
A 14.ª edição do Mindel Summer Jazz vai decorrer num formato mais compacto, devido a limitações financeiras, mas a organização garante que o festival manterá a identidade e a qualidade artística que o tornaram uma referência cultural em Cabo Verde. A edição deste ano, marcado para os dias 30 e 31 de julho, prestará ainda uma homenagem, em vida, ao músico Morgadinho, que celebra 95 anos.
Em conferência de imprensa, Alexandre Novais, admitiu que a preparação da edição de 2026 do Mindel Summer Jazz foi uma das mais difíceis desde a criação do evento. ”Foi uma edição muito difícil. Foi tirada a ferro”, afirmou, explicando que a falta de garantias financeiras atempadas chegou a colocar em causa a realização do festival.
Felizmente, o entendimento alcançado entre os parceiros institucionais e privados permitiu salvar a edição. “Tivemos perto de desistir, mas todos compreenderam que o Mindelo não podia ficar sem este evento”, sublinhou, agradecendo o apoio da Câmara Municipal de São Vicente, do Ministério da Cultura e de parceiros privados como a Alou e o Grupo Impar.
Perante um orçamento entre 30 e 40% inferior ao habitual, a organização reformulou o programa, mantendo as principais referências musicais, mas reduzindo o número de atividades. Habitualmente distribuído por dois dias, com iniciativas como o Mindel Summer Junior, exposições, workshops e artes plásticas, o festival concentrará terá apenas um dia na Pracinha do Liceu Velho, mantendo, no entanto, a tradicional pré-abertura no Pontão da Marina.
Pré-abertura reforçada
De acordo com a organização, a pré-abertura, marcada para quinta-feira, continuará a ter entrada gratuita, mas será mais centrada no jazz do que em edições anteriores. O palco receberá atuações da Orquestra Sabe Sebim, Voginha Milles Band e Kyra Tavares, a par do projeto MS Junior.
Já no segundo dia, na Pracinha do Liceu Velho, atuarão o Matos Trio, formado por Carlos Matos, Andu e Elias, seguindo-se o projeto Pret & Bronk, composto por Kaly Angel, Buna, Ivan, Elias e Zé Carlos. O encerramento ficará a cargo do baixista Munirs Hossn, que regressa ao festival para apresentar o seu mais recente trabalho, Elas. “Mesmo reduzido, não podíamos baixar o padrão. O Mindel Summer Jazz tem uma marca e uma exigência que queremos preservar”, afirmou Vou Monteiro.
Um dos momentos altos será a homenagem ao músico Morgadinho, distinguido pela organização por sua trajetória artística e pelo contributo para a divulgação da música cabo-verdiana. Novais explicou que a organização contactou previamente o artista e a sua família, que acolheram com satisfação a iniciativa.
Para Alexandre Novais, Morgadinho simboliza a ligação entre Cabo Verde e a diáspora, refletindo uma identidade cultural construída entre o arquipélago e França, onde desenvolveu grande parte da sua carreira. “Morgadinho representa plenamente a diáspora do Cabo Verde global”, afirmou, acrescentando que a homenagem ganha um significado especial num ano em que o país viveu momentos de afirmação internacional, nomeadamente com a prestação histórica dos Tubarões Azuis no Mundial de Futebol.
Apesar das limitações financeiras, a organização garante que o público poderá esperar “dois dias de elevada qualidade, muita musicalidade e um ambiente que queremos marcar esta cidade do Mindelo”.






