txgá, esperá um czinha, um sabê k bô ta infronto pa oia bô bebezão, esperá, ninha de nha coração!

Entretanto n’’USabor’, sentadas numa mesa, Zuleica e Gisela, conversam:

Zuleica: ‘O quê bo ta li ta fazê, ninha?’, sentada na esplanada d’Usabor,’

Gisela: Um tem 1 encontro li ma um pessoa ma ê mas um bocod, sê pa ba pa casa um bem log de Lajinha pra li, e bô, cherrie?

Zuleica: ‘Mi també um tem um encontro li, contam kel novidade k bô dzem na movel.’

Gisela não perde tempo , e diz, despachada, : ah menina, um ranja um txutxe na Laginha. Mi ma ele tava lá pa banda de lar d’idosos quê já ele ê nê novo, escuro ftxa, no ba pa lorgue, já bô sabê, lantchinha vai, lantchinha vem, cosa filá. Claro que nha mucim oficial ca sabê. Esse li ê um home cool uvi, jal troca-me colchon pa um de casal. E claro, jal compra-me uns roupa lá na Naty porque um tem que ba esticod pa quej parodia quel ta bancá… E bô Su?’ conta-me.

Zuleica :Bô pensá um ta fca pa tras? Mi desde que ej transferi nha mucim pa Sal um dá nha expediente. Um flana intxada e c mania de flipada que ba passa um mês na Holanda e que esquece de fala criol ka ta nem imagina k um coimal sê marido. Tud sês cosa agora ê alles goed, nei, Ik how von you, etc. Ele ta esquecida c li no ta fala ingles, por isso mi ma se maridim ta oraite nesse about. Maridão ta cheio de paus, um reforma de 250 bala ta dal pa banca tude. Nô ca mestê ba pa Sintanton pa pô corno, ê so debangá na kel hotel que já bo sabê na Lazareto, lá naquel escuro ondê que tê gongon tem medo de bá, cosa ta fca arremod. Gosturdia no tchega lá ele tava c corpo incmodod de scotch, inda ele chobrá redbull ma safari na butch, cotod ele começá ta trêmê, um dzê ê desse volta qu’el ta ba pa nha Marquinha, ma ele guentá, enton m detal naquel cama, barriga pa riba moda um tartaruga, ele dá-me uns dos pegada na pescoço, um fingi ftxa oi , um dzê ‘aiaiaia uiuiuiui ele sinti dono de mundo, ver bô oiá paus ta somá de conte. Mim ca pedil , ele ê que dá.

Gisela: Esh titio ê tud igual, es ta ptá boca na vidro, depos uns ta das pa bá pescá, ots pa jgá uril, uns ta ba pa Reino de Deus, esse li vrá lêlê e na sê cabeça ele ê pxador. Uvil fala na bitchada ê um cosa, hora de pau na tchuck bo ta otcha so plasticina. Dos bombada ptá lingon!

Zuleica: Esh titio tud tem psycho-five trublode,moda Toy Hippie tava dzê,

Gisela: Bô pôdê dzê, imaginá esse meu pergunta-me se ele pôdê confiá na mi! Um dzel claro, mas de 100 já confiá, já agora confiá tb.

(Depois de sonoras gargalhadas), Gisela continua, :ma cuidod , mi nha mucim um ca ta tcha d’ele nem pintod. Café ma coração ê dos departamento separod. E conversa de 2 ê nê conversa de 3. Txam dzeb um cosa, basta bo ca dze bo titio que bo tem um txutxe e garantil que quel braquim ê sô d seu, bo ta clore k’ele ka ta tcha de bô e paus ta corrê sem manha.

Gisela e Zuleica olham para o espaço de entrada de Copacabana,

Zuleica comenta: oiá tonte amdjer k já entra li , depôs es ta dzê nôs ê k ê bamba.

Gisela: Bô pôdê dzê, Gi, esse terra li, felizmente tem mar de Laginha pa lává pecode de tud gente. Agora atê chinesa ta estod prei ta faze lanchinha! Jame dzeb.esse estora de amor ê que ta po tude esse trublaçon na town, um data ti ta côrrê de love, dá sê volta má um PT, vrá pa casa trankilitas . Ma tb uvi, es casal ta ta tra cumpanher ferral, kel ot dia, ê sô ‘nhu, nê, fufutx’, friskim de ses vida.

Risos

Zuleica: ah menina para c’ pasta, Bomba Não!!!

Gisela vai à casa de banho, fala com um titio em italiano e vê alguém subindo as escadas falando ao telefone :

Pey: mi um ka ta brincá, fora Manhana vai tud estrocid’,
(espantada vê o seu titio, velho reformado,dirigir-se para a mesa onde está Zuleica).

À mesa Pey pergunta , como bsot ta conchê?

Pey nem tem tempo de dizer absolutamente nada e tenta sair de fininho, (ele é o titio das duas).

Inesperadamente, os tres são surpreendidos por Xanda.

Xanda ’Sr Pedro, o quê bôcê ta li ta fazê ma esh baby ? Ou bô pensá que um ca sabê que es ê de café? Bsot home ê burro, rapaz, bô bá tmá bonhe um oiá mensagem de kel cusa na bô movel. Um sabia que bô tava ta bem prali.

Xanda dá uma pegada no catchosse de Pey, volta-se para Zuleica e diz bô c’esse corpim de cagarra um ta vrobe disvessa e para Gisela , bô um ta pobe ta ingli babosa.

Xanda, então, explode no meio de todos os clientes, com Pey preso pelo pescoço:

Xanda: esse pitrol de bossa já ka ti ta da nem pa fogon de casa inda bô crê arma em Rei do Gado? Contá c’um ti ta bem pob um corno bo ti ta bem fca ta oiá turvo e c fumo ta escuob pa uvid. E txam visob, ê já ot semana que tem boi de pxá largod!’ Os entendedores, entenderão, moda kel menininha Marley ta dze..

Gisela para Zu: Moss esse galinhona tinha k bem estragá nôs esse muv.

Gisela para Pey: txá esse conta pagode, nha boy! Dá Marco fala , porra, nô ca tem dnher!

