Primeiro transplante renal em Cabo Verde durou cerca de 3 horas e foi um sucesso, assegura a equipa médica

Cerca de 3 horas foi o tempo decorrido para a realização do primeiro transplante renal em solo cabo-verdiano, operação executada no hospital Agostinho Neto por uma equipa de médicos portugueses e cabo-verdianos, liderada pelo especialista português Norton Matos. Segundo este cirurgião vascular, a remoção do rim do dador foi executada com técnica laparoscópica, sem grandes incisões, e demorou uma hora. A implantação do órgão no receptor, avançou, ultrapassou uma hora.
“Neste processo é preciso respeitar algumas exigências. Uma delas é que o dador tem que ser saudável e mentalmente voluntário para oferecer um rim. Depois, precisa ser compatível com o receptor do órgão, um processo tecnicamente difícil”, frisou este médico do hospital São João do Porto. Neste caso, reforçou, estas duas condições foram integralmente satisfeitas.
Este facto histórico aconteceu no Hospital Universitário Agostinho Neto, na cidade da Praia, e, nas palavras das autoridades da saúde, foi um sucesso. Momentos após a complexa cirurgia, o gestor do HUAN, o médico Evandro Monteiro, anunciou o feito em conferência de imprensa e assegurou que Cabo Verde passa a estar em condições de continuar a realizar esse tipo de intervenção. Garantiu ainda que a direção clínica vai continuar a comunicar a evolução no pós-operatório tanto do dador como do receptor, para evitar desinformação. A previsão é que recebam alta dentro de poucos dias.
O director do Serviço da Unidade de Diálise, o nefrologista Hélder Tavares, assegurou que tanto o paciente transplantado como a dadora se encontram bem e em recuperação. “A cirurgia correu muito bem e este é, de facto, um momento histórico para Cabo Verde, um momento de realização. É o melhor tratamento que podemos dar aos nossos doentes. O paciente está bem, mas não podemos esquecer a grande pessoa que é a dadora, que, de forma altruísta, doou o próprio rim ao irmão e está a recuperar muito bem”, realçou.
O momento foi enaltecido pelo médico Artur Correia num post na sua página no Facebook, para quem esse marco representa muito mais do que a introdução de uma nova técnica: “Simboliza a consolidação de um sistema de saúde mais resiliente, mais resolutivo, equitativo e alinhado com os padrões internacionais, reforçando o compromisso com a Cobertura Universal de Saúde.”
O ex-Director Nacional da Saúde explica que a insuficiência renal crónica é uma condição de elevado impacto clínico, social e económico. Adianta que, até agora, muitos doentes cabo-verdianos dependiam de evacuações para o exterior – com custos elevados e impacto familiar significativo – e tratamentos prolongados de hemodiálise, com limitações na qualidade de vida. Salienta que o transplante renal surge como a alternativa mais eficaz, permitindo um aumento significativo da esperança e qualidade de vida, a redução da dependência de terapias substitutivas e uma maior reintegração social e produtiva dos doentes.






