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Coronavírus chega a Gaza e prenuncia a calamidade

O maior pesadelo de autoridades israelenses e palestinas tornou-se real. O novo coronavírus rompeu o bloqueio de Gaza, onde dois milhões de moradores se amontoam em apenas 365 quilómetros de quadrados, registrando os dois primeiros casos numa das áreas mais densamente povoadas do planeta.

O diagnóstico positivo em dois palestinos que haviam retornado do Paquistão,  pela fronteira de Rafah, no Egito, determinou o confinamento e o distanciamento social no enclave já isolado do mundo exterior. Escolas foram fechadas. Casamentos e orações em mesquitas proibidos. A doença pôs em quarentena o chefe das forças de segurança do Hamas, que governa o território, assim como alguns de seus ministros.

A população de Gaza encontra-se em situação de grande vulnerabilidade. Isto porque, desde 2007, o território é controlado pelo Hamas, organização considerada terrorista por Israel, e, por isso, enfrenta o bloqueio marítimo, terrestre e aéreo. Ofensivas em 2009, 2012 e 2014 contribuíram para deteriorar as condições de vida de seus moradores.

Essa combinação de densidade populacional, extrema pobreza, colapso de infraestrutura e dependência de ajuda humanitária faz com que a ONG israelense B’tselem anteveja um “desastre de proporções terríveis” na região durante a pandemia de coronavírus.

Pelos cálculos do diretor do escritório da OMS em Gaza, Abdelnasser Soboh, o território seria capaz de absorver apenas os primeiros cem casos da doença e, assim mesmo, de forma gradual: do total de 62 respiradores, apenas 15 estão disponíveis.

Sob o comando da Autoridade Palestina, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental a situação também é preocupante. Pelo menos 59 pessoas foram infectadas.

Para evitar a propagação do surto, o premiê Mohammed Shtayyeh, anunciou medidas restritivas semelhantes às aplicadas em Israel, onde há mais de mil casos diagnosticados de Covid-19: a população deve permanecer em casa, e a liberdade de movimento é permitida apenas a quem precisa ir ao supermercado ou ao médico.

Para evitar a propagação do surto, Israel está a realizar treinamento de equipes médicas palestinas. A Coordenação de Atividade Governamental nos Territórios anuncia a transferência de mil kits de equipamentos de proteção e cem de testes para a Autoridade Palestina, rival do Hamas na região.

Uma pesquisa do Instituto Truman para a Paz da Universidade Hebraica de Jerusalém indica que 63% dos israelenses — judeus e árabes — são favoráveis à ajuda aos palestinos durante a pandemia. Esta parcela está consciente de que os efeitos serão dramáticos para ambos, caso a doença se dissemine nos territórios palestinos.

C/Globo.com

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