Covid Medicos

Teste PCR confirma infecção com Covid-19 da grávida evacuada do Sal para SV

O teste PCR feito à grávida evacuada do Sal para S. Vicente confirmou a infecção dessa paciente com o coronavírus Covid-19, segundo a directora do Hospital Baptista de Sousa. A informação foi comunicada à direcção do HBS esta manhã, mas, para Ana Brito, o resultado era esperado. “O resultado era esperado tendo em conta os dois testes rápidos de anticorpos que realizamos e os sintomas que a paciente apresentava”, explica a responsável do estabelecimento público de saúde na ilha de S. Vicente.

Em princípio, segundo Ana Brito, esse caso não poderá ter grande impacto em termos de proliferação do vírus em S. Vicente. Neste momento estão cerca de quarenta pessoas de quarentena no Centro de Estágio da FCF, pessoal fundamentalmente das áreas da Maternidade e do Bloco Operatório, mas a directora do HBS realça que os técnicos tiveram sempre o cuidado de usar algum equipamento de protecção. Aliás, tudo indica que o exame feito a uma enfermeira que esteve em contacto com a grávida deu resultado negativo. Mas esta informação, segundo Ana Brito, precisa ainda de confirmação. Resta ainda aguardar pelas análises das amostras da tripulação do voo que trouxe a paciente do Sal.

A grávida encontra-se isolada desde quarta-feira, dia em que foi sujeita aos dois testes rápidos por apresentar dificuldades respiratórias, e, segundo Brito, o seu quadro clínico é estável. Porém, por se tratar de uma paciente de risco, será preciso manter a vigilância apertada.

Este caso vem demonstrar que, afinal, o novo coronavírus está presente no Sal. É que, pelas informações divulgadas, a mulher não saiu da ilha nos últimos tempos. Sal era dada como uma região livre do Covid-19, mas este caso veio mudar o cenário. Devido a esse resultado, as autoridades sanitárias e a Câmara do Sal já começaram a tomar medidas de prevenção para evitar a propagação do temível vírus.

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Covid Bombeiro

Covid-19: Governo faz entrega simbólica de 40 toneladas de materiais e equipamentos de proteção individual

O Governo faz esta manhã a entrega simbólica de aproximadamente 40 toneladas de material e equipamentos de protecção individual destinados a todas as estruturas de saúde, Polícia Nacional e Proteção Civil, visando a
prevenção do contágio e o combate ao Covid-19. O acto, que está marcado para as 10 horas no Porto da Praia, será presidido pelo vice-Primeiro ministro Olavo Correia, na presença dos ministros da Saúde e da Administração Interna e representante do Banco Mundial, que financiou a aquisição em 5 milhões de dólares – cerca de 500 mil contos.

A chegada dos equipamentos à cidade da Praia estava prevista para esta madrugada e esta intervenção está enquadra no Projecto de Emergência contra a Covid-19, epidemia que continua activa no país, em particular no concelho da Praia.

Além deste financiamento, Cabo Verde mobilizou um donativo de 1 milhão de dólares (cerca de 100 milhões de escudos) como financiamento adicional para a aquisição do material e dos referidos equipamentos.

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Mortos EUA

EUA ultrapassam as 100 mil mortes de covid-19

Os Estados Unidos da América acabam de ultrapassar as 100 mil mortes associadas ao novo coronavírus. São agora 100.442, o número de óbitos que é significativamente superior ao de qualquer outro país, anunciou a Universidade Johns Hopkins.

Esta instituição do ensino superior, citada pela Agência France-Presse, revela ainda que o país regista também quase 1,7 milhões de pessoas contagiadas pela pandemia da doença provocada pelo SARS-CoV-2.

Cerca de 385 mil pessoas são consideradas curadas. Contudo, os investigadores da “Johns Hopkins” admitem que o número verdadeiro de infeções é significativamente maior. O primeiro caso de infeção no país foi anunciado no final de fevereiro.

Os especialistas desta universidade referem, no entanto, que, comparando com os quase 330 milhões de habitantes, o balanço de óbitos por milhão de habitantes nos Estados Unidos é inferior ao de vários países da Europa.

