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Lajinha: Falta de balneários e água a correr para o mar!

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– David Leite – 

1. Água jorrando da terra!

Há anos que venho refletindo sobre a praia da Lajinha e tenho por certo que faltam nela muitas coisas. Coisas que prefiro mencionar em outra ocasião, reservando esta abordagem apenas a uma delas: os balneários, ou simples chuveiros, que não existem nesse magnífico espaço de veraneio e relaxamento. 

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Existe uma sentina (os sanitários estão a degradar-se), mas chuveiros ou balneários, nada. E não há desculpa porque não falta água nas redondezas! Logo ali tão perto, junto à Praia, erguem-se as instalações da Electra mas, pelos vistos, ninguém solicitou a empresa. 

Mas não me refiro à Electra, não! A uma centena de metros da praia, há água jorrando com fartura, não da Electra mas do subsolo! Essa água provém de lençóis freáticos que num passado remoto alimentavam poços artesianos e chafarizes que eram pontos de encontro das lavadeiras. Lavavam a roupa em tanques, secavam-nas ao sol sobre as pedras escaldantes, e partiam como chegavam, com pesadas trouxas à cabeça. 

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Se a maior parte dos poços de S. Vicente fornece água salobra, aqui a água é doce, cristalina, como nos dois poços de Fonte d’Inês que até hoje abastecem os auto-tanques. Infelizmente, na Lajinha, o precioso líquido escoa-se para o mar. Justamente o mar que não precisa de água! Na realidade, a água não chega até à praia – ela infiltra-se pela vala de drenagem fluvial que se atravessa no seu caminho.

2. Quem controla as águas subterrâneas? 

A água na Lajinha não flui todos os dias, ela é controlada do interior de uma vedação onde funciona um estaleiro de construção civil. Atrás desses tapumes vai ser edificado um novo hotel há muito anunciado, mas que tarda em sair de terra. O que não se sabe é quem abre e fecha a torneira, ou se essa entidade paga direitos sobre a água. 

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Não ouso pensar que empresários ou empreiteiros de uma obra exerçam controlo sobre recursos hídricos pertencentes ao Estado (“as águas subterrâneas são do domínio público”, está escrito da Constituição, artigo 90º, § 7.c). Depreendo que o controlo dessas águas incumbe ao Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, em cogestão com as Câmaras Municipais. As águas da Lajinha seriam melhor aproveitadas com uma acção concertada entre esse Ministério e a Câmara de S. Vicente. 

3. Canalizar a água, que é “do domínio público”

Nos dias em que a água escoa da mangueira, os lavadores de carros servem-se dela para a sua faina. Alguns banhistas vêm desarear os pés, outros aproveitam para tirar o salitre do corpo.   Tudo o resto é desperdício: água a correr para o mar! E não há um balneário na Lajinha! 

Desperdiçar água num país seco como o nosso, não dá para entender! Não se entende que essa água subterrânea, sendo perene, não seja canalizada. E não apenas para algum balneário, chuveiro ou simples lava-pés na praia da Lajinha… 

Mas também para os lavadores de carros que precisam daquela água para trabalhar. Instalar-lhes um chafariz self-service para poupar a água, fornecida a custo zero. Porventura noutro espaço, mais apropriado e melhor organizado. 

E não ficaríamos de fora nós-outros que temos contrato com a Electra mas que nem por isso somos poupados de longos períodos de “seca”, como recentemente aconteceu! Quem viveu a angústia das torneiras sem água e a soberba dos auto-tanques de nariz empinado, há-de concordar comigo: grande jeito nos daria um chafariz nesses tempos de carestia! 

 Oxalá não venhamos a precisar, mas porque não prevenir

 

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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