Zuleica: Esse cosa ê rêpê k nô tem de fazê!

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Aprender a conviver com o Bicho é antes de mais aprender a viver sem Ele

Somam e seguem diariamente os casos de contágios pelo novo coronavírus na cidade da Praia/Santiago Sul. Infelizmente, e contrariamente à Boavista onde tudo indica uma relativa contenção da propagação. Relativa, visto que muito pouco se tem testado nessa ilha para além dos testes de controlo dos identificados positivos. Estaria sensivelmente mais tranquilizado com as boas noticias que nos chegam da Boavista se efetivamente tivesse conhecimento de uma campanha de testes mais alargada por toda a ilha. São os nossos territórios, são as nossas gentes que sofrem. E é preciso agir pois em conformidade, salvaguardando uns e outros do pior.

Não se trata de buscar culpas. Esse não pode nem deve ser o mote da ação de nenhum de nós neste momento de pandemia. O país reagiu rapidamente, o PR interviu assertivamente e sobretudo medidas foram atempadamente decididas pelo Governo e acompanhadas manu militari pelas demais Entidades responsáveis. Isso, meus senhores, está devidamente salvaguardado caso isso seja motivo de preocupação para alguns. Mas como sempre se fez questão de frisar, a Democracia não foi engavetada com o confinamento e muito menos a nossa capacidade de analisar, refletir e positivamente opinar.

Medidas foram tomadas? Sim! Foram estas eficaz e rigorosamente seguidas no terreno por quem de direito? É caso para se ter alguma reserva, sabendo de casos concretos vários de falhas que devemos classificar de graves, como por exemplo, a 40ena interrompida sem testes num dos hotéis da BV, a 40ena interrompida depois de testes mas ainda sem resultados noutro hotel da mesma ilha, o paciente positivo “esquecido” durante 12 dias numa casa com mais de 10 familiares na mesma ilha da BV, tempo de mora para se ir buscar os infetados sem medidas de contingência, lista longa mas não exaustiva. 

Todas estas sem exceção, falhas potenciadoras de contágio comunitário nas populações o que se veio a verificar para grande infelicidade dessas mesmas populações. E agora mais do que nunca, com a revelação da falta total de cumprimento das regras sanitárias mínimas exigidas no caso do Hospital da Trindade, diga lá o Diretor do HAN aquilo que quiser e bem entender. Pelo menos este teve a hombridade de colocar o cargo à disposição, coisa que ficará mais que provavelmente sem seguimento, visto que se tem que proteger a corte do risco de contágio…

O mais importante, dito isto, é celebrar as melhorias na ação que se vêm observando e mais do que tudo o facto de que de facto este vírus não está aqui na Tapadinha a fazer os estragos que vem provocando por esse mundo fora, pese embora o número significativo de infetados já identificados no país, com a Capital a ultrapassar neste dia a fatídica cifra dos 200 infetados por Covid-19.

É caso para se dizer sim que é preciso que aprendamos a conviver com o Bicho, como vêm repetindo à exaustão as Autoridades da Saúde (um pouco em jeito de deitar a toalha ao chão) mas igualmente alguns Autarcas e Dirigentes da Ilha de Santiago, puxando a corda para o seu arco, pensando Economia, simplesmente na Economia e certamente não na Saúde. Fugindo como o diabo da cruz, da evidência linear em como não existe Economia sem Saúde.

Eu do alto da minha ignorância científica na matéria vou-me repetindo à exaustão: aprender a conviver com o Bicho é antes de mais aprender a viver sem Ele, batalhar para que os territórios cabo-verdianos a salvo, por ora, da Covid-19 assim se mantenham pelo maior tempo possível. E que o meu país possa tirar proveito desse facto incrivelmente benéfico e salutar que é ter toda a Região Barlavento e duas ilhas da Região Sotavento livres de Covid-19 (digo toda a Região Barlavento em consciência visto que a Ilha da Boavista foi açambarcada administrativamente e assim artificialmente transformada numa ilha de Sotavento).

Enquanto lá fora os Dirigentes que conseguiram essa proeza, mesmo que numa pequena parcela dos seus territórios, gritam Aleluia para quem quiser ouvir (vidé a Dinamarca e o território composto pelo arquipélago das Ilhas Faroé), por estas bandas se reclama da circulação inter-ilhas em pleno período ascendente da epidemia e se brada aos céus a segurança que oferece a medição da temperatura dos viajantes, informando tranquilamente que a partir das ilhas com casos de Covid-19 serão feitos obrigatoriamente testes rápidos também. Só pode ser brincar com coisas sérias, ao mesmo tempo que nos advertem que casos de Covid-19 aparecerão forçosamente em todas as ilhas. Será então assim um facto consumado? Que nós nessas ilhas devemos aceitar de bom grado? Todo o esforço feito, todas as privações que continuam e tendem mesmo a se acentuar terão sido em vão?

Eu sou daqueles que desde o início (e ainda vamos a tempo) fui favorável a um cordão sanitário a Santiago Sul. Que não impede em nada o relacionamento económico entre as duas regiões da Ilha, mas impede sim a contaminação generalizada de Santiago que poderia sim ter toda a Região Santiago Norte melhor contida. Mas como os próprios Autarcas de STN não o desejam vou mesmo ficar por aqui nesse quesito. O que não posso deixar de aqui colocar como preocupação é a absoluta necessidade de, e porquanto a situação epidemiológica nessas ilhas não estiver devidamente salvaguardada, ou seja, em fase efetivamente descendente, se interditar completamente a circulação de pessoas entre as ilhas da Boavista e Santiago e o resto do país. Que se mantenham as duas Ilhas em 40ena obrigatória!

