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Cabo Verde e China reforçam cooperação em tecnologia, energia, água e infraestruturas

Cabo Verde e China reforçam a cooperação em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país, com a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o Governo, através do Ministério da Coordenação de Projetos Especiais e Acesso a Fundos, e a China Machinery Engineering Corporation (CMEC). A cooperação está estruturada em três eixos, com o terceiro a focar no desenvolvimento integrado de S. Vicente e das ilhas do Norte

O acordo foi assinado a terça-feira, 11 de agosto, pelo Ministro da Coordenação de Projetos e Acesso a Fundos, José Carlos Varela, e pelo representante da CMEC, Wang Bo, num ato testemunhado pelo Primeiro-Ministro, Francisco Carvalho, e pelo embaixador da China em Cabo Verde, Zhang Yang.

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O memorando estabelece um quadro de cooperação de médio e longo prazo e prevê a mobilização de tecnologia, engenharia, investimento e financiamento para infraestruturas consideradas prioritárias para o desenvolvimento de Cabo Verde. A cooperação está estruturada em três grandes eixos.

O primeiro está relacionado com a segurança e transição energética, incluindo a modernização e reabilitação das centrais termoelétricas existentes, a construção de novas infraestruturas de produção de energia, sistemas de armazenamento, redes elétricas e estruturas de apoio à mobilidade elétrica. As medidas enquadram-se na estratégia nacional de transição energética, que estabelece como meta alcançar 70% de energias renováveis até 2031 e a descarbonização do país até 2040.

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O segundo eixo concentra-se na gestão dos recursos hídricos e na agricultura moderna. Entre as áreas previstas estão a dessalinização da água do mar, a reutilização de águas residuais, sistemas de rega de precisão e soluções de gestão inteligente da água. A reabilitação da Barragem de Poilão integra igualmente este eixo, numa estratégia que pretende reforçar a segurança hídrica, aumentar a disponibilidade de água para a população e criar melhores condições para o desenvolvimento da agricultura.

O terceiro eixo, informa o Governo, tem como foco o desenvolvimento integrado de São Vicente e das ilhas do Norte. Neste âmbito, estão previstas intervenções de valorização da Baía Sul, a requalificação da orla marítima de Cabnave e o reforço das ligações entre São Vicente, Santo Antão e São Nicolau.

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A ambição é criar um verdadeiro corredor de desenvolvimento no Norte do arquipélago, capaz de dinamizar a logística, os serviços marítimos, o turismo e a integração económica entre as ilhas. O entendimento com a CMEC surge associado a uma visão de desenvolvimento que combina investimento, tecnologia e infraestruturas com respostas a alguns dos principais desafios de Cabo Verde: a transição energética, a escassez de água, a modernização agrícola e a necessidade de reforçar a conectividade.

Para São Vicente e as ilhas do Norte, conforme estipula o memorando, a aposta poderá representar uma oportunidade de valorização do potencial económico da região, sobretudo através do reforço das infraestruturas marítimas, logísticas e turísticas. Mais do que um acordo para projetos isolados, o memorando abre um quadro de cooperação de longo prazo entre Cabo Verde e uma das grandes empresas chinesas de engenharia, colocando a tecnologia e o financiamento como instrumentos para responder a desafios estruturais do país.

 

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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