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Empresário decide processar Cte de Trânsito de SV por postura “reprovável” e “arrogante”

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Um empresário do sector dos transportes procurou o Mindelinsite para denunciar a Comandante de Trânsito de S. Vicente, que acusa de ter uma postura “reprovável” e de ser “arrogante” na abordagem a condutores. Amândio Costa conta que foi abordado por Firmina Melício, sem máscara e aos berros, incriminando-o de estar a conduzir enquanto fala no telemóvel, facto que desmente categoricamente. Por conta disso, recebeu uma coima no valor de 10 mil escudos, que pagou para liberar a sua carta de condução. Inconformado, o empresário já constituiu advogado e vai apresentar uma queixa porque, diz, não é a primeira vez que é prejudicado pela Comandante de Trânsito. Confrontada com a denúncia, Firmina Melício recusou prestar esclarecimentos, remetendo o Mindelinsite para um esclarecimento da PN. 

Segundo consta, no dia 04 de junho transitava na Rua de Lisboa, quando a Comandante apareceu no Stop, vinda da Avenida 05 de Julho, e ambos estavam em viaturas com vidro escuro. De repente ouviu duas buzinadas, mas ignorou e prosseguiu a sua marcha normal. Para sua surpresa, ao estacionar na Rua da Praia d’Bote, junto ao banco BAI, e já fora do carro, Firmina Melício estacionou atrás da sua viatura. “Ela desceu do carro fazendo alvoroço e, sem máscara, foi para cima da minha pessoa, dizendo que eu estava no telefone ao volante e que recusei parar. O seu comportamento chamou a atenção de muitos populares na rua. A sua abordagem foi de tamanha falta de respeito que as pessoas ficaram espantadas”, relata. 

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O empresário prossegue dizendo que a comandante pediu os documentos do carro e, quando viu que estavam todos em ordem, solicitou a sua carta de condução. Recusou a fazer a entrega deste documento porque, diz, sabia que seria apreendido. “Recebi então uma coima no valor de 10 mil escudos, que também não acatei porque em momento algum estive a falar no telemóvel. Há um claro desencontro de horários em relação a hora que ela disse que eu estava ao telefone e no documento da coima. E posso provar isso no extrato de chamadas que solicitei à minha operadora”, ajunta.

Apesar disso, continua, decidiu pagar a coima para poder recuperar a sua carta de condução, que ficou retida no departamento de Trânsito da Polícia Nacional de 4 a 23 do corrente mês. Durante este período recebeu um guia para poder conduzir.

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Entretanto, inconformado, decidiu constituir advogado e pretende enviar uma queixa à Procuradoria de S. Vicente para evitar que a situação se repita. “A Comandante e o seu grupo de agentes insultam os condutores, que nada podem fazer porquanto, se formos fazer queixa nas chefias, nada acontece, tendo em conta que cabe a ela receber e dar provimento às reclamações. Mesmo que as coimas sejam injustas, as pessoas optam por pagar para evitar mais constrangimentos”, desabafa este empresário, que promete lutar para acabar com este “abuso de poder”.

Amândio Costa

Quero por cobro a muitas destas situações que têm acontecido em São Vicente envolvendo o Departamento de Trânsito e que podem comprometer o nome da Policia Nacional. Não podemos colocar todos os agentes no mesmo saco. Há bons agentes de trânsito e, por isso, quero responsabilizar apenas a Comandante de Trânsito, não a PN como um todo”, acrescenta Costa, realçando que os conflitos com Firmina Melício começaram há 33 anos, quando ainda era condutor de carrinha e, posteriormente, de taxis. Na altura, relevou as “perseguições” porque não tinha condições económicas para entrar numa briga com a PN. Hoje, enquanto empresário do ramos de importação e comercialização auto rent-a-car e turismo, e com boas relações com todas as chefias da Policia na ilha, a situação é diferente, pelo que pretende lutar para que não seja mais prejudicado.

