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Ministro Paulo Veiga perspectiva a retoma do projecto do Oceanário do Mindelo no próximo semestre

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A pandemia da Covid-19 atrasou o andamento normal do projecto do Oceanário do Mindelo, mas o ministro Paulo Veiga acredita que o processo pode voltar à normalidade no segundo semestre deste ano. “Tendo em conta a idade do arquitecto Peter Chermayeff, que está no grupo de risco, o projecto sofreu um abrandamento. Mas, com a vacinação, contamos dar continuidade ao processo e apresentar o projecto à Câmara de S. Vicente e aos munícipes mindelenses no próximo semestre”, perspectiva o ministro da Economia Marítima.

Paulo Veiga lembra que o projecto tem financiamento garantido pelo Banco Mundial e que o acordo com Chermayeff é chave na mão. Por outras palavras, o arquitecto deve entregar a obra completamente executada dentro de um prazo, mas que certamente será agora renegociado. Como enfatiza Veiga, hoje em dia ficou mais difícil determinar datas para a execução de certos empreendimentos devido a oscilação da Covid-19 em todo o mundo. “Continuamos a passar por uma fase crítica, mas tenho a esperança de que as coisas serão diferentes a partir do próximo semestre porque o mundo está a ser vacinado contra a doença”, diz o governante, que espera receber Peter Chermayeff em S. Vicente neste período para apresentação do projecto do oceanário a ser construído na réplica da Torre de Belém na cidade do Mindelo. Quando a ideia da obra foi retomada, Veiga era Secretário de Estado da Economia Marítima, mas ficou a saber que o projecto implicava uma profunda remodelação dessa área do pelourinho de peixe. 

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O projecto do Oceanário do Mindelo foi concedido pelo arquitecto norte-americano em 1999 quando António Jorge Delegado era ministro da Cultura. Com a chegada ao poder do PAICV, o plano foi metido na gaveta por alegada falta de financiamento. Em maio de 2019, vinte anos depois, Peter Chermayeff regressou à cidade do Mindelo a convite do ministro José Gonçalves para certificar o renascimento das cinzas do oceanário, quando tudo apontava para a morte definitiva dessa obra orçada na altura em 10 milhões de dólares. O valor será agora inflacionado, até porque a nova proposta inclui outras valências como a construção de um calçadão e o reordenamento da zona envolvente da réplica da Torre de Belém. A verdade é que o ministério da Economia Marítima e a Câmara de S. Vicente decidiram ainda no mandato anterior insuflar nova vida ao sonho, depois de Carlos Veiga, o então Embaixador de Cabo Verde nos Estados Unidos, ter assegurado o envolvimento do autor nesse projecto.

De regresso a S. Vicente, Chermayeff confessou na altura ser para ele uma honra estar de novo num sítio que tem “algo mágico”, numa referência à baia do Mindelo. Vinte anos decorridos, o arquitecto norte-americano enfatizou que queria agora assinar algo mais ambicioso, um marco arquitectónico que ultrapassa a réplica da Torre de Belém e as águas da Praia d’Bote. Chermayeff propôs um projecto capaz de transformar a área circundante num polo cultural, económico e turístico. A sua ideia é envolver a zona da Vascónia, perto de Dji d’Sal, a Praça Estrela e a rua São João, além, é claro, da própria extensão da Avenida Marginal. Aliás, Chermayeff defende a transformação da Marginal numa zona pedestre.

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“Este projecto não é apenas para mostrar o vosso papel na conservação do oceano, mas uma celebração da vossa própria essência enquanto povo. Quero que seja um lugar onde as pessoas possam vir para conhecer Cabo Verde, um lugar onde os turistas queiram fazer questão de conhecer”, assegurou esse idealista, que ficou radiante por saber que boa parte dos terrenos necessários para a expansão do plano ainda pertence ao Estado e que pode contar com a colaboração da autarquia e do Governo para dar corpo a esse novo conceito.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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