Os Estados Unidos da América e a Europa contabilizam três quartos dos cerca de 350 mil mortos registados devido à pandemia de covid-19. A nível global já foram contagiadas mais de 5,6 milhões de pessoas. Cerca de 2,2 milhões de doentes são considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus, que foi detetado no final de dezembro na província de Wuhan, na China. Rapidamente espalhou por quase todos os países do mundo, o que levou a OMS a declarar pandemia.

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Maurino Delgado

MDSV congratula-se com decisão do tribunal de condenar a CMSV a repor subsidio da Adeco

O Movimento para Desenvolvimento de S.Vicente convocou a imprensa para manifestar a sua satisfação pela decisão do Tribunal de condenar a Câmara Municipal a repor o subsidio anual de 500 contos à Associação para Defesa dos Consumidores, suspenso desde 2009. Maurino Delgado responsabilizou a Assembleia Municipal e os deputados do MpD que por esta “negligencia institucional porquanto não fiscalizam e nem controlam Augusto Neves, que tem estado a gerir a ilha ao seu bel-prazer. 

Este activista social recorre a lei n.88/V/89, aprovada pela Assembleia Nacional, para justificar a justeza desta decisão do tribunal de S. Vicente. Realca que esta incumbe ao Estado e às autarquias locais proteger o consumidor, designadamente através de apoio à constituição e funcionamento das associações de consumidores, bem como na prossecução dos seus fins, nomeadamente no exercício da sua actividade no domínio da formação e representação. Entretanto, exceptuando a Câmara do Sal, todos os demais município fogem desta responsabilidade, facto considerado por Delgado como um “défice de consciência desses autarcas”.

No caso da Adeco, frisa, trata-se de uma associação particular de intervenção cívica e de solidariedade social na defesa dos consumidores que promove a cidadania, o desenvolvimento sustentado e a preservação do meio ambiente, consequentemente de interesse público e colectivo. “A Adeco é hoje uma entidade insubstituível na vida dos cabo-verdianos”, pontua Delgado, realçando que, a par da Adeco, ficaram sem subsidio o Centro de Recuperação Nutricional e a Escola de Karaté dirigida por Zeca, duas reconhecidas instituições que cuidam da qualidade de vida das pessoas. 

“Esta decisão nunca poderá ser justificada por falta de recursos porque estes nunca faltaram para toda a espécie de festivais, carnavais, bailes, tocatas na Rua de Lisboa e outras despesas menos importantes e menos prioritárias”, afirma este nosso interlocutor, que não tem duvidas que se está perante uma situação de negligencia institucional, em que as instituições Presidente e Câmara Municipal, não cumprem com as suas obrigações, numa gestão abusiva, incompetente e perversa. “Estes subsídios não são despesas, mas sim investimentos”, acrescenta Delgado. 

Este deixa claro ainda que o conflito da Adeco e da CMSV não precisava ir ao tribunal se a Assembleia Municipal e os deputados do MpD tivesse fiscalizado e controlado institucional e politicamente o presidente, como a lei estabelece. “Em S. Vicente o poder está concentrado nas mão do presidente. Augusto Neves capturou o poder local, gerindo o Município a seu jeito e belo prazer. O fenómeno Augusto é uma prova da nossa incapacidade de gerir o nosso município. Estamos perante uma crise política e social em que os partidos políticos não estão com capacidade de escolher pessoas mais capazes para dirigir os interesses colectivos”, completa. 

Em jeito de remate, este activista faz um apelo para, juntos, avaliarem o desempenho dos Órgãos Municipais e para desmontar os discursos fastidiosos e falaciosos do presidente. Aproveita ainda para convidar os cidadãos, a Sokols 2017, os sindicatos e  as organizações da sociedade civil para fazerem uma manifestação a favor da Adeco para mais e melhor justiça, sobretudo porque a CMSV já manifestou intenção de recorrer da decisão do Tribunal da Comarca de São Vicente. Sugeriu ainda as universidades a debaterem a importância das Organizações da Sociedade Civil no processo de desenvolvimento do país, com destaque para a Adeco.

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Stanley Ho

Morreu o magnata Stanley Ho, que deteve 27% do capital da Caixa Económica

Morreu hoje aos 98 anos o magnata do jogo de Macau Stanley Ho, que chegou a comprar a participação de  27% do banco Montepio Geral na Caixa Económica de Cabo Verde. A noticia foi revelada pela imprensa local em Hong Kong, que realça que o empresário foi responsável pela construção de vários casinos em Portugal. 

