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Justiça britânica decide se extradita Assange para os EUA

A justiça britânica deve anunciar hoje a decisão sobre o pedido de extradição do fundador do Wikileaks, Julian Assange, solicitado pelos EUA, que acusam o australiano de 18 crimes de espionagem que incluem o acesso ilícito aos computadores do Governo e a divulgação de mais de 700 mil documentos confidenciais sobre actividades militares e diplomáticas.

Se Assange for extraditado e considerado culpado, pode vir a ser condenado com uma pena entre os 30 e os 40 anos de prisão, escreve a Reuters. Os EUA acusam o o australiano de 49 anos de ter colocado em perigo fontes dos serviços secretos norte-americanos quando começou a divulgar material confidencial, em 2010.

Julian Assange foi preso em Londres em Abril de 2019, depois de sete anos a viver na embaixada equatoriana, onde se refugiou após violar as condições da sua liberdade condicional por receio de ser extraditado. Niels Melzer, relator das Nações Unidas sobre temas relacionados com a tortura, enviou uma carta-aberta ao Presidente dos EUA, pedindo-lhe para perdoar Assange e defendendo este não é um “inimigo do povo norte-americano”.

Melzer diz que o australiano não pirateou nem roubou nenhuma das informações que publicou, tendo-as obtido “de fontes e documentos genuínos, da mesma forma que qualquer outro jornalista de investigação sério e independente” faria. “Processar Assange por publicar informações verdadeiras sobre condutas oficiais graves, seja na América ou noutro país, constitui aquilo que se chama ‘matar o mensageiro”, afirmou.

Ao perdoar Assange, o Presidente Donald Trump envia uma mensagem clara de justiça, verdade e humanidade ao povo norte-americano e ao mundo, reabilitando um homem valente que sofreu injustiças, perseguições e humilhações durante mais de uma década, só por dizer a verdade”, alegou.

Também o Governo alemão está preocupado com o processo de extradição devido ao “estado de saúde física e mental” de Assange. “Os direitos humanos e os aspectos humanitários de uma possível extradição não devem ser negligenciados”, escreveu o comissário para os Direitos Humanos e Ajuda Humanitária, Bärbel Kofler, numa nota em que sublinha que o Reino Unido está “vinculado pela Convenção Europeia dos Direitos Humanos”.

No passado dia 01 de Janeiro, a organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) enviou ao governo do Reino Unido uma petição com mais de 108 mil assinaturas exigindo a libertação imediata do fundador do Wikileaks. “A acusação dos EUA contra Julian Assange é claramente motivada politicamente”, disse em Berlim o director da RFS.

C/Publico.pt

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