Hantavírus: Paciente transportado para Países Baixos em aeronave das Canárias após avaria em avião-ambulância

O paciente com suspeita de infecção por hantavírus, evacuado em um dos aviões-ambulância que partiram de Cabo Verde na quarta-feira, 06 de maio – e foi impedido de aterrar em Marrocos para uma escala técnica de reabastecimento – já chegou aos Países Baixos. A aeronave foi forçada a desviar a sua rota para as Ilhas Canárias, em Espanha, tendo o doente seguido posteriormente em um aparelho adaptado.
O evacuado viajou para Amesterdão numa aeronave para transporte médico. A operação foi realizada em conformidade com os protocolos de saúde e segurança estabelecidos, em coordenação com as autoridades competentes e a companhia aérea responsável pela transferência, disse o Ministério da Saúde das Canárias.
Inicialmente, o plano de voo previa uma escala técnica em Marraquexe, no Marrocos, para reabastecimento, antes de seguir para Amesterdão. No entanto, segundo o El Español, as autoridades marroquinas recusaram a entrada da aeronave no país. O aparelho foi então desviado para Gran Canária.
Já em solo espanhol, surgiu um novo problema: o médico a bordo do avião reportou uma falha elétrica no sistema de suporte de vida de um dos pacientes. Como medida de segurança, o doente permaneceu dentro da aeronave, ligado a uma fonte de energia fornecida pelo aeroporto, enquanto se aguardava a chegada de outro avião para dar continuidade ao transporte.
Relato da SIC indica que uma delegação do Governo de Espanha nas Canárias autorizou a escala técnica, mas impôs condições rigorosas: ninguém poderia entrar ou sair do avião durante a permanência na ilha. E ofereceu-se para criar uma área de isolamento sanitário para que a aeronave pudesse retomar o plano de voo, mas o Ministério da Saúde de Espanha não aceitou a solução. A tripulação e os dois doentes tiveram de aguardar a chegada da aeronave médica vinda do norte da Europa para realizar a transferência nas condições de segurança necessárias.
Já o navio MV Hondius continua a viagem para as Canárias com 144 pessoas a bordo, depois de ter zarpado de Cabo Verde, na quarta-feira. A chegada da embarcação está prevista para o fim-de-semana a Granadilla de Abona, no sul de Tenerife, Canárias.
Ontem, em conferência de imprensa via zoom, o Director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) admitiu a possibilidade de surgimento de novos casos relacionados com o surto de hantavírus, detectado a bordo do navio de cruzeiro holandês MV Hondius, ao mesmo tempo que destacou o papel de Cabo Verde na gestão da emergência sanitária.
Tedros Adhanom explicou que a incubação do vírus pode prolongar-se por várias semanas, o que exige vigilância contínua. “Dado o período de incubação do vírus Andes, que pode durar até seis semanas, é possível que mais casos sejam reportados”, afirmou, reiterando que a OMS mantém a avaliação de risco baixo para a população e a situação está a ser acompanhada em coordenação com vários países.
Destacou o papel de Cabo Verde na gestão da emergência sanitária e afirmou que a cooperação internacional tem sido “fundamental” para conter a evolução do surto e proteger os passageiros a bordo. “Estamos a trabalhar com vários governos e parceiros para garantir cuidados aos pacientes, proteger a segurança e a dignidade dos passageiros e evitar a propagação do vírus”, acrescentou.
Tedros Adhanom confirmou que o surto envolve oito casos associados ao navio, dos quais cinco foram confirmados como infecção pelo vírus Andes, uma variante do hantavírus capaz de transmissão limitada entre humanos. O cruzeiro MV Hondius, refira-se, partiu ontem, quinta-feira, do porto da Praia rumo às ilhas Canárias com 144 passageiros, todos assintomáticos, acompanhados por uma equipe de profissionais.






