Holanda

Cônsul-geral de Cabo Verde nos Países Baixos com dificuldade em obter dados sobre mortes por Covid-19 na comunidade

Famílias originárias de Cabo Verde radicadas nos Países Baixos (Holanda) estão a tentar esconder as causas da morte de seus ente-queridos, atitude que tem dificultado o apuramento de dados sobre vítimas do Covid-19 no seio da comunidade, conforme apurou o Mindelinsite junto de pessoas destacadas. Em conversa via WatsApp com o Cônsul-geral de Cabo Verde em Roterdão, este jornal conseguiu verificar a dificuldade de Gregório Semedo em apurar e confirmar os dados junto da comunidade e das entidades sanitárias naquele país.

“Tudo indica que faleceu uma pessoa cujo teste tinha acusado positivo”, disse o Cônsul Gregório Semedo, que fez saber ainda que continua a diligenciar esforços no sentido de poder confirmar os dados sobre possíveis outros casos de infeção e de prováveis mortes no seio dos emigrantes.

“Aqui na Holanda, as pessoas são muito fechadas, mas a realidade é esta”, disse-nos Margarida Mendes, uma das responsáveis do grupo “Fidjos di Terra” de cabo-verdianos que vivem no agora chamado Países Baixos. Esta responsável comunitária dá-nos conta do falecimento de um senhor que vai a enterrar na segunda-feira, cuja morte, de acordo com Margarida Mendes, foi provocada pela Covid-19. Esta fonte indica ainda o falecimento de mais uma pessoa na sexta-feira por coronavírus. Instada a pronunciar sobre o facto de o próprio Cônsul-geral não ter conhecimento oficial destes casos, Margarida Mendes desafiou Gregório Semedo a procurar estas informações por considerar de muito importante este procedimento.

Por outro lado, o nosso jornal ouviu Osvaldo Brito, o promotor do “Letra das Ilhas”, um veículo de informação e notícias para a comunidade cabo-verdiana na Holanda, que acabou por confirmar a dificuldade em se conseguir este tipo de dados junto das famílias, por estas demonstrarem reservas em se expor.

No entanto, hoje domingo, Osvaldo Brito anunciou no programa “Nação Global”, da RCV, o registo de quatro mortes, mas sem contudo citar fontes.

João do Rosário (Portugal)

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Bombeiros Ambulancia

Covid-19: INSP pondera mudar indicações sobre uso das máscaras pela população

As indicações sobre o uso das máscaras dadas pelo Instituto Nacional da Saúde Pública podem ser mudadas tendo em conta a nova orientação emanada da Organização Mundial da Saúde e a possibilidade de começar a haver transmissão local do novo coronavírus. Esta eventualidade foi admitida esta manhã por Maria da Luz, presidente do INPS, que esteve a acompanhar o Ministro da Saúde numa conferência de imprensa cujo ponto central foi a infecção confirmada de uma cidadã chinesa na cidade do Mindelo e que está a levantar dúvidas sobre a origem do contágio.

Segundo Maria da Luz, o uso das máscaras de protecção individual pela população deve ser adoptado consoante o contexto. E lembrou que a OMS recomendou no início da epidemia a utilização desse equipamento apenas pelas pessoas suspeitas de infecção, os doentes e os seus cuidadores, além dos profissionais de saúde. Isto, sublinha, num cenário em que não há registo de contágio comunitário.

“Tendo em conta que a situação epidemiológica está a mudar, vamos analisar o contexto e provavelmente daremos outras orientações sobre o uso das máscaras. Sabemos que elas devem ser usadas inevitavelmente pelos doentes e suspeitos porque são uma barreira que evita a dispersão das gotículas quando o doente tosse”, salienta a responsável do INSP, que não descarta a hipótese de o Instituto passar a aconselhar à população o recurso às máscaras. No entanto, adverte, essa medida será confirmada ou não com a devida urgência, após uma avaliação do quadro epidemiológico nacional.

