Após ganhar o prémio na edição de 2025, Vanilson Alves anulou a matrícula no curso de Educação Física da UniCV na esperança de prosseguir os estudos em Portugal. Até hoje não conseguiu viajar, já perdeu dois anos lectivos e está na eminência de ficar mais um ano sem estudar. Por tudo isto, a mãe conclui que a bolsa de estudos é uma “fake”.
Estalou uma polémica sobre o prémio de bolsa de estudos atribuído pela organização do concurso de beleza “Miss e Mister Inter-Liceus de Cabo Verde” e que foi ganho na edição de 2025 realizada em S. Vicente pelo jovem Vanilson Alves, candidato da escola secundária Jorge Barbosa. Segundo este vencedor, até hoje não conseguiu usufruir da prerrogativa de prosseguir a sua formação superior na Atlântico Business School, escola situada na cidade portuguesa do Porto, onde deveria concluir um curso de dois anos em Gestão de Negócios, devido a desacertos com o responsável do evento. Como consequência, diz o modelo, já perdeu dois anos de estudos universitários, e está a caminho do terceiro consecutivo, por ter apostado seu futuro académico no prémio.
“Eu deveria viajar para Portugal logo no mês de outubro de 2025, mas fui informado pelo Steven Rocha, responsável do concurso, de que isso não seria possível visto que as inscrições já estavam encerradas nessa escola. Assegurou-me que poderia ser no ano seguinte, ou seja, agora em 2026. Neste ano, voltou a acontecer a mesma coisa e ele prometeu-me que agora seria, ´sem falta’ em 2027”, conta o estudante, que se mostra agastado com a forma como o processo está a ocorrer, ou melhor, como as coisas não estão a acontecer.
Vanilson Alves acrescenta que esta situação está a ter impactos profundos na sua formação académica, logo, no seu futuro. Explica que, após ganhar o prémio, resolveu anular a sua matrícula no curso de Educação Física da UniCV para poupar o dinheiro da propina que deveria pagar durante os meses das férias escolares e aplica-lo na compra da passagem para Portugal. Por conta disso, adianta, não concluiu o primeiro ano da formação universitária e ficou ainda sem estudar em 2026. Agora, diz, corre o mesmo risco em 2027 devido ao impasse e a polémica instalados no seu processo de inscrição e matrícula na Atlântico Business School. Ele que pretendia fazer o curso de Gestão de Negócios e depois prosseguir a sua formação em Educação Física, área da sua preferência.
Perante as evidências, Vanilson Alves deixou de acreditar num resultado positivo, se o processo continuar a depender do expediente da organização do concurso Miss Inter-Liceus de Cabo Verde. Por isso decidiu assumir as rédeas do caso, tal como, revela, aconteceu com o vencedor do prémio em 2024. Um colega que, conta, conseguiu ir cursar na referida escola, mas apenas um ano após ganhar o prémio. Neste caso, prossegue, esse vencedor esteve na eminência de perder a oportunidade pelas mesmas razões. Acabou por conseguir ultrapassar uma alegada apatia da organização por iniciativa própria e com a ajuda de uma amiga. “Ele fez tudo á sua maneira. A organização nada fez para o ajudar!”, revela o citado jovem.
Acrescenta que, se ficar a depender de Steven Rocha, jamais irá estudar em Portugal porque, nas tantas vezes que foi abordado sobre a matéria, sempre alegou estar à espera de respostas da referida escola ou que as inscrições já estavam encerradas.
Bolsa cancelada
Pelo andar da carruagem, Vanilson Alves terá dificuldades acrescidas para se inscrever em Portugal, mesmo que seja por iniciativa própria. Acontece que, segundo a sua mãe, Steven Rocha decidiu cancelar a bolsa de estudos. Ilsevania Alves explica que, após tantas falhas, acabou por ficar indignada, pelo que resolveu abordar o caso com o director do concurso. “Como mãe estou indignada com a falta de responsabilidade de Steven Rocha. Acho que ele não tem noção dos danos que este impasse está a ter na vida de um jovem estudante, que já perdeu 3 anos de estudo. Isto é brincar com o futuro do meu filho”, comenta.
Segundo a mãe, teve uma conversa pessoal com Steven Rocha sobre a questão da bolsa e ele disse que o processo não avançou em 2025 porque era tarde para a matrícula. Apontou como certo o ano 2026. Entretanto, ficou a saber mais tarde pelo filho de que nada iria acontecer em 2026 pelos mesmos motivos e que agora teria que ser em 2027. “Fiquei cega, completamente irritada porque, para mim, isto é abuso e irresponsabilidade”, desabafa Ilsevania Alves, que decidiu confrontar Steven Rocha com a situação através de uma mensagem. Na mesma, diz, perguntou ao organizador se tinha a noção das perdas na vida do filho e exigiu o cumprimento do compromisso ou, caso contrário, seria uma prova de que a organização do evento estava a fazer publicidade enganosa com o intuito de atrair os concorrentes. “Disse-lhe que, no fim das contas, a bolsa era uma ‘fake’, uma farsa, e que iria divulgar essa situação para a sociedade ficar a par disso.”
Em resposta a este comentário, segundo Ilsevania Alves, o director do evento ripostou que, deste modo, a partir daquele momento deixaria de existir o prémio da bolsa atribuída ao filho. Steven Rocha, segundo a fonte, acrescentou que ela poderia ir aonde quisesse e agir como lhe conviesse e que não iria permitir ser submetido a nenhum tipo de chantagem. “Respondi-lhe que, se ele tivesse um pouco de inteligência e responsabilidade, veria que não há aqui nenhuma chantagem da minha parte. Estou apenas reclamando o respeito ao direito conquistado por Vanilson”, enfatiza a mãe, lembrando que o filho cancelou a matrícula no curso de Educação Física da UniCV porque acreditou no prémio, mas que se revelou ser, afinal, uma “fake”.
Apesar do quadro, Vanilson Alves está a tentar prosseguir os estudos em Portugal, tal como era seu plano. Para o efeito, diz contar com a ajuda de um colega já que sequer Steven Rocha não lhe permite entrar em contacto com o estabelecimento de ensino.







