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Época futebolística anulada em S. Vicente: Amarante aceita decisão soberana dos clubes, mas considera-a “imoral”

Onze dos quinze clubes presentes na assembleia extraordinária da ARFSV realizada ontem à noite votaram a favor da anulação da presente época desportiva, que foi suspensa devido a epidemia da Covid-19. Deste modo, o Mindelense mantem-se como campeão regional de S. Vicente, assim como a manutenção das oito equipas que este ano disputaram o título da primeira divisão. Deste modo, não haverá descida para a segunda divisão do último classificado – que seria o Falcões do Norte – tão pouco subida do primeiro classificado desse grupo para a prova principal – neste caso o Amarante. 

Apesar do quase consenso havido na reunião, a decisão deixou um amargo de boca nas equipas do Amarante e da Académica do Mindelo, que estavam a liderar os campeonatos da segunda e primeira liga. A expectativa desses emblemas era que fossem declarados vencedores da época, e votaram nesse sentido, mas esse sonho foi desfeito pelo posicionamento massivo dos clubes.

Para Nuno Leite, presidente do Amarante, a decisão da assembleia é soberana, mas não deixa de ser “imoral”, um “lavar as mãos”. “O campeonato devia ter o seu desfecho para que fosse valorizado todo o esforço e investimento feito pelos clubes. É evidente que não há condições para a retoma da prova, mas vir agora anular a época é como querer lavar as mãos. Isto é algo imoral”, considera o responsável amarantino. Leite enfatiza que esta assembleia aconteceu três meses após a suspensão dos jogos e questiona se isso não terá tido influência na decisão tomada ontem na assembleia. “Não podemos afirmar que a decisão seria diferente se a reunião fosse antes, mas tão pouco o contrário”, desabafa Nuno Leite, cujo clube vai ter que voltar a disputar a segunda liga.

Subindo para a primeira liga, o Batuque considerou acertada a decisão da assembleia de anular a prova e deste modo evitar declarar a Académica do Mindelo campeã regional de S. Vicente. Como argumenta Jorge “Djola” Pereira, três equipas tinham ainda a possibilidade matemática de conquistar o título, uma delas a formação axadrezada. “Faltavam duas jornadas, estávamos a um ponto da Académica, e tínhamos um confronto directo, pelo que não fazia sentido assumir que a Académica já era campeã”, reage o vice-presidente do Batuque, para quem o seu clube foi o mais prejudicado com a suspensão das competições. Este explica que o Batuque podia ganhar tanto o campeonato como a Taça de São Vicente, cuja final seria disputada com o Falcões do Norte, último classificado da primeira divisão.

Falcões, cujo presidente considerou acertado sentido de voto da maioria dos associados da ARFSV. Se a decisão fosse diferente, a formação verde e branca iria regressar à segunda divisão, enquanto lanterna vermelha. Segundo João Dias, os clubes foram colocados perante um cenário novo, que sequer estava previsto no regulamento, pelo que reinou o bom-senso. Dias lembra que há três épocas o Falcões do Norte desceu para a segunda divisão fruto de uma decisão da secretaria, pelo que agora calhou o contrário.

Na perspectiva do Derby, prevaleceu uma visão correcta na assembleia e todos devem acatar o sentido da votação. “É assim que as coisas funcionam na democracia. O certo é que não havia condições claras para se atribuir o título e prevaleceu o bom-senso”, frisa José Lopes, presidente dos derbianos.

O Mindelinsite tentou ouvir a Académica e o Mindelense, mas Manuel Cabral estava numa reunião e Daniel Jesus não atendeu a nossa chamada.

Caido o pano sobre a época, cabe agora saber como será a próxima temporada, que arranca oficialmente no dia 1 de Outubro. Contudo, César Lima, presidente da ARFSV, relembra que o país ainda vive os efeitos da epidemia da Covid-19, que poderá continuar a afectar o calendário das actividades desportivas. Além disso, enfatiza que o estádio Adérito Sena vai estar em obras durante os próximos três meses.

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