Neste momento, segundo o Director do Gabinete dos Assuntos Farmacêuticos, Cabo Verde recebeu 110 mil máscaras no âmbito do projeto Alibaba, que foram distribuídas para todas as estruturas de saúde do país, a Proteção Civil e guardas prisionais. Entretanto, acrescenta, o Governo está a preparar a aquisição de mais máscaras e de outros equipamentos de proteção individual, com o apoio do Banco Mundial, e que pode assegurar um stock das necessidades em torno de três meses.

KzB

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telefone

Linha Verde – Protecção Social já está disponível

Já se encontra disponível a Linha Verde-Protecção Social para dar assistência aos beneficiários das medidas de protecção sociais anunciadas pelo Governo e que visam o combate à propagação da pandemia do covid-19. Assim, a partir de hoje, 02 de abril, as pessoas já podem telefonar para o numero 800 52 00 para pedir informações relacionadas com o Rendimento Social de Inclusão Emergencial, Rendimento Solidário e sobre o Cadastro Social Único Provisório.

As chamadas são grátis e serão atendidas no horário normal de expediente, ou seja, das 08h à 17 horas. Em nota, o Executivo explica que, o Rendimento Social de Inclusão Emergencial pretende alargar, de forma urgente e temporária, a mais de 2.788 agregados familiares, uma renda mensal de 5.500 escudos, na mesma linha dos 4500 agregados incluídos no projeto RSI. “São candidatos a esta medida os agregados familiares classificados no Cadastro Social Único (CSU) no grupo 1 das famílias em situação de pobreza extrema e que incluam no seu seio pelo menos uma criança de idade máxima de 15 anos. A inscrição no CSU é condição obrigatória para serem considerados para tal benefício”, revela. 

Já o Rendimento Social, prossegue, inclui os trabalhadores do Regime Especial das Micro e Pequenas Empresas (REMPE), trabalhadores por conta própria do setor informal da economia não pertencentes ao Regime REMPE, trabalhadores das empresas privadas não inscritos no Instituto Nacional de Previdência Social. E ainda  os trabalhadores dos jardins infantis e creches privados não inscritos no INPS, que tenham rendimento médio mensal inferior ou igual a 20 mil escudos. Outros critérios têm a ver com a impossibilidade do exercício da sua atividade face ao Estado de Emergência e com a apresentação de Declaração de Rendimento enquadrável, havendo ainda a obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Social Único (CSU). 

“Estes trabalhadores receberão a quantia de 10 mil escudos durante um mês, que será depositada por transferência bancária pelo INPS para os do REMPE, e pelo Ministério da Família e Inclusão Social/Tesouro para os não pertencentes ao REMPE. Serão aplicados critérios de priorização dos agregados familiares tendo em conta as suas vulnerabilidades”, acrescenta. 

Relativamente a inscrição no Cadastro Social Único, refira-se, é condição primeira e obrigatória para a obtenção dos referidos benefícios e que tal inscrição pode ser feita online, através do formulário de pré-inscrição CSU, realizando-se assim um Cadastro  Social Único Provisório, ou através da Linha Verde 800 52 00_proteção social. 

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Artur Correia 2

Resultados negativos aos oito casos suspeitos da B. Vista: DNS desaconselha uso generalizado de máscaras

Os testes aos oito casos suspeitos de infecção por coronavírus na Boa Vista deram resultados negativos, anunciou esta tarde Artur Correia, Director Nacional da Saúde. Entretanto continuam por fazer as análises a uma pessoa em quarentena no hospital de S. Vicente e outra na ilha do Sal, cujas amostras demoraram a chegar à cidade da Praia devido as restrições nas ligações aéreas e marítimas impostas com a declaração do Estado de Emergência. Mesmo assim, a amostra da pessoa suspeita no Sal foi recebida esta tarde na Capital, enquanto a referente ao suspeito sob observação no hospital Baptista de Sousa deve chegar amanhã numa viagem de barco. A expectativa da DNS é obter o resultado do caso do Sal ainda hoje e o de S. Vicente até amanhã ou no dia seguinte.

