
O espetáculo “Cabral, a Última Lua do Homem Grande”, da companhia cabo-verdiana Sikinada – Companhia de Teatro, numa coprodução com a portuguesa Teatro Art’Imagem, vai ser apresentado esta quarta-feira, dia 04 de março, no Teatro da Associação Casa Velha, em Maputo, no quadro do evento de encerramento do Programa ProCultura.
Esta é19 ª apresentação desta peça desde a sua estreia a 20 de Janeiro de 2024, informa a Sikinada, realçando que o espetáculo já foi visto na cidade da Praia, em S. Vicente, no Sal, no Maio, em Bissau (Guiné), Maia e Loulé (Portugal). Por onde passa, são rasgados elogios tanto ao texto como à interpretação.
Criada a partir do romance homónimo de Mário Lúcio Sousa, com dramaturgia e encenação de Flávio Hamilton, retrata a vida de Amílcar Cabral, figura incontornável da história do arquipélago. A interpretação é da responsabilidade do conhecido ator João Paulo Brito, com direção de produção de Raquel Monteiro e José Pedro Bettencourt (Sikinada) e Sofia Leal (Art’Imagem).
A sinopse refere “um homem, cuja identidade não se pode precisar de forma clara, irrompe a cena. Está tudo calmo. Tem, contudo, a súbita impressão de que é atingido. Dúvida, no entanto, por breves instantes: “deram-me um tiro?”. Algo lhe diz que a hora chegou. Que hoje é o seu último dia. A sua lua derradeira. A última luta? O Homem Grande encontra-se, porém, sereno, consciente que morrerá, de pé, como uma árvore secular.”
“O relógio vai impondo a sua matemática de subtração, indiferente a tudo, estabelecendo a ordem dos acontecimentos. Chegou a hora de todas as horas. Medo? Nem por isso. Ele nunca foi deste mundo; soube-o desde sempre.”
Entende este grupo que é preciso juntar os cacos e contar a “história de Homem Grande” e fazer um teatro com os “os pés na terra e olhos nas estrelas”, de Cabo Verde para o mundo, um teatro contemporâneo a partir das raízes. “Desde o início, a ideia de dar voz aos nossos artistas, para contar as nossas estórias e histórias, como aliás quisemos deixar plasmado no documento de oficialização da companhia. Voz aos nossos músicos, voz aos artistas plásticos, …Voz à nossa dramaturgia”, sublinha, em comunicado.
Foi assim que, prossegue, em 2018, num cruzamento de vontades e projetos, a ideia de contar, em cena, a história do homem Amílcar Cabral, Homi Grandi, se transformava em projeto. Parceira de longa data da Sikinada, o Teatro Art’Imagem, abraça também esta iniciativa. “Às gentes de Sikinada e Art’imagem juntaram-se outras gentes, artistas, amigos, cúmplices, que faziam sentido neste projeto, que faziam sentido neste momento, para contar a parte da nossa história”, indica.
Nascia assim este monólogo, onde o ator se confunde com a personagem. Amanhã será a vez do público em Moçambique testemunhar este espectáculo, com magnifica interpretação de João Paulo.






