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Dia 8 de Março na metafísica do amor

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Veladimir Romano

“Lembrar e comemorar o 8 de Março (Dia Internacional da Mulher) pede profundo pensamento onde se requeiram sociedades, quando perigosos e permanentes declives sociais colocam este mundo Feminino nas sobras de novas ondas de escravatura, hoje em dia dissimulada de várias maneiras, continuamente na prostituição, tráfico humano, casamentos precoces, práticas místicas, circuncisão ou vítimas de pressão e abuso.”

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Quanto mais fraco for o luar, maior será a inspiração noturna, segundo critérios e pensamento de Philippe Hériat, romancista dedicado às analogias da vida quando, dentro das suas análises, estudou então comportamentos do ato Feminino em termos sociais com rodeios igualmente ao instinto, numa inclinação paternalista quer seja na relação etérea, por onde se apurem tais realidades, até às demais frivolidades, por questões naturais desta admiração objetiva, ou mesmo todo sintoma subjetivo, talvez podendo iludir consciências procurando alguma pureza no contexto da lógica humana.

Novamente, tal como Arturo Schopenhauer, fabricante de substâncias caóticas da vida humana, este, ainda assim, é a ele que devemos o belo e comovente trabalho sobre a “Metafísica do Amor”, logo escrito num instante crítico do mundo à beira do bárbaro conflito mundial de 1939-45… mas, no belo escrito e reconhecido tributo a nível global dedicado à Mulher.

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Deste modo, lembrar e comemorar o 8 de Março (Dia Internacional da Mulher), pede profundo pensamento onde se requeiram sociedades, quando perigosos e permanentes declives sociais colocam este mundo Feminino nas sobras de novas ondas de escravatura, hoje em dia dissimulada de várias maneiras, continuamente na prostituição, tráfico humano, casamentos precoces, práticas místicas, circuncisão ou vítimas de pressão e abuso. 

Na real matéria deste estatuto colocado na frente de um gênero humano que se enquadra responsável pela Maternidade, compreenda-se, ainda menos onde paira o papel da mesma Mulher quando esta ocupa lugares em permanente destaque na política, justiça, economia, saúde, educação, ensino, jornalismo, presença parlamentar ou em posição governamental; chocante e complicado entender uma estranha ausência na defesa pelos verdadeiros direitos desta suposta face, companheira existencial do ser masculino, complicado de explicar fica depois de um quarto deste novo século consumir o nosso calendário, nenhuma democracia conseguir esclarecer juridicamente o falhanço do sistema.

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Perguntamos então como construir coesão social perante agravamentos das desigualdades, numa justiça social cada vez mais distante ou será a vida da Mulher jamais ser a prioridade? Não faltam estatísticas, se reconhecem conteúdos, supostos direitos essenciais, mas igualmente projetos desvalorizados, branqueamento, desprezo e até discórdia das autoridades como determinadas regras entre descontinuações em reconhecer diferentes etapas desta discriminação inaceitável nos dias deste presente mundo algo conturbado.

Em dia tão simbólico, impossível não deixar trazer a partida precoce de uma grande poetisa alemã de origem africana nascida na jovial Hamburgo, de seu nome literário: May Ayim (Sylvia Opitz, de pai ganês e mãe germânica) quando, aos 36 anos, resolveu pôr termo a uma existência sofrida. Pedagoga, ativista de vários movimentos cívicos, com especial destaque afro-alemã, autora de múltiplas temáticas sobre política, sociedade, racismo; depois de 1980 ainda só com vinte anos, da sua escrita interior ressalta o seu sein oder nicht sein (“ser ou não ser”)… o lado “lamentável de ser mulher e negra na sociedade alemã” ou a descoberta dessa discriminação de rosto pálido, quando necessário atingir o die farbe der macht [“a cor do poder”]. 

Retirando além das lições do dramático exemplo de May Ayim, resta outro universo frustrante no qual vivemos rodeados de problemas insolúveis ou debatidas vezes sem conta ao longo de gerações em queda. Dentro do nosso mundo da CPLP, achamos Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau entre seus responsáveis quando fazem eternas promessas e elogios à memória de Amílcar Cabral, desconhecem o papel da Mulher na posição de Combatente; fazem da ignorância perigosa arma perante absurda realidade ao engano, instinto machista e manifesto pela indiferença quando números do segmento Feminino apontam impulsos inaceitáveis com mecanismos disfuncionais, nações de parcos recursos e menores populações, mas onde a Mulher desempenha papel fundamental na coesão social, laboral e familiar. 

É a vertiginosa contemplação desapaixonada da vida do outro ser e o Homem, incapaz de compreender da sua soberania o latente egoísmo no fato/facto dessa sua vaidade cair na deformidade. Demasiado primitivo e, naturalmente, curto de saber, será esta mentalidade como sinal de atrofiamento cultural e caráter atribulado ou penhor inverso à coragem?

Ora, o homem, não pode ver como despromoção ou efeito desfavorável quando ser justo, é força geradora reproduzida numa razoável consideração, afinal, robusto valor do mesmo lado da Mulher.  O Homem deve se sentir responsável, permanecer ao lado da Mulher, privilegiar consciência humanizada, eliminar hostilidades, elevar assuntos da justiça ao praticar diferenças sobre desentendimentos e debelar esse império de apenas interesses serem mote amortalhado no divino materialismo. Contrário a quantas lógicas, continuaremos na vivência inglória da violência covarde sem respeitar a Mulher, princípios à civilização do dever humano.   

in podcast Global PressInfo Minorias Étnicas44 nações, 4 continentes, 27 idiomas”Arauto”

“Vila da Utopia” (digital) Minas Gerais, Brasil

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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