“As ilhas estão em quarentena, não há aviões nem barcos para nenhum lado. Tem havido voos sanitários e de evacuação médica, que temos aproveitado para transportar amostras”, relembra Artur Correia, assegurando que as amostras são transportadas nos contentores de frio dos barcos e em malas específicas.

Questionado sobre a necessidade de uso de luvas e máscaras, tal como aconselha a Organização Mundial da Saúde, Artur Correia deixou claro que o nível actual da contaminação em Cabo Verde não aponta para essa necessidade. Segundo Correia, todas as medidas tomadas até o momento pelas autoridades sanitárias, e comunicadas ao público pelo Instituto Nacional da Saúde Pública, levam em conta os critérios clínicos, biológicos e epidemiológicos. “E o contexto epidemiológico é fundamental. Quantos casos positivos já tivemos? Tratam-se dos dois ingleses, uma holandesa, um caso importado de um cabo-verdiano vindo da França-Portugal, uma pessoa ligada directamente a este indivíduo e um último caso no hotel onde os ingleses estavam hospedados. Na prática, temos dois casos nacionais, pelo que não podemos tomar uma medida de generalização do uso de máscaras nesta condição epidemiológica”, explica o responsável nacional da Saúde. 

Segundo Correia, se houver a necessidade de se aconselhar o uso de máscaras essa indicação será dada pelas autoridades sanitárias. “Somos sensatos, agiremos com base técnica e não sob pressão política e tão pouco das redes sociais”, assegurou o DNS, lembrando que Cabo Verde não é a China, país que, lembra, enfrentou uma situação explosiva.

Neste momento, os médicos continuam a acompanhar o estado de saúde dos dois cabo-verdianos infectados na cidade da Praia e, segundo Correia, apesar de apresentarem um quadro clínico estável, só vão ter alta quando os testes comprovarem que estão livres do vírus. A nível externo, as autoridades sanitárias cabo-verdianas aguardam informação dos quatro turistas portugueses infectados com o coronavírus que seguiram para Portugal. Artur Correia admitiu que essa questão o está a angustiar porque todos os dias envia emails e telefona para saber informações sobre a situação desses pacientes e ainda continua no escuro. “Hoje não consegui contactar o ponto focal, fui informado que ele não vai para o serviço todos os dias. Deixei mensagens e enviamos emails e continuamos à espera. Daqui a pouco começo a duvidar se são casos importados de Cabo Verde”, desabafou o DNS. Como deixou escapar, já começa a “ouvir” informações não oficiais, mas que ainda não pode divulgar, deixando no ar a dúvida se os quatro turistas não foram infectados noutro país.

No balanço de hoje à tarde com os jornalistas, Artur Correia enfatizou a importância do trabalho desenvolvido pela Linha Verde – montada numa parceria com DNS, a Protecção Civil e a CV Telecom – e lançou um profundo agradecimento aos profissionais de saúde que têm acompanhado os casos suspeitos e confirmados de coronavírus em Cabo Verde. Como salientou, são eles que lidam com a aflição das pessoas que aguardam os resultados dos testes e têm ainda de lidar com a sua própria pressão psicológica devido a ameaça de contágio.

KzB

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Telemovel

Covid-19: Observatório da Cidadania Activa condena uso abusivo da Linha Verde por “irresponsáveis”

O Observatório da Cidadania Activa emitiu um comunicado a condenar o uso abusivo e irresponsável da Linha Verde (8001112), um canal de emergência aberto para permitir o contacto telefónico gratuito entre a população e as autoridades sanitárias neste período de combate à propagação do novo coronavírus. A situação foi denunciada ontem pelo Director Nacional da Saúde, que criticou o comportamento de algumas pessoas que andam a usar essa linha telefónica de forma abusiva, o que tem provocado o congestionamento da mesma. Artur Correia lembrou que essa atitude pode impedir o acesso das pessoas que possam realmente necessitar de informações urgentes.

