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Abandonado durante anos na Av. Marginal, “Edificio Baía” começa a ser convertido em apartamentos de alta qualidade

Era uma das notícias mais aguardadas em São Vicente por causa da má imagem que há anos tem vindo a conferir à Avenida Marginal, o cartão postal da cidade do Mindelo. As obras inacabadas do hotel, que estiveram abandonadas por quase três décadas, muitas vezes servindo de abrigo para toxicodependentes, foram retomadas esta semana. O Edifício Baía, localizado de frente para uma das baías mais belas do mundo, começou a ser convertido em apartamentos para venda.

Esta informação foi confirmada ao Mindelinsite por Margarida Évora, uma das promotoras deste investimento familiar que começou por ser o projecto de um hotel, mas que, por falta de experiência na área, teve de ser reformulado. “Eramos oitos irmãos. Três já faleceram e ficaram cinco, mas nenhum tinha formação na área de hotelaria, então interrogávamos o que fazer com o hotel. Na altura falamos em fazer apartamentos, mas nem todos concordaram. Além disso, quem tinha colocado dinheiro no projecto era um dos irmãos que viva nos Estados Unidos e que faleceu”, explica.

Foi o início de um revés no seio da família porque os herdeiros do irmão-falecido optaram por se afastar do investimento. “Na altura, a minha prioridade era também os meus filhos, que se preparavam para ir para a universidade. Então o projecto foi colocado em standby. Foram longos anos com a obra parada. Mas, após a minha aposentadoria, a família voltou a falar no projecto. Após anos a recusar, decidimos vender o tosco. Mas sempre tivemos a preocupação em saber a origem do dinheiro porque entendíamos que ninguém iria fazer lavagem de capital à nossa custa.”

Confrontados com estas exigência, segundo Margarida Évora, todos os potenciais compradores desapareciam. Foi então que o projecto despertou interesse dos promotores do empreendimento Dom Paco. “Fizeram um estudo da estrutura e o relatório final revelou que o edifício estava em condição. Foram ao banco, mas precisavam de dinheiro para comprar e reconstruir o imobiliário, então acabaram por desistir. Fomos então abordados por uma empresaria chinesa, que estava verdadeiramente interessada em fechar negócio, mas foi surpreendida com a morte do pai e decidiu fixar residência no Canadá. Foi assim que decidimos avançar.”

Deste modo, de acordo com Margarida Évora, os irmãos reuniram-se, fizeram o seu trabalho de casa e procuraram a Caixa Económica, que aceitou financiar o projecto na totalidade. “Conheciam o prédio, que tem uma excelente localização, e financiaram a obra no montante de 300 mil contos. Lançamos o concurso, que foi ganho pela empresa CFS – Construções Figueiredo Soares. As obras arrancaram de imediato e vão prolongar-se por 10 meses. Os trabalhos neste momento visam basicamente converter a estrutura antiga do hotel em apartamentos de um, dois e três quartos, e ainda um espaço comercial no rés-do-chão e na cave do edifício.”

Rumores para reduzir preço

Questionada sobre as informações que circularam na cidade do Mindelo há alguns anos – segundo as quais o edifício estava interditado pelo Tribunal da Comarca de São Vicente por causa de fissuras na estrutura e que implicavam a sua demolição – Margarida Évora responde que foram boatos lançados com o propósito de reduzir o preço de venda. “Estas informações foram postas a circular por pessoas mal intencionadas com o único propósito de baixar o valor e adquirir o edifício ao desbarato.”

A maior prova, diz, é que o banco financiou o projecto sem questionar. “Temos um estudo a provar que a estrutura é estável e vamos fazer um novo; inclusive já contratamos dois engenheiros para actualizar os dados. O edifício, ao contrário do que as pessoas dizem, nunca teve infiltração nem da água do mar e nem da chuva porque tem uma base forte, que foi feita pelo meu irmão Gabriel Évora, que é engenheiro civil com experiência comprovada. Nunca iria fazer algo com baixa qualidade”, declara.

Aliás, segundo Margarida Évora, os materiais foram importados de fora, desde ferro a produtos de impermeabilização. “Nunca entrou água no edifício, nem por osmose e nem da chuva. Já o último piso do tosco, como não estava acabado, sofreu muita acção do ar salino. Por isso decidimos que será quebrado, mesmo contra as recomendações dos engenheiros. É algo que queremos fazer por uma maior segurança. Vamos fazer uma boa protecção e meter um novo laje no último piso para evitar surpresas no futuro.”

Contabilizando o tosco já feito, os custos para adaptação do projecto e mobiliário, a família Évora está a investir cerca de 300 mil contos no Edifício Baía e, dentro de dez meses, as obras estarão concluídas. O cumprimento do prazo de execução está salvaguardado no contrato de execução, que prevê penalidades se este for ultrapassado e incentivos se forem concluídas antes do tempo. “Isso dá-nos garantias de que o prazo será respeitado”.

Entretanto, os apartamentos já estão a ser reservados e, em alguns casos pré-vendidos, tendo em conta a excelente localização do Edifício Baía.

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