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Social

Polónia “entra” com 10 mil euros no financiamento da construção de anexo do jardim Flores de Santo António, em S. Vicente

Esta é a primeira obra social financiada pela Polónia em SV e a previsão é que esteja pronta no dia 15 de dezembro e inaugurada em janeiro de 2024.

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A Polónia afigura-se como uma das principais parceiras dos Irmãos Capuchinhos na construção de um anexo do jardim infantil Flores de Santo António, obra que se encontra em avançado estado de execução na localidade de Chã de Alecrim, na ilha de S. Vicente. Este projecto social mereceu um financiamento de 10 mil euros do Governo polaco e, segundo o Frei Napoleão Gomes, esse montante foi o gatilho para o início da edificação desse projecto, que existe há mais de 30 anos.

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Esta é a primeira vez que a Polónia coloca a sua marca num projecto social na ilha de S. Vicente, mas, segundo o embaixador Bartlomiej Zdaniuk, as relações de cooperação com Cabo Verde são já antigas. O diplomata explica que as prioridades da Polónia estão associadas ao valor sublime da solidariedade, um princípio que guia as actividades e percepção do país. E este desígnio, prossegue, traduz-se por um engajamento nas diferentes iniciativas de desenvolvimento, em particular as focalizadas no sere humano. “A extensão do jardim Flores de Santo António inscreve-se perfeitamente nesta lógica. Desde a nascença, cada ser humano tem o direito de crescer e se desenvolver num espaço adequado. A estrutura de Santo António assegura as condições muito dignas de um considerável número de crianças. A extensão do jardim vai permitir-lhes fazer melhor em benefício dos pequenos”, argumenta Bartlomiej Zdaniuk.

Apesar de ser um investimento num espaço físico, este embaixador frisa que o projecto tem sobretudo um carácter social. Enfatiza que o ser humano é conhecido por viver em sociedade e ao longo da vida acaba por fazer parte de lugares nos quais percorre diferentes etapas no aspecto pessoal e profissional. E o jardim Flores de Santo António, diz, é sobretudo uma escola da vida onde muitas coisas começam e onde a forma como funcionam terão um impacto no próprio comportamento das crianças e nas suas vidas futuras. “Por isso é importante assegurar as melhores condições possíveis aos meninos e meninas de Santo António porque estamos perante um investimento a longo termo no futuro de toda a sociedade”, sublinha.

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A ampliação do jardim Flores de Santo António é uma resposta dos Irmãos Capuchinhos ao aumento da procura do espaço por pais de bebés e crianças residentes fundamentalmente na zona de Chã d’Alecrim. Segundo o Frei Napoleão Gomes, as quatro salas do jardim infantil original passaram a ser insuficientes para satisfazer tantos pedidos. E há mais de trinta anos que têm estado a tentar resolver essa questão. “Há pouca sensibilidade para se financiar obras, mesmo quando são de cariz social”, testemunha esse representante dos Irmãos Capuchinhos em S. Vicente.

O processo tomou outro rumo quando a instituição foi incentivada pelo Frei Gilson, residente na Cidade da Praia, a submeter uma candidatura ao Governo da Polónia, o que aconteceu em maio de 2023. Orçado em 80 mil e 900 euros (8.900 contos cabo-verdianos aprox.), o projecto conta com a ajuda de 10 mil euros do Governo Polaco, valor a ser desembolsado mediante a apresentaçao de facturas de todos os gastos e conforme o cumprimento do estipulado no contrato. Montante que serviu de gatilho para o arranque da obra em finais do mês de julho. A mobilização do valor restante advém de benfeitores residentes na Itália e nos Estados Unidos, mas sobretudo da própria Instituição, Irmãos Capuchinhos.

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A previsão é que a obra esteja finalizada no dia 15 de dezembro e inaugurada nos primeiros dias de janeiro de 2024. O espaço vai disponibilizar mais três salas, cada uma com capacidade para acolher cerca de 20 crianças, dos zero aos seis anos de idade. Será um sítio seguro onde os pais podem deixar os filhos e ir trabalhar. As crianças serão acompanhadas por funcionárias qualificadas, segundo o citado Frei.

“Um outro aspecto deste projecto é o facto de podermos empregar mais famílias, dando-lhes possibilidade de ganharem com dignidade o seu pão de cada dia”, considera Napoleão Gomes.