Face a esse quadro, o Observatório pede a adopção de medidas pelas
autoridades competentes no sentido de responsabilizar quem
esteja a agir desta forma. “Não se pode brincar com esta linha porque, enquanto alguém a ocupa com brincadeiras e atitudes irresponsáveis, outro cidadão, que na verdade dela precisa, estará a correr riscos por causa de tamanha falta de cidadania e sensibilidade por parte dos outros“, frisa a nota assinada por Lucas Leite, membro da direcção. Aproveitando a oportunidade, o signatário apela às pessoas para evitarem também cogestionar outras linhas de emergência como as dos Bombeiros, Polícia, Bancos de Urgência e Protecção Civil.

O próprio Primeiro ministro reforçou hoje esse apelo para não se afectar a despistagem de pessoas infectadas. Até ontem, a Linha Verde, que dispõe de uma equipa de 46 médicos, tinha recebido cerca de 7.000 chamadas de todas as ilhas – em especial de Santiago, Boa Vista e S. Vicente – e registado uma média de 300 telefonemas diários.

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Adriano Reis estorias

Contador de “Estórias” cabo-verdiano reinventa-se nas redes sociais para driblar impacto do Covid-19.

Contar “estórias” e tradições orais de Cabo Verde através das redes sociais foi a forma que Adriano Reis encontrou para dar volta à situação de desemprego com que se deparou após a declaração do Estado de Emergência em Portugal. Conforme nos diz este actor cabo-verdiano, de uma carteira cheia de atividades agendadas até junho de 2021, viu-se de repente com uma mão cheia de nada e sentado em casa sem poder trabalhar. Nesta entrevista ao Mindelinsite, Adriano Reis igualmente dinamizador sócio-cultural e técnico da juventude, afirmou a sua paixão e amor pelas tradições do seu país e a vontade de as partilhar através das palavras que identificam a sua identidade crioula.

Por João do Rosário

Mindelinsite – Importante ter em consideração que esta crise provocada pelo Covid-19 tem implicações na vida das pessoas. Como está a ser a tua vida laboral enquanto actor e contador de estórias tradicionais de Cabo Verde em Portugal?

Adriano Reis – Claro, sobretudo a nível profissional e familiar. Sou trabalhador independente sem contrato e nós funcionamos mediante os rendimentos obtidos. Não sabemos se vamos contar com os apoios da segurança social porque a este nível tudo é diferente. Assim, sem trabalho, as coisas começaram já a ficar complicadas. Ter uma agenda cheia até junho de 2021 e de momento não ter nada dado o “nosso inimigo invisível”. É kompliqôde! (é complicado)

MI – As dificuldades e as crises ajudam-nos, por vezes, a ser bastante criativos. Criatividade é o que não tem faltado ao Adriano Reis. Podias explicar-nos como surgiu o teu novo projecto em que estás a trabalhar agora?

AR – Sabes, está nas genes do cabo-verdiano a sua capacidade de luta, de trabalho e de sacrifício. Assim sendo, o nosso povo sempre soube adaptar-se às realidades que se lhe depara, reinventando-se com muita criatividade. Nós os cabo-verdianos somos naturalmente criativos na medida em que já passámos por muitas crises. Eu foco-me no meu trabalho. Normalmente vou elaborando os projetos e guardo-os. Chegado o momento certo, recorro a eles adaptando-os à realidade do momento. Estou agora a angariar público alvo para meu actual projeto que, são as famílias, para sessões de “stórias”, via Skype, Chat, nas redes sociais. Estou igualmente muito focado em dar o meu apoio moral através das redes sociais aos meus ouvintes de estórias, de Lá e de Cá. Já criei uma linha de produtos tradicionais com logotipos de estórias coloridas, com frascos e garrafas pequenas de grogue, pontche de mel e de calabaceira, grogues de plantas, bolachas tradicionais e doces que disponibilizamos aos ouvintes depois dos contos. 

MI – Contar histórias nas redes sociais? Isto tem funcionado?

AR – Tem funcionado sim mas, não é a mesma coisa; eu gravo as “estórias” e sinto um vazio enorme. Contar estórias para mim é um momento de ancestralidade, a viajem acontece naquele momento, fixar o olhar, tocar quem nos escuta, sentir as energias do afecto e dos abraços. Nunca gostei de gravar vídeos das minhas sessões de contos porque acho que perdem o encanto. Agora terei de o fazer no intuito de acompanhar os outros que neste momento estão confinados em casa. É uma forma de “sobreviver” porque é dai que trago o pão, ao mesmo tempo tem sido desafiador para mim.

