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Reabilitação do Mercado de Peixe do Mindelo consignada ao consórcio SGL, Tecnovia Cabo Verde e Tecnovia Madeira

O ministério da Coordenação de Projectos Especiais e Acesso a Fundos, através do Centro de Coordenação Integrada de Projectos, assinou na manhã desta sexta-feira, 11, com o representante do consórcio SGL – Tecnovia Cabo Verde – Tecnovia Madeira, a consignação das obras de reabilitação do Mercado de Peixe de São Vicente, do caís e do espaço envolvente. A empreitada, financiada pelo Banco Mundial, terá um prazo de execução de 18 meses e prevê a transformação do atual espaço num mercado mais moderno, funcional e resiliente, sem perder a identidade histórica do edifício.

Concretizado este acto, espera-se para breve o arranque dos trabalhos de reabilitação e modernização do Mercado de Peixe de São Vicente, num investimento na ordem dos 500 mil contos, no âmbito do Projeto Turismo Resiliente e Desenvolvimento da Economia Azul. A cerimónia foi presidida por José Carlos Varela, ministro da Coordenação de Projetos Especiais e Acesso a Fundos, que destacou a importância do projeto para a transformação da cidade do Mindelo e para o reforço da sua atratividade.

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Para o efeito, serão melhoradas as condições de funcionamento, organização, higiene, segurança alimentar e conforto dos operadores e utilizadores do mercado, abrangendo também o circuito do pescado, desde o desembarque até à sua comercialização. Contempla ainda uma intervenção integrada no mercado, no cais e no espaço público envolvente. No cais, estão previstas melhorias nas condições de desembarque do pescado e na ligação entre o mar e o mercado, procurando tornar o circuito mais funcional e adequado às necessidades dos operadores. “O futuro mercado será organizado em dois pisos. No rés-do-chão ficarão as áreas destinadas à venda e tratamento do pescado, restauração e espaços envolventes. O primeiro piso contará com um pequeno anfiteatro, área de restauração e escritórios de apoio ao funcionamento do mercado”, detalhou a engenheira civil Sarah Fortes. 

Engenheiro Nuno Gomes da CCIP e Eng Silvino Saltos – Consorcio SGL/Tecnovia Cabo Verde e Tecnovia Madeira

Esta responsável afirmou que uma das preocupações centrais do projeto é modernizar o espaço sem apagar a sua história. Neste sentido, afirmou, está prevista a conservação da fachada histórica do mercado voltada para a Avenida Marginal, bem como de elementos patrimoniais existentes no interior do edifício.

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Para o presidente da Câmara de São Vicente, esta intervenção responde a uma necessidade há muito sentida na ilha e representa uma oportunidade para dotar o mercado de condições à altura da importância que ocupa na cidade. “O mercado já necessita dessas obras, dessa modernização. Estamos em outros tempos”, afirmou Augusto Neves, defendendo que a nova infraestrutura deverá proporcionar melhores condições às peixeiras, pescadores, tratadores, comerciantes e operadores. O edil mindelense sublinhou ainda a sua importância turística, considerando o mercado uma das “salas de visita” da ilha e um ponto de contacto privilegiado entre a cidade, os seus habitantes e os visitantes.

O autarca destacou igualmente o impacto que a intervenção poderá ter na zona, defendendo que a melhoria do mercado e dos espaços envolventes contribuirá para valorizar uma das áreas mais emblemáticas do Mindelo. “Queremos ter realmente o nosso mercado moderno, à altura de São Vicente”, frisou, agradecendo o envolvimento do Governo e a confiança dos financiadores.

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Augusto Neves garantiu, entretanto, que até o final deste mês as vendedeiras de peixe estarão no mercado improvisado na Praça Estrela, sendo que estão a aguardar apenas as bancadas para fazer esta mudança. “Já estão feitas as ligações de água e esgoto. Até final deste mês faremos a mudança. Vou ver com a oficina que está a fazer as bancadas o prazo para a entrega para podermos agendar a passagem. Temos de começar a obra em breve porque já passou algum tempo.” 

Presidente da CMSV, Augusto César Neves

Governo pede vigilância para evitar atrasos

Por seu turno, o ministro José Carlos Varela classificou a intervenção como uma “grande obra”, não apenas pela dimensão financeira, mas sobretudo pelo impacto que poderá ter no turismo e na economia local. Segundo o governante, os mercados constituem espaços privilegiados para os turistas conhecerem a realidade de cada ilha, desde os produtos consumidos pela população até às formas de comercialização e aos hábitos do quotidiano.

“Os turistas privilegiam os nossos mercados”, salientou, defendendo que a modernização do Mercado de Peixe de São Vicente permitirá apresentar aos visitantes uma infraestrutura melhor preparada e, simultaneamente, proporcionar maior dignidade aos profissionais que ali trabalham. José Carlos Varela aproveitou para apelar à participação de todos os intervenientes na fiscalização da obra, incluindo a Câmara, o Ministério das Pescas, os próprios operadores e os serviços responsáveis pelo acompanhamento do projeto.

Ministro da Coordenação de Projectos Especiais e Acesso a Fundos, José Carlos Varela

Alertou particularmente para a necessidade de se evitar atrasos ou interrupções durante os 18 meses previstos para a execução. “Não estaremos em condições de sujeitar atrasos, que as obras fiquem paradas ou abandonadas”, afirmou, apelando à colaboração institucional para se garantir que a intervenção seja concluída dentro do prazo e com a qualidade prevista. O governante pediu também que o processo de instalação das peixeiras seja tratado com a maior brevidade, de modo a permitir o arranque efetivo dos trabalhos.

A intervenção enquadra-se numa estratégia mais ampla de valorização da economia azul e do turismo resiliente, procurando transformar o Mercado de Peixe num espaço capaz de responder às exigências atuais de higiene, segurança alimentar, comercialização e atendimento ao público. Da agenda do ministro José Carlos Varela na ilha de São Vicente consta uma visita ao Centro de Saúde de Monte Sossego. No período da tarde, fará uma visita aos estaleiros da Cabnave, acompanhado por João do Carmo, ministro dos Transportes e do Mar, no âmbito do contacto com instituições e parceiros locais.

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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