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“Estamos com uma mão no ouro e Egipto não é imbatível”, afirma o capitão Leandro Semedo sobre final da CAN

Os jogadores da seleção de andebol masculino acordaram hoje decididos a contrariar o favoritismo do Egipto no jogo da final da copa africana das nações marcado para as 18 horas de Cabo Verde no Hall Internacional do Cairo. Segundo Leandro Semedo, Cabo Verde já tem uma mão no ouro, agora falta colocar a outra. “E o Egipto não é imbatível”, frisa o capitão do combinado nacional.

Leandro assume que hoje é o dia de a equipa dar todo o “sangue” em campo. O atleta reconhece que Cabo Verde vai defrontar um gigante do andebol africano e mundial, o actual detentor do título da África e que joga em casa. “O Egipto é uma equipa hoje reconhecida a nível mundial. Digamos que o Egipto está na moda. Estamos a falar de uma equipa experiente, fisicamente forte, liderado por uma boa equipa técnica, dotada de um sistema de jogo coeso”, assim descreve os adversários dos “tubarões”.

Este será o primeiro confronto entre Cabo Verde e Egipto, e logo numa final. A seleção cabo-verdiana não tem nenhum jogador lesionado e, segundo Leandro, reina um forte espírito de motivação no seio do grupo. “Hoje vamos ter de buscar forças lá onde for preciso e acreditar na vitória. Egipto é uma equipa poderosa, mas não é imbatível. Aliás, no desporto não há invencíveis”, salienta o atleta, que este ano assinou pelo clube Benfica de Portugal.

Leandro acredita que Cabo Verde terá de usar a grande arma para conquistar o título: a defesa. Na sua perspectiva, a caminhada de sucesso da seleção no CAN está ligada ao sector defensivo. Como diz, os dados comprovam isso, pois a equipa tem sofrido poucos golos.

Flávio “Fêtê” Fortes concorda que a equipa tem mostrado mais consistência na defesa. Segundo Fêtê, isto ocorre porque é um momento de maior entrosamento e consistência devido a facilidade de comunicação entre os jogadores. “Já o sistema ofensivo é mais exigente. Pede muito mais tempo de estágio para podermos afinar as jogadas e permitir alinhavar a comunicação a dois e a três e de toda a equipa”, enfatiza o esquerdino.

“Mesmo perdendo, já somos campeões”

O atleta do clube Grenoble Handball espera um jogo complicado. Pela frente, lembra, Cabo Verde vai ter uma seleção que está entre as cinco ou seis melhores do mundo. Além disso, enfatiza, o Egipto joga em casa. “Para o Egipto esta é mais uma final, algo corriqueiro. Para nós é a tal final”, compara.

Porém, Flávio Fortes entende que a pressão está mais do lado dos egípcios. “Mesmo perdendo, já somos campeões”, considera o atleta, numa referência ao facto de Cabo Verde ter conseguido de uma assentada a qualificação para o próximo campeonato mundial e chegar à final da 25. edição do CAN.

Os jogadores residentes devem ver o sucesso da seleção como um espelho, uma motivação para quererem integrar a equipa nacional, na perspectiva de Leandro Semedo. Este atleta enfatiza que está cada vez mais difícil conquistar um lugar no combinado, mas, diz, isto deve servir como um desafio. Aquilo que espera é que outros jogadores possam entrar para a seleção e acrescentarem valor à equipa. “Hoje somos muito procurados na Europa e agora isto vai aumentar depois da nossa performance no CAN”, estima Leandro, para quem Cabo Verde tem tempo suficiente para se preparar para o mundial, que acontece em janeiro de 2023 na Suécia e na Polónia. E espera que agora a equipa possa demonstrar o seu valor no maior palco da modalidade, pois lembra que a Covid-19 atrapalhou Cabo Verde no mundial de 2021.

Para conseguir os melhores resultados, Cabo Verde terá de criar condições para permitir os estágios necessários à equipa, na perspectiva de Fetê. O Estado, diz, precisa passar a investir com consistência no desporto e não esperar para fazer isso nos momentos de vitória. “E estou a falar também do basquetebol, voleibol e de outras modalidades”, esclarece.

Quando Cabo Verde chegou ao Egipto era visto como a equipa dos “jovens”, segundo Fetê. Uma forma indirecta de as outras seleções olharem para os cabo-verdianos de cima para baixo. Agora, diz, a situação mudou de figura. A tal ponto que a formação das ilhas passou a conquistar adeptos de outros países presentes na prova.

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