MI – Como tem sido a adesão das pessoas? De que nacionalidade são?

AR – A maior adesão é das comunidades não cabo-verdiana e ou africana, mas sim portugueses. Tenho que me adaptar (risos).

MI – Costumas dizer que a profissão de actor de teatro era bastante difícil em Portugal. Agora o de contador de estórias e tradições orais como é que tem sido?

AR – É verdade, sempre disse que somos “actores temáticos”, mas isto tem vindo a melhorar. O que quero dizer com o actor temático? Aqui em Portugal, se precisarem de um papel menos abonatório na sociedade, chamam a nós os africanos. Como não aceito, abracei a arte de Contador de Estórias pelo fascínio de mergulhar-me nos meus costumes e tradições orais. Satisfaz-me pessoalmente e também pago as minhas contas. Graças ao meu intenso trabalho, tenho partilhado contos e estórias de norte a sul de Portugal. E Tenho abraçado as comunidades imigrantes cabo-verdianas, em parceria com muitas associações por aí. Também faz parte do projeto “beber na fonte”. Vou à terra colher as tradições e depois  partilho-as cá. O projeto é a fonte da minha capacitação.

MI – O projecto “beber na fonte” fica em stand-by, claro. Em que consiste?

AR – Não está de todo. Como já indiquei anteriormente, estou mergulhado na recolha. Tenho já material bastante substancial que consiste em mais de 50 livros, mais de 200 horas de gravação, apontamentos mil. Muito por trabalhar mesmo! E, logo assim que possível, partirei para a Ilha de São Nicolau onde darei início à terceira edição do Projeto “beber na fonte”. Trata-se de uma investigação da Tradição Oral, Recolha Etno-cultural que deriva de um intercâmbio Cultural – Cabo Verde & Diáspora Crioula, sessões de contos e Exposições: Estórias visuais Antro-Etnocultural de Cabo Verde. Este projeto conta com a Direção Técnica de Gil Moreira e com a minha coordenação.

Grogue não mata Covid

MI – Disseste uma coisa importante e muito interessante. “vamos ter que dizer à malta cabo-verdiana e explicar-lhes que este vírus do Covid-19 não morre com o grogue”-

AR – Estava a ser bastante preocupante mesmo. Quando emitiram a declaração do “isolamento profilático”, tive uma breve curiosidade em dar um passeio, sobretudo, em Agualva-Cacém, onde temos uma forte comunidade para ver como estávamos a respeitar a lei portuguesa. Fiquei estupefacto quando deparei com os bares e os espaços de convívio onde a comunidade cabo-verdiana costuma frequentar e verifiquei que estavam cheios de gente. Fiquei preocupado quando vi que alguns deambulavam pela cidade a “gritar” que grogue não deixa o Covid-19 aproximar. Fiquei triste e senti-me no dever de dar o meu contributo chamando a atenção para não brincarmos com isto. Já estamos mais consciencializados.

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Covid-19: Trabalhadores da Frescomar com medo, apesar das medidas de distanciamento

Um grupo de trabalhadores da Frescomar procurou o Mindelinsite para expressar os seus receios por a empresa continuar a produzir “normalmente” perante a ameaça do Covid-19, não obstante empregar perto de dois mil pessoas. Estes reconhecem que a direcção desta unidade industrial, sita no Lazareto, já adoptou algumas medidas de distanciamento e, inclusivo, enviou para casa as pessoas consideradas de risco. Mesmo assim, sentem-se expostas e que podem estar a colocar as suas famílias em risco. 

Este medo, diz uma das funcionárias, que falou em nome dos colegas, tem razão de ser porquanto, afirma, se for notificado qualquer caso suspeito dentro da Frescomar correm o risco de ficarem “presas” na unidade, à semelhança do que está a acontecer com os funcionários dos hotéis Riu Karamboa e Riu Palace na Boa Vista. “Eu, no meu caso, tive receio de ir trabalhar hoje, apesar das medidas de distanciamento adoptadas. Por exemplo, a lotação dos autocarros que levam os trabalhadores foi reduzida para metade, ou seja, passam a transportar apenas 20 pessoas.”

