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Faleceu em São Vicente o mestre-artesão João Fortes

Faleceu na noite de ontem o mestre-artesão João Fortes, aos 60 anos, vitima de doença prolongada. Quadro do Ministério da Cultura e das Industrias Criativas e um dos funcionários mais antigos do Centro Nacional de Artesanato e Design em São Vicente há mais de três décadas, Fortes deixa um grande legado artístico, sobretudo a nível da  pintura, da tapeçaria, da tecelagem e do batique, mas também da música.

Colegas artesãos e amigos começaram hoje o dia a lamentar a morte do mestre João Fortes, um artista formado no âmbito da intervenção no artesanato mindelense e que entrou para o CNA como artista plástico na década de 1990. Participou da primeira formação leccionada por este centro, ao nível da tecelagem tradicional, da tapeçaria e do batique, sob o lema “não deixar morrer a tecelagem tradicional”, ministrada pelos mestres Bela Duarte, Luísa Queiroz (falecida) e Manuel Figueira.

Fortes se orgulhava, nas entrevistas concedidas, que os conhecimentos transmitidos por estes mestres, que foram membros fundadores do CNA, foram fundamentais para o seu percurso nas artes, quer a nível técnico, quer como formador.  Era, por estes tempos, o elemento mais antigo do CNAD, espaço que ajudou a formar e que viu mudar de nome por várias vezes. Descrevia a si mesmo como um artesão apaixonado pela pintura, mas que também se desenrascava em “outras artes”. 

Apesar de ser conhecido internacionalmente a nível das artes plástica, fazia questão de continuar a trabalhar em prol do artesanato nacional, designadamente na formação profissional, uma vertente que lhe era muito caro. Aliás, dizia sempre que sentia-se “um homem orgulhoso” por muitos dos seus alunos, hoje serem artistas conhecidos, concretizando assim o seu sonho de engrandecer a cultura e o artesanato tradicional.

Nesta hora de dor, o director do CNAD, Irlando Ferreira, apresenta sentimentos pêsames e de conforto, em seu nome, da equipa do Centro e do MCIC, para a esposa, filhos e demais parentes com quem diz manter excelentes relações para além do profissional.

O MpD, partido de que foi militante e activista, diz também ter recebido esta noticia com “profunda tristeza e consternação”. Maria Santos lembra que Fortes foi responsável politico da localidade de Ribeirinha durante vários anos. Neste momento de partida, diz, o MpD curva-se à memória desde grande companheiro, rendendo-se uma singela homenagem. 

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