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“Chuvas mais fortes dos últimos mil anos” na China

China enfrenta as maiores cheias de que se tem notícia. Há até agora 12 mortos e mais de 500 pessoas foram resgatadas de uma carruagem de metro num túnel alagado. Mais de 200 mil pessoas foram retiradas dos locais afectados na província de Henan. O Presidente da República declarou na TV Pública que os esforços de prevenção se tornaram “muito difíceis”.

De acordo com o jornal Público, uma grande parte da província central de Henan estava inundada ontem, com pelo menos doze mortos na capital, Zhengzhou, onde as chuvas que caíram na véspera foram classificadas por estudiosos do clima como “as mais fortes nos últimos mil anos”.

As doze pessoas que morreram – assim como as 500 que foram salvas – estavam numa linha de metro que ficou inundada, segundo o governo de Zhengzhou, cidade de mais de 12 milhões de habitantes nas margens do rio Amarelo, cerca de 650 quilómetros a sudeste de Pequim.

Desde a noite de sábado até terça-feira, a precipitação tinha atingido 617,1 mm de chuva em Zhengzhou – quase a média anual da cidade, de 640 mm. Um terço da quantidade total caiu durante as 16h e as 17h de terça-feira, o que “esmagou os recordes históricos”, diz a BBC. “Às 7h de 21 de Julho, foram retiradas de emergência quase 200 mil pessoas e 36 mil residentes da cidade foram afectados pelo desastre”, disseram responsáveis da cidade de Zhengzhou numa declaração citada pela emissora alemã Deutsche Welle.

O Presidente Xi Jinping confirmou que “alguns rios ultrapassaram os níveis de monitorização, a água passou algumas barragens, alguns serviços ferroviários foram cancelados, causando muitas vítimas e perdas materiais”, disse. “Os esforços de prevenção tornaram-se muito difíceis”.

Com os transportes paralisados, muitas pessoas que não conseguiam sair dos locais em que estavam desde a véspera. Outras abrigaram-se em livrarias, cinemas ou museus. “Temos até 200 pessoas de todas as idades que aqui se abrigaram temporariamente”, disse Wang, um funcionário do Museu de Ciência e Tecnologia de Zhengzhou. “Demos-lhes massa instantânea e água quente. Passaram a noite numa grande sala de reuniões”, contou.

A cerca de 3 quilómetros, o maior hospital da cidade, com sete mil camas, ficou sem energia, incluindo a de reserva, e tentou relocalizar de urgência cerca de 600 doentes em estado crítico. O hospital já conseguiu, entretanto, restaurar o fornecimento eléctrico, diz a BBC. O correspondente Stephen McDonell afirma que muitos factores contribuíram para estas cheias numa região que já tem propensão para que os rios passem o nível habitual.

Diz ainda que cientistas têm avisado que a construção de barragens veio exacerbar os problemas das alterações climáticas nas zonas de cheias: as ligações entre rios e lagos foram cortadas pelas barragens e as planícies que alagavam e absorviam muita da água das chuvas do Verão já não o fazem.

C/Publico.pt

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