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Mitos e medo de vacinas fazem ressurgir Sarampo no mundo

Os mitos e o medo das vacinas estão a contribuir para o ressurgimento do Sarampo em vários países. Um dos mais afectados é Filipinas, o que já levou as autoridades a anunciarem o aumento de mais de 74% no numero de casos no primeiro trimestre deste ano, em comparação com 2017. Este país asiático foi o mais recente a declarar um surto da doença — mas está longe de ser o único.

A infecção viral, altamente contagiosa, matou 111 mil pessoas no mundo em 2017, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Em seu relatório, divulgado em novembro, a OMS listou “complacência” e a maior disseminação de informações falsas sobre vacinas — em paralelo ao colapso dos sistemas de saúde de vários países — como fatores por trás do aumento de 30% nos casos de sarampo no mundo entre 2016 e 2017.

“Casos relativamente esparsos (que um país possa registrar hoje) podem rapidamente se tornar dezenas, centenas ou milhares sem a proteção dada pelas vacinas”, alertou a organização.

As Américas, a Europa e o leste da região mediterrânea sofreram os piores episódios de surto – incluindo os Estados Unidos, que viraram uma espécie de bastião do movimento anti-vacina, caracterizado pela persistência de medos e mitos sobre as vacinas e a queda nos níveis de imunização a despeito das evidências científicas sobre os benefícios da imunização.

A queda nos níveis de imunização em países ocidentais tem sua origem, de forma mais ampla, em uma polêmica criada pelo cirurgião britânico Andrew Wakefield. Em um artigo publicado em 1997 no prestigiado periódico The Lancet, Wakefield afirmava que a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola estaria por trás do aumento de casos de autismo entre crianças britânicas.

Uma série de estudos publicados desde então tem refutado a existência de uma relação de causa e efeito entre a vacina e o autismo — de lá para cá, a revista The Lancet acabou retirando o estudo de seus arquivos e, em 2010, Wakefield teve o registro de médico cassado no Reino Unido.

Ainda assim, suas alegações — ainda que já desmistificadas — tiveram repercussão suficiente para derrubar as taxas de imunização contra sarampo, caxumba e rubéola no Reino Unidos de 92% em 1996 para 84% em 2002. Daquele ano em diante, os níveis voltaram a subir e chegaram a 91%, ainda abaixo do recomendado pela OMS, contudo, de 95%.

Há pelo menos 11 vacinas recomendadas a bebês e crianças de até 2 anos de idade. Alguns pais consideram esse número elevado e temem que a imunização na primeira infância sobrecarregue o sistema imunológico dos filhos. Nesses casos, contudo, os fabricantes usam versões modificadas dos micro-organismos para que eles não consigam desencadear os efeitos da doença no organismo — mas prepará-lo para reagir quando em contato com o agente patogênico de fato.

Globo.com

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