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O Silêncio de 18 de julho: cinco anos de voz suspensa

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Domingos Barbosa da Silva

1 — O País que acorda para um Silêncio

Há silêncios que são pausas. E há silêncios que são feridas abertas.
Hoje, 18 de Julho de 2026, o país desperta para uma data que não deveria existir: cinco anos de silêncio. Cinco anos de uma ausência que não é natural, nem justa, nem democrática. Cinco anos de uma voz arrancada do espaço público e trancada entre paredes húmidas, onde o eco não se perde — apenas se contorce.

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“Um silêncio perturbador, corrosivo, coercivo. Um silêncio que tira o sono de uns e inquieta o sono de outros.” Esse silêncio não é neutro.
É um silêncio que se infiltra nas instituições, nos corredores da justiça, nos cafés onde se sussurra, nas praças onde se evita pronunciar o nome que todos conhecem.

2 — O Silêncio como Arma Política

Quando um Estado cala um cidadão — sobretudo um deputado, um advogado, um político eleito — não está apenas a punir um indivíduo. Está a testar os limites da democracia. Cinco anos de silêncio não são um acidente. São uma estratégia.

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“O silêncio tornou-se o laboratório do medo.” O povo, que deveria ser guardião da liberdade, tornou-se espectador de uma peça sombria, onde a censura veste toga e a justiça se confunde com poder.

3— A Cela da Ribeirinha e o Mundo que Escuta

Dentro da cela, o silêncio é físico:
o ranger da porta, o vento que passa pelas frinchas, a madeira que parece respirar.
Fora da cela, o silêncio é político: a ausência de debate, a recusa de esclarecimento, a transformação da dúvida em tabu. E, no entanto, o mundo escuta.
O silêncio da Ribeirinha tornou-se um rumor internacional, uma sombra que acompanha o nome de Cabo Verde onde quer que ele seja pronunciado.

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“Nenhum país democrático deve cantar o seu hino de Liberdade enquanto mantém uma voz política encerrada.”

4 — O Nome que Não se Diz

O texto pergunta:
“Quem pode adivinhar o nome desse homem?”
Mas não há adivinhação possível.
O silêncio não apaga identidades. O silêncio apenas as torna mais nítidas.
O nome que muitos evitam pronunciar é o nome que muitos outros repetem em segredo.
O nome que não dança ao vento do hino nacional é o nome que resiste dentro da cela.

5 — O Hino, o Vento e a Espada

Hoje, ao cantar o hino nacional, o povo deveria escutar não apenas a melodia, mas o vento que a acompanha.
O vento que trespassa as portas da Ribeirinha. O vento que traz consigo uma pergunta:

“Como pode um país cantar liberdade enquanto mantém uma voz acorrentada?”
A voz que chama “uma espada, uma espada!” não é violência. É justiça.
É o apelo de quem sabe que a democracia não se defende com silêncio, mas com coragem.

6 — Cinco Anos Depois: O Silêncio Já Não é Silêncio

Cinco anos de silêncio transformam-se em memória.
E a memória transforma-se em acusação.
O silêncio que pretendia apagar tornou-se símbolo de resistência.
O silêncio que deveria ser esquecimento tornou-se história.
E a história, como sabemos, nunca se cala.

O Silêncio que Pede Resposta
Hoje, 18 de Julho de 2026, não celebramos o silêncio.
Denunciamos o silêncio.
Cantamos o silêncio
Desmontamos o silêncio.
Transformamos o silêncio em palavra.
Porque nenhum país pode chamar-se democrático enquanto mantém um
representante eleito sequestrado.

E porque nenhum povo pode cantar o seu hino sem ouvir, ao fundo, a voz que falta.
Canta, irmão
Canta, meu irmão
Que a liberdade é hino
E o homem a certeza.

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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