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D. Saúde “muito preocupado” com evolução da Covid-19 em SV: Mais 12 positivos esta terça-feira

O Delegado de Saúde de S. Vicente admitiu esta manhã estar “muito preocupado” com a evolução da pandemia da Covid-19 nesta ilha por causa do aumento de casos registados, sobretudo nos últimos dias em todas as localidades. Elisio Silva garante que a maioria dos infectados confirmados, cerca de 90%, está em quarentena, tendo em conta que são contactos de pessoas positivas que estavam acumulados há três/quatro dias. Por exemplo, hoje mais 12 resultados são positivos e ha cerca de 20 amostras pendentes.

“No dia em que tivemos 20 casos confirmados eram contactos de testes de pessoas acumulados de 3/4 dias. Isto acontece porque a maioria dos PCR que temos vindo a fazer são de pessoas que vão viajar”, refere Elisio Silva, realçando que, se o laboratório de virologia de S. Vicente tem capacidade para realizar cerca de 96 exames por dia, e mais de 80 são de pessoas que viagem diariamente, os casos de contactos tendem a acumular-se. 

Mas, segundo o DS, a maioria dos testes aos contactos acumulados já foram realizados, o que resultou no aumento dos positivos. “Os testes aos contactos que estavam acumulados foram processados. Recebemos as respostas através do laboratório de virologia de SV. Contamos também com apoio do laboratório de virologia de Lisboa, que sempre nos ajuda quando temos uma acumulação de casos suspeitos. Por isso este aumento de casos.” 

Este tranquiliza dizendo que a maioria destes contactos, agora confirmados, já estavam em quarentena e são assintomáticos. Ainda assim, Elisio Silva mostra-se preocupado com a forma como a população tem estado a reagir perante a pandemia. “Temos vindo a assistir enormes aglomerações. No Centro de Estagio, por exemplo, marcamos horários para as pessoas fazerem testes PCR e começam a aglomerar desde as 8h, quando sabem que os contactos são testados apenas depois das 10h. Não há necessidade disso.”

Este medico esta satisfeito com a determinação do uso obrigatório de máscara e, afirma, a maioria das pessoas esta a usar este equipamento de protecção individual, ainda que algumas de forma inadequada. 

Propagação nas oficinas 

O Delegado de Saúde mostra-se particularmente preocupado com a propagação do vírus em locais de trabalho que, constata, não oferecem condições mínimas para a higienização. Cita, como exemplo, as oficinas de mecânica e carpintaria. “Há dias fechamos uma oficina devido ao número elevado de contágio. Se não adoptarmos medidas de higiene-sanitário numa oficina uma pessoa positiva pode transmitir aos colegas. E isso já aconteceu”, refere Elísio Silva, que aproveita para avisar que  a maioria das oficinas não oferece condições para funcionar e a DS vai agir sobre elas.

O mais grave, segundo o responsável local pela saúde pública, é que estas oficinas sequer possuem um plano de contingência . “São fontes de contacto e nelas trabalham muitas pessoas. Mas não são apenas as oficinas que nos preocupam. Por isso, apelamos aos doentes, às pessoas positivas e outras com PCR, mas ainda sem resposta, para não se dirigirem à DS para saber os resultados. Temos equipas nas zonas e centros de saúde a seguir estas pessoas em casa. As vezes a resposta demora uma semana e sabemos que as pessoas ficam ansiosas, mas pedimos que tenham paciência.”

Viajantes sem resposta PCR

Silva condena ainda pessoas que viajam das outras ilhas para S. Vicente sem resposta aos testes PCR. Este lembra que qualquer pessoa que fizer este teste é obrigada a respeitar quarentena em casa ou em um lugar próprio determinado pelo Ministério ou a Delegacia de Saúde da sua ilha enquanto aguarda o resultado. “As pessoas não podem viajar, por exemplo da Praia, Sal ou Fogo para S.Vicente, ou vice-versa, sem o resultado do PCR. Esta é outra preocupação que temos neste momento”, informa, realçando que, por conta disso, o vírus está neste momento presente em todas as zonas. 

Ainda assim, acredita que, se as recomendações das autoridades sanitárias forem respeitadas, é possível controlar a pandemia em S. Vicente. Mas, adverte, neste momento já não dependente apenas das autoridades sanitárias. Depende, principalmente, da forma como a população está a encarar a pandemia da Covid-19. “Desde o principio adoptamos uma estratégia assertiva. Conseguimos travar a entrada de pessoas e implementar medidas sanitárias que resultaram. Com a abertura tudo mudou. Chegaram muitos casos positivos na ilha. Vamos manter a nossa comunicação e continuar a mostrar as pessoas como viver em pandemia.”

Os dados desta terça-feira apontam para mais 12 casos positivos, aumentando para 61 o número de activos acumulados. Destes, mais de 90% já estavam em quarentena domiciliar ou no Centro de Estágio a espera dos testes PCR. Há ainda 300 pessoas em quarentena domiciliar, 26 no CE e 4 doentes internados no Hospital Baptista de Sousa, todos estáveis.

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