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Baía registou enchente inédita no arranque do festival. Público cantou com todos os artistas

O areal da Baía das Gatas registou na noite de ontem, no arranque da  38ª edição do festival internacional de música, uma enchente inédita de pessoas ávidas para cantar, dançar e aplaudir os artistas. No palco, a grande atração da noite foi a artista Soraia Ramos, que se mostrou maravilhada com o coro ruidoso, sobretudo dos jovens, que conheciam todas as suas músicas. Djosinha e Manú Lima deram um show a parte, como aliás já era de esperar, tendo em conta o seu histórico na Baía.

Habitualmente considerado o dia “mais tranquilo” do festival, ontem Baía das Gatas esteve ao rubro, com um público entusiasta e disponível para apoiar todos os artistas em palco. Mesmo as três horas de música tradicional – morna, coladeira, talaia, etc., com raras incursões por temas internacionais conhecidos, proporcionados por um quarteto de vozes feminino – Tchicau Andrade, Aline Frederico e Carmem Silva – e masculino – Jorge Sousa, Leonel Almeida, Toi Pinto e Djosinha – mereceram o total apoio dos festivaleiros. Djosinha, no auge dos seus 70 anos de carreira, conseguiu levantar “areia”.

Com Manú Lima, que regressou ao palco da Baía dez anos depois e foi acompanhado por jovens talentos de São Vicente, a temperatura subiu em flecha. Durante cerca de uma hora, o artista fez uma viagem pelos seus principais sucessos, retirados dos seus 17 álbuns. Cantou temas marcantes como “Milena”, “Sima Sima” e Teteya”, que marcaram gerações. “A nossa última actuação na Baía foi quando comemoramos o aniversário da banda. A minha actuação superou as minhas expectativas. Não estava a espera de tanta gente e a banda esteve à altura. Vi uma multidão a vibrar comigo. Foi muito bom.”

Coro afinado

Soraia Ramos entrou no palco de seguida e conseguiu a proeza de elevar ainda mais a temperatura. Fez um show electrizante. O público presente, principalmente os jovens, cantaram em coro todas as suas músicas que fazem sucesso e catapultaram a artista para outra dimensão. Na Baía das Gatas ouviu-se Não dá Ah, Ah”, “O Nosso amor” e “Bai” e, para alegria dos muitos fãs da artista “Bu Ka Bali Nada”.

Soraia, que chegou a pedir ao público para não a fazerem chorar de emoção, era uma artista feliz, sobretudo na sua estreia na Baía. “Sabia que o público de São Vicente era louco, mas não sabia que tinham tanta energia. É a minha primeira vez na Baía como púbico e como artista e foi uma honra representar Cabo Verde neste festival. Sem dúvida que foi um dos melhores públicos que eu tive em Cabo Verde”, disse Soraia Ramos, que promete a energia e eternizar o momento nas suas redes sociais.

Devido a chegada tardia em S. Vicente, o grupo português Wet Bed Gand demorou para entrar no palco, o que acabou por esfriar o ambiente e obrigar as pessoas a dispersarem. Mas o público voltou a juntar logo que começou a ouvir as vozes destes rappers que já tinham encantado em 2019. 

Para a professora Auriza esta sexta-feira de festival foi diferente para melhor. “Todos os grupos que vi estiveram muito bom. Mas, de todos, gostei mais da Soraia, talvez foi porque foi a única que parei para ouvir na integra. Os demais fui ouvindo enquanto circulava e conversava. Mas agora vou ficar aqui até ao fim. Felizmente, este ano há músicas para todos os gostos”, declarou.

Já a jovem Naide Fortes, estava em êxtase depois de ver Manú Lima pela primeira vez e de assistir, presencialmente, Soraia Ramos cantar todos os seus sucesso. “Não conhecia o trabalho dos CV Show, mas gostei. Mas vim aqui sobretudo para ver Soraia Ramos e, sem dúvida, valeu a pena”, enfatizou. 

A nível técnico, Jorge Nunes garantiu ao Mindelinsite que o som do festival é o melhor de sempre. “Temos aqui cerca de 95 mil watts e os equipamentos são todos novos. Estamos cheios de novidades para satisfazer este público. Comparativamente aos anos anteriores, melhoramos significativamente. Não há comparação. Durante a pandemia fizemos investimentos que, infelizmente, não conseguimos utilizar. Agora estamos a ter esta oportunidade”, garantiu este entrevistado, que se mostrava particularmente feliz com esta retoma. “Estávamos a ‘chorar’ pelo festival”, declarou.

De referir que, no primeiro dia do festival, não houve ocorrências dignas de registo. Hoje o palco é dos artistas Ari Kueka, Ceuzany, Gai, Constantino Cardoso, Anísio, Nenny, Loony Johnson e Julinho KSD.

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