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Cabo-verdianos testemunham inauguração do Jardim Amílcar Cabral em Roma no dia em que se assinalou o seu 102.º aniversário 

Um número significativo de cabo-verdianos residentes em Itália e as mais altas autoridades da cidade de Roma testemunharam no sábado, 12 de setembro, a inauguração do Jardim Amílcar Cabral, localizado na Via Corinto, numa cerimónia que reuniu ainda personalidades ligadas à cultura e à memória das lutas de libertação africanas. A iniciativa assinalou o 102.º aniversário do nascimento deste que é uma das figuras mais emblemáticas do continente africano.

A inauguração foi uma homenagem ao líder do movimento de independência das colónias portuguesas em África, pensador e defensor da liberdade, da paz e dos direitos humanos, afirmou o embaixador de Cabo Verde em Itália. Estevão Tavares destacou ainda o significado da homenagem, lembrando que Roma acolheu, em 1970,  Cabral e outros líderes africanos durante a Conferência Internacional de Apoio aos Povos das Colónias Portuguesas.

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Defendeu ainda o diplomata que a atribuição do nome de Cabral a um espaço público em Roma contribui para preservar e transmitir às novas gerações os valores de liberdade, igualdade, tolerância e respeito pelos direitos humanos. Já o professor Giorgio de Marchis, da Universidade Roma, considerou particularmente simbólica a escolha de um jardim para homenagear Cabral. Lembrou o seu percurso como engenheiro agrónomo e a sua visão sobre a terra como um bem comum e elemento fundamental para a dignidade e autonomia dos povos.

Afirmou que o busto ficou mesmo em frente ao Instituto “Giuseppe Armellini”, a escola de Piero Bruno, um jovem estudante romano falecido em 1975, durante uma manifestação em apoio à independência de Angola. “Não é por acaso que este local leva o nome de Amílcar Cabral, pois aqui Cabral está entre amigos, mas gostaria também de sublinhar o quão acertada é a escolha de dedicar precisamente um jardim a um revolucionário que foi também agrónomo”, afirmou este catedrático. 

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Em nome da Fundação Amílcar Cabral, através de uma mensagem assinada por Pedro Pires, este saudou a decisão da cidade de Roma, considerando-a uma homenagem de alcance histórico e um reconhecimento da dimensão mundial da figura de Amílcar Cabral. “Os familiares, os membros da nossa Fundação e os admiradores do nosso Herói Nacional sentem-se gratificados por esta elevada honra de alcance histórico e têm o prazer de saudar a vossa decisão reconhecedora e de vos manifestar os seus agradecimentos mais sinceros”, referiu.

Na mensagem, a Fundação agradece igualmente as entidades individuais e coletivas que estiveram na base desta iniciativa, das quais destaca o Presidente do 8° Município de Roma Amadeo Ciaccheri, a conselheira da Comuna Antonella Melito, Andrea Mulas da Fondazione Lelio e Lisli Basso, Maria de Lourdes e Marzio Marzot da Tabanka Onlus, Bruna Polimeni e Mário Meo. 

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A iniciativa teve origem numa proposta lançada durante as comemorações dos 50 anos do assassinato de Cabral e contou com o envolvimento da Fundação Lelio e Lisli Basso, da Tabanka-onlus, de representantes do Município de Roma e da sociedade civil. Para Lourdes Camelita, da Tabanka-onlus, a inauguração do jardim estabelece um forte vínculo entre Cabo Verde, Guiné-Bissau e Itália, perpetuando a memória do líder africano sob o lema: “Cabral ka more”.

O dia 12 de setembro, aniversário do nascimento de Cabral, foi celebrado com um forte vínculo que se estabeleceu entre Guiné-Bissau, Cabo Verde e Itália, que batizou o jardim de Via Corinto, “Jardim Amílcar Cabral”.

 

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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