Já imaginaram a afronta no nosso SNS com casos de Covid-19 espalhados por todo o território nacional? Seja qual for portanto a decisão do PR relativamente ao EE vigente nessas duas ilhas por ora, e até prova do contrário, tem que permanecer vigente a interdição de circulação delas para o resto do país! O bom senso assim o dita, o rigor na luta pela contenção da epidemia assim o exige!! E que se faça realmente tudo aquilo que estiver ao alcance das Autoridades para que a situação epidemiológica nas duas ilhas e particularmente no Concelho da Praia possa no mais breve trecho possível entrar numa fase de contenção que lhes permita suspirar e respirar de alívio. Porque a afronta dessas populações, imagino, deve ser muita… 

Será isso duro e difícil para as duas ilhas, sem dúvida. Assim como o será igualmente para o resto do país vivendo nós numa organização estatal hyper centralizada como é a governação.cv . Mas é o preço que todos temos de pagar pela salvaguarda do país, é o preço igualmente a pagar de algum afrouxamento por parte das pessoas no cumprimento das medidas de restrição que nos vêm sendo impostas de há quase dois meses a esta parte.

E é sobretudo a oportunidade para o país de, e se apoiando nestes territórios que permaneceram livres do covid-19, traçar novas estratégias de desenvolvimento económico centrado nos territórios, a partir destes e não o inverso como vimos assistindo desde que Cabo Verde é Nação. Oportunidade para repensarmos o país na sua dimensão de Nação Ilhas e de Povo Ilhéu! Orgulhemo-nos de termos territórios livres da pandemia! Comuniquemos o país ao mundo através desses filtros igualmente! E sim porque não, trabalhemos para que assim se mantenham… Uma ilha a ganhar, seja ela qual for, é Cabo Verde a ganhar!!!

Alexandre Xazé Novais, 12 de Maio de 2020.

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Rosario Luz

Menos

Por: Rosário Luz

No início do ano, quando a China atravessava o pico do seu surto de Covid-19, analistas pelo mundo inteiro questionaram a sobrevivência do regime comunista – se a gestão da epidemia fosse deficiente. Aparentemente, não foi; com um misto de medidas de contenção draconianas e um controlo férreo sobre a informação, o regime parece ter contido o chamado primeiro surto com relativo sucesso. 

Contrariamente, no Ocidente,  a pandemia está a provocar convulsões políticas por todo o lado: viabilizou a dissolução do parlamento na Hungria; demonstrou à Europa os custos do desinvestimento público na saúde; invadiu e ocupou os Estados Unidos – matando a sua população negra em primeiro lugar, obviamente; e impôs um final abrupto à euforia Bolsonarista no Brasil.

Aqui na Tapadinha, numa das primeiras notícias sobre a matéria, o PM afirmou que estávamos preparadérrimos para qualquer contingência. Naturalmente, o povo riu-se e viu que não. Pouco tempo depois, era o Vice-PM a declarar no Parlamento da República que ninguém no Mundo estava preparado; e que os efeitos da pandemia sobre o país serão desastrosos. Serão, de facto. Mas os desastres têm graus; e a extensão do desastre Covid-19.cv dependerá fundamentalmente de dois factores: da capacidade de gestão do Governo e do bom senso dos cidadãos. 

Se o povo falhar nas suas responsabilidades, poderá ser devastado pela infecção. Até agora, apesar do relaxamento de muitos indivíduos e instituições.cv, a verdade é que alguma coisa – seja a juventude da população, o clima tropical ou o próprio Omulu – tem-nos protegido dos cenários nefastos que se previam, já neste período, para os frágeis sistemas de saúde da África subsahariana.

Mas também é verdade que a maioria dos Cabo-verdianos não precisa de adoecer para sofrer. E no que respeita as patologias económicas causadas pelo vírus SARS-CoV-2, Cabo Verde apresenta três factores de altíssimo risco: o grau de informalidade da economia; a dependência do emprego no turismo; e a dependência quase total de consumidores e produtores nas importações. 

As economias informais sustentam existências precárias: sem contratos ou garantias; sem proteção social; e sem poupanças. Os trabalhadores e empreendedores informais vivem dos fluxos do dia-a-dia; se não os puderem realizar, estão quilhados. Os sucessivos governos de Cabo Verde não regularam – e até promoveram – o trabalho informal, porque retirava-lhes a pressão sobre a sempre problemática oferta de emprego. 

Mas as medidas de contenção exigidas pela atual crise sanitária expuseram rapidamente os perigos dessa solução; e ilustraram a dependência desta grande fatia da força de trabalho.cv na benevolência do Estado – pois a sua labuta diária não lhe granjeia o direito a qualquer proteção durante a suspensão da sua atividade. Para além disso, pós-lockdown, durante a implementação  do chamado “novo normal”, as medidas de distanciamento social e as diretrizes reservadas para os trabalhadores informais poderão ser extremamente lesivas do tipo de atividade. Que impactos terão sobre suas economias domésticas?  

Um segundo risco para o agravamento do quadro Covid-19.cv é a dependência da economia e do emprego no sector do turismo. Ao longo de toda a nossa História, a logística foi o nosso único real bem de exportação. O território.cv deve as poucas conjunturas de crescimento que conheceu a uma oferta de serviços logísticos: o comércio triangular na Ribeira Grande de Santiago; o negócio do carvão no Porto Grande do Mindelo; os serviços aeroportuários na ilha do Sal; e, presentemente, o turismo por todo o país. 

A cada vez que a economia de exportação logística falhou, Cabo Verde mergulhou na recessão. A cada vez que somos obrigados a contar apenas com recursos autóctones,  morremos de fome. O corolário é que a nossa economia sobrevive num contexto de globalização. Visto que a primeira vítima do SARS-CoV-2 é a própria globalização – o colapso da mobilidade e a queda das trocas internacionais de bens e serviços – podemos prever que o impacto sobre as empresas, o emprego e as receitas do Estado.cv será sísmico. 

Quanto à nossa dependência estrutural de importações…. Cabo Verde produz pouco mais do que algumas espigas de milho e uns dois pés de cana. Pela mesma razão que os serviços logísticos são a única coisa que temos para exportar, o nosso mercado de consumo, a nossa indústria incipiente e todos os nossos serviços – nomeadamente os de saúde – dependem absolutamente da importação. 

Sem investimento externo e sem a exportação de serviços turísticos e aeroportuários, a nossa capacidade de importação ver-se-á seriamente limitada. Se a dinâmica for acompanhada por quebras significativas de produtividade nos nossos centros de abastecimento alimentar e industrial – e, previsivelmente, por flutuações de preço igualmente significativas – o impacto sobre os consumidores e fornecedores.cv será devastador.

Foi por isso que, para além de assumir que ninguém estava preparado para enfrentar esta confusão, o nosso Vice-PM também nos comunicou, pedagogicamente, que teremos que “aprender a viver com menos”. É verdade; mas “menos” não é um conceito absoluto. Para alguns, “menos” incide sobre viagens e automóveis; para outros, sobre o já insuficiente pão de cada dia. Como é que a sociedade.cv – famílias sem sustento e uma juventude encurralada – lidará com o seu “menos”? Como lidará com a comparação inevitavelmente traumática entre o seu “menos” e o da minoria privilegiada? Será de forma pacífica e pachorrenta? Ou será de forma violenta? 

Na Boa Vista, as autoridades tiveram dificuldade em conter uma desordem provocada por duas centenas de trabalhadores hoteleiros irritados com as condições da sua contenção. Sendo assim, de que ferramentas dispõe o Estado.cv para gerir as reivindicações previsivelmente mais assertivas de uma população urbana densa, depauperada pelo lockdown na cidade da Praia? E, posteriormente, com que estratégias minimizará as convulsões sociais – a criminalidade, por exemplo – causadas pelo agravamento radical do desemprego, a nível nacional

O Estado.cv – eterno pedinte, altamente endividado e com as suas parcas receitas igualmente comprometidas pela pandemia – ver-se-á grego para responder à enorme demanda de gerência institucional e assistência social despoletada pela conjuntura. A competência e visão do poder político seriam fundamentais para controlar os estragos provocados pela pandemia à economia e ao tecido social.cv. Infelizmente, um aumento de pressão sobre a governação não implica uma aquisição equivalente de competência e visão. 

A tendência generalizada da classe política e executiva.cv tem sido governar o país segundo os interesses imediatos das suas pessoas e corporações. O Poder.cv não estuda; não se capacita; entrega sistematicamente chefias estratégicas a cabos eleitorais sem nenhuma competência para o cargo; e, nas suas inúmeras deslocações ao exterior, ao serviço da Nação, em vez de observar e aprender, vai ao shopping. Ao longo de décadas, o efeito cumulativo desta ideologia política sobre a administração do Estado foi catastrófico; e resultou na sua incapacidade de responder eficientemente a qualquer crise – mormente desta dimensão e complexidade.  

Na sequência da crise financeira de 2008, José Maria Neves garantiu demagogicamente aos eleitores que Cabo Verde estava “blindado” contra os seus efeitos. Mas rapidamente – e até ao final do seu terceiro mandato em 2016 – passou utilizar essa mesma crise para justificar a estagnação económica que se instalou no país. No sector turístico, especificamente, é verdade que o colapso financeiro.eu ditou a paragem de um conjunto de investimentos em curso. Mas com a Primavera Árabe, o destino.cv aumentou de competitividade e a procura turística continuou sólida. Aliás, a contribuição do sector para o PIB demonstra-o. O que não aconteceu foi a reflexão desse crescimento sobre o desenvolvimento do país e o bem-estar dos trabalhadores; facto que se deveu muito mais à falta de visão económica do Estado do que ao fall out da crise europeia.

O povo.cv – apesar de muito mais fatigado do que há umas eleições atrás – ainda assim não será doido de culpar o Governo pelas consequências da pandemia; mas dificilmente permitirá que, desta vez, o poder político utilize a adversidade para justificar a má gestão. E certamente julgá-lo-á nas urnas, nas próximas eleições; não pelo desastre, mas pela eficiência ou ineficiência na sua contenção.   

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Joao Rosario

Falta de financiamento dos órgãos de CS e “autocensura” colocam em causa a democracia

Os Jornalistas devem informar sempre que os públicos precisem estar cientes dos assuntos e da realidade dos factos inerentes à sua sociedade. Não esquecer que o jornalismo é um dos pilares da democracia e da liberdade dos povos. 

Por: João A. do Rosário*

A bomba caiu em cima dos órgãos de Comunicação Social privados cabo-verdianos como se já não bastava a tempestade das bem maiores que estavam a atravessar antes do surgimento da crise pandémica do COVID-19.  A situação sanitária que enfrenta o mundo inteiro veio deitar abaixo as esperanças dos mesmos de ver a luz no fundo do túnel.

Numa altura em que se assinala o dia da Liberdade de Imprensa, este é vivido com alguma desconfiança, sobretudo quando a sobrevivência dos órgãos de Comunicação Social privados passa por incertezas de financiamento de modo a poderem garantir o desempenho do seu papel fundamental na sociedade, que é o de assegurar o funcionamento da democracia cabo-verdiana. Assim, dir-se-ia que, neste momento, um dos pilares importantes da democracia cabo-verdiana está em causa, se medidas consideradas importantes por parte do Governo não forem tomadas a tempo de ajudar esses órgãos privados a levantarem e sairem do fosso em que se encontram antes que a queda seja irreversível, como já aconteceu há algum tempo com o jornal referência do arquipélago o “A Semana” impresso. 

O mercado dos médias em Cabo Verde é bastante exíguo e neste momento não basta apenas a procura do melhor “modelo de negócio” para as empresas, na medida em que este ainda sequer existe ou foi provado.

Com o advento do “online”, ou jornalismo eletrónico, há quem diga que é preciso reinventar o Modelo de Negócio das Empresas de Média de modo a poder garantir a sustentabilidade. Na verdade, os dois elementos essenciais no modelo de negócio de imprensa está a mudar de comportamento, ou seja, alguns consumidores mostram-se relutantes em pagar pelo produto que consomem e, por outro lado, os anunciantes encontraram na internet outras plataformas bastante mais interessantes para publicitarem os seus produtos do que nos jornais tradicionais.

Segundo estudos recentes, existe a necessidade de consolidação de determinadas fases da cadeia de valor e/ou de desenvolvimento de parcerias internacionais que permita às empresas ganhar escala. No entanto, dos vários modelos em estudo nos circuitos académicos, os que mais se adaptam à realidade actual é o modelo Freemium. Como o próprio nome indica, uma parte do conteúdo dos media pode ser de acesso “free” e outros como ofertas de serviços de valor acrescentado têm acesso restrito, por assinatura ou pagos. 

