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Subscritores manifestam em carta ao MCIC a sua “veemente contestação” à “inoportuna demissão” de Irlando Ferreira da direção do CNAD

O afastamento repentino de Irlando Ferreira da gestão do Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design levou um grupo de 106 cidadãos, ligados a diversas áreas, a enviar uma carta ao ministro Abraão Vicente a contestar o que consideram ser uma “inoportuna demissão”. Os subscritores dizem entender que os cargos são temporários, mas salientam que as razões apresentadas para a substituição de Ferreira não são suficientes nem convincentes.

“E é por isso que manifestamos com veemência a nossa contestação à decisão do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de afastamento do Dr. Irlando Ferreira do cargo de Diretor do CNAD – Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design, publicado no B.O. No 148 – II Série de 5 de setembro de 2022, facto que prejudica gravemente o desenvolvimento do sector no país, tendo em conta a qualidade do trabalho que vem desempenhando“, salientam os assinantes da carta enviada pelo chamado Grupo de Apoio ao CNAD. A nota é subscrita por artistas, gestores, contabilistas, empresários, produtores culturais, professores, juristas de Cabo Verde, Angola, Moçambique e França.

Na missiva, os signatários enfatizam que o CNAD representa um marco cultural na história de Cabo Verde, tendo reconquistado visibilidade nacional e internacional sob a direção de Irlando Ferreira, “através da nova dinâmica por ele desenvolvida e inabalável credibilidade que lhe é reconhecida”. Na perspectiva deles, a comunicação repentina do término da comissão de serviço de Irlando Ferreira no cargo de Diretor do CNAD, após um mês da reabertura do Centro, representa uma interrupção no desenvolvimento deste projeto, “que ao longo dos últimos 7 anos restituiu a dignidade à instituição, estruturou o tecido do sector do Artesanato e promoveu a sua valorização junto da sociedade civil”.

O grupo decidiu dar conhecimento da missiva ao Presidente da República, à Assembleia Nacional, ao edil da Câmara de S. Vicente, à presidente da Assembleia Municipal de S. Vicente, ao Observatório de Cidadania e à comunicação social.

A gestão do CNAD passa a estar nas mãos de Artur Jorge Lima Marçal, cuja nomeação saiu no Boletim Oficial de 6 de setembro. Conforme o ministro, o novo director irá fazer a programação de uma nova fase do CNAD. Segundo A. Vicente, será feita uma alteração pontual dos estatutos do CNAD para alargar o corpo directivo. O centro, diz o governante, era uma instituição muito pequena, que agora passa a ter o seu quadro de pessoal. O espaço, acrescentou em conversa com a imprensa, vai ter uma gestão colectiva, com mais pessoas na sua direcção.

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