EconomiaEscolha do Editor
Tendência

Oportunidades na pandemia: Jovem faz doces e salgados para driblar desemprego no Mindelo

Aos 25 anos, a jovem Eliana Sofia Monteiro, residente na zona da Ribeirinha em S. Vicente, estava desempregada e de nada servia as muitas formações feitas na área do turismo em plena pandemia da Covid-19. Inconformada, começou a fazer gelados em casa e, com os poucos ganhos, passou a produzir bolos para venda. Volvidos poucos meses, hoje já emprega outras pessoas e acaba de registar a sua empresa na Casa do Cidadão em S. Vicente. 

Em entrevista ao Mindelinsite, Eliana revela que, por conta da sua formação académica, chegou a trabalhar numa agencia de viagens e turismo e como recepcionista em hotéis em S. Vicente e no Sal. Na sequência, fez uma outra formação de “Restauração e Bebidas” na Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde, seguido de um estagio no Hotel Decamaron na Boa Vista. “Acumulei muita experiência, mas sentia-me inquieta. De volta a S. Vicente, fui convidada para ser gerente de um restaurante na zona de Cruz João Évora, de nome Nôs Tamper e, em 2019, trabalhei no restaurante Cave d’ Oro, no centro de Mindelo. Mas, em Janeiro fiquei desempregada”, relata. 

Ainda a pandemia não tinha chegado ao país, mas decidiu fazer uma pausa para refrescar as ideias, depois desta sequência de formações, estágios e empregos. “Quando quis regressar ao mercado, foi impossível. Estávamos em plena pandemia e os restaurantes e hotéis estavam com as portas fechadas. Como minha mãe tem formação na área da cozinha, pensei que poderíamos juntar e fazer algo. Infelizmente não tínhamos recursos financeiros, pelo que comecei por fazer gelados e, com o ganho, confeccionava bolos para venda. Saía para vender nas ruas e deu certo”, afirma Eliana, que admite ter sido alertado por muitas pessoas por causa da pandemia da Covid-19.

“Também tinha medo, mas tomava todas as precauções. Usava mascara e andava com álcool gel. E, felizmente, conseguia vender todos os produtos rapidamente, desde bolos, pizzas, tortas, tartes, etc. Os ganhos foram investidos na compra de equipamentos de pastelaria que me permitiram aumentar a produção. Por conta disso, em pouco tempo comecei a recrutar mais pessoas para me ajudar a fazer as vendas na rua”, informa.

Entretanto, devido a demanda, Eliana viu-se obrigada a ficar em casa para produzir junto com a mãe e deixar a venda de rua para pessoas contratadas. É que, paralelamente, criou a pagina na internet “Doces da Paz”, que recebe muitos pedidos de encomenda. Animada, no passado dia 01 de Novembro ela decidiu criar a sua empresa na Casa do Cidadão.

Estou muito satisfeito com o rumo que as coisas estão a tomar e espero, num futuro próximo, conseguir um financiamento para expandir. Aliás, já estive na Pro-Empresa e em outros lugares para fazer pesquisa de mercado porque pretendo abrir um espaço para venda de refeições quentes e pastelaria no rés-do-chão da nossa residência – moro com a minha mãe e meu irmão – na Ribeirinha”.

Enquanto estes sonhos não se concretizam, Eliana pretende continuar a fazer produtos para festa, por encomenda e para venda na rua, nomeadamente bolos, pudins, brigadeiro, gelado, cocada, queijada, pizza, torta, tarte… No seu pouco tempo livre está a fazer uma formação em Gestão de Recursos Humanos. “Neste momento o meu salário não é fixo e é bem menor, mas nada se compara com a satisfação. Tem dias que os pedidos são muitos e outros nem por isso, mas estou a trabalhar com a minha mãe, em casa, sem pressão. E, ao pouco, estou a adquirir tudo o que preciso para o meu sonho maior, que é o de ter um espaço próprio para venda de alimentos e pastelaria.”

A jovem acredita que vai conseguir antecipar este sonho, desde que consiga um financiamento, até porque a casa da sua mãe tem muito espaço. Aliás, já pensa inclusive em abrir um pequeno restaurante no primeiro piso e contratar mais pessoas. “Sou uma pessoa muito optimista”, assume. 

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo