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Técnico da equipa Eidaka critica decisão do Conselho de Disciplina da FCA sobre dois protestos similares: “Mesma situação, pesos diferentes”

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A decisão do Conselho de Disciplina da FCA relativa a dois protestos apresentados pelas equipas de andebol feminino da UTA e da Eidaka foi criticada pelo treinador deste segundo clube, que perdeu o contencioso e viu gorada a sua presença no campeonato nacional da modalidade. Para o técnico Renato Delgado, o caso era, em primeiro lugar, da competência do Conselho Jurisdicional e, em segundo lugar, alega que o órgão de recurso tratou uma situação idêntica com pesos diferentes.

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Especificamente, “Nhô Rei”, como é conhecido, revela que o Conselho de Disciplina decidiu atribuir derrota por falta de comparência à equipa da Eidaka no segundo jogo dos playoff do regional de S. Vicente – por ele estar no banco de treinador sem inscrição -, quando a formação adversária usou também um técnico de forma irregular. Explica que tanto ele como Elton Almeida, oficial B da UTA, estavam nas equipas técnicas das duas formações sem a competente inscrição federativa. Deste modo, reconhece que, com base nas regras da Federação Internacional de Andebol, nenhum deles poderia estar a orientar os respectivos clubes nos jogos oficiais do campeonato de São Vicente do escalão feminino.

“Esta situação tem, no entanto, uma explicação. Acontece que iniciamos a época feminina às pressas e tivemos que arranjar uma terceira equipa para podermos ter uma prova regional válida. Da nossa parte, recorremos a atletas jovens, algumas da seleção sub-17, para serem integradas na equipa e darmos início ao campeonato”, revela Nhô Rei. Adianta que, devido ao tempo apertado, a Associação pediu-lhe que entregasse a ficha de inscrição das jogadoras e que outros expedientes seriam efectivados mais tarde.

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Deste modo, foram disputados o Torneio de Abertura e o Campeonato com as equipas da UTA e da Eidaka orientados por técnicos ainda sem inscrição regular. Do lado da Eidaka, o treinador foi Renato Delgado, enquanto a UTA chegou a levar para os jogos Elton Almeida, que, segundo consta, está apenas inscrito como jogador do Clube Vitória, em Santo Antão. “Ora, é o próprio Conselho de Disciplina da FCA que afirma no seu despacho que Elton não tem dupla inscrição, estando inscrito apenas no clube Vitória, e não na UTA. Se é assim, não podia estar também como treinador da UTA. Deste modo, eu e ele estamos na mesma situação”, contesta Renato Delgado, que abre um parêntese para elogiar e agradecer o apoio que o colega Elton Almeida tem dado ao andebol de São Vicente nesta época.

Na partida em questão, a segunda da fase final dos playoff, à maior de três, Elton Almeida estava como Oficial B e não foi quem assinou a contestação por parte da UTA. O protesto surgiu após vitória da Eidaka, que empatou a disputa e teria deixado a decisão definitiva para a terceira e última jornada. “Ao saber que protestaram o jogo, alegando que eu não estava inscrito, fiz a mesma coisa e pelos mesmos motivos em relação ao técnico da UTA”, esclarece Nhô Rei, para quem há aspectos que podem ser trazidos à tona por causa da decisão do CD da Federação Cabo-verdiana de Andebol. Porém, diz, prefere não tocar nesses pontos porque o andebol de São Vicente está acima de outros interesses. Adverte, entretanto, que a posição da FCA sobre a matéria é contraditória, sem argumentos coerentes.

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Assim sendo, a formação da Universidade Técnica do Atlântico – UTA – será a segunda representante de São Vicente no campeonato nacional de andebol feminino, juntamente com o Amarante, campeã de Cabo Verde em título. A competição era para arrancar neste fim-de-semana, mas a prova foi adiada devido a “sérios” constrangimentos com o transporte interilhas das delegações, segundo a FCA. Em comunicado emitido no dia 13 de julho, a federação diz que tem desenvolvido “todas” as diligências necessárias junto das operadoras de transporte aéreo e marítimo, mas persistem “limitações significativas” que comprometem a normal realização dos campeonatos masculino e feminino.

Entre os principais constrangimentos elenca a inexistência de lugares disponíveis nos voos entre Praia e Mindelo, Boa Vista-Praia e Fogo-Praia. Acrescenta que as opções marítimas também não permitem responder às necessidades. Por isso, a FCA informa que pode vir a ser necessário reprogramar o calendário dos nacionais, sem avançar as próximas datas.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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