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Covid-19: Mensagem de Pedro Pires aos cabo-verdianos

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Escolhi esta altura para vos dirigir mais uma mensagem, justamente, após as Autoridades nacionais terem decidido, e bem, pela prorrogação do estado de emergência nacional. Esta decisão significa que não estão ainda criadas condições sanitárias e comportamentais que permitiriam dispensar, sem riscos sérios para a saúde pública, as medidas obrigatórias de confinamento domiciliário e de distanciamento físico e social.

Nestas circunstâncias críticas é preciso ter em conta que o Governo e o Poder Local agem e trabalham em prol do nosso bem-comum. Por isso, a responsabilidade para o sucesso desta batalha nacional pela saúde e pelo bem-estar incumbe a todos nós. Vejo nesta atitude participativa o cumprimento do dever patriótico de cooperação e de solidariedade com os poderes públicos. Entendo que é na perspectiva de proteger a saúde pública e a continuidade da Nação que se deve encarar o dever pessoal e colectivo inadiável de solidariedade com a nossa terra e com o nosso Povo. Esta missão digna de defesa e segurança da perpetuidade da nossa Nação incumbe a cada um e a todos nós.

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O exercício efectivo e eficaz da autoridade pública é, nestas circunstâncias, imprescindível. Ela é legítima, pois provém de instituições legitimadas pela vontade nacional, livremente expressa. Os agentes de Autoridade não podem escusar-se a exercê-la, por mais incómodo que seja este exercício. É uma função institucional inerente ao normal funcionamento do Estado de Direito. Por isso, os agentes da Polícia Nacional, das Forças Armadas, das Polícias Municipais e da Protecção Civil devem ser respeitados e as suas orientações pacificamente acatadas por todos nós. Devemos ainda realçar a outra face da situação que é de natureza pessoal: eles correm riscos de contágio, estão afastados dos seus familiares e amigos e estão sujeitos às mesmas pressões psicológicas e renúncias e a idênticos sacrifícios pessoais. Estão-se sacrificando, por dever de ofício, pelo nosso bem-comum. Merecem respeito, gratidão e reconhecimento!

Além disso, a situação grave na ilha da Boavista preocupa-nos a todos. Pois, constituímos um todo unido, a Nação cabo-verdiana! Há uma parcela do nosso País que está em aflição. Assim, manifestamos a nossa solidariedade com a população da ilha, com as suas organizações sociais e as suas empresas e com a Assembleia e a Câmara Municipal, juntamente, com o seu Presidente. Estamos convencidos de que vencerão e, juntos, venceremos este difícil desafio, de forma solidária e com a contribuição e a solidariedade da sociedade, da Nação e do Poder Central. Não podemos também descuidar-nos da situação na cidade da Praia, que, por si, já é bastante preocupante.

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A cooperação e a participação responsável das pessoas são imprescindíveis. No nosso comportamento do dia-a-dia, devemos conduzir-nos de forma cautelosa, considerando que o coronavírus está sempre presente e os riscos de contrair a enfermidade são permanentes. Em tais circunstâncias, a irreflexão e a imprudência são más companheiras de viagem.

Uma saudação de encorajamento e solidariedade aos que tiveram a pouca sorte de se contaminar. Não devia ter acontecido mas, infelizmente, aconteceu. Porém, não estamos diante de um papão invencível! Há razões suficientes para acreditar e estar optimistas. Desejo, a todos, coragem, paciência, confiança e muita fé. Resistam e lutem, porque conseguirão a realização dos vossos desejos, nossos também! Desejo-vos muita força de vontade e muita sorte!

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Amigas e amigos, caros compatriotas:

Esta pandemia mexeu com a vida das pessoas e das Nações. Ninguém ficou incólume! O que estava seguro passou a ser inseguro; o que estava certo passou a ser incerto. Semeou a incerteza e a imprevisibilidade por todo o lado. Destas alterações, virão graves e variadas consequências que, vencida a epidemia, terão que ser repensadas, re-equacionadas e resolvidas. Disto, devemos estar prevenidos, quer da abrangência, quer da complexidade, das tarefas que nos esperam, cada um a seu nível e à sua dimensão.

Entre nós, as alterações ao nosso dia-a-dia e os incómodos causados pelo vírus são enormes. No entanto, variam com a condição material de uns e de outros. Há diferenças entre a cidade e o campo e, certamente, entre as ilhas. Mas, são os que vivem dos ganhos imediatos de uma labuta do dia-a-dia os mais afectados com as restrições impostas pelo estado de emergência nacional, vendo-se na impossibilidade de angariar o necessário ao seu sustento quotidiano. Merecem, por isso, uma atenção particular dos poderes públicos. Porém, haverá pessoas ainda mais afectadas: os doentes isolados, os idosos sós e as pessoas incapacitadas e sem amparo familiar. São outras situações críticas que reclamam a atenção dos poderes públicos, dos cidadãos e das instituições beneméritas e solidárias.

Nas actuais circunstâncias, é importante fixar a primeira prioridade, a mais urgente, entre as prioridades nacionais. Entendo que a primeira prioridade seja a concentração dos meios e dos esforços no combate à expansão do coronavírus, a fim de se acelerar a sua erradicação do nosso País e se atingir o “ponto de risco mínimo” o mais cedo possível, o que nos permitiria alcançar a normalidade social, a partir da qual estaríamos em condições de criar os outros requisitos essenciais para a arrancada e a impulsão de uma nova caminhada, que possibilitará o enfrentamento, com sucesso, dos complexos e difíceis desafios económicos, financeiros e sociais, que se seguirão.

Este é o tempo da ponderação, do bom senso, da desenvoltura e perspicácia, da reflexão sincera, da união e de responsabilidades partilhadas. É óbvio que juntos e solidários, seremos muito mais fortes!

Estou convencido de que, caldeada por esta dolorosa e difícil provação, a sociedade cabo-verdiana sairá menos emocional, mais amadurecida e mais calejada para enfrentar outras situações complicadas. De igual modo, as intuições do nosso Estado sairão fortalecidas e mais credibilizadas, o que representa um avanço importante na construção e na garantia do nosso futuro. E, o mais importante, as lideranças nacionais, políticas, económicas, financeiras, sociais e religiosas, sairão melhor apetrechadas para vencer os próximos desafios que nos esperam. Poderá, até, significar uma experiência fecunda que reforçará a nossa maturidade e consolidará a nossa maioridade política, psicológica e cultural, enquanto Povo livre e soberano.

Do meu lado, a minha atitude e o meu compromisso são de cooperação solidária com o Povo e com as instituições públicas nacionais, incluindo o Governo cabo-verdiano, nesta batalha inadiável contra o coronavírus, que estamos convocados a ganhar. E, proximamente, nas batalhas que virão e que serão mais duras, complexas e exigentes!

Saúdo-vos com muito afeto e esperança, do vosso “mais velho” e companheiro de jornada, Pedro Pires.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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