Figura incontornável em Macau e um dos homens mais ricos da Ásia há décadas, a fortuna pessoal de Ho foi estimada em 6,4 mil milhões de dólares (5,9 mil milhões de euros), quando se reformou em 2018, apenas alguns meses antes do 97.º aniversário, referiu o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, cidade onde vivia. É ainda considerado um exemplo acabado de um ‘self-made man’. Stanley Ho fica para a história como o magnata dos casinos de Macau, terra que abraçou como sua e cujo desenvolvimento surge indissociavelmente ligado ao seu império do jogo.

Em Cabo Verde, o magnata chinês adquiriu, através da sua empresa, a GeoCapital, a participação de 27,44% detida pelo Montepio Geral (Portugal) na Caixa Económica. Em 2018, nove anos depois de entrar no sistema financeiro cabo-verdiano e na altura segundo maior accionista do banco, anunciou a sua saída, vendendo a totalidade das acções que detinha.

Tudo indica que o reforço do peso do Estado na estrutura accionista da CECV com a entrada do INPS, terá pesado na decisão da GeoCapital. Esta deixava entretanto em aberto a possibilidade de voltar a investir no arquipélago, uma aposta que considerou positivo por ter “contribuído decisivamente para um conjunto de orientações estratégicas que conduziram a Caixa num processo gradual de transformação que proporcionaram um crescimento muito sustentado e permitiram a sua afirmação como banco líder em alguns dos indicadores do sistema financeiro.”

Mas não foi apenas do mercado cabo-verdiano que a empresa afastou. Alienou participações que detinha no Variglog, Brasil (2007), no Moza Banco, Moçambique (2013). No caso de Moçambique, a venda antecedeu um novo investimento, no Banco Mais, com a compra de 25% do capital.

Com sede em Macau, a GeoCapital actua nas áreas da banca, infraestruturas e biocombustíveis. Stanley Ho, o seu mentor, é a figura mais carismática do jogo naquela província chinesa e foi a partir do sector que construiu o seu império. Até 2002, deteve o monopólio da actividade, através da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), cuja liderança deixou aos 96 anos. Desde então este papel vem sendo assumido pela filha Daisy Ho.

Este ano, aos 96 anos, deixou a liderança da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), papel que foi assumido pela sua filha Daisy Ho. Apesar do papel preponderante, começou a perder terreno para os concorrentes. Em 2017, os lucros da SJM caíram 15%, em comparação com 2016. Contudo, continuou a ser muito relevante. Participações na Melco e MGM (duas outras sociedades de jogo) permitem presença em cerca de 37% do negócio.

Foto:AFP

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CVInterilhas

CVI já transportou 8.840 passageiros e 5.800 toneladas de carga desde reinício das viagens marítimas

A CV Interilhas transportou 8.840 passageiros e 5.800 toneladas de carga, incluindo 1425 viaturas, desde o dia 11 de Maio, data do reinício das viagens marítimas entre as ilhas. Para a empresa, estes dados são encorajadores, pois demonstram a sua capacidade de operacionalidade e eficiência.

Segundo a companhia, o transporte de passageiros foi retomado, mas mediante medidas reforçadas de prevenção contra o coronavírus Covid-19, tendo por base as orientações do Governo e as autoridades da Saúde, tanto em terra como a bordo das embarcações. Deste modo, passou a obrigar todos os funcionários e os passageiros a usar máscaras nas gares marítimas e dentro dos navios. “Nenhum passageiro embarca sem a máscara colocada”, adverte a CVI. Além disso, os passageiros são submetidos a medição da temperatura corporal antes do embarque e têm de respeitar o distanciamento social mínimo de 1 metro e meio nas gares, recintos portuários e postos de venda.

“A bordo, nos navios, o mesmo distanciamento tem de ser cumprido, por tal facto a lotação dos mesmos está reduzida a 50%, evitando a possibilidade de contacto físico entre passageiros, e os lugares disponíveis são marcados
alternadamente
“, informa a CV Interilhas, enaltecendo que passou a haver um controlo reforçado durante o check-in. Para o efeito, os passageiros devem comparecer no cais com duas horas de antecedência.

Durante as viagens, o consumo e venda de bebidas alcoólicas a bordo são proibidos, os bares e cafetaria encerrados, evitando o uso de objectos partilhados e manuseamento de alimentos e aglomeração de pessoas. Conforme a empresa, todos os navios estão dotados de um espaço de isolamento, caso seja detectado algum caso de infecção de Covid-19 a bordo.

