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ONAD castiga 4 jogadoras do Seven Stars: Clube prepara recurso e denuncia “acto de puro revanchismo”

Quatro jogadoras da equipa de andebol do Seven Stars foram sancionadas pela ONAD com quatro anos de suspensão de actividades desportivas oficiais na sequência de processos-disciplinares instauradas por essa organização. O castigo abrange as atletas Rosângela Andrade, Nádia Pereira, Carina Santos e Indira Gandy e está relacionado com um incidente ocorrido no pavilhão Vavá Duarte no dia 4 de julho quando estavam em pleno treino. Seven garante que vai recorrer e acusa a ONAD de cometer acto de “puro revanchismo”.

Conforme a ONAD, as referidas atletas foram punidas porque recusaram se submeter ao controlo antidopagem ao serem abordadas no Gimnodesportivo por técnicos da Organização Nacional Antidopagem. A ONAD relata que as quatro jogadoras foram abordadas pelo agente Gilson Victória, acompanhado das colegas Edliane Afonso e Romira Mendes, para as notificar para controlo de dopagem fora de competição.

O relatório adianta que Gilson Vitória dirigiu-se ao treinador Jorginho Varela e informou-o que, depois do treino, ele e as colegas iriam proceder à notificação das 4 atletas para serem submetidas à recolha de urina para teste antidoping. Logo após o treino, diz a ONAD, o técnico do Seven comunicou as atletas a presença dos agentes para serem submetidas ao controlo. “Seguidamente, a atleta Rosângela recusou submeter-se ao controlo porque, segundo a mesma, a ONAD não tinha enviado nenhuma notificação prévia à equipa para que as atletas fossem submetidas ao controlo”, relata a ONAD. Posto isto, prossegue, Rosângela Andrade telefonou para um dirigente do Seven comunicando-lhe da presença dos técnicos da ONAD. Diz o relatório que o dirigente do clube disse à atleta, bem como às restantes notificadas (Nádia, Indira e Carina) para não efectuarem o teste.

Nisto, o agente Gilson Vitória perguntou a cada uma das jogadoras se iriam submeter-se ao teste e as mesmas responderam negativamente. Deixaram claro, segundo a ONAD, que respondem perante a direção do Seven e esta deu indicação para que ninguém fizesse o controlo. Em suma, as quatro jogadoras foram castigadas com 4 anos de suspensão das competições oficiais, “salvo participação em programas de educação antidopagem ou de reabilitação…”

Esta medida suscitou a pronta condenação do Seven Stars, que já entregou o caso ao seu advogado para remeter um recurso ao Tribunal da Praia e ao WADA Foundation Board. “Independentemente do processo de recurso em andamento, queremos afirmar que estamos perante um acto de puro revanchismo e sem precedentes na história do desporto cabo-verdiano”, afirma o presidente do Seven em comunicado. Francisco Livramento enfatiza que a sanção é tremendamente exagerada e desproporcional num desporto puramente amador e foi aplicada pela ONAD apenas para mostrar serviço à comunidade desportiva.

O responsável do Seven afirma que a ONAD nunca esteve ao serviço do desporto nacional, tendo sido transformada num instrumento de pura perseguição aos atletas. A seu ver, as instituições desportivas requerem muita sensatez na hora das decisões que podem afectar o desporto cabo-verdiano, “mas esta decisão inédita da ONAD revela muita imaturidade e revanchismo”.

O Seven volta a sublinhar que no recurso denuncia duas situações que considera gravíssimas: a “pressão psicológica” e as “sessões de terror” contra as referidas atletas por parte do presidente da ONAD e “tentativa de aliciamento” das jogadoras por técnicos da organização para que denunciassem jogadores que usam substâncias proibidas. Caso colaborassem, as atletas do Seven teriam as penas reduzidas.

No comunicado, Francisco Livramento garante que o clube tem testemunhos desses factos e pergunta o que é feito dos processos levantados a atletas de outras equipas.

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