Entretanto, são várias as propostas, existindo ainda os modelos de Paywall total, o Crowdfunding, os Micro-pagamentos, o mecenato, a venda de aplicações para plataformas moveis. A réplica de antigos modelos baseados na publicidade, ou uma combinação de vários outros modelos a funcionarem ao mesmo tempo. 

Voltando ao quesito das liberdades de expressão e de informação, que aliás aqui hoje é chamado, com o sinalar do dia da liberdade de imprensa, diria que Cabo Verde goza e, aqui concordando com os políticos, de uma das melhores Constituições do Mundo. Coloca-se aqui o problema da sua violação constante e ou a destreza dos jornalistas em utilizá-lo da melhor forma, de modo a se escudarem de eventuais tentativas de condicionalismo e pressões. Sim, os Jornalistas têm uma ferramenta fundamental para afastarem os “fantasmas” do passado e não se deixarem alienar ou serem censurados. Sim, também existe a questão da “autocensura” que se prende com uma questão de formação.

Os jornalistas cabo-verdianos sabem que são constantemente pressionados no seu desempenho  e sofrem tentativas de condicionamento durante a sua atividade. Mas não devem temer estas tentativas visto que, conforme escreveu o já extinto jornalista Fernando Monteiro num colóquio realizado em 1999 sobre a Liberdade de imprensa de imprensa nos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), têm instrumentos legais que lhes permitem exercer a sua atividade com isenção, imparcialidade, independência e liberdade.

Os limites à liberdade são, de acordo com a Constituição  da República, restringidos à ofensa, injúria e difamação, à invasão da vida íntima e privada dos cidadãos. Existe a exigência da proteção das crianças e jovens em particular quando entra crime pelo meio. A censura é proibida na lei. É livre o acesso às fontes excluindo os casos de segredo de justiça, de Estado, os segredos militares entre outros, um todo manancial de instrumentos dos mais modernos que permitam o exercício da profissão. 

Naturalmente que estes processos, em resposta a esta nova realidade social e comunicacional imposta pela pandemia vieram mudar o paradigma informativo. Parafraseando o Técnico da Comunicação Jorge Humberto Ramos Fernandes, a consciência dos factos e da situação, a maturidade e a verdade devem orientar a comunicação e informação jornalística. O que pode e deve ser relatado à sociedade deve sê-lo com o necessário equilíbrio e seriedade, sem oportunismo e sem a intenção de alarmar a sociedade.

O momento deve ser gerido com cuidado para se evitar o alarme social, mas sim informar para que as pessoas possam com a devida serenidade e informação séria, tomar as suas precauções e ações em conformidade com as diretivas das entidades públicas em cada área de atuação na sociedade. Os factos devem ser sempre de fontes fidedignas e as fontes devem ser credíveis. Daquilo que se acompanha do jornalismo de Cabo Verde segue-se aquilo que se passa no jornalismo internacional, para mais nesta era da globalidade, em que os assuntos deixaram de ser ou pertencer a um só quintal mas a toda a praça. 

A atividade deve ser desenvolvida no estrito respeito do Código Deontológico do Jornalista, e à lei da comunicação social. Jorge Humberto é de opinião de que é um tempo para informar e formar consciências porque o assunto requer todo o cuidado e equilíbrio na construção das mensagens. Existe um grande esforço de todos para que as sociedades não colapsem, pelo que a responsabilidade deve ser um ponto incontornável na atuação do jornalista a par da busca, tratamento e transmissão de informação confirmada, fidedigna, e de fontes credíveis. Mais, o cuidado entre a opinião e o jornalismo.

*Jornalista desde 1988

Free Lancer, Mestrando em Jornalismo, Pós-graduado em Estudos Jornalísticos, Licenciado em Relações Públicas e Publicidade

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Quim Xavier 2

Confinação nas ilhas

Por: Quim Xavier

Todas as medidas adoptadas seja pela Assembleia Nacional, pelo Presidente da República e pelo Governo revelaram-se, até agora, acertadas e eficientes, afora a decisão de colocar os trabalhadores do Hotel Karamboa em quarentena naquele estabelecimento hoteleiro sem uma logística capaz de manter a disciplina interna e garantir um controlo da existência e a evolução de possíveis focos de covid-19. 

Se por um lado o país dá mostras claras de uma boa capacidade de resposta ao desafio da pandemia coronavírus, induzida pelas assertivas medidas do Estado, por outro, há motivos ainda para preocupações, pelo que a situação merece uma forte intervenção dos Organismos Estatais com a adoção de medidas particulares e adaptadas a cada Ilha, tendo sempre em vista o global que é o arquipélago de Cabo Verde.

“A realidade atual do mapa de disseminação do covid-19 indica, claramente, a confinação desse vírus a duas Ilhas: Boa Vista e Ilha de Santiago. A ilha de São Vicente registou, incompreensivelmente, um único caso positivo que até se pode questionar se não se tratará de um falso caso positivo

Uma palavra especial deve ser dirigida para distinguir todos aqueles que, colocando a sua integridade física em risco, mantêm o arquipélago ainda com sinais de vitalidade sócio-económica, sendo de enaltecer o pessoal adstrito aos Serviços de Saúde. É assim que nas Ilhas da Boa Vista e de Santiago, mormente nesta última, há razões para medidas especiais para a cura dos infectados com o vírus e conter a sua proliferação no seio da população, evitando-se assim que se alargue às outras Ilhas.

A realidade atual do mapa de disseminação do covid-19 indica, claramente, a confinação desse vírus a duas Ilhas: Boa Vista e Ilha de Santiago. A ilha de São Vicente registou, incompreensivelmente, um único caso positivo que até se pode questionar se não se tratará de um falso caso positivo, o que até pode ocorrer. Por outro lado, testes de amostras recolhidas de contactantes do “caso chinesa” levam a considerar e a validar a hipótese de se estar perante um falso caso positivo. Os próximos dias bem como as próximas análises de amostras poderão ser elucidativas para colocar São Vicente a par das Ilhas virgens da Brava, do Fogo, do Maio, do Sal, São Nicolau e Santo Antão, sem registos de casos positivos, nos últimos 20 dias.