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Garantia DNS Covid

Garantia oferece 4.000 testes rápidos para ajudar a diagnosticar o Covid-19

A Garantia – Companhia de Seguros de Cabo Verde SA ofereceu ao Ministério da Saúde e Segurança Social 4.000 testes rápidos para ajudar o Governo na massificação do diagnóstico do Covid-19 e na luta contra esta pandemia. O acto decorreu esta manhã nas instalações do Depósito Central de Medicamentos, sito em Tira Chapéu, com as presenças do Director Nacional da Saúde e da Presidente do Instituto Nacional da Saúde, Artur Correia e Maria da Luz Lima, e do Administrador Executivo da empresa, Luís Eduardo Nobre Leite. 

A oferta, conforme a seguradora, enquadra-se na sua política de responsabilidade social “enquanto seguradora que tem como missão ser um activista da protecção e segurança dos cabo-verdianos, e a responsabilidade, como líder do mercado, de retribuir a confiança que os seus clientes e parceiros institucionais têm depositado nos seus produtos e serviços.” Com este gesto simbólico, a Garantia reafirma o compromisso que tem, juntamente com o Grupo Fidelidade, com o desenvolvimento sustentável de Cabo Verde.

Neste sentido, parte do valor gasto com a aquisição dos 4.000 testes à Emprofac foi canalizado do orçamento do Prémio Garantia Comunidade, iniciativa de âmbito social que a companhia ia lançar no passado mês de Março, mas que foi adiada para 2021 devido a situação que o país enfrenta.

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Boa Vista cais

Covid-19: Medidas iguais, efeitos diferentes em Santiago e Boa Vista

As duas ilhas, Boavista e Santiago, vivem agora cenários completamente diferentes sobre a Covid19. Boavista foi a primeira a registar caso confirmado da doença há dois meses atrás. Enquanto que nessa ilha de uma assentada aparecia 45 casos activos, em Santiago, na cidade da Praia, se registava apenas um infectado.

O facto é que, com o passar do tempo, o cenário mudou na chamada ilha das dunas. Após dois estados de emergência foi possível controlar o vírus, registando neste momento nenhum caso activo. Em sentido inverso, Praia continuou a somar infectados, acumulando agora um total de 295 casos; destes 73 já receberam alta.

As medidas de contingência bem como as estratégias foram iguais, mas os efeitos durante o mesmo percurso mostram-se completamente diferentes. Na habitual conferência de imprensa, quisemos saber se na Capital houve alguma falha nas medidas de contingência e na estratégia. O Director da Saúde Pública (DGS), Artur Correia, garante que foram tomadas as mesmas medidas na Boa Vista e em Santiago. Este frisa, no entanto, que Boavista, apesar de ser a terceira maior ilha de Cabo Verde, tem de longe menos população que a cidade da Praia. Por outro lado, Correia aponta a vivência das pessoas em Santiago como uma realidade que não favoreceu na prevenção do vírus. Segundo o DNS, em Santiago “as pessoas vivem amontoadas em cima das outras. A população é maior, há bairros com mais pessoas, existe também a cultura de estarem muito próximas uma das outras”.

O estado de emergência obriga ao confinamento obrigatório, visando um maior controlo da situação. Santiago nesse momento é a única ilha que conta com casos activos, tendo sido prorrogado um novo estado de emergência, que termina no dia 29 de Maio. Este jornal digital perguntou ao DNS se, depois do estado de emergência, os casos podem aumentar nos três concelhos afectados: Praia, Santa Cruz e Tarrafal. Em resposta, Correia reforça que a luta deve continuar, que as autoridades sanitárias vão continuar a batalhar juntamente com outras entidades na contenção da doença.

Nadine Gomes

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EnPalco100Artista

EnPalco100Artistas ganha financiamento de 10 mil euros da UE

A 2a edição do programa EnPalco100Artistas, criado pelo Ministério da Cultura e das Industrias Criativas e operacionalizado pela Bureau Export Music Cabo Verde (BEMCV),  vai ser financiado pela União Europeia num montante global de dez mil euros, ou seja, um milhão de escudos. A reposição deve-se ao sucesso da 1a edição, em que actuaram até agora 71 artista para 260 mil espectadores em pelo menos uma dezena de países.

