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Caso mulher queimada no Porto Novo: Namorado “chocado” com ataque e aliviado com preventiva de alegado agressor

Marcelino Rodrigues de 35 anos, actual namorado de Mariana Lopes, diz estar chocado com o ataque sofrido pela companheira, que foi sufocada e sofreu queimaduras de primeiro e segundo grau no rosto, braço e pernas, e aliviado com a prisão preventiva do alegado agressor. “Ninguém esperava que o ex-namorado, que vive na antiga residência do casal, que fica próximo da casa onde moramos, fosse agredir e atear fogo à mãe dos dois filhos.”

Num exclusivo ao Mindelinsite, o actual namorado da vítima, Marcelino Rodrigues, conta que, há cerca de três ou quatro meses, ele e Mariana Lopes decidiram morar juntos. Durante este tempo, não obstante a casa ser próxima da antiga moradia do ex-casal, no bairro de Ribeira de Crujinha, nunca os dois tiveram qualquer conversa, salvo uma vez que o ex-companheiro lhe disse para lembrar que “há cemitério e cadeia”. “Foi uma ameaça, mas, como nunca mais lhe disse mais nada, relevamos. Por isso, ninguém esperava este desfecho, com Luís agredindo e ateando fogo a Mariana.”

Segundo Marcelino, antes Luís Inocêncio morava no norte do concelho do Porto Novo. Recentemente, passou a residir na antiga residência do casal, na cidade. Foi, aliás, por este motivo que Mariana procurou uma outra casa para morar. “As duas casas ficam próximas. Penso que os dois poderiam encontrar-se na rua, mas acreditava que cada um tinha seguido o seu caminho. Aliás, sequer tinha assuntos comuns, já que os dois filhos do casal são maiores”, diz, realçando que o primeiro filho tem 25 anos e está no Brasil e o segundo, no caso uma menina, 23.

Processo pendente na justiça

Para este entrevistado, o único assunto que o ex-casal poderia ter em comum era a antiga casa, mas o processo ainda está sob alçada da justiça. Sobre o dia fatídico, Marcelino Rodrigues explica que saiu de casa por volta das 6h30 para trabalhar e deixou a porta encostada, a pedido da companheira que se preparava para levantar da cama. “Acredito que, logo que saí, o Luís entrou porque, em conversa com Mariana, esta me contou que sentiu a porta a ser aberta e uma pessoa a andar dentro de casa. Pensou que eu tinha esquecido algum material em casa e permaneceu deitada.”

Luís terá entrado no quarto do casal e agarrado a ex-mulher pelo pescoço. De seguida tentou sufocá-la com uma almofada, conta. “Ela não teve nenhuma hipótese de defesa. Mariana desmaiou e, quando acordou, a casa estava em chamas. Infelizmente, não conseguiu sair porque a porta estava trancada”, descreve o companheiro, que alega que ainda não teve coragem de entrar no quarto, o comodo da casa com maiores danos. “Quando fui buscar alguns documentos em casa, evitei o quarto. Mas deu para perceber que a casa ficou destruída. Penso que cerca de 80% foi consumida pelas chamas. O mobiliário ficou perdido e a casa terá de ser totalmente pintada.”

Mas Marcelino não se mostra preocupado com os bens materiais, até porque, sobre este particular, o projecto Zé Luís Solidário já iniciou uma campanha de arrecadação de fundos para ajudar este casal. Mostra-se sim aliviado com a decisão do Tribunal, que mandou o agressor para prisão preventiva, e com a recuperação da companheira. “Estou confiante na sua recuperação porque o médico nos garantiu que ela está estável. Infelizmente ainda há riscos de infecção porque as queimaduras são profundas. Mas temos fé”, diz confiante.

Importante é a vida

Este diz também não se importar com possíveis cicatrizes. “O importante é a vida e ela está viva. Está consciente e fala normalmente” acrescenta este homem, que diz estar transtornado e chocado, assim como toda a família, sobretudo os filhos, que ficaram surpreendidos com a atitude do pai.

Informa que o alerta de incêndio foi dado pelo irmão que, ao perceber fumo e labaredas na casa, começou a gritar por socorro. Várias pessoas apareceram e tentaram abrir a porta, sem sucesso. Um individuo acabou por derrubar a porta com um pontapé e tudo indica que teve uma veia perfurada.

“Mariana nunca conseguiria sair daquela casa sozinha porque estava muito assustada. Quando derrubaram a porta, ela estava sentada no chão sem se mexer. Quando cheguei em casa – fui chamado cerca de 10 a 15 minutos depois de sair para o trabalho – encontrei-a na mesma posição. Foi retirada da casa pelos bombeiros”, assegura.

Levada de urgência para o Centro de Saúde do Porto Novo, a mulher de 41 anos foi de imediato evacuada para o Hospital Dr. Baptista de Sousa, onde passou por uma cirurgia. Está estável, mas internada nos Cuidados Especiais, de acordo com informações avançadas ontem pelo director clínico do hospital, Paulo Almeida.

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