Em São Vicente, os Irmaos Capuchinhos são responsáveis de dois jardins infantis e duas creches: além de Flores de Santo António, com capacidade atualmente para 180 crianças, tem também o jardim/creche São Francisco, sito em Fonte Francês, com capacidade para 130 crianças. O Jardim Flores de Santo António conta com 16 funcionários, enquanto o de São Francisco dispõe de catorze.

Acolher meninas com Síndrome de Down

A par deste projecto, os Irmãos Capuchinhos levam avante um outro, neste momento, o Centro Santa Clara, construído de raiz, destinado a acolher meninas com síndrome de down e outras deficiências. Está situado ao lado do Jardim Flores de Santo António e a futura extensão. Usufruem do centro gratuitamente cerca de 16 raparigas, acompanhadas por 3 monitoras.

Este projecto vinha sendo realizado num anterior espaço, com menos condições, situado do lado de trás do Jardim Flores de Santo António. Entretanto, com a pandemia da Covid-19 a atividade foi interrompida por causa das limitações sanitárias e por dificuldades financeiras, visto que era subsidiada pelo jardim, que, por sua vez, esteve encerrado durante seis meses. Mesmo assim manteve a responsabilidade de pagar todos os funcionários durante este arco de tempo. A atividade será retomada muito em breve.

A iniciativa, que nasceu há 26 anos, surgiu da constatação do número de jovens mulheres afectadas por essa doença e que não tinham um local onde pudessem ficar, conviver, aprender e serem ajudadas no processo de reinserção social.

Esta é a primeira vez que a cooperação polaca financia um projecto dos Irmãos Capuchinhos em Cabo Verde. Um gesto que a instituição agradece e diz esperar que seja o primeiro de outros vindouros.

Polónia aberta a apoiar CV no domínio social

A Polónia está disposta a dinamizar a cooperação com Cabo Verde com o foco no domínio social. É nesta perspectiva que neste ano decidiu intervir em dois outros projectos na ilha de Santiago. O primeiro é concernente a uma escola na Ribeira da Barca, onde será criada uma horta com a ajuda desse país europeu. Deste modo, o projecto terá um duplo impacto: vai facilitar o trabalho da cozinha do estabelecimento, permitindo o fornecimento de legumes frescos aos alunos, e ainda terá uma dimensão educativa nas aulas de Biologia.

O segundo, um laboratório de análise de doenças tropicais, está a ser realizado no quadro da parceria com a Universidade Jean Piaget. Segundo o embaixador Bartlomiej Zdaniuk, terá também um impacto muito interessante já que os cabo-verdianos poderão identificar com mais facilidade os diferentes desafios ligados à saúde pública. « Foi através desta mesma universidade que disponibilizamos no passado uma contribuição para um centro médico », acrescenta.

A história da cooperação entre a Polónia e Cabo Verde é mais antiga do que parece, enfatiza o referido diplomata. Especifica que desde o século XIX que refugiados políticos polacos refugiram-se na ilha de Santiago para fugirem à perseguição da Rússia Czarista. Um deles foi Alojzy Rola-Dzierżawski, conhecido em textos escritos em português pelo nome de Alois Rolla Dziezaski, e que se tornou Governador da ilha cabo-verdiana em 1839. E hoje, diz o Embaixador, os polacos continuam a fazer parte da vida científica e intelectual de Cabo Verde ao ocuparem lugares importanes no domínio académico.  « Constacto também uma grande proximidade entre as culturas dos dois países, marcadas pela tradição católica, tal como uma complementaridade das nossas economias », salienta.

Tudo isso, na sua análise, se expressa sobretudo no interesse crescente dos turistas polacos, que gostam de visitar o arquipélago e apreciar em particular a oferta cultural. Aspectos que, acrescenta o diplomata, leva o Governo da Polónia a trabalhar no sentido de levar os cabo-verdianos a também conhecerem esses país europeu. Foi, aliás, nesta perspectiva que o magnifico veleiro polaco « The Gift of Youth » (no original – Dar Młodzieży) fez uma escala de 3 dias no Porto Grande do Mindelo. Na sequência, o barco foi visitado por vários universitários, empresários e personalidades políticas, facto que deixou o Embaixador Bartlomiej Zdaniu honrado. A seu ver, foi uma excelente oportunidade para os visitantes constatarem o potencial da Polónia, país que registou um “progresso espectacular” a partir de 1989.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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