Esta parceria, de acordo com um comunicado emitido pela tutela, resulta do reconhecimento por parte da UE do papel fundamental da cultura e no desenvolvimento das relações com Cabo Verde. Neste sentido, diz, uniu-se nesta iniciativa do MCIC, que tem como objectivo a transferencia directa de rendimentos para os artistas e criadores com residência fixa no país e que vivem exclusivamente da arte. É que estes, por causa das medidas de contingência e de confinamento, viram canceladas as suas actividades.

Graças a este novo financiamento, o MCIC acaba de abrir as candidaturas de 18 a 24 para o certame. Podem concorrer artistas e fazedores de cultura cabo-verdiana residentes, mas também estrangeiros que vivem em Cabo Verde. “A realização da 2a edição do EnPalco100Artistas é uma das formas encontradas para fazer face ao impacto do SARS-Cov-2, o novo coronavirus que obrigou a Organização Mundial da Saúde a declarar a situação de pandemia em março do corrente ano”, justifica, realçando que a cultura foi um dos primeiros sectores a ser afectados pelo vírus.

Foi para minimizar os efeitos no sector e na vida dos artistas e fazedores da cultura, sobretudo porque muitos dependem exclusivamente da cultura para viver que, segundo o MCIC, o Governo disponibilizou uma verba para custear os caches dos que participaram na primeira edição. Novamente, agora, todas as actuações e performances nas áreas das artes plásticas (pintura e escultura), dança, música, teatro, Stand Up Comedy e Slam Poesia/literatura, serão premiados com a quantia de 10 mil escudos, excepto se este o artista já beneficie de qualquer outra prestação atribuída pelo Estado durante a vigência das medidas restritivas adoptadas no âmbito da pandemia da Covid-19. Neste caso receberá apenas 60% deste montante.  

Para candidatar, os interessados têm apenas de aceder à plataforma para preencher os dados. De referir que, EnPalco100Artistas prevê a atuação de 100 artistas, de vários setores que utilizam a plataforma digital para mostrarem a sua arte. Dos 100 artistas selecionados para 1a edição, atuaram, até este momento 71, correspondendo a quatro mil horas horas de performance em direto (livestream), e 260 mil visualizações, com espetadores de Cabo Verde, Portugal, Estados Unidos, França, Holanda, Brasil, Reino Unido, Angola, Luxemburgo, Espanha, Senegal e Suíça. 

De acordo com o MCIC, o público-alvo com maior alcance pertence à faixa etária 25-31, seguido de 35-44 anos e 45-54 anos.

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Caio Fernandes 2

LGBT: Combate à Covid-19 em Paris conta com sangue crioulo

O enfermeiro mindelense “Trans”, Caio Fernandes, que está na linha da frente na luta pela vida de internos no lar de idosos onde trabalha em Paris, espera servir de referência para a liga LGBT em Cabo Verde. Em meio à transformação e transição na sua vida, Caio Fernandes, que outrora foi Cátia, conta como foi o processo para se encontrar e poder sentir-se bem consigo mesmo.

Por Sidneia Newton


MI: Primeiramente, como foi o sua infância no Mindelo?

Caio Fernandes: A minha infância posso dizer que foi normal, como qualquer criança dos anos 80/90 no Mindelo. Fui “educada” como  uma menina. Minha adolescência foi igual a qualquer “menininha” da minha idade e tinha o meu grupo de amigas.


MI: Quanto percebeu que era “diferente”?

CF: Desde cedo sentia que era diferente. Sempre senti atraído pelo sexo feminino, mas nunca me considerei  lésbica. Nunca me senti atraído ou  tive interesse sexual pelas lésbicas. É como se tivesse um bloqueio em relação a isso e nunca sube explicar…


MI: Lembra-se do seu primeiro envolvimento amoroso com uma mulher e a reação da sua família?

CF: Sim. Ainda adolescente tive o meu primeiro contato com outra mulher. Deste então vivi esta experiência com maior naturalidade. Não foi preciso dizer à minha mãe ou outros familiares nada porque, para mim. não havia nada para ser dito. 

MI: Chegou a sofrer algum tipo de preconceito?

