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Crónica: Alô Baía, bzot te li? – Não!

Será um festival, mas não será o festival da Baía das Gatas.  Das três noites não dormidas. Da eterna brilhante lua cheia, do final de semana mais agitado de Agosto. Do adormecer com o amanhecer. Da volta para a cidade, da corrida para encontrar um transporte disponível. Boleia? Talvez. Ou do adormecer acampado. Tudo isso a pandemia roubou de São Vicente, ou do país. Baía não está. Quiçá alguns terão megas para assistir. Será um festival por “coincidência” em tempos de campanha, mas não será o festival da Baía das Gatas.

Agosto, por esta altura, a praia de Baía das Gatas estaria conhecer o seu auge do ano com a realização da 36ª edição do festival internacional. Barracas de todos os tamanhos e qualidade, para os comerciantes que enxergam o evento como oportunidade de negócio. Pessoas que procuram o melhor lugar, mais próximo do mar possível para colocar a sua tenda, o espaço mais tranquilo, que por três ou mais dias serão os seus lares.

Baía das Gatas é uma praia com particularidades especiais e únicas. Uma verdadeira piscina natural a céu aberto, sendo um dos poucos lugares onde os pais podem permitir que seus filhos se aventurem sozinhos na água, pois até certo ponto transmite-lhes maior segurança.

Muitos banhistas aproveitam para estrear o melhor fato de banho, ou o que consideram melhor corpo, cuja frequência recente ou constante ao ginásio pôde-lhes garantir. Outros vestem-se da autoconfiança, que nenhuma celulite a mais pode lhes roubar. O bronze…ah, aquele bronze proporcionado pelo sol escaldante da Baía da Baía das Gatas, que é de praxe e ninguém sai imune. Quem sabe a chuva se faça presente, a bênção necessária e tolerável.

Um festival que para muitos artistas é um sonho realizado, a oportunidade de pisar o palco mais cobiçado do país, mostrar seu trabalho para um público vibrante que não abandona o areal até que se toca a última canção. Sentir aquela “vibe” natural que emociona até os mais sépticos. Ocasião para conhecer artistas de renome, de troca de pontos de vista, firmar parcerias na música e na vida. A convivência, os encontros e desencontro. 

A Covid-19 tirou-nos tudo isso. Agora surge a ideia de recriar esta convivência online. Será um festival bem-vindo para quem aprecia boa música, pela qualidade dos artistas  nacionais anunciados no cartaz para este ano especialmente difícil para a classe. Por isso, há que acreditar que este seja um investimento necessário. Felizmente, Baía das Gatas estará resguardada  do consumo o exagerado de bebidas alcoólicas e dos acidentes no percurso, das brigas, ou roubos e furtos. Consequentemente menos trabalho para a polícia, para a Cruz Vermelha, bombeiros, hospitais e para os varredores que levam a difícil tarefa de em minutos deixar a praia livre da sujeira daqueles que ainda encaram a natureza como caixote de lixo. 

Será um festival online, da TV, da baía do Porto Grande, onde foi montado o palco num dos empreendimentos turístico para poucos convidados, mas não o Festival Internacional de Música da Baía das Gatas.

Sidneia Newton (Estagiária)

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