Dentro da fábrica, prossegue, estão a fazer o distanciamento nas mesas de trabalho e no refeitório. Além disso, acrescenta, a direcção da Frescomar decidiu dispensar as pessoas com mais idade, as grávidas e as com problemas de saúde. Mesmo assim, a unidade de processamento de pescado continua a laborar com um número elevado de trabalhadores.

“A empresa decidiu deixar uma mesa vazia entre cada trabalhador e, nas refeições, são permitidas apenas três pessoas numa mesa. Também foram disponibilizadas boquilhas aos funcionários. O problema é que tiramos as boquilhas para comer, colocamos as mãos nas portas para abrir e juntamos em grande número nas casas de banho para fazer a higiene. E, para qualquer uma destas acções fazemos filas, ficando muito próximos uns dos outros.”

Ou seja, de acordo com esta fonte, não obstante as medidas adoptadas pela direcção desta unidade industrial, os riscos continuam elevados. Para evitar que os cerca de dois mil trabalhadores sejam expostos, esta acredita que o ideal seria reduzir o número para metade e alternar os turnos. “Neste momento a fábrica opera com dois turnos, cada um com cerca de mil trabalhadores. Poderiam reduzir o número de funcionários para metade e fazer um único turno, alternando os dias de trabalho. Também deveriam enviar para casa as mulheres com filhos com idade entre os zero e os três anos que, a meu ver, também constituem um grupo de risco”, sugere.

Sobre este particular, segundo a nossa fonte, algumas operárias, sobretudo as com crianças pequenas em casa, optaram por desistir dos seus postos de trabalho. Estas alegam que, com o encerramento dos jardins, não têm com quem deixar os filhos, pelo que preferem, nesta altura, perder o emprego e preservar a sua família, acrescenta a porta-voz destas funcionarias. Para ela, neste momento os trabalhadores da Frescomar estão estigmatizados em São Vicente, sobretudo após os rumores de que um familiar de um funcionário era um dos casos suspeitos na ilha.

“Para se ter uma ideia, uma funcionária pediu licença para ir ao banco e foi humilhada dentro da instituição e chorou muito. Perguntaram-lhe onde trabalhava e, quando respondeu na Frescomar, foi de imediato isolada. Perguntou porque estava a receber tratamento diferenciado, foi informada que era por causa dos rumores de um possível caso suspeito envolvendo uma pessoa da Frescomar, informação essa infundada”, exemplifica. 

Missão

O director da Frescomar, Miguel Pinto, explica que foram implementadas todas as determinações emanadas pela Direcção Nacional da Saúde. Diz, no entanto, que este é um sacrifício que neste momento está a ser pedido a todos para manter a empresa e a ilha a funcionar. “Enviamos as grávidas e todas as pessoas com alguma patologia para casa. Hoje estamos muito menos na Frescomar, mas não podemos deixar de produzir. Compreendo que as pessoas estejam com medo e algum stress desta situação. É um risco que todos estamos sujeitos, mas a máquina tem de continuar a funcionar”.

Para este responsável, trabalhar neste momento não é de forma nenhuma uma obrigação das pessoas. É antes de tudo, a seu ver, uma missão. Mostra-se no entanto confiante nas implicações positivas das medidas adoptadas tanto na empresa como no país para prevenir o coronavirus.

 Constânça de Pina

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Covid-19: Eurico Monteiro considera de “elementar justiça” a legalização automática de estrangeiros em Portugal

O embaixador Eurico Monteiro, acreditado em Lisboa, congratulou-se hoje com a medida do Governo português em considerar legalizados todos os estrangeiros, entre os quais os milhares de cabo-verdianos com pedidos de autorização de residência pendentes nos Serviços de Emigração e Fronteira (SEF).

