Amílcar Graça, mais conhecido por Micau d’ Lajinha, acusa o presidente da Federação Cabo-verdiana de Voleibol (FCVV) de o afastar da cerimónia de encerramento do Volleyball World Beach Pro Tour – Lajinha e de desrespeitar os seus 35 anos dedicados ao voleibol. O presidente António Rodrigues rejeita todas as acusações, assegurando que “100% do que foi dito não corresponde à verdade”. Garante ainda que as alegadas dívidas da edição de 2025 que este diz estar ainda a pagar foram resolvidas.
Esta reação desde dirigente desportivo surge depois de Amílcar “Micau d’ Lajinha” Graça ter anunciado o seu afastamento da modalidade, alegando ter sido desrespeitado pela federação durante a cerimónia de encerramento do torneio e afirmando que ainda suporta dívidas da edição anterior da competição. Em uma publicação no facebook e posteriormente em entrevista ao Mindelinsite, Graça explicou magoa por uma alega tentativa afastamento, após 35 anos de dedicação ao voleibol.
“O presidente e o vice-presidente da Federação Cabo-verdiana de Voleibol tiveram a coragem de me excluir de agradecimentos, depois de tudo o que fiz”, escreveu, afirmando que nauta causa suja aconteceu desde o Ministro Carlos Monteiro que o iludiu com promessas não cumpridas até o “esquecimento” do seu nome nos agradecimentos. Micau criticou igualmente a ausência das autoridades, inclusive da Câmara Municipal da cerimónia de encerramento. “A Câmara Municipal de S. Vicente foi a maior patrocinadora do Pro Tour e não foi convidada para entregar prémios. É um desrespeito para a ilha. Também não convidaram o Comando da Primeira Região Militar, nem o Comandante da Polícia Nacional para o encerramento.”
Para este entrevistado Mindelinsite, este ano o descontrolo foi total. “No ano passado, a minha empresa, Magra Eventos, assinou um contrato para realizar o Pro Tour e tudo foi feito, desde logística, comunicação, etc. A parte dos jogos, ficou a cargo da Federação Cabo-verdiana de Vôlei. Este ano, desde o inicio fui afastado. O Ministro do Desporto assinou um contrato – programa com a federação, que assumiu a organização. Tudo isso porque cobrei uma divida pendente, sendo que ele se comprometeu a disponibilizar cinco mil contos e cobriria depois as despesas restantes. Fiquei com as dividas”, desabafou.
Este ano, afirma, a federado assumiu a organização da competição, mas pediu-lhe para procurar patrocinadores e assim liquidar as dívidas e custear o seu trabalho. Segundo Amilcar, infelizmente conseguiu apenas dois patrocinadores. Os montantes conseguidos não foram sequer suficiente para cobrir o seu trabalho. Mesmo assim foi confrontado pelo presidente da federação, que exigiu-lhe parte do valor arrecadado. Recusou e foi afastado e silenciado. “Da minha parte, estou totalmente desligado do Voleibol. Se for trabalhar, terá de ser em outro modelo e co outras pessoas. Com esta federação nunca mais.”
Confrontado, António Rodrigues explicou que a candidatura de Cabo Verde ao Pro Tour partiu da própria federação, depois de obter validação da entidade internacional para organizar a prova em São Vicente. Segundo o dirigente, Amílcar Graça foi convidado desde o início a integrar a organização por ser uma figura ligada ao voleibol de praia na ilha. “É alguém que sempre trabalhou connosco e entendemos que devia envolver-se neste projeto”, afirmou.
Rodrigues refere que o projeto inicial, elaborado em conjunto entre Amílcar Graça e a comissão técnica da FCVV, foi orçado em cerca de 10 mil contos e posteriormente apresentado ao Ministério do Desporto. Deste montante, segundo explicou, o Instituto do Desporto e da Juventude (IDJ) disponibilizou cinco mil contos, depositados na conta de Amílcar Graça. Paralelamente, acrescentou, o então ministro do Desporto, Carlos Monteiro, mobilizou vários parceiros institucionais e empresariais, como a Impar, BCN, Enapor, Ministério do Turismo e Ministério do Mar, para apoiar a realização da prova.
Federação admite dificuldades, mas diz que situação foi ultrapassada
O presidente da FCVV reconhece que surgiram dificuldades financeiras durante a organização da edição de 2025, mas garante que estas foram ultrapassadas. “Houve alguns problemas e algumas dívidas, mas acredito que tudo foi contornado”, afirmou. Entre as divergências, António Rodrigues refere a decisão de Amílcar Graça de assumir despesas relacionadas com o transporte de atletas nacionais para São Vicente, num valor superior a 200 mil escudos.
“Tínhamos atletas nacionais para trazer para a competição e entendemos que, enquanto organizador local, cabia-lhe assegurar essa parte. Posteriormente, a federação começou a procurar meios para devolver esse valor”, explicou. Questionado sobre a alegação de que Graça continua a suportar dívidas, Rodrigues evitou confirmar. “O que posso dizer é que foram feitos vários pagamentos, a árbitros, dirigentes e outras estruturas, e temos os recibos. Além disso, os cinco mil contos disponibilizados pelo IDJ foram entregues ao Amílcar. Penso que o orçamento do ano passado ficou totalmente resolvido”,.
Relativamente à edição deste ano, António Rodrigues reforçou que a federação decidiu, por orientação técnica, assumir a coordenação da organização. Ainda assim, disse que Amílcar Graça foi convidado a colaborar na angariação de patrocínios em São Vicente, podendo retirar uma parte das verbas obtidas como remuneração pelo trabalho desenvolvido. “Como conhece bem o tecido empresarial da ilha, entendemos que poderia ajudar a localizar empresas e conseguir apoios. Dentro dessa lógica de prestação de serviços, ficaria com uma parte e entregaria outra à federação”, explicou.
Segundo Rodrigues, a federação acabou por não utilizar os apoios angariados por Amílcar Graça, financiando a competição exclusivamente com os cinco mil contos disponibilizados pelo IDJ. “Esse valor está a servir para pagar árbitros, prémios, passagens nacionais e internacionais, alojamento e outras despesas. É insuficiente, mas estamos a conseguir gerir a competição”. Na sua perspetiva, Graça esperava receber uma compensação financeira semelhante à inicialmente prevista no projeto. “Penso que ele idealizou que conseguiríamos pagar-lhe algum valor, mas infelizmente não conseguimos resolver sequer todos os nossos próprios problemas financeiros”, declarou.
Exclusão da cerimónia de encerramento
Sobre a principal crítica de Amílcar Graça — a alegada exclusão da cerimónia de entrega dos prémios — António Rodrigues desvaloriza a situação. Segundo explicou, os troféus foram entregues por representantes dos patrocinadores e de várias entidades presentes, entre elas BCN, Impar, Enacol e a própria Federação. Quanto à alegada ausência da Câmara Municipal de São Vicente, Rodrigues afirma ter contactado pessoalmente o vereador do Desporto. “Ele explicou-me que dificilmente conseguiria estar presente devido aos compromissos relacionados com o Festival da Baía das Gatas”, disse.
O dirigente federativo acrescenta ainda que, na edição anterior, Amílcar Graça, apesar de ser o organizador local, também não participou na entrega dos troféus. “Somos amigos e sinceramente não vejo motivo para esta mágoa apenas por não ter sido chamado naquele momento”, concluiu.