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Comandante Regional apoia Melício

A Comandante de Trânsito de S. Vicente recusou prestar quaisquer esclarecimentos sobre o incidente e remeteu o Mindelinsite para a resposta do Comando à reclamação de Amândio Costa. No entanto, a mesma está assinada pela própria Firmina Melício, embora com conhecimento e parecer favorável do Comandante Regional da PN em S. Vicente. No documento, esta explica que no dia 04, por volta das 11h45, encontrando-se devidamente fardada no Stop à saída da Av. 5 de Julho, viu o reclamante a conduzir uma viatura, com os vidros da frente descidos, falando ao telemóvel. 

Advertiu-o, buzinando duas vezes, mas o condutor continuou ao telefone. “Assim sendo, e porque não havia mais veículos atrás dele, fiz o sinal de mudança de direcção para a direita e segui em sua direcção, rumo à Av. da República. Ao estacionar no parque frente a Fragata Rua da Praia, parei o veiculo que conduzia e dirigi-me ao condutor, informando-o que estava a conduzir e a falar no telemóvel”,lê-se no documento.

Esta prossegue dizendo que Amândio negou de imediato estar ao telefone e acusou-a de perseguição contínua há mais de 30 anos. E que, enquanto empresário, ela já não o intimida mais, entre outros palavreados. “Devido a postura do condutor,  fui obrigada a parar o veículo no mesmo parque. Aproximei-me e solicitei que apresentasse os documentos do carro e a carta de condução. Este continuou a barafustar e negou entregar a carta”, detalha a comandante, realçando que o condutor manteve uma postura de agressividade que atraiu a atenção de curiosos. 

Perante o impasse, Melício pediu reforços e foram enviados para o local mais agentes. Nesta altura, voltou a solicitar a carta de condução ao condutor, que lhe foi entregue sem mais argumentos. De seguida, prossegue a Comandante, foi-lhe aplicado uma coima.

Firmina Melício deixa claro na nota que não trabalha na base da vingança, um aspecto que, enfatiza, sempre tentou mostrar aos seus colaboradores, ao contrário daquilo que Amândio quer deixar transparecer. Em jeito de remate, a Comandante defende, no seu relato, que o condutor devia pagar a coima, pois, na sua opinião, foi aplicada de forma justa. 

Esta nota feita pela Comandante de Trânsito foi enviada ao Comandante Regional da PN em S. Vicente, que acatou a versão da sua colaboradora e determinou que Amândio pagasse a coima e fosse devolvido o titulo de condução. Uma decisão que, segundo o condutor, mais uma vez mostra que “pedra e garrafas não jogam”, pelo que vai recorrer à justiça. 

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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2 Comentários

  1. O extracto de chamada fornecido pela operadora do CVT (q e’ automático) ,vai desvelar quem tem a razão ,não entanto a forma arrogante a dirigir a palavra a um hierárquico inferior ou pessoa que depende do funcionário em questão tem q ter STOP , o respeito não colide com a disciplina nem a boa gestão , pois todos nos gostamos ser bem tratados , outra coisa e’ atitude COVARDE ( aproveitar-se da posição ).Este Sr denunciante faz bem em trazer a tona esta questão ,pois não se pode permitir esse atropelo a DIGNIDADE do Homem, porem, a impressão q tenho e’ q em SV as pessoa permitem esses tratos ,engolem trato arrogante e por vezes incompetente do funcionário publico em geral . Algo similar tive-me acontecido com a ex-conservadora do DNI /Sv Tirsa Fernandes acostumada apresentar cara fechada de insatisfação aos utentes ,e eu senti q nesse local o ambiente , era de medo ,mas ela diz que e’ “respeito ” !!! Kkkkkkkkk . Obs: eu lhe disse pessoalmente e por escrito ,pelo q não censurem, tenho muitos exemplos .

  2. Nenhuma das partes é virgem.
    A Polícia tem muitas vezes falta de respeito.
    mas o Amândio Costa tem um historial de delinquência e registo criminal. Basta pedir um para prová-lo.

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