O diplomata cabo-verdiano reagia assim a notícia da medida publicitada na sexta-feira pelo governo português, através de um despacho que indica o facto de o documento de pedido submetido ao SEF serve de comprovativo funcionando como uma autorização de residência. Monteiro qualificou esta decisão de uma medida “corajosa” e de mais elementar justiça que vai ao encontro da situação que se vive neste momento devido ao Covid-19.

Considerou ainda que ninguém deve ficar prejudicado pela incapacidade de resposta do serviço público que, de acordo com Eurico Monteiro, também é isento de culpas devido a esta situação de emergência declarada recentemente pelo Presidente da Republica, Marcelo Rebelo de Sousa. “O Governo português agiu bem, evitando que milhares de imigrantes viessem a estar numa espécie de limbo, num terreno pantanoso, nem água nem terra”, considerou Eurico Monteiro para quem “estas são as boas medidas que deve zsd adoptadas em tempos de crise”, afirmou.

O despacho revela ainda que através deste documento, de acordo com a mesma fonte, os cidadãos estrangeiros residentes em Portugal passam a ter acesso a todos os serviços públicos, incluindo a apoios sociais e à saúde. Abrange a todos os estrangeiros residentes em Portugal e com o pedido de manifestação de interesse entregue nos Serviços de Emigração e Fronteira e vem no entendimento do Governo luso de “dever e de sociedade solidária em tempos de crise”, conforme disse o Ministro português da Administração Interna, Eduardo Cabrita citado hoje pela imprensa.

Relativamente ao Estado de Emergência declarado em Portugal, Cabrita explicou que “a prioridade é a defesa da saúde publica e da segurança colectiva . É nestes momentos que se torna ainda mais importante garantir os direitos dos mais grafeis como é o caso dos migrantes. Assegurar o acesso dos cidadãos migrantes à saúde, à segurança Social e a estabilidade no emprego e na habitação é um dever de uma sociedade solitária em tempos de crise”, declarou ao Público. 

Mas o SEF ainda não forneceu o número de imigrantes com pedidos pendentes. Mas esclareceu que os balcões deste serviço fecham assim as portas e os atendimentos agendados até dia 27 de março retornam a partir de 01 de julho por ordem cronológica. Ou seja, os documentos com pedidos feitos ao SEF não dispensam o processo iniciado antes, que terá que ser retornado quando os serviços voltarem ao normal. Já relativamente aos vistos de permanecia em Portugal cujo prazo de validade tenha terminado depois de 24 de fevereiro, estes são validos até 30 de junho. 

“É mais uma iniciativa do Governo português para momento difícil provocado pela Pandemia do Covid-19”, finalizou o Ministro Cabrita.

João do Rosário

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João Branco

“As Palavras de Jó” assistida por mais de 1.200 pessoas

Mais de 1.200 pessoas terão assistido a apresentação live de “As Palavras de Jó”, uma iniciativa que visava assinalar o Dia Mundial do Teatro e dar alento as pessoas em quarentena em casa e nos hotéis em Cabo Verde. As reacções e comentários são muito positivas e mostram que o público absorveu a mensagem de esperança “Eu acredito no Homem”.

O protagonista desta que é a 54ª  produção do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, João Branco, mostra-se satisfeito. “Conseguimos transmitir para todo o mundo, num directo da cidade do Mindelo, com boa qualidade de imagem e som, um espectáculo de teatro made in Cabo Verde e, de certa forma, encurtar esta distancia física que nos separa hoje uns dos outros decorrentes da epidemia global”, escreveu. 

Segundo Branco, mais de 1.200 pessoas acompanharam ao vivo a apresentação, incluindo o autor da peça, o dramaturgo Matéi Visniec. Um número que, afirma, daria para encher o a Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo (ALAIM) 12 vezes. “Isso é algo que muito nos orgulha. De certa forma, fizemos historia hoje. E estou muito grato”, acrescentou. 

A logística para a transmissão desta peça foi assegurada por Edson Fortes Gomes, David Medida, Deka Saimor, Nuno Tavares, Edson Silva, Abel Monteiro, Janaina Alves e, principalmente, a CV Móvel, que tornou possível esta iniciativa inédita em Cabo Verde. “Eu sou a palavra Quarentena e só peço a vocês que fiquem em casa!”, finaliza. 

