PAICV salta para primeiro partido em S. Vicente; UCID desiludida com os resultados no círculo eleitoral

O eleito deputado João do Carmo salientou ontem que os resultados das urnas galgaram o PAICV para a primeira força política em S. Vicente, objectivo que, diz, foi traçado pelo partido desde as disputas autárquicas. Fazendo o trajecto, enfatizou que o partido saltou da terceira para a segunda posição na corrida à Câmara de S. Vicente e agora tornou-se na principal instituição política na terra do Monte Cara.
Apesar de ter eleito 4 deputados, o mesmo número que o MpD, os resultados indicam que o PAICV obteve 11.541 votos (40,1%), enquanto o MpD ficou pelos 10.236 (35%) e a UCID com apenas 5.204, tendo eleito os dois restantes assentos parlamentares.
“Isto nos orgulha bastante porque, de algum tempo para cá o povo entendeu que nós deveríamos fazer um trabalho de fundo; fomos obrigados e aqui estamos, sendo a primeira força política desta ilha”, declarou o cabeça-de-lista do partido da estrela negra para o círculo eleitoral de São Vicente. Segundo Carmo, o PAICV entendeu que era preciso responder às expectativas dos mindelenses, por isso dialogou bastante com o povo e mostrou uma enorme capacidade de escuta. Extraiu dados que, segundo esse porta-voz, alimentaram os comícios com a mensagem que o povo queria ouvir.
Para João do Carmo, São Vicente está de parabéns, mas também a equipa que liderou e que acabou por corresponder às expectativas do eleitorado. Uma proposta, enfatizou, integrada por pessoas de todas as zonas e esferas sociais, que, diz, vão de certeza absoluta defender São Vicente no Parlamento.
Todos os 10 compromissos assumidos com S. Vicente, segundo o político, serão fiscalizados pelos deputados eleitos. Isto para que o partido possa voltar a merecer a confiança dos mindelenses nas próximas campanhas.
UCID desapontada com perda de dois deputados
Enquanto o PAICV elogia a postura do eleitorado de S. Vicente, a UCID ficou desiludida com a resposta dos eleitores nas urnas, isto numa campanha que, nas palavras do seu presidente, foi marcada por uma elevada abstenção e “muita sujeira”. Os motivos para o desapontamento são claros: os democratas-cristãos passaram de 4 deputados eleitos em 2021 em S. Vicente para apenas dois, quando pretendiam ganhar o pleito neste círculo eleitoral e conseguir a almejada bancada parlamentar neste mandato.
“Fizemos uma campanha porta-a-porta em S. Vicente em todas as localidades, fomos bem recebidos e as pessoas concordaram com as nossas propostas. Estamos, no entanto, a sair desiludidos destas eleições, em particular com São Vicente. Tínhamos aqui 4 deputados e perdemos dois, quando temos feito o nosso papel de defesa intransigente dos interesses da ilha no Parlamento”, disse João Santos Luís ontem à noite.
Este garantiu que a UCID aceita o veredicto popular, mas salientou que nada vai mudar em S. Vicente com o MpD ou o PAICV no poder, como já foi dado provas nestes 50 anos. Mesmo assim, assegurou que os parlamentares e o partido vão continuar a trabalhar em prol da melhoria de vida dos cabo-verdianos.






