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OMCV São Vicente apresenta terceira fase do projecto “Luz para as meninas”

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A delegada da Organização das Mulheres de Cabo Verde (OMCV) em São Vicente apresentou na tarde desta quarta-feira, 27, a terceira fase do projecto “Luz para as meninas”, no dia em que assinala os 43 anos da sua oficialização desta ong e da instituição do Dia da Mulher Cabo-verdiana. De acordo com Fatima Balbina, este é um projecto já melhorou a qualidade de vida de 575 indivíduos, dos quais 381 são do sexo feminino, impactando a sua saúde, educação e segurança das famílias. 

A terceira fase do projecto é financiada pelo Programa de Subvenções do Fundo Global para o Ambiente, implementado pelo Program adas Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A delegada da OMCV elencou os  muitos benefícios deste projecto que, a par da educação, da saúde e da segurança, também interfere na promoção da igualdade de género, prioriza as famílias com mulheres ou meninas estudantes, contribuindo para a redução da disparidade de género, o acesso à educação e a oportunidades. Interfere igualmente na proteção ambiental.

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“A utilização da energia solar promove a sustentabilidade e preserva o meio ambiente, combatendo a emissão de gases poluentes e a desflorestação”, assegurou Fátima Balbina, apontando ainda o empoderamento económico, a redução dos custos da iluminação com vela ou petróleo e a liberação de recursos financeiros para outras necessidades básicas como ganhos resultantes do projecto. 

Na primeira fase, foram colocados 50 kits de painéis solares, numa parceria com a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Na segunda, foram instalados mais 48 kits na zona da Ribeirinha, 10 na Ribeira de Craquinha, 10 em Pedra Rolada, 10 em Fernando Pó, 10 em Espia, 19 em Ribeira de Julião, 10 em Monte Sossego e outras zonas, totalizando 150 kits. “Os resultados são visíveis. Beneficiamos 575 pessoas, sendo 381 sexo feminino e 194 masculino. Apesar de pretendermos contemplar 150 meninas, foram na verdade beneficiadas 232 estudantes, que estão dentro das famílias.”

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A faixa etária das meninas contempladas vai de 5 a 24 anos, ou seja, desde a pré-escolar até a universidade, pontua a delegada da OMCV. “Com este projecto queremos alcançar as comunidades onde ainda existem dificuldades, mas também outras ilhas. Daqui de S. Vicente, desafiamos o PNUD e outros parceiros a financiarem outras ilhas, como Sal, Boa Vista, que também precisam. Não queremos o bem-estar apenas para nó. Este projecto se adapta bem em qualquer ponto do país”, assegurou Fátima Balbina, enfatizando a capacitação de beneficiários no treinamento em gestão de energia solar, geração de rendas e outras áreas de interesse para Cabo Verde e S. Vicente em particular. 

Em suma, prometeu a delegada, o projecto “Luz para as meninas” é um compromisso da OMCV e dos parceiros, sendo a terceira fase financiada pela PNUD. AOMCV garantiu o suporte financeiro das deslocações ás comunidades através de rifas, sorteios, peditórios, etc. “Contamos também com um forte apoio de um empresario chinês, que trouxe um contentor com os kits de energia solar, sendo esta uma imposição da empresa produtora. Houve uma melhoria entre a primeira e a terceira fase e agora os kits têm maior capacidade. E ainda há uma quantidade enorme de kits armazenados, mas acreditamos que vai conseguir vender os remanescentes, que têm um preço muito acessível.”

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Em termos de custos, de acordo com Fátima Balbina, o primeiro projecto estava ornamentado em um milhão 44 mil 907 escudos. Este teve continuidade em mais dois milhões 207 mil 717 escudos, montante financiado pela Igreja. “O PNUD disponibilizou um financiamento de dois milhão de escudos e hoje estamos aqui a fazer o lançamento da terceira fase, que vai ser financiado pelo Programa de Pequenas Subvenções, no valor de  3 milhões e 62 escudos. A OMCV comparticipa com 500 mil escudos no projecto do PNUD e com um milhão 562 mil escudos no das Pequenas Subvenções, o que nos preocupa e acarreta uma grandes responsabilidade, mas certos de que vamos conseguir.” 

Antónia Ivete Lima, beneficiária do projecto “Luz para as meninas”

Emocionada, a beneficiaria Ivete Lima, de 35 anos, agradeceu todos os que contribuirem para que tivesse luz em sua casa. “Durante muito tempo instalar luz na minha casa, sem sucesso. Sou mãe solteira então era complicado. Mas agora, graças a Deus, temos luz. E, como diz a minha filha, agora consegue estudar. Ela quer ser promotora de justiça e acredita que o seu sonho mais próximo para poder ajudar a sua mãe. Sinto-me por isso muita agradecida com todos”, declarou. 

O representante residente do PNUD em Cabo Verde também manifestou a sua satisfação por conhecer os resultados do projecto “Luz para as meninas” e celebrar a sua continuação através desta implementação da terceira fase. “Gostaria de começar por parabenizar a OMCV por seu aniversário e por esta feliz escolha. Estamos a testemunhar um projecto que terá forte impacto económico na vida de dezenas de mulheres e meninas”, pontuou David Matern, para quem o projecto representa uma colaboração exemplar entre o PNUD e a Organização das Mulheres de Cabo Verde.

Trata-se, disse, de uma marco significativo no esforço conjunto para debelar os desafios enfrentados pelas famílias com poucos recursos, particularmente as chefiadas por mulheres. “Este é um projecto que acarreta uma dimensão social e transformacional de elevado valor, pois irá permitir que meninas sem acesso à electricidade e ás tecnologias de informação possam ter melhores oportunidades de aprendizagem e, consequentemente, um futuro próspero que só a educação e a formação proporciona”, argumentou o representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, frisando que a electricidade não é apenas uma questão de conforto, mas uma luta contra a pobreza e uma barreira ao desenvolvimento económico e à igualdade de género.  

Respondendo ao desafio lançado pela delegada da OMCV, David Matern prometeu continuar a trabalhar em parceira com os municípios, as comunidades e organizações da sociedade civil e outras partes interessadas para, juntos, promoverem o progresso inclusivo em Cabo Verde. “Esta parceria nos mostra como a colaboração, a construção de uma visão partilhada e as sinergias podem condicionar o progresso de comunidades locais”, acrescenta. 

Em representação da CMSV, o vereador Rodrigo Martins elogiou este projeto, que considerou de suma importância e lembrou que todos são poucos para cumprir o desafio do desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida da população. “Há projectos que parecem pequenos, mas são enormes porque têm um impacto positivo das pessoas. Este é um deles”, constatou Martins, informando que a Câmara está totalmente aberta a apoiar no que for possível. 

A par dos intervenientes, testemunharam o lançamento da terceira fase deste projecto a presidente da Assembleia Municipal de S. Vicente, Dora Pires, a presidente do Banco Alimentar, Ana Hopffer Almada e o seu marido, representantes da Morabi, Adeco e de outras instituições publicas e privadas. Na sequencia, os participantes puderam visitar as residências dos beneficiarias em Ribeirinha e Ribeira de Julião e constatar in loco os benefícios do projecto. 

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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