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Sokols entrega este domingo mais 156 cestas básicas reforçadas

O movimento cívico Sokols 2017 está hoje na periferia da cidade do Mindelo a entregar cestas básicas às famílias que ainda não foram contempladas pelas autoridades e que residem em casas de lata. Salvador Mascarenhas explica que, para esta segunda fase da campanha – na primeira entregaram mais de 200 cestas básicas – contaram com um forte apoio de Zé Luís Solidário, que enviou uma quantia em dinheiro para a Sokols, que foi convertido em produtos. “Todas as despesas com a logística de montagem e distribuição das cestas é assumida pela Sokols”, detalha Salvador. 

De acordo com este activista mindelense, o foco do Sokols são pessoas e famílias que residem nas casas de lata em condições precárias. Salvador admite que também atendem casos urgentes que chegam ao conhecimento do movimento, citando, como exemplo, duas estudantes universitárias na ilha de S. Vicente, que entraram em contacto para pedir ajuda porque estavam a fazer apenas uma refeição por dia. “Recrutamos estes estudantes para nos ajudar a montar e distribuir as cestas básicas. Em troca, foram contemplados. Mereceram porque mostraram que também são solidários”, frisa.  

Neste momento a “caravana Sokols” está em Morro Branco, onde, diz Salvador, mora muitas pessoas carentes. Também vai estar em Ribeira de Julião, Ribeirinha e Horta Seca. “Ontem estivemos no terreno identificar as pessoas que precisam da nossa ajuda. Também recebemos mensagens através das redes sociais que nos pediram apoio. Fomos confirmar se de facto estas pessoas encaixam nos critérios que definimos para serem beneficiadas e hoje estamos aqui a entregar as cestas básicas”, referiu. 

Este admite que, no terreno, são sempre surpreendidos. Cita, por exemplo, o caso de um pescador que reside em uma casa de lata em Horta Seca, que alegou estar a desenrascar e os encaminhou para uma visita em situação mais precária porquanto recebe uma pensão de seis mil escudos, dos quais quatro são para o aluguer. “Isto nos fez pensar que, por alguém estar a viver numa casa de lata, não significa que esteja na miséria. Há outras situações, designadamente de doença, que agrava ainda mais os problemas sociais. Sempre soubemos que há muita miséria na ilha, mas esta pandemia da Covid-19 veio exacerbar e expor estes problemas”, constata. 

Procura supera resposta

Infelizmente, diz, a procura supera de longe a capacidade de resposta do Sokols 2017. Isso não obstante os vários apoios que o movimento tem vindo a angariar. A titulo de exemplo, Salvador destaca, para além de Zé Martins, muitas pessoas individuais que entregam cestas básicas já montadas, doações em dinheiro depositadas na conta bancaria do Bento SA para montagem das cestas que posteriormente são recolhidas para distribuição e ainda de empresas locais, caso da Fama, Sociave, Fabrica Sport, de entre outros. São todos estes apoios que permitir a montagem de cestas reforçadas. 

“As nossas cestas básicas, para além dos produtos de primeira necessidade, contém bolachas, latas de atum da Frescomar, ovos, papel e penso higiénico, papa de cabecinha, feijão lentilha e, hoje, incluímos também máscaras”, especifica Salvador. Este diz estar consciente que esta acção de solidariedade do Sokols é horizontal, mas apreende todos os dias com as pessoas porque conversam sobre os seus problemas. “Encontrei pessoas dignas e capazes que se tivessem uma pequena ajuda conseguiriam dar um salto e sair da miséria. Pessoas com enorme sensibilidade que apenas tiveram azar na vida. Algumas destas pessoas constam do Cadastro Social da CMSV que, se bem utilizado, poderia ser um instrumento de combate à pobreza.”

Sobre este particular, este deixa claro, por exemplo, que não basta atribuir uma habitação social à uma família carente. É preciso que esta tenha um acompanhamento e apoio de assistentes sociais, que teriam a responsabilidade de ministrar-lhes formações, por exemplo, sobre economia doméstica para poderem sair deste ciclo. Questionado sobre a origem desta vertente social do Sokols, Salvador lembra que o lema do movimento é ‘mente sã em corpo são’. Inspiramos no Sokols Internacional, que propõe estimular a cidadania activa das pessoas, a ginástica e o bem-estar. Sabemos que aquilo que fazemos é uma gota no oceano e não vai provar grandes mudanças. Mas penso que é urgente fazer algo para estancar esta hemorragia, sendo que poderíamos fazer muito mais caso tivéssemos o nosso estatuto aprovado.”

Esta demora, injustificada segundo Salvador, parece ser propositada, tendo em conta que o processo se arrasta há três anos. Sempre que procuram as autoridades para saber o que se passa, alegam que faltam acertar alguns pormenores. Sem estatuto, pontua, não conseguem beneficiar de apoios internacionais para os seus projectos porque também não conseguem abrir sequer uma conta bancária própria. 

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