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Helena Fortes

Helena Fortes, mediadora imobiliária: “Conheço a burocracia em S. Vicente e sei o preço de mercado”

Move-se no mundo da mediação imobiliária com a segurança e sabedoria de uma profissional experiente. Antiga comercial do condomínio Pombas Brancas, onde trabalhou por dez anos, Helena Fortes é hoje uma empresária independente, que aposta na venda de terrenos e aluguer de residências. 

Para o efeito, fundou em Junho de 2018 a HF-Mediação e Imobiliária, a saída que encontrou para contrariar o desemprego. “Depois que fui para o desemprego trabalhei com a amiga Helga Fonseca, que tinha na altura a empresa de mediação imobiliária Casa pa bô. Entretanto ela assumiu um outro projecto em Santo Antão e decidi passar a trabalhar por conta própria”, esclarece. 

Passados quase dois anos, Helena Fortes não tem dúvidas que fez a opção correcta ao apostar na sua empresa, apesar dos riscos próprios da actividade que abraçou. Após desbravar um caminho tortuoso, sente que o seu empreendimento começa a encontrar o rumo certo, a conquistar a confiança dos clientes. “Hoje sou procurada por muita gente que quer vender um lote de terreno ou colocar os seus espaços de aluguer”, afirma a empresária, que tem neste momento um lote de propriedades à disposição em S. Vicente, no Sal, Boa Vista e Santiago. 

Por uma questão estratégica, esta empreendedora decidiu, no entanto, estabelecer parceria com congéneres nas outras ilhas e centrar a sua intervenção em S. Vicente, mercado que conhece como a palma da mão. “Posso dizer que tenho o domínio da burocracia em S. Vicente e conheço o preço de mercado”, enfatiza Helena Fortes, para quem o grande problema na cidade do Mindelo, e provavelmente no resto de Cabo Verde, é a falta de uma tabela de preços usada pelos mediadores. Por esta razão, diz, cada um tende a colocar o preço que lhe der na gana, o que acaba por dificultar a venda das propriedades e dar espaço à especulação imobiliária.

Enquanto empresa, a HF-Mediação e Imobiliária usa as suas cartas para se movimentar no mercado. Uma delas é a publicidade. Segundo Helena Fortes, desde que inseriu um banner no Mindel Insite a procura pelos seus serviços disparou. Segundo a empresária, tem sido abordada por pessoas residentes em Cabo Verde e emigrantes dispostos a negociar os seus imóveis. “A publicidade mostra ser uma ferramenta eficaz, que vem reforçar a chamada boca-a-boca, que é também muito eficiente”, realça Helena Fortes.

Estabelecida uma base de acordo, a empresa tem por norma analisar toda a documentação existente, saber se os terrenos estão devidamente legalizados. A partir desta análise inicia o expediente burocrático com a Câmara Municipal, o Cartório e o Notariado. Resolvida essa parte, o passo seguinte é estabelecer um “preço justo” e encontrar um cliente. 

“O preço depende da localização do lote, do tamanho e do tipo de construção que o cliente pretende fazer. Uma coisa é uma residência própria, outra é uma residencial, por exemplo. No entanto, damos sempre conselho aos donos porque há uma tendência para se exagerar no preço”, frisa essa mediadora, que ganha uma percentagem quando for concluída a transação.

Para ela é essencial que todas as partes fiquem satisfeitas e o negócio seja concluído no menor espaço de tempo. E há factores que podem concorrer para esse desfecho, um deles o tipo de contrato que fecha com o dono do terreno, por exemplo um acordo de exclusividade.

O foco da HF – Mediação e Imobiliária é a venda de terrenos e aluguer de residências. No entanto, como há clientes que precisam de um projecto de arquitectura e de alguém para acompanhar a construção da obra, estabeleceu uma parceria com a arquitecta Sandra Galina, gestora da empresa Micadinaia, que se ocupa dessa parte.

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