“Pergunta-se se será curial o levantamento global do isolamento de todas as ilhas? Se será curial o repatriamento de pessoas, de ilhas onde se registam casos positivos de covid-19, para suas ilhas de residência?”

Conforme as autoridades nesta matéria, o estado de emergência vai ser levantado em Cabo Verde. Numa altura em que a deslocação de pessoas e bens, no mundo, está ainda limitadíssimo, regras especiais e rigorosas devem ser aplicadas tendentes a proporcionar novos intercâmbios de pessoas e bens, pois o país terá que, mais tarde ou mais cedo, abrir-se ao mundo, que é a sua vocação natural, permitindo assim a retoma da democracia e o desenvolvimento económico. 

Pergunta-se se será curial o levantamento global do isolamento de todas as ilhas? Se será curial o repatriamento de pessoas, de ilhas onde se registam casos positivos de covid-19, para suas ilhas de residência? A minha simples opinião, é que não será!

Para o caso de levantamento do estado de emergência e do isolamento de ilhas com a verificação de casos positivos – exemplos de Santiago, da Boa Vista e de São Vicente -, a bem da saúde pública em Cabo Verde, recomenda a prudência e em nome da vida humana da população cabo-verdiana que deverão permanecer em isolamento face às outras Ilhas. Todavia, deverá ser ponderada a situação de São Vicente que, se não verificar mais qualquer caso positivo, até o dia 02 de Maio, deverá ser levantado o seu confinamento ilhéu, juntando-lhe às 6 outras Ilhas, permanecendo em isolamento as Ilhas de Santiago e Boa Vista, por mais 10 ou 15 dias, caso já se conheça o pico dos contágios.

Nessas circunstâncias, convém ter em devida conta que a ilha de Santiago é auto-suficiente, em todas as vertentes, e que, ao contrário, a Ilha da Boa Vista ainda revela situações de carências acentuadas, pelo que medidas de mitigação deveriam ser dirigidas a esta última, garantindo assim um equilíbrio em termos de subsistência e resiliência.

Entretanto, seria dada uma forte luta à exterminação do coronavírus nestas duas ilhas, com todas as medidas necessárias de solidariedade, segurança-social e de estabilidade alimentar às suas populações que estariam a ser sacrificadas em prol da nação cabo-verdiana, em geral. Ter-se-ia que fazer uma profunda ação de consciencialização, devidamente divulgada e absorvida pelas duas heróicas e sacrificadas populações.

Note-se que meu pai é oriundo da Ilha da Boa Vista onde tenho muitos familiares e amigos, e tenho, minha neta, dois filhos, primos e amigos, em Santiago e trata-se de um sacrifício, enorme, para mim, mas meu dever de cidadão, propor esse conteúdo.

Pois, como disse Shakespear, “Ser ou não ser, eis a questão!”. Ou matamos o virús da corona, ou corremos sérios riscos de ele nos trazer muitos amargos de boca, ou mesmo a própria mote!. Viva Cabo Verde!

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Jorge Barreto “espantado” com caso da chinesa com covid19

O caso da paciente chinesa de São Vicente, diagnosticada com covid19 desde o dia 2 de abril, está a causar estranheza, inclusive aos integrantes da equipa técnica do ministério da Saúde e Segurança Social, garantiu o director de Serviços de Prevenção e Controle de Doenças, Jorge Barreto, na conferência de imprensa diária, em que se apresentou acompanhada da Presidente do Instituto de Saúde Pública, Maria da Luz Lima.

De acordo com Barreto, não obstante todas as explicações dadas até agora, a última ontem pelo Director Nacional da Saúde, os técnicos do MSSS continua a achar “um bocado estranho” esta situação de São Vicente. Isto porque, afirma, o esperado seria uma situação de propagação semelhante ao que se verifica na cidade da Praia. “Toda a investigação epidemiológica foi feita a volta deste caso. Aplicou-se todo o protocolo de investigação aos contactos próximos e menos próximos, mas não se conseguiu identificar nenhum positivo para além desta paciente com os testes PCR”,pontua. 

Por isso, as dúvidas da população de São Vicente e de Cabo Verde, mas também dos profissionais de Saúde do Hospital Baptista de Sousa, dos jornalistas e da equipa técnica do MSSS, admite Barreto, que aproveitou para tranquilizar as pessoas, garantindo que estão atentos e a fazer o seguimento diário da situação epidemiológica desta paciente e a tentar entender realmente o que se passou na ilha do Porto Grande. “Pode ser que venhamos ou não ter uma resposta sobre o que se passou”, frisou. 

Barreto referiu ainda aos três casos novos anunciados hoje, garantindo que todos se apresentam estáveis, ou seja, não são graves, como têm acontecido ao longo destes dias em que tem sido identificado mais pessoas contaminadas. Isto, segundo o director do SPCD, deixa as autoridades de saúde mais tranquilas. “Esperamos que não haja casos muito mais graves, como também esperamos que não venha a acontecer óbitos”, assegura.

Estão hoje em quarentena um total de 441 pessoas, dos quais 305 no concelho da Praia, 54 no Tarrafal de Santiago, 33 no concelho de Santa Cruz/Órgãos. Estas últimos são pessoas que tiveram contacto com o caso positivo registados nos Órgãos. Há ainda cinco pessoas em quarentena em S. Filipe, 36 São Domingos, sete pessoas em São Vicente e uma em S. Nicolau. 

Temos a informar ainda que tivemos uma alta hospitalar, uma pessoa com covid19 e que estava internado na ilha da Boa Vista, o que é muito bom”, destacou Barreto, realçando que, dos casos confirmados, 75% são assintomáticos ou com sintomas leves e 25% com sintomas moderados. 

Quanto aos internados, são 52 pessoas na cidade da Praia, dos quais sete no Hospital Agostinho Neto e 46 em isolamento em um outro espaço. No Tarrafal estão dois no casos no hospital e, em S. Vicente, uma pessoa. Na ilha da Boa Vista, são 52 pessoas, incluindo o caso confirmado hoje.

