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Tomada de posse de Giorgia Meloni como 68° Chefe do Governo da Itália

Por: Maria de Lourdes

Desde 1946, ano do nascimento da República italiana, os governos que sucederam (no arco de 76 anos) foram sempre chefiados por homens. O novo governo, presidido por uma mulher, transformou de imediato a fisionomia política deste país, dando uma reviravolta epocal na sua história.

A formalização do governo de Meloni completou hoje a sua última fase. No dia 22 de Outubro às 10.00 da manhã, o Primeiro-ministro, juntamente com os 24 ministros, antes de assumir as funções do governo, prestaram o ritual de juramento, na presença do Presidente da República italiana Sergio Mattarella, “de ser fiel à República, de observar lealmente a Constituição e as leis e de exercer as suas funções no interesse exclusivo da Nação”.

Ontem de manhã a ministra Meloni e o ministro Draghi celebraram a cerimónia que formaliza a passagem de poder entre o Primeiro-ministro cessante, Mario Draghi, e a nova Chefe do Executivo, Giorgia Meloni. Entramos assim na era do governo de Giorgia Meloni.

A vitória eleitoral e a formação do governo chefiado por Meloni foi considerado um evento épico. Independentemente da orientação política dos jornais, Giorgia Meloni foi elogiada e parabenizada por quase todos os meios de comunicação, como Primeiro-ministro e por ter formado em tempo recorde um governo composto por 18 ministros e 6 ministras, num total de 24 executivos, somente em 26 dias. Não só conseguiu redimensionar o poder de Berlusconi, evitando assim uma crise na formação do governo e um escândalo internacional, quando Berlusconi tentou boicotar a formação do seu governo. O jogo de poder entre Berlusconi e Meloni reforçou a posição da Premier, que continua a subir nas sondagens.

O poder da Premier é fruto dos resultados das eleições que atribuíram ao partido de Meloni (Fratelli d’Italia) 26 por cento dos votos, ou seja mais do dobro dos cerca 9 e 8 por cento respectivamente da Lega e da Forza Italia.

Segundo Massimo Giannini, director do jornal “La Stampa”, Meloni é uma parábola política de sucesso de todos os pontos de vista: em 2011 fundou Fratelli d’Italia com 1,96 por cento de votos e em dez anos atingiu 26 por cento, sendo hoje o primeiro partido em Itália, dando prova de grande capacidade de liderança.

A premier Meloni recebeu muitas mensagens de vários países como os Estados Unidos, da União Europeia, de todos os partidos da direita europeia e uma mensagem de elogio e de admiração do presidente da Ucrânia Zelensky, ao qual Meloni tinha anunciado uma viagem à Kiev, como Premier. Desta forma, Meloni entende manifestar claramente a sua posição política e convencer definitivamente a Europa e os Estados Unidos da sua fidelidade à Europa e ao pacto Atlântico.

Críticas ao novo governo de Meloni

Os jornais com orientação mais perto de Meloni dedicaram, com muito entusiasmo, páginas de elogios, acompanhadas com vários artigos sobre o percurso vitorioso da política e da formação do seu governo.

Contrariamente, os jornais e os partidos de centro esquerda avançaram críticas muito pesadas, contestando a composição do governo. Um executivo fraco, formado por pessoas que não possuem competências suficientes para os desafios que o governo vai ter que enfrentar, pondo em causa o “alto profilo” dos Ministros, que a Meloni tinha prometido durante a campanha eleitoral.

O governo é criticado também por graves conflitos de interesse de alguns ministros e pela familiaridade de outros. Um dos ministérios que mais preocupa os partidos da oposição é o ministério da Família, Natalidade e Igualdade de gênero, chefiado por Eugenia Roccella. Roccella foi muitas vezes criticada pela sua firme posição contra aborto, união civil, eutanásia, e o plano LGBT aprovado pelo governo Draghi, pondo assim a risco os direitos civis.

Segundo os partidos progressista e de esquerda, não se trata de um executivo influente e competente como Meloni tinha prometido na campanha eleitoral, mas um governo medíocre. Por fim resta as dúvidas e preocupações sobre a relação entre a Meloni e os partidos da extrema direita na Europa e também como ela vai conseguir controlar que a amizade e o interesse comercial entre Berlusconi, Legal e Putin não influencia o embargo contra Putin e o envio de armas de defesa à Ucrânia de Zelensky.

Todos os partidos da oposição (mesmo separadamente) já anunciaram uma oposição dura e firme. A única coisa certa que sabemos é que Itália, pela primeira vez, vai ser governado por um executivo de direita. Agora vamos aguardar a realização do programa do governo para saber como classificá-lo. Será um governo conservador ou reacionário?

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