PAICV considera que últimas medidas tomadas pelo Governo de UCS podem condicionar gestão do Executivo de Francisco Carvalho

Medidas tomadas pelo Governo-cessante nos últimos dias estão a ser mal digeridas pelo PAICV, partido vencedor das eleições legislativas, por entender que poderão condicionar o Executivo liderado por Francisco Carvalho e prestes a tomar posse. Em declarações à imprensa, Carlos Tavares, porta-voz do Conselho Nacional dessa força política, afirmou que se está perante “atitudes vergonhosas” por parte do Governo de Ulisses Correia e Silva, que se encontra neste momento em gestão corrente.
Dois aspectos vindos à baila foram o aval de seis milhões de dólares publicado esta semana pelo Palácio da Várzea – para reforço da operação da Cabo Verde Airlines – e a aquisição de um barco em segunda mão para a linha marítima Fogo-Brava. Para Carlos Tavares, conforme noticia a Inforpress, essas atitudes são “imorais” e constituem uma “vergonha”, podendo condicionar o novo executivo que toma posse a 19 deste mês. O deputado eleito salientou que tais práticas não devem “fazer escola” em Cabo Verde, pois colocam em perigo o sistema de direito democrático nacional.
Este ponto pode ser suscitado no encontro previsto para segunda-feira entre Ulisses Correia e Silva e Francisco Carvalho para início do processo de transição governativa. A reunião visa a natural passagem de pastas e assegurar uma transição institucional organizada, responsável e em conformidade com os
princípios democráticos.
Através de comunicado, o Governo-cessante afirmou que o aval de 6 milhões de dólares autorizado à Linhas Aéreas de Cabo Verde não constitui um novo financiamento à empresa, mas sim uma garantia dos dois aviões ATR 72-600 adquiridos em 2025, com o intuito de dotar a companhia aérea das condições operacionais necessárias para assegurar a conectividade aérea nacional. Acentuou que, para manutenção do leasing operacional dos aparelhos, o Estado de Cabo Verde teria que emitir uma garantia até julho deste ano. Se esta medida não fosse tomada, prossegue em nota de esclarecimento, a empresa entraria em incumprimento contratual, o que resultaria na retirada imediata dos aviões de circulação e no cancelamento dos voos inter-ilhas.
Sobre a compra do barco, o Executivo salienta que se destina à operação marítima na linha Brava/Fogo/Brava e a transação foi formalmente autorizada através da Resolução n.º 136/2025, aprovada em Conselho de Ministros em 3 de dezembro de 2025 e publicada no Boletim Oficial n.º 120, I Série, de 4 de dezembro de 2025. Reforça que a autorização governamental existe desde dezembro de 2025, vários meses antes da assinatura do contrato de aquisição, ocorrida em março de 2026.
Entretanto, o PAICV reconfirmou o compromisso de reforçar a conectividade entre as ilhas, reduzir os custos dos transportes marítimos e aéreos e garantir gratuitidade da saúde e do ensino superior público. A informação, noticia a Inforpress, foi conferida por Carlos Tavares, à margem da reunião do Conselho Nacional do referido partido, encontro que ratificou a indigitação de Francisco Carvalho a Primeiro-ministro e apreciou ainda as linhas gerais do futuro programa do Governo.
O porta-voz do CN considerou que as linhas de governação apresentadas são “realistas” e “ambiciosas”, centradas na valorização das pessoas, tendo apontado oportunidades e potencialidades que, nas suas palavras, não foram suficientemente exploradas pelo anterior executivo. Entre as prioridades, destacou a reforma do Estado, com vista à redução das “gorduras” da máquina pública, de forma a libertar recursos para áreas essenciais ao desenvolvimento nacional.