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Nelson Faria-2

Bá ta bá

Por: Nelson Faria

Se o final do ano passado e início de 2020, quando o Covid-19 era um embrião, já indiciavam, por outros factos e acontecimentos, que, apesar da esperança, este ano poderia não ser o desejado, agora, mesmo que cumprido apenas um quarto, a certeza é, infelizmente, a menos desejada: não será um bom ano. Sobretudo pelas consequências óbvias do Covid-19 a vários níveis, particularmente na saúde e vida do ser humano, na economia, na sociedade e relações sociais, entre outras.

Se a nível pessoal o ano 2020 já ficou-me marcado como um de grande tragédia, coletivamente acho que podemos dizer o mesmo. Não abraçar, não conviver, não beijar, não aproximar, evitar pessoas, evitar meios comuns, não poder trabalhar, são limitações pesadas, mas necessárias, para o que somos e como nos habituamos a viver. Ficar em casa, desta forma, é, seguramente, liberdade condicionada, aproximando a prisão domiciliar.

Limitações nas ações de grande impacto, limitações nas ações pequenas que nos fazem bem. Tem-me faltado uma que faz grande diferença na minha vida: poder ir ao mar e desfrutar do sol, das praias, da liberdade, da paz, da tranquilidade, marinar e temperar na doçura da água salgada, perder horas a ganhar vida e a viver com prazer. Respirar liberdade e transpirar paz.

Para mim, uma questão pertinente a ser respondida após o estado de emergência será: como disfrutar do mar cumprindo regras sanitárias, que certamente existirão até o fim da pandemia. Quais serão as regras?

Voltando à questão principal, como viver e coexistir com a doença após o estado de emergência até ao fim da pandemia? No mêste bá ta bá… Manera? De alguma forma, com certeza… Se já “tud era bada” e “tá bá dvagar” era hábito, certamente serão retomados. Não da mesma forma porque reinventaremos, adaptar-nos-emos ao contexto e às suas condicionantes, indo com tudo para continuar a vida mesmo que a velocidade não seja a desejada… Temos de aprender, de alguma forma, a coexistir e conviver com a doença, temos de nos precaver e cuidar, sim, sempre, mas não descurar de outros aspetos que a nossa vida pessoal e coletiva requerem. Sempre com cuidado primeiro à saúde e à vida.

Apesar dos malefícios da conjuntura que vivemos e do susto que a doença provoca, há esperança e não deixa de ser também mais uma oportunidade, mesmo que forçada, de nos reinventarmos, de criarmos, de aprender coisas novas, de reformular padrões e modelos de vida, de ajustarmos a um mundo novo que é incerto e desconhecido. Eu estou e espero que estejamos todos dispostos a aceitação da nova conjuntura e seus desafios, de nova forma de vida, porque não será possível voltar liminarmente ao antigo, antes do Covid-19. Só não aceito não ir ao mar. Em que circunstâncias for, irei, mesmo que devagar, sozinho e com o distanciamento necessário.

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Albino-Sequeira

A farsa pandémica

Por: Albino Sequeira

A situação atual é deveras preocupante e única na história da humanidade. Estamos diante de uma guerra sem armas, não envolve armas de fogo, mas usa o maior pecado do homem, a  ganância, o poder e avareza. Muitos já faleceram por culpa daqueles que buscam cegamente o controlo e comando do planeta. Não basta viver na paz e amor em função daquilo que cada um tem? Nada justifica o sentimento de partilha? Para quê a gula? O bonito seria dividirmos o pouco que temos com aqueles que menos têm. Essa é a verdadeira essência do amor.

Ao longo dos anos o mundo foi palco de duas guerras entre nações, com a mera finalidade de alcançarem o troféu de maior potência do mundo. Acredito que estamos em silêncio a assistir de forma imprópria a disputa por este título, o dono do mundo. O medo nos coloca em pânico e com dificuldades para enfrentar algo que não se vê. Imagino que estamos com mais medo deste vírus sem paradeiro do que uma arma de fogo. Não resta mais nada, senão assistirmos quem vencerá esta luta.

A China acaba de lançar o míssil invisível. O combate continua, não termina aqui. Ela vai além desta pandemia. Devemos estar preparados para as consequências que vêm depois da normalidade dessa situação.

Lembro de ter lido entre finais de outubro e início de novembro do ano passado informações que davam conta da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e em dezembro aparece o terror – o Coronavírus. A China anuncia uma nova doença, que a tem controlada e que atormenta o resto do globo. Recordo ainda de ter lido, ainda na universidade, um artigo que dizia o seguinte, “China vai ser a primeira potência mundial até 2030”. Não é que estamos perto? Nada mais me surpreende que esta é uma estratégia deste País asiático para se assumir como a mais poderosa nação  do mundo.

Durante as quatro décadas de guerra-fria entre as democracias liberais, lideradas pelos EUA, e a União Soviética o mundo era bipolar. E, na ausência de um conflito nuclear sério, decorria de que ambas as superpotências sabiam que, se lançassem um ataque nuclear, seriam aniquiladas pela outra parte. Depois do mundo unipolar, onde os EUA foram a única superpotência, aproxima-se uma nova fase bipolar, com a China a afirmar-se na cena internacional.

Os outros países, evidentemente, irão a jogo. Por isso digo que esta angústia não vai findar assim tão cedo, poderá haver uma pausa, mas ela voltará. Que nos cuidemos!

Não é lícito a forma como esta doença epidemiológica está a ser encarada. Deseja-se, portanto, humanidade na resolução deste problema que afetou até a economia. Várias suspeições e teorias são levantadas e ninguém mais crê, só esperando com fé que tudo isso se normalize. Todos os dias somos bombardeados de muitas informações, de milhares de mortos e infetados por um vírus, a mais perigosa de todas, apareceu como invisível e tornou-se uma rainha.

Algumas hipóteses gerais referentes à invenção da vacina contra o coronavírus não passam de uma farsa para animar os desatentos e desprevenidos a acreditar numa doença de laboratório, cuja vacina e a irmã nasceram juntas. No entanto, é uma posição que será assumida pelos ares e nem daremos conta disso, uma vez que estaremos preocupados em festejar e celebrar o grande acontecimento, da invenção da vacina, mais uma mentira das elites, e nós, coitados, estaremos a adorar aqueles que nos subornaram.

Tanto mais poderia escrever, mas não o farei, apenas questiono: será que as informações que assistimos diariamente são verídicas? Não estamos focados demais nessa doença? por quê os governantes não nos dizem a verdade? o que os chineses escondem ao mundo? não é mais uma estratégia ou meta da nova ordem mundial? de reduzir a população mundial? chegou o tempo da nova ordem mundial? chegou o tempo de anti-Cristo?

Sem as respostas, mas o certo durante esta pandemia é que nenhuma nação mostrou ser poderosa, ou será que é mais um fingimento para se deixar morrer inocentemente as pessoas? As pessoas reconheceram a existência de um Deus e passaram a adorá-lo, valorizam o próximo, descobriram que os bens materiais não têm valor sem vida. O mundo não se salva pelo egoísmo, é preciso a solidariedade, a transparência e a verdade. A incerteza reina, a escolha é a prevenção.

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tey soares

Carta aberta à Igreja Universal do Reino de Deus

Caros responsáveis da Igreja Universal do Reino de Deus – Cabo Verde: Por esta via, e muito respeitosamente, venho endereçar-vos esta carta aberta, a qual espero que tenham em consideração e se dignem respondê-la. Sou apenas um cidadão deste país frágil em infraestruturas e pobre em recursos. A nossa maior riqueza, atrevo-me a afirmar, são os recursos humanos. São esses mesmos recursos humanos (pessoas de todas as ilhas), que tão bem souberam vos receber nestes largos anos em que espalham a vossa fé pelo arquipélago.

Esses milhares de pessoas, que durante décadas têm levado até aos vossos centros de culto quantias avultadíssimas, de forma sistemática em jeito de dízimo ou oferta espontânea, às quais o Governo de Cabo Verde nunca coletou nenhum imposto, precisam agora da vossa ajuda! A nossa população encontra-se sob ameaça eminente de um inimigo invisível. Um inimigo com o qual se pode lutar apenas usando a prevenção como arma. Como evidentemente já repararam, refiro-me ao novo Coronavírus! Uma das formas de luta contra o mesmo que se tem provado mais eficaz é o uso do álcool-gel. Este produto está a escassear em todo o nosso território, aliás, na maioria dos locais já se encontra esgotado!

Tendo em conta as características do nosso país, onde a maioria dos espaços públicos, escolas, mercados, super-mercados, lojas, barbearias, bancos, etc. não são providos de casas-de-banho com água e outras condições essenciais, que permitam à nossa população lavar as mãos constantemente, sempre que mudem de ambiente ou toquem em algo no espaço público que esteja susceptível de estar infetado. O álcool-gel afigura-se de longe a melhor opção e a mais prática, afim de não espalharmos o vírus no seio do nosso povo, com consequências nefastas.

Deste modo, e em meu nome, tendo em conta que não sou possuidor de nenhum cargo, peço encarecidamente que pensem com carinho o risco que a nossa população corre. Na qual estão incluídos todos os vossos fiéis seguidores que vos apoiam e suportam, tanto espiritualmente como financeiramente. Tal como sabem, o modo operandi dos vírus, a forma como as epidemias se propagam, não permite que protejam de forma eficaz os vossos fiéis, sem proteger o resto da população. Acredito que os vossos superiores valores cristãos, o elevado sentido de responsabilidade e de justiça, não vos permitirá voltar a cara aos vossos fiéis e a esta população sem que façam, energeticamente, algo! Sobretudo quando sabem e têm a plena consciência da quantidade de anos que esta população tem vos “financiado”, não obstante o seu grau de limitações financeiras.

Por isso apelo que em sentido inverso à rota onde normalmente vão os cheques, notas e moedas do nosso povo, venham frascos de álcool-gel em quantidade necessária, de forma a proteger TODA a nossa população. Da mesma forma que distribuem óleos e pomadas milagrosas nos vossos cultos, desta vez estariam a distribuir Álcool-Gel, sendo a única diferença para toda a população! A necessidade de abençoar os frascos de álcool gel ou não, fica ao vosso critério.

A logística necessária para a distribuição não seria um problema, tendo em conta que em todas as povoações destas ilhas existe um núcleo vosso, por mais pequena que seja! Sendo bem capaz que estejam mais bem representados que os nossos Correios, tanto a nível da distribuição, como da quantidade.

Permitam-me apenas a deselegância de vos aconselhar com o seguinte argumento, caso o vosso fundador e líder, Sua Excelência o Bispo Edir Macedo, não vos der o aval positivo para a liberação das verbas necessárias: Apontem-lhe a sua riqueza pessoal, que está avaliada em 1,1 bilhões de dólares, por números escreve-se 1.100.000.000 de dólares, e que cada dólar são mais ou menos 100 escudos. Por isso em escudos acrescentamos mais dois zeros ao número que faz com que a riqueza pessoal do Bispo Edir Macedo seja de: 110.000.000.000$00 de escudos Cabo Verdianos, ou seja por outras palavras 110 bilhões de escudos!

O salário mínimo em Cabo Verde é de 11 mil escudos, ou seja 11.000$00. Coloquem os números à sua frente um em cima do outro para que sintam a diferença:

110.000.000.000$00 (Bispo Edir Macedo)
11.000$00 (Salário mínimo)

Expliquem-lhe que entendemos que durante décadas todos os meses o dinheiro saia do número mais baixo para o mais alto (dízimo). Pois é assim que a vossa igreja funciona, apenas pedimos que durante esta crise, esta pandemia, no intuito de salvar o maior número de vidas Humanas, desta comunidade, deste país, ele aceite fazer o inverso. Não para comprar mansões, iates e aviões a jato… Apenas para comprar Álcool-Gel!!

Atenta e respeitosamente,

Alexandre Fonseca Soares

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