Opinião
Tendência

Da Desigualdade


Todas as promessas políticas em geral são voltadas para a questão da distribuição de riquezas como solução para erradicar a pobreza.

Por: Ademilson Lopes

De comum com o resto do mundo temos a desigualdade, fenómeno social que pode ser comparado com uma pirâmide, estreita no topo e larga na base. Uns poucos privilegiados observando as massas se espremendo. Somos culturamente ensinados que o trabalho duro, a dedicação aos estudos pode mudar essa situação.

Primeiramente, é preciso conseguir um emprego que garanta uma renda capaz de suprir as suas despesas mais básicas de habitação, alimentação etc. Como é muita gente disputando o mesmo peixe – mais procura do que oferta. Os empregadores, conscientes desta situação, raramente pagam mais que um salário mínimo, mesmo que a pessoa tenha o decímo segundo ano de escolaridade. Um curso superior poderia diferenciar o trabalhador, coloca-lo em outra categoria de emprego, porém os custos de uma licenciatura, até mesmo de um curso técnico são desmotivadores.

A imigração ainda é uma solução cativante que mobiliza a saída das pessoas do campo para a cidade, para outras ilhas e para o estrangeiro. Esta última é bastante cobiçada. Mas a dificuldade de conseguir um visto é das poucas coisas que consegue prender um cabo-verdiano no próprio país.

Claramente não existe e nunca existirá igualdade de oportunidade, mormente económica, porque o ser humano é ambicioso, reconhecendo a efemeridade da vida. Sem pensar no coletivo, foca no individualismo, procurando acumular recursos para garantir a si mesmo uma boa aposentadoria e aos seus descedentes um bom futuro. Certo ou errado, depende de como fez fortuna, se optou pela via honesta ou se deixou corromper, explorando outras pessoas. A possibilidade de se elevar acima dos outros parece trazer uma sensação muito pessoal de realização.

O recebimento de uma herança é sempre um bônus. Enquanto a maioria dos herdeiros normalmente dilapida o património, outros são estimulados a multiplica-lo. Existem gerações inteiras que planearam séculos de prosperidade, criaram uma estrutura económica que lhes permitiu o desfruto dos prazeres deste mundo, enquanto a maioria está destinada a matar-se de trabalhar.

De certo modo, o esforço pessoal está na origem de todas as riquezas. Negócios, quando muito bem executados, podem não só mudar a vida do empresário e da família dele como também de centenas, se calhar milhares de pessoas, que direta ou indiretamente irão se beneciar.

Existe uma desigualdade no mundo de interesses e de oportunidades, o Estado tem o
papel de reduzir estas diferênças, nomeadamente cobrando mais impostos dos ricos e
redirecionando-os aos pobres através de projectos sociais.

O mérito académico continua sendo a principal via, o socorro dos desesperados, que buscam na educação o combustível necessário para se destacarem no mercado de trabalho. Facto é que, desde que dedique tempo e esforço, aprimorando habilidades, atingirá reconhecimento e, consequentemente, dinheiro o suficiente para viver bem.

Dizer que alguém subiu na vida, mais do que uma expressão é um ideal, é o desejável e todo mundo está nessa correria; pessoas procuram atalhos por meio da religião. São pessoas ingênuas, frequentemente exploradas por homens maquiavélicos, que descobriram que com uma bíblia na mão é facil enganar tolos.

Saltamos da selva para a cidade, da barbárie para a socialização. A história da humanidade é portanto baseada no poder e na submissão ao poder. Os antigos cederam a sua liberdade por compreenderem que os seus interesses seriam melhor satisfeitos em grupo. Inconscientemente procuram estabelecer o princípio da igualdade, mas foram dominados e a boa intensão deles se converteu num sistema
primitivo de classes, com uma minoria se sobrepondo aos demais.

Hoje nos vemos confrontados com diferentes ideologias políticas e económicas, algumas têm a pretensão de controlar os recursos e a distribuição deles, monopolizando o mercado através de Empresas Estatais. Como diria Victor Hugo, distribuir não é multiplicar, portanto tal modelo se mostra frágil. O intercâmbio comercial é melhor assegurado por empresas privadas que são normalmente muito bem geridas em comparação com as empresas públicas, cujas lideranças correspondem aos interesses do
partido no poder e não no rigor técnico, no mérito e na competência do seu pessoal.

Entendemos que o Estado, para o bem da economia deve ter um papel limitado à
fiscalização da atividade comercial, estimulando a economia e consequentemente a
iniciativa privada, garantindo que os interesses da coletividade sejam satisfeitos. Porque o individuo, para prosseguir com a sua ambição (de conseguir financeira), precisa que boas política estejam implementadas, que exista uma estrutura económica sustentável que garante a sua progressão e ascencão profissional.

Dinheiro não é tudo, mas tudo é sobre dinheiro; nessa procissão que nos encontramos, alguns ficam pra trás, outros são arrastados por familiares bem sucedidos até o fim da jornada. Estou convencido que a pressão imposta a cada homem e mulher leva à degradação constante das suas almas.

Digo que nenhuma vida está destinada à mediocridade. O meio social e as suas mudanças
inesperadas, muitas vezes difíceis de engolir, definem as regras de sobrevivência. Ao longo da vida tomamos pessímas decisões, algumas tão profundas que nos esmagam no mesmo instante. Com a mente tomando posse dos problemas e julgando-as de modo egocêntrico e parcial, nos auto condenamos, isolamo-nos do mundo.

Na solidão encontramos o abraço negro da depressão, da ansiedade, da paranóia. Drogas são mais do que distrações nessa luta que se chama viver, são o ponto final de uma história mal começada. Para garantir que todo o seu esforço não seja prejudicado mantenha-se o mais longe possível e evite certas amizades.
Tenha em conta que o sucesso de um homem depende das circunstâncias em que ele se encontra, as chances aumentam e diminuem de acordo com a sua localização geográfica. Da mesma forma,
aumentam e diminuem de acordo com as possibilidades primárias que só podem ser
disponibilizadas pelos seus ascendentes diretos, pais ricos – criam filhos ricos e assim
sucessivamente. Aqueles que não tiveram essa sorte, obviamente estão lutando contra a
correnteza, suportando mais sacrifícios do que deveriam. Para triunfar devem lutar dez
vezes mais!

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