CF: Acho que, pelo fato de sempre ter respeitado o espaço de outras pessoas, por ser uma pessoa reservada e saber que meus limites acabam aonde  começam os dos outros, nunca fui desrespeitado ou cheguei a sofrer qualquer tipo de preconceito. Também, mesmo até agora com a minha transição, nunca impus nada a ninguém. O respeito é um dever de todos.

MI: Como chegou à enfermagem e a Paris?

CF: Enfermagem sempre foi meu sonho de criança e Paris meu sonho de adolescência. Saí de Cabo Verde para fazer um curso profissional em Portugal. Depois concorri e em 2010 entrei para a Escola Superior de Viseu. Ao concluir a licenciatura, em 2014, decidi ir viver em Paris. Após algumas etapas, em 2016, consegui meu contrato como funcionário público no hospital Pitié Salpetriere.

A transição


MI:Em meio às realização dos sonhos, como foi o processo até a transição?

CF: A decisão de fazer o tratamento foi bastante complicada. Por pelo menos dois anos sofri muito, sem saber o que se passava. Sentia-me como se estivesse dentro de uma caixa ou de um vestido que não me servia.  No trabalho ia tudo perfeito, tinha o emprego dos meus sonhos e vivia na cidade dos meus sonhos: Paris. Ainda, viajava para onde queria…

MI: O que lhe faltava?

CF:Paracia tudo muito perfeito. Mas não era. Eu me fechava cada vez mais, até que um dia minha mãe, já angustiada porque via o meu sofrimento, sem uma razão visível, mandou-me procurar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra.  Em Maio de 2017 tive a primeira consulta com um psiquiatra. Depois de pelo menos uma hora de conversa, ele falou-me de algo que era novo para mim: a transexualidade. Foi então que percebi que, até aquele momento tinha vivido uma vida que não era a minha. Pesquisei muito.

MI:Pensou nas implicações que uma mudança de sexo poderia trazer para a sua vida?

CF: Na altura meu maior medo era explicar isso para a minha mãe, apesar dela sempre me permitir decidir o que achava melhor para mim. Mas era algo que iria implicar muita mudança na minha vida. Tive uma conversa aberta e tranquila com ela e disse-me logo de cara: “estou contigo para o que der e vier”. Então pensei, se minha mãe aceitava minha decisão, não precisava da aprovação de mais ninguém. 
Continuei as consultas com o psiquiatra. Tinha de fazer a transição e o chamado «coming out» – a etapa que algumas  pessoa não entendem, a de ser tratado no masculino. No ano seguinte realizei um sonho, quando fiz a  mastectomia.

MI: Chegou a ter problemas no trabalho por causa da homossexualidade?

CF:Em relação ao meu trabalho e a minha transição, antes de qualquer mudança, falei com o meu chefe e nunca me trataram diferente, pela homossexualidade. Sempre falei abertamente e deixaram claro que o que conta é o meu trabalho. Por isso sou tratado por Sr. Caio por toda gente.

Covid-19


MI: Trabalhar nesta altura da pandemia do Covid-19 tem sido ume desafio para os profissionais da saúde. Como tem sido consigo, enquanto enfermeiro?

CF: Ê verdade e, no meu caso, no ano passado pedi licença do hospital onde trabalhava para experimentar outras áreas. Neste momento  trabalho com idosos. Com o Covid-19 continuamos com as precauções do dia-a-dia, mas com uma atenção redobrada. Estava tudo bem e, de repente, começaram a chegar o testes positivos nos lares. Depois não pararam de chegar. Começamos a perder alguns internos, mas a nossa luta continua. Tenho já as mãos peladas de tanto as lavar, não podemos ligar para urgências porque já não há leitos disponíveis. 

MI: Em meio a este caos, tem tempo para sonhar?

CF: A minha vida sempre foi marcada por desafios, lutas e conquistas. Mas, como dizem « espirt d luz ka te infronta » (risos) e tenho alguns sonhos. Um deles é fazer outra licenciatura, sempre na área da saúde. Outro importante é de poder casar em Cabo Verde com a minha mulher. Quero também poder ajudar pessoas em Cabo Verde que fazem parte da LGBT. A luta é minha também. Quero ajudar a  mudar ainda mais as mentalidades e dar visibilidade ao LGBT em Cabo Verde e que, a partir do meu exemplo, um dia possa ser possível ter uma equipa multidisciplinar para permitir o tratamento lá.

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