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Djai diz que é o morador acusado de “aterrorizar” Ribeirinha – Zona X, nega responsabilidade e direciona bateria para vizinho

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O vendedor ambulante Jailton Gomes afirma que ele é a pessoa acusada de andar a “aterrorizar” moradores da chamada Zona X de Ribeirinha com distúrbios e tiroreios, mas afirma que as fontes do Mindelinsite fizeram um relato falso e distorcido da realidade. Djai, como é conhecido, diz ter a certeza da origem da denúncia e direciona a bateria para o vizinho Nelson Gaspar e o seu “grupo”.

“Está claro que eu sou a pessoa que dizem andar a criar distúrbios na Zona X, mas não é nada daquilo que relatam. Nesta zona mora muita gente e pergunto porque resolveram escolher a minha pessoa para desferir esse ataque”, reage Djai, que fez questão de falar com a reportagem do Mindelinsite à porta da sua casa.

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Segundo este jovem pescador, é acusado de ter quebrado a viatura de Nelson Gaspar, mas nega esse facto. “Sabem quem fez isso e tenho testemunha da mãe de dois indivíduos ligados a Nelson”, defende-se, acrescentando que houve um tiroteio nessa zona, há fortes suspeitas sobre os envolvidos, mas resolveram apontar-lhe o dedo acusador.

Questionado sobre o motivo dessa animosidade, Djai conta que tudo aconteceu durante uma festa de aniversário de uma comadre realizada no passado dia 1 de outubro na sua residência. Diz que nessa noite se sentia cansado e foi para a cama. Entretanto, a dada altura escutou barulho de uma guerra e foi ver o que se estava a passar. Nisso interviu e pediu às pessoas envolvidas na escaramuça que tivessem mais respeito pela sua casa. “Em vez de reagirem com respeito, voltaram o conflito para a minha pessoa e passaram a ameaçar-me de morte”, conta Djai. Acrescenta que foi mesmo atingido num pé por um disparo e que apresentou queixa na Polícia Nacional contra o autor.

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Desde esse episódio, salienta Djai, o ambiente foi ficando mais crispado a ponto de alguns indivíduos terem tentado incendiar a porta da sua casa e atirado garrafas para o interior da residência. Por altura do Natal, prossegue, decidiu falar com Nelson Gaspar por telefone e pedir-lhe para conter o seu pessoal para poderem passar a quadra natalícia em paz. Porém, as cenas de violência, segundo Djai, continuaram a repetir-se principalmente aos fins-de-semana. Explica que isto acontece muito por causa do consumo de drogas e de álcool.

Por diversas vezes, alega Djai, a Polícia Nacional já foi acionada. Afirma, no entanto, que a intervenção da PN não tem surtido nenhum efeito. “Chegam cá, fazem a rotunda e voltam. As autoridades sabem quem anda a perturbar o sossego dos moradores, no entanto continuam focadas na minha pessoa a ponto de a PJ ter arrombado a porta da minha casa à procura de arma”, critica Djai Gomes, que foi apresentado a um juiz. Revela que nessa audiência disse claramente que não é agente da Polícia por isso não tinha nenhuma arma na sua posse.

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Djai afirma que a sua vida é dedicada ao trabalho. É pescador, mas neste momento faz serviço de vendedor ambulante, pelo que quer estar em paz na sua casa com a família.

Nelson Gaspar refuta acusações

Confrontado com as declarações de Djai, o vizinho Nelson Gaspar nega, por seu lado, qualquer responsabilidade nos incidentes registados nos últimos tempos na localidade. Afirma que passa o seu tempo praticamente em casa e questiona como pode ser apontado por Djai como o responsável das ocorrências. “Fico a saber de todas as confusões que ele faz nesta área daqui da minha casa. E daqui mesmo fico a ouvir as suas ameaças de morte contra mim e o meu filho”, diz Nelson, que mora a escassos metros de Djai.

Nelson conta que os problemas tiveram início na sequência de uma briga entre dois jovens. Segundo as suas palavras, Djai acabou por se envolver e agredir um indivíduo que nada tinha a ver com a cena. Na sequência, diz, Djai foi apartado e ficou com raiva a partir desse momento.

“Djai tem a minha casa toda apedrejada e o carro do meu filho foi quebrado”, revela Nelson Gaspar, que diz lamentar esse clima, até porque, acrescenta, Djai é padrinho de dois dos seus filhos. ”Já chegamos a conversar, mas pouco tempo depois as coisas voltam a acontecer”, diz Nelson, que nega que Djai tenha sido agredido por alguém do seu núcleo de relacionamento.

Nelson Gaspar confirma que a Polícia Nacional já esteve diversas vezes no local, mas que não consegue agir para colocar termo aos conflitos. Da sua parte, diz, não está minimamente interessado em alimentar um ambiente que só serve para criar insegurança aos moradores, em particular às crianças.

Ambiente tenso

O ambiente social na Ribeirinha Zona X está tenso e preocupante. Várias pessoas que abordaram a reportagem do Mindelinsite relatam ocorrências graves, que envolvem disparos e uso de arma branca. Um jovem acompanhado da mãe mostrou uma cicatriz no peito esquerdo de uma agressão com uma faca ocorrida há seis meses durante uma confusão na rua. Por sorte o golpe não lhe atingiu o coração.

Um outro jovem tinha sua posse um projectil de um disparo feito contra a sua casa de tambor. Mostrou uma foto do buraco na chapa e numa parede e pretendia ir registar queixa na PN.

Todos dizem querer viver em paz e pedem a